Há duas semanas, em comemoração ao lançamento da segunda edição de meu livro "Interação mediada por computador", lancei esta promoção para o sorteio de 3 volumes. Vejam abaixo as respostas que chegaram à provocação: "O que estão perdendo aquelas pessoas que não lêem blogs?":

Saulo Carvalho
Quem não lê blogs está perdendo uma excelente oportunidade de interagir com a informação que consome, escolhendo, construindo, destruindo, qualificando, referenciando, espalhando… Será que isso tem tanta importância assim na "era da informação"?
Edton
Não ler blogs é rejeitar a oportunidade de enriquecer-se intelectualmente, elevar o senso crítico e a capacidade de leitura, além de perder a oportunidade de aumentar o círculo de amizades com pessoas que possuem e formam opinião.
Fabio Montarroios
Estão perdendo textos sem lead; vídeos de pessoas sem o adesivo "REPORTAGEM" no carro; não ouvem um técnico de futebol dando explicações no vestiário; e nada de nomes famosos e do pessoal da TV. Mas o mais impressionante é que elas se encontram lá e se deparam com a tal da liberdade de expressão.
Hans Peder Behling
Um Blog foi o espaço mais interacional numa disciplina de especialização em EaD na UNISUL. A boa vontade em participar, aliada a uma plataforma mais familiar e amigável do que o AVA permitiu trocas mais ricas entre os interlocutores. Assim, todos ampliaram seus repertórios individuais, significando e ressignificando várias vezes os assuntos em debate.
Amarílio Floriano
Não estão perdendo nada, assim como as pessoas que não seguem os estudos, não vão ao teatro, não fazem planos, não discutem sua comunidade, não tecem redes de conhecimento/relacionamento, não querem saber de computador, não se arriscam, não sonham, não vivem. Não sei é o que ganham.
Rafael Reinehr
A comunicação é, deste modo, a superação da radical não-comunicabilidade da experiência vivida enquanto vivida". Esta frase de Paul Ricoeur resume o significado da Blogosfera: um retorno à capacidade humana de comunicar suas vivências em intensidade e alcance até então inimagináveis.
Joel Minuscul
Quem não lê blog perde a oportunidade de conferir informações que vão além da mera informação, que é regida pelo olhar opinativo do blogueiro e desenvolvida através dos comentários dos leitores. Ou seja, perde a oportunidade de de participar de um processo em que as pessoas deixam de ser meros leitores, para construir de forma coletiva o conhecimento.
Patrícia Pizzigatti Klein
Perde quem a blogs não lê a forma mais autêntica e democrática de produções que temos hoje: culturais, literárias, críticas, imagéticas, experimentais e o que mais se experimente. Perde encontrar pessoas que pensem como ou diferente da gente, em qualquer lugar que estejam, e assim, a oportunidade de trocar experiências com um mundo novo.
Mônica Elisa Moreira de Albuquerque
Aquele que não lê blog perde a oportunidade de se inserir num lugar onde as facilidades das mídias digitais se perfazem com maior ênfase. Além da sociabilidade, da interatividade e do processo comunicacional mais igualitário, proporciona um espaço perfeito para o conhecimento e o pensamento crítico.
Lia
Quem não lê blogs perde terabytes de informações relevantes e em primeira mão; perde trabalhos importantes por não encontrar as pessoas ou as fontes certas; perde a possibilidade de conhecer pessoas com interesses similares.
Ana Priscila Clemente
As pessoas que não lêem blog estão perdendo a oportunidade de discutir a construção do conhecimento.
Juliana Marciano
As pessoas que não lêem blogs estão perdendo os verdadeiros bastidores da notícia, seja ela de cunho jornalístico, crítico ou meramente distrativo. Perdem a chance de receber a informação sem filtros. Perdem a chance de lidar com vários pontos de vistas e de dar vida ao próprio. Perdem a chance de se transformarem em seres ilimitados.
Vicente Medeiros
Estão perdendo a oportunidade de receberem informações objetivas e segmentadas, além de limpas de tendências e de interesses de anunciantes. Perdem, também, a chance de estabelecerem um canal com o emissor, característica que sempre foi inviável desde a história do jornalismo. Be Logged, internautas!
Allysson Viana
Os que não lêem blogs perdem a oportunidade de se debruçarem num espaço que serve como vigorosa fonte de registro e conhecimento, que proporciona um lugar para discussão, instigando a reflexão e formação do pensamento crítico. Logo, perdem a possibilidade de se inserirem numa esfera pública digital.
Jackson Medeiros
Pessoas que não lêem blogs perdem ao não conhecer opiniões diversificadas. A blogosfera permite que muitas visões de um mesmo fato sejam absorvidas, discutidas e disseminadas, sendo assim capazes de criar conhecimento.
Marta Maia
Quem deixa de ler blogs perde a paciência. Paradoxal? Sim, porque nessa enorme teia que é a rede, há informação em todos os pontos. Se você não tem referências ficará enredado, sem saída. Há que se conhecer para desconsiderar. Há que se ver, se ler, para saber e se inteirar.
Camila
Quem não lê blog perde em não conhecer diversas opiniões, ora sobre o mesmo tema, ora sobre temas diversificados. Perde a oportunidade de saber da "boca de quem escreve" o que este alguém pensa, sem editor ou coisa parecida. Quem não lê blog, sobretudo alguns como o do Alex, deixa de saber as noticias mais quentes do ciberespaço, da vida, do mundo.
Rildo Ferreira dos Santos
Quem não lê blogs participa apenas daquilo que a classe hegemônica nos proporciona participar, ou seja, fica sabendo apenas aquilo que quer que saibam, ainda que a verdade esteja escamoteada. Os blogs representam a autonomia da intelectualidade já dito por Kucisncki. Neles conseguimos acessar alguns saberes que os donos dos meios não querem que saibamos. É libertador! É a expressão viva da democracia e do direito de expressão de todos e todas e de cada um, sem que alguém nos diga "isso não vamos publicar!".
André
Estão perdendo a chance de estar atualizados com as tendências, novidades, idéias, informações e tudo que os melhores blogs da Internet podem fornecer. Pensar em coolhunting, NoMedia, mídia externa, etc. sem buscar dados, novidades e inspiração nos blogs é quase impossível.
Suzana Silva
Acho que podem haver várias razões para as pessoas que não lerem blogs:
- Poderá ser porque muitas pessoas ainda não têm conhecimento do que é realmente a Internet e o mundo que a rodeia (dificuldades financeiras na obtenção de um computador, ignorância, têm o computador mas não têm acesso à Internet, etc.;
- Poderá ser porque nem sabem o que significa a palavra blog;
- Poderá ser porque mesmo sabendo o que são blogs não sabem como criar um;
- Poderá ser porque após criarem um blog não sabem como colocar lá informação, nem aplicações para tornar o blog mais interactivo;
- Poderá ser porque sabem o que são blogs, sabem criar um mas acham que poderá ser uma perca de tempo;
- Poderá ser porque perdem imenso tempo a alimentar o blog e isso requer dedicação e muita disponibilidade;
- Poderá ser porque por inumerosas razões dependendo da opinião pessoal de cada um, da experiência pelo mundo da Internet, por falta de tempo, acesso a um computador, internet, etc.
Acho que da forma como a sociedade está evoluindo, a palavra blog assim como outras monoculturas associadas ao mundo virtual, devem ser exploradas por todos independentemente da raça, religião, idade ou nível de escolaridade. O mundo está a evoluir, evolua também!
Marcelo Muraro
Aquelas pessoas que não lêem blogs estão perdendo a oportunidade de conhecer novas oportunidades de interação, socialização e obtenção de informações na web. Ainda não estão "conectadas" neste novo ambiente virtual.
Marco Hisatomi
Ao ler e participar de BLOG cria-se interação, de forma assíncrona, porém de construção do conhecimento. Esta interação tem objetivos infinitos, pois diferentes pessoas e de várias áreas do conhecimento podem colaborar e ampliar o conhecimento. Portantol, as pessoas devem ler os Blogs.
Nívea Braga
O Ministério da Saúde adverte: blogs são o melhor remédio para lidar a veloz circulação de informações na contemporaneidade.
Quem não os lê, perde a chance de compartilhar interesses e opiniões em escala global. Perde a chance de tentar construir (e constituir) novos espaços de debate e troca de idéias.
Perde a oportunidade de obter informações variadas sobre tudo, até mesmo sobre política, futebol e religião - um farto e variado self service de informações, em contraposição ao serviço a la carte dos meios de comunicação social tradicionais.
E neste caso, especificamente, perde-se a chance de ganhar um livro imperdível como este que trata os diferentes tipos de interação midiáticas. Cadê o meu, Primo?
Wellington Borges
A meu ver, as pessoas que ainda não lêem blogs o fazem por falta de familiaridade com este gênero. Apesar da velocidade com que ele tem se popularizado, devemos considerar que ele ainda é algo novo para muita gente. Eu mesmo não tinha o hábito de ler blogs a um ano trás e agora me considero um leitor assíduo. Inevitavelmente, blogs se tornarão mais e mais populares. Até lá, quem não lê blogs deixa de ter uma valiosa ferramenta de acessoa à informação (que aliás, abrange conteúdos que vão desde o que vai acontecer em telenovelas à metadiscussões como esta).
Deco Salgado
R: Tempo.
Mônica Schieck
Se lembrarmos do atentado as Torres Gêmeas, em 11/09, onde a imprensa ficou impedida de divulgar detalhes do que estava acontecendo e foi nos blogs que as informações ganharam o mundo; se na campanha para Presidente em 2006 a força da militância foi estimulada, também, pelos blogs de apoio ao Lula; se durante a guerra do Iraque houve uma inversão na cobertura da imprensa, os blogs pautaram o jornalismo impresso; se o atual candidato a Presidência dos EUA, Baracak Obama, além de utilizar todas ferramentas disponíveis na rede, mantém o Blog Obama'08 com informações atualizadas sobre sua candidatura desde dezembro de 07; pode-se afirmar que, hoje em dia, quem não busca a informação através dos blogs está para além de desinformado!
Paulo Santos
Quem não ler blog, no mínimo, está perdendo de acompanhar um fenômeno fantástico dos nossos dias. Uma mídia que tem oferecido a cada individuo (ou entidade) uma maneira de comunicação já mas vista e que irá evoluir nos próximos anos aquirindo cada mais poder de interferir em temas grandes,de mudar a nossa realidade.
Ana Lúcia Galdino
As pessoas que não lêem blogs continuam sendo manipuladas pela mídia e seus formatos "massificadores". As "fontes" utilizadas nos veículos tradicionais, hoje estão disseminando o conhecimento que possuem sem precisar de atravessadores. Os blogs e as redes sociais estão socializando o conhecimento de uma forma irreversível.
jrbenk
"Estão perdendo o fio da meada. Pelo menos são wireless."
Marcelo Borges Almeida
O que fazem as pessoas??
Usam PCs, acessam o internet Explorer, finalizam arquivos para gráfica no Power Point, diagramam com Comic Sans, não sabem como se faz um JB e compram um iPhone para telefonar… tsc
Walter Araújo
Estão perdendo a chance de se manterem informados por um meio muito mais democrático e de construir a informação juntamente com o meio. Aqueles que só acessam os meios de comunicação tradicionais se limitam a apenas receber a informação editadas pelos mesmos. Perdem a oportunidade de desenvolver a capacidade de comunicação que todos temos e que será cada vez mais utilizado no futuro. E viva a interação!
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Pois aqui está a lista dos ganhadores do livro:
- Suzana Silva
- Nívea Braga
- Vicente Medeiros
Por favor, entrem em contato comigo através do formulário de contato para combinarmos a entrega. Parabéns! E obrigado a todos que participaram da promoção, com frases criativas e boas argumentações 

Não pude esconder minha alegria ao ouvir de Luis Gomes, editor da Sulina, que a primeira edição de meu livro havia esgotado. Em um país que pouco lê, e tratando-se de um livro teórico, a venda de 1000 exemplares da primeira fornada em pouco mais de um ano é uma honra.
Por isso, queria celebrar com vocês o lançamento da segunda edição de meu livro "Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição".
No dia 27 de outubro, vou sortear 3 livros para aqueles que responderem esta questão até o dia 26:
- "O que estão perdendo aquelas pessoas que não lêem blogs?"
Para participar, utilize o formulário de contato deste blog (encontre essa aba no topo da página). As respostas não podem ter mais de 300 caracteres. Ao final do texto, por favor inclua uma autorização de publicação de seu texto aqui neste blog.
Ah, claro, vale apenas uma resposta por pessoa! 
Como membro da diretoria da ABCiber, reproduzo aqui a nota pública que estamos divulgando.
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A ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA, preocupada com o teor do Projeto de Lei Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo, que conjuga o PLC n. 89, de 2003, e os PLSs n. 76 e 137, ambos de 2000, e que tramita no Senado Federal para votação em breve, faz saber à sociedade brasileira e, em particular, às autoridades constituídas e à comunidade científica nacional o seu INTEGRAL APOIO, na forma da presente NOTA PÚBLICA, à carta-aberta de autoria dos Profs. Drs. André Lemos (UFBA) e Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero), membros do Conselho Científico Deliberativo desta Associação, conforme segue:
EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA
A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.
A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.
O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos softwares livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.
E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, "Educação e Carreira", ou seja, acesso a sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência.
Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.
Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comuns dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!
Se formos aplicar uma lei como essa às universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa, já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos… Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.
Por estas razões, nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários, apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara n. 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000 e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.
São Paulo, 07 de julho de 2007.
ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA
DIRETORIA
[Gestão 2007-2009]
Presidência
Eugênio Trivinho (PUC-SP)
Vice-Presidência
Theóphilos Rifiotis (UFSC)
Secretaria Executiva
Henrique Antoun (UFRJ)
Secretaria de Finanças
Alex Primo (UFRGS)
Diretoria Científica
Vinicius Andrade Pereira (UERJ)
Diretoria de Comunicação
Fernanda Bruno (UFRJ)
Diretoria Cultural
Simone Pereira de Sá (UFF)
Diretoria Editorial
Marcos Palacios (UFBA)
Conselho Fiscal
Francisco Rüdiger (PUC/RS)
Gilbertto Prado (USP)
Marco Silva (UERJ e UNESA)
CONSELHO CIENTÍFICO DELIBERATIVO (CCD)
[Gestão 2007-2009]
Adriana Amaral (UTP)
André Lemos (UFBA)
Diana Domingues (UCS)
Erick Felinto de Oliveira (UERJ)
Fátima Régis (UERJ)
Francisco Coelho dos Santos (UFMG)
Francisco Menezes Martins (UTP)
Gisela Castro (ESPM)
Juremir Machado da Silva (PUC/RS)
Lucia Santaella (PUC-SP)
Lucrécia D´Alessio Ferrara (PUC-SP)
Luisa Paraguai Donati (UNISO)
Othon Jambeiro (UFBA)
Rogério da Costa (PUC-SP)
Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro (UFRJ)
Sandra Portella Montardo (FEEVALE)
Sebastião Squirra (UMESP)
Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero)
Sueli Mara Ferreira (USP)
Suely Fragoso (Unisinos)
Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC)
Tendo em vista um incidente que ocorreu neste fim-de-semana na lista de discussão da Compós, quero aqui discutir alguns procedimentos éticos no desenvolvimento de mailing lists.
Neste domingo, um relações públicas envia uma mensagem para a lista (também traduzida para o inglês!) com a seguinte informação:
É um prazer contar com seu endereço eletrônico em meu cadastro para envio de informações sobre eventos culturais, entre outros.
Respeitando a política anti-spam, solicito que responda a este e-mail caso deseje ser removido deste mailing com a palavra REMOVER no campo assunto.
Logo em seguida, diversas mensagens aparecem na lista com o título "REMOVER". Outros tantos e-mails são enviados em protesto à prática daquele RP. Mesmo que o autor da mensagem inicial tenha voltado à lista para pedir desculpas pelo "transtorno", a enxurrada de mensagens ainda prossegue.
Há muito tempo se discute, principalmente na Europa, quais seriam as boas práticas para a criação e assinatura de newsletters. Existem dois procedimentos básicos para a sua criação (veja os sub-tipos aqui):
- Opt-in: o internauta deliberadamente solicita a assinatura de uma newsletter. No caso do uso de um site para esse fim, a caixa para a seleção dessa opção deve vir desmarcada. Tal prática em sites que exigem algum tipo de cadastro garante ao internauta o direito de não assinar um serviço de forma desavisada;
- Opt-out: os internautas são incluídos na lista de distribuição por uma empresa ou profissional interessado em divulgar suas informações. As pessoas que não tem interesse naquelas newsletters precisam entrar em contato para pedir a remoção de seus endereços eletrônicos. No que toca o preenchimento de cadastros em sites, o método opt-out já apresenta a caixa de assinatura marcada. O internauta precisa desmarcar essa opção se não deseja passar a receber a newsletter ou propagandas de "parceiros".
Do ponto de vista de quem produz as newsletters, todas as pessoas que ele incluiu no mailing list devem ter interesse em suas informações. Por outro lado, ele dirá que as pessoas insatisfeitas com o serviço têm o direito de solicitar o cancelamento da assinatura. Mas, pergunto, quem lhe deu o direito de cadastrar os endereços eletrônicos de todas aquelas pessoas, para quem ele passa a "empurrar" todo o tipo de informações? Nesse sentido, mesmo que o produtor da newsletter possa insistir que têm uma política anti-spam, o envio não solicitado de uma newsletter, mesmo que apenas em uma oportunidade, já se configura como prática de spam.
Além de não ter seguido os procedimentos éticos da criação de uma newsletter (mesmo que se diga que aquele RP tenha incluído o endereço da lista da Compós de maneira inadvertida), ele desencadeou um processo que muitos chamam de "vírus social".
Todos sabemos que um vírus de computador é um pequeno programa que prejudica o desempenho da máquina. Por outro lado, a prática do envio de e-mails seqüenciais acaba causando um problema equivalente. Ter de apagar sucessivos repasses de correntes, rumores e pedidos demandam tempo e fazem uso desnecessário da conexão à Internet. Ou seja, o vírus social se refere a uma prática que onera a rede e não um software maligno.
É justamente isso que vem agora acontecendo na lista da Compós. O envio de pedidos de remoção do endereço de e-mail solicitado pelo e-mail do RP exige que todos os outros assinantes recebam a mesma mensagem. Ou seja, sua prática spammer não apenas incluiu o endereço da lista de discussão da Compós (utilizando o modelo opt-out) como gerou um efeito de "vírus social".
Dois temas que andam hoje muito populares: marketing viral e memes. Contudo, preocupa-me o fato de que tanto um quanto o outro partem de uma visão que aborda a comunicação como mero processo transmissionista. Lava-se tudo o que se sabe sobre subjetividade, discurso, implicações sócio-políticas, condicionamentos dos dispositivos materiais, etc. Por outro lado, o hype em torno das pesquisas sobre aquelas temáticas têm conferido sobrevida à perspectiva de difusão de inovações, muito popular nos anos 60-70, mas que perdeu força em virtude de seu viés funcionalista.

A ressurreição de tal aboradagem alimentou-se da chamada "nova" ciência das redes e das discussões sobre emergência. Barabási, expoente do primeiro grupo, lidera aqueles que não se cansam em comparar processos sociais à disseminação de epidemias. O jornalista Steven Johnson, por sua vez, prefere comparar o comportamento social humano à formação e manutenção de formigueiros e colméias. (Em tempo: utilizo muito esses autores, mas discordo das analogias que utilizam).
Apesar da sedução dessas metáforas, tão didáticas e bonitinhas (!), não podemos esquecer que a transmissão viral é um processo aditivo. Uma pessoa infectada transmite o vírus, que passa para outra, que repassa para um terceiro e assim por diante. Qualquer criança que já brincou de telefone sem fio sabe que a comunicação interpessoal não funciona dessa forma. Mesmo assim, no imaginário da cibercultura, como nos lembra meu amigo Erick Felinto, tudo é traduzido em termos informacionais.
No último congresso da IAMCR, realizado em Paris (ah, Paris!), a pesquisadora Virginia Nightingale fez uma dura crítica ao determinismo biológico que tanto aparece em periódicos, livros e congressos sem encontrar uma maior análise crítica. Ironicamente, ela comenta que a própria idéia de teia (web) nos coloca no mundo dos insetos antes que nos demos conta!
Virginia afirma que a simples inteligência dos insetos é um dos modelos preferidos em pesquisas de inteligência artificial. Contudo, essas explicações biológicas, reduzem a agência humana às respostas intuitivas dos "insetos sociais". Para ela, o perigo de tais analogias, que naturalizam as relações sociais e descrevem a cibercultura como sendo determinada biologicamente, reside no fato que elas ignoram as estruturas de poder que limitam a expressão e os relacionamentos.
Enquanto você pensa em seu comentário, vou ali fazer um pouquinho de mel com as abelhas companheiras…
PS: Este post se inspira no trabalho que apresentei na Intercom deste ano, onde proponho e utilizo um método para o estudo das relações sociais na blogosfera.
Se você estiver em Porto Alegre nesta sexta, está convidado a participar da sessão de autógrafos de meu livro "Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição" na Feira do Livro de Porto Alegre, às 19h30min.
Mais informações sobre o livro e arquivos multimídia sobre o tema podem ser acessados no site oficial do livro.

PS: na semana que vem o blog voltará ao seu ritmo normal.
PS2: hoje é meu aniverário!
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Depois de publicar minha "Fantástica Coleção de Geradores de Texto", lembrei que eu mesmo tinha produzido anos atrás alguns geradores de texto. O primeiro traz uma versão digital da receita de poesia dadaísta do Tristan Tzara, que produzi juntamente com Camila Gonzatto em 1999. Para visualizar o projeto, clique na imagem abaixo (você precisará instalar o plug-in Shockwave, que era popular na época. A instalação é muito rápida!).

Leia abaixo o texto que escrevi na época sobre este projeto experimental, que visava criticar a navegação determinística do que chamo de hipertextos potenciais:
A tela inicial do "Antimecanismo" apresenta um inusitado readymade. No dadaísmo, essas peças tinham o intuito de dessacralizar os conceitos de arte e artista, expondo objetos do dia-a-dia como esculturas. Os antimecanismos eram máquinas produzidas com o único objetivo de desconcertar e provocar o público. A combinação de um cabide comum de lavanderia com um vulgar mata-moscas (foto e escultura produzidas especialmente para este hipertexto) põe em conflito duas situações contraditórias do movimento: o dinâmico (o mata-moscas) e o estático (o cabide).
A escolha do título é uma brincadeira com este hipertexto que tem por trás um código fechado que potencializa o funcionamento correto do produto. Por outro lado, apesar da estrutura determinística do código, o conteúdo gerado não é nada fechado. Constitui-se então em um mecanismo que não serve para a produção de nenhum texto específico. Mesmo os links no interior de cada texto não levam para nenhum lugar que o leitor/autor planejasse, deixando-o em uma construção aleatória.
Alguém poderia argumentar que trata-se de um mecanismo para geração de textos inúteis. Um mecanismo de geração de textos que não serve para nada. Finalmente, poderia-se também dizer que o título está dentro da perspectiva dadaísta, no sentido de não ter um comprometimento em dizer qualquer coisa ou explicar a obra.
Uma das motivações que conduziu à produção deste hipertexto foi o fato de que os links apresentados em sites na Web são normalmente fruto de uma programação estreita que conduz sempre a um mesmo destino, tantas vezes o link ou botão forem clicados. Nesse sentido, e inspirado pelo anarquismo dadá, programou-se uma peça em que os links (com exceção de alguns poucos) despertam sempre resultados aleatórios e imprevisíveis. Portanto, trata-se de um hipertexto onde a relação entre cada palavra-âncora não está rigidamente determinada.
Entretanto, por trás de "Antimecanismo", mais do que uma obra dadaísta informatizada e que permite a interação de pessoas navegando na Web, há a intenção de por em discussão a questão da seqüencialidade textual. Em muitas discussões emerge uma distinção entre texto impresso seqüencial e hipertexto informático não-sequencial. Será fiel essa dicotomia?
A poesia dadaísta, na radicalidade sugerida pela receita de Tzara, toma um texto impresso e estilhaça seu ordenamento. Cada palavra torna-se um fragmento dissociado das outras palavras que compunham a mesma página. Mas, para não dizer que este pequeno pedaço de papel rasgado já não tem nenhum traço de sequencialidade, poderia-se sugerir que no interior da palavra ainda existe uma seqüência de letras que constituem a palavra e seu reconhecimento (mesmo que falte alguma letra ou contenha algum erro de redação).
Ao serem colocadas todas as palavras recortadas em um saco, os fragmentos serão mais uma vez reaproximados, mas em um novo ordenamento e em diferentes planos. Ao ser agitado o saco, as proximidades e afastamentos entre cada pedaço do texto original serão alteradas randomicamente. Poderia, paradoxalmente, dizer-se que no interior do saco em agitação as palavras não teriam nenhuma ordem entre si, ou, pelo contrário, contra-argumentar-se que estariam compondo breves seqüencialidades que logo dão lugar a outras enquanto o saco é agitado.
Ao serem dispostas na tela, as palavras sorteadas serão posicionadas com alguma relação espacial entre elas. Como foram ordenadas aleatoriamente, o leitor pode ler cada uma na ordem e direção que desejar: de cima para baixo, em diagonal, etc. Porém, mesmo que faça a leitura de forma não-convencional ele não imprime uma certa seqüência em sua leitura? Logo, poderia se falar em não-linearidade ou seria melhor pensar em multi-seqüencialidade? Uma coisa é tratar de ausência de qualquer seqüência, outra é supor diversos ordenamentos possíveis.
Finalmente, por detrás do sorteio aleatório das palavras também existe uma programação fechada. Um dos momentos de maior trabalho na produção deste hipertexto localizou-se nessa fase. Queríamos potencializar o caráter não-previsível dessa poesia. Para tanto, foi necessário a redação de várias linhas de código fechado que assegurassem o sorteio dentro dos limites planejados.
Mesmo que as palavras pareçam estarem impressas sobre os pequenos papéis rasgados, tratam-se na verdade de elementos diferentes. Queríamos que em cada sorteio uma palavra não aparecesse sobre o mesmo papel. Assim, palavras e papéis são sorteados em separado e sobrepostos visualmente. Precisou-se também fazer uso do recurso de "listas" para se evitar que um mesmo papel ou palavra aparecessem duas vezes na interface (pois o sorteio informático comum não evita isso).
Portanto, mesmo por detrás de todo movimento do aleatório, existe uma programação em um sistema fechado, guiado por um planejamento prévio e determinístico que viabiliza certas ações e proíbe outras. Logo, com este hipertexto, pretendeu-se oferecer uma interface que pudesse servir para a discussão de questões como não-linearidade, imprevisibilidade, leitura e autoria, etc.
O programa Livro Aberto, produzido pela PUCRS, está veiculando nesta semana uma entrevista sobre meu livro Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição, recém lançado pela Editora Sulina.
Meu colega Juremir Machado da Silva, como sempre, fez perguntas excelentes sobre a vida online.
Veja abaixo a primeira parte da entrevista.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=N382tTbebLQ]
Você pode ver as partes dois e três diretamente no site do YouTube.