O que "Don't Click" e #pesquisapr nos ensinam sobre o Twitter como rede social

18Fev
2009

A semana passada terminava. De repente, uma mensagem tomou conta do Twitter por estas bandas: "Don't Click: http://tinyurl.com/amgzs6″. Claro, boa parte dos twitteiros não aguentou a curiosidade e clicou, caindo nesta página: http://www.umoor.eu/blog/yes-we-can.php. Ela trazia apenas um botão que, sejamos sinceros, avisava para não se clicar. Mais uma vez os curiosos (eu incluído!) clicaram. Logo em seguida, todos os seguidores desses curiosos (incluindo os meus!) receberam a mesma mensagem: "Don't Click: http://tinyurl.com/amgzs6″.

O dia 12 de fevereiro, quando eu mesmo cliquei no "Don't Click", marcou o estouro exponencial da disseminação da praga — como também o seu fim. Vejam o gráfico abaixo (Fonte: Cnet News).

Mas o que essa experiência de clickjacking pode nos ensinar sobre o Twitter?

Desta vez tudo não passou de uma brincadeira inofensiva. Veja aqui o relato do autor da pegadinha, onde ele conta que aprendeu o truque com outro exemplo que vinha se reproduzindo na rede há duas semanas. Mas, como eu já tinha comentado antes (apesar de não ter seguido meu próprio conselho), as TinyUrls podem esconder códigos com más intenções. Cuidado, don't click! Ou melhor: Take care when clicking.

Lição 2: apesar da pegadinha inofesiva e do potencial risco envolvido, podemos mais uma vez constatar a força do Twitter como rede social. Não apenas pela rapidez com que o link se espalhou, mas também pela confiança que depositamos em quem assinamos. Eu cliquei no link por que ele foi enviado pelo Gilberto, meu orientando de mestrado. Ou seja, a rede se forma, se mantém e se dinamiza pelos laços mantidos entre seus participantes. Por outro lado, isso não quer dizer que somos máquinas clicadoras, que repassamos tudo o que recebemos. Se assim fosse, toda estratégia de marketing viral teria o sucesso esperado pelas agências. Nem tampouco podemos supor que a comunicação humana é a mesma coisa que uma transmissão viral.

Já esta semana começou com um debate sobre press release, organizado pela tag #pesquisapr. A proposta iniciou com a seguinte mensagem de rmacomunicacao: "Pesquisa rápida aqui no twitter! Conte o que vc pensa sobre o Press Release e use a tag #pesquisapr . RT, pf." Essa provocação fazia parte de uma campanha de divulgação daquela agência. De toda forma, ela nos lembra que há muito tempo o Twitter ultrapassou sua proposta inicial (What are you doing?).

Não quero aqui comentar mais uma vez como o Twitter vem sendo usado para estratégias promocionais, blá, blá, blá. Quero destacar como um grupo de interessados conseguiu manter um debate encadeado apesar de interagirem em uma ferramenta muito distinta de um fórum.

A tag é um protocolo social que precisa ser aceito e utilizado pelos participantes. Através desse recurso e do mecanismo de busca Twitter Search a discussão se organiza e pode ser recuperada. Ou seja, mesmo que o projeto inicial do Twitter focasse o simples envio de informações sobre o seu cotidiano, conversações dinâmicas e aprofundadas (apesar dos 140 caracteres) podem ser mantidas através dessa ferramenta.

Apesar dos recursos limitados do Twitter, uma rede social pode manter sua coesão conversacional a partir de um encadeamento simbólico e por protocolos sociais, como o uso de tags. Em outras palavras, é a interação que dá forma à rede social, e não apenas o botão "follow".

Parte 3/3 - A cobertura dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann em jornais, blogs e no Twitter

18Nov
2008

Nos últimos dois posts busquei relatar brevemente os dados da pesquisa que realizei sobre como se deu a cobertura e o debate dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann nos jornais, blogs e no Twitter. Na última parte desta série, quero apresentar algumas conclusões gerais (se preferir, leia meu artigo completo sobre a pesquisa).

Durante os 16 dias que acompanhamos matérias, cartas de leitores, posts e tweets que mencionavam os casos, foi possível identificar o fenômeno que chamo de "encadeamento midiático" (leia mais sobre isto neste artigo). Ou seja, observou-se uma intertextualidade entre os diferentes níveis midiáticos: mídia de massa, mídia de nicho e micromídia (e seu sub-tipo micromídia digital). Tanto os cidadãos comuns utilizaram seus posts para comentar o caso e analisar a cobertura da grande mídia, quanto estas instituições se referiram em seus jornais aos blogs e Twitter, como também se aproveitaram destes meios digitais para divulgar matérias e links para suas páginas na Web.

Quanto ao tempo, observou-se que a blogosfera reage com grande velocidade aos fatos noticiados na mídia. Como se pôde constar nos gráficos gerados pelo Technorati, assim que o caso Isabella Nardoni chegou aos veículos jornalísticos, os blogs passaram a falar ativamente sobre a menina. Se antes não se verificava a ocorrência de seu nome, assim que se noticiou o fato, o Technorati e Blogpulse apontaram picos de postagem sobre ela.

Por outro lado, o caso Madeleine, de repercussão internacional, vinha sendo pouco coberto na mídia tradicional, em virtude da ausência de novos fatos. Apesar disso, e mesmo antes do aniversário de um ano do desaparecimento da inglesa, blogs e Twitter permaneciam falando do caso. Isto é, o timing na blogosfera e em micro-blogs se diferencia daquele da mídia tradicional. Em virtude do constrangimento de espaço e tempo em rádios, TVs, jornais e revistas, só o que é mais atual e cumpre os critérios de noticiabilidade é veiculado nos veículos jornalísticos. Mesmo instituições midiáticas do mundo inteiro usaram o Twitter para tratar do caso Madeleine em dias que jornais e TVs não abordavam o tema.

Durante os 16 dias da análise dos 3 jornais da amostra, observou-se outros casos explícitos de encadeamento midiático. Veja abaixo apenas alguns deles:

  • O caderno Donna de Zero Hora, em uma matéria sobre homens na cozinha (27/04), citou blogs do nível micromidiático dedicados à gastronomia.
  • O mesmo jornal reproduz trechos do blog da cantora Maria Rita (do nível de nicho) sobre sua turnê em Porto Alegre (6/05).
  • A Folha de São Paulo fez uma nota sobre a resposta da pré-candidata Hillary Clinton à acusação de blogs políticos de que teria cometido uma "gafe racista" (9/05).
  • Em uma matéria sobre o dossiê da gestão Fernando Henrique, a Folha relatou que cópias de um post do blog de José Dirceu foram distribuídas para a imprensa durante um evento.
  • Sobre o caso Isabella, O Sul publica a seguinte matéria de página inteira (28/05): "Caso Isabella vira 'febre' na Internet. Comoção se reproduz virtualmente, e debate sobre o crime toma conta do Orkut, de blogs e portais de notícias".

Enfim, o interesse que motivou essa pesquisa foi justamente confrontar a polarização que muitos fazem entre a micromídia digital e as mídias de massa e de nicho. Além do encadeamento midiático, foi possível demonstrar empiricamente que blogs e Twitter não são apenas produções espontâneas de pessoas comuns. Como se viu, as próprias instituições midiáticas tradicionais vêm utilizando tais meios digitais para a divulgação de notícias e atração de novos leitores (e, portanto, audiências para seus anúncios). Por outro lado, esse mesmo público se expressa e interage na blogosfera e em micro-blogs debatendo as notícias lidas. Além disso, desempenham uma função de watchdog da grande mídia, avaliando e criticando as coberturas sensacionalistas.

Para além de uma simples polarização entre broadcasting e narrowcasting, a estrutura midiática contemporânea complexificou-se, ampliando as vozes e intensificando a circulação e debate de informações.

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PS: Peço desculpas ao leitores pela demora que tomou a publicação desta terceira parte. Mas nas últimas 3 semanas estive viajando por 4 destinos e em diferentes eventos. :-O

Parte 2/3 - A cobertura dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann em jornais, blogs e no Twitter

30Out
2008

Este segundo post sobre o encadeamento midiático entre blogs, Twitter e jornais dá prosseguimento à análise da cobertura e da discussão sobre os casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann.

Conforme relatei antes, todos os textos sobre aquelas investigações publicados nos 3 jornais da amostra e no Twitter foram coletados entre 27 de abril a 12 de maio de 2008. Por outro lado, como o volume de textos na blogosfera era significativamente maior, não foi possível ler e classificar todos os posts disponíveis. Logo, utilizou-se o mecanismo de busca Technorati para a geração de gráficos do volume de publicações diárias sobre os casos. Em virtude de limitação da ferramenta de gráficos desse serviço, as imagens abaixo mostram um período maior do que os 16 dias antes analisados:

Para ampliar, clique na imagem

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Os gráficos acima consideram apenas os posts que mencionavam os nomes completos de Isabella Nardoni e Madeleine McCann. Ou seja, sabe-se que o número de posts sobre os dois casos investigados é muito maior, pois muitos são aqueles que se referem às meninas apenas pelo primeiro nome ou por apelido. Mesmo assim, tal expediente foi necessário pois a filtragem de textos que tratavam de outras pessoas com os mesmos nomes não seria possível.

Como se vê, os mesmos picos observados nos gráficos do post anterior sobre as publicações no Twitter também estão presentes nos gráficos acima. O aniversário de desaparecimento da menina inglesa, a divulgação dos laudos que incriminavam o pai e a madrasta de Isabella e a entrevista da mãe desta última coincidem com um aumento significativo de postagens. Esses dados revelam que blogs e microblogs são muito responsivos à materiais jornalísticos. Esses espaços virtuais sediam um debate público continuado sobre os mais diversos temas. (Claro, deve-se reconhecer que uma importante parcela dos posts provinha de blogs jornalísticos.)

Pode-se observar que os posts sobre de Isabella Nardoni aparecem na blogosfera logo após a divulgação da notícia da morte da menina. Antes disso, não se observa nenhum post que mencione a menina. Por outro lado, diferentemente da grande mídia, a blogosfera permanecia tratando do caso Madeleine mesmo que não houvesse nenhuma notícia nova (no período anterior ao aniversário das investigações). Ou seja, os blogs oferecem mediação para que notícias não sejam esquecidas no dia seguinte ou que sejam simplesmente assimiladas sem maior crítica. Pelo contrário, no breve período investigado, e mais especificamente no Twitter (onde se fez uma categorização das mensagens), foi possível reconhecer uma reflexão pública contínua sobre os fatos noticiados, sobre violência contra crianças, como também um debate crítico sobre a exploração da mídia sobre os casos.

Veja a seguir um gráfico gerado pelo mecanismo Blogpulse que ilustra comparativamente os picos de publicação de posts que mencionavam os nomes completos das meninas.

No post de segunda-feira discutirei as principais conclusões desta investigação. Além disso, vou compartilhar o texto completo da pesquisa.

A cobertura dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann em jornais, blogs e no Twitter - parte 1/3

29Out
2008

Existe um "encadeamento" entre blogs, microblogs (mais especificamente o Twitter) e jornalismo tradicional? Essa foi uma das questões que me levou a acompanhar a cobertura de dois casos que movimentaram a imprensa e a opinião pública no primeiro semestre deste ano.

Muito discutimos sobre a importância da blogosfera no debate e na circulação de notícias. Além disso, circulam também muitas hipóteses sobre como um meio com apenas 140 caracteres (os microblogs) podem participar da cobertura de fatos noticiosos e de sua discussão. Ao mesmo tempo, circulam ainda muitas idéias preconceituosas que desconfiam que blogs e o Twitter oferecem pouca ou nenhuma contribuição social. E mais, inclusive antogonizariam com o que se entende (ou se entendia) por jornalismo.

A partir desses elementos, parti para uma observação sistemática da circulação de notícias e discussões sobre dois casos de violência contra crianças que, na época do estudo, ocupavam as primeiras páginas dos jornais. Para tanto, busquei reunir todo o material sobre os casos Isabella Nardoni e Madeleine McCain que encontrei em 3 jornais brasileiros (Folha de São Paulo e os jornais gaúchos Zero Hora e O Sul), na blogosfera (via Technorati) e no Twitter (via Twitter Search, antes chamado de Summize). O período analisado foi de 27 de abril a 12 de maio de 2008. O 16o. dia foi incluído em virtude da entrevista da mãe de Isabella no Fantástico, no Dia das Mães.

Durante o intervalo mencionado, quantificou-se o número de matérias (no miolo e na capa) e o número de cartas de leitores presentes nos 3 jornais avaliados. Os resultados podem ser observados na tabela a seguir. Vale lembrar que a dimensão das matérias (em cm/col) não foram consideradas.

No mesmo período, foram encontrados 440 tweets sobre o caso Isabella e 188 sobre o caso Madeleine (que completava naquele momento um ano de investigações). Cada uma dessas mensagens foi lida e classificada. Buscou-se avaliar se elas citavam organizações midiáticas tradicionais ou se eram de autoria dessas mesmas instituições (visando identificar o encadeamento midiático), se traziam opiniões sobre os casos, ou se faziam piada (humor negro) sobre as notícias. Tweets de outros tipos foram aglutinados na categoria "outros". Como se verá no gráfico sobre o caso Madeleine, 4% das mensagens não puderam ser avaliadas em virtude do idioma.

No primeiro caso, foram encontrados 145 links para outros sites. Dentre as mensagens que citavam os meios massivos, 134 criticavam a cobertura da mídia. Ao investigar-se quais hashtags foram utilizadas para organizar a discussão sobre o caso, as seguintes foram encontradas: #isabella (9); #casoisabella (15); #isabellanardoni (5); #nardoni (1).

Já o caso Madeleine movimentou 178 tweets. Como se vê na imagem seguinte, a maior parte das mensagens (70%) foi enviada pelas próprias organizações midiáticas, trazendo links para as matérias em seus sites jornalísticos. Dentre os tweets que mencionavam os meios de comunicação de massa, apenas 4 faziam críticas à cobertura midiática. No total, foram registrados 148 links em tweets para outros sites na Web. Apenas uma hashtag foi encontrada: #madeleine

A seguir, veja a ilustração da quantidade de tweets nos dias observados. Os picos no gráfico indicam discussões sobre o primeiro aniversário do desaparecimento de Madeleine, a entrevista da mãe de Isabella no Fantástico e a divulgação dos laudos deste caso.

Em um próximo post eu apresentarei os resultados sobre a cobertura dos casos na blogosfera e darei continuidade à discussão dos dados desta pesquisa.

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PS: Agradeço especialmente a Ricardo Golbspan pela dedicada participação nesta pesquisa

Twitter e a paranóia

11Abr
2008

Sexta-feira, dia de blogagem "light". É justamente esse espírito que inspira o retorno do cartum "Blog do Maicon":

Blog do Maicon

Este cartum foi inspirado por este tweet do excelente autor de webjornalismo participativo Dan Gillmor.

Twitter e os afetos

08Abr
2008

Twitter iove##GrEkK0o## pensou muito em como chegar na gatinha da turma ao lado. Navegando em seu blog, descobriu o user dela no Twitter. Logo pensou em escrever: "140 caracteres é muito pouco para dizer o quanto te adoro". Mas achou meio piegas… ficar assim se declarando. Preferiu dar uma espiada na página dela no Twitter. Navegando em interações alheias, achou esta mensagem de uma tal de Natinha: "Querida, nada vai acabar com nosso amor". Sem pensar muito, ##GrEkK0o## enviou um tweet privado : "140 caracteres não são suficientes para medir o buraco em meu coração".

Cuidado com a TinyURL no Twitter

07Abr
2008

O serviço TinyURL é hoje um dos serviços mais populares da Web. Como as mensagens no Twitter não podem exceder 140 caracteres, é inviável sugerir muitos links em virtude de sua grande extensão. O link deste post que você está lendo contém 65 caracteres. Ao visitar o site do TinyURL, consegui criar um atalho com apenas 25 caracteres: http://tinyurl.com/45tsak. A idéia deste serviço é tão boa que já vem sendo copiada por sites como micURL.

Exemplo de TinyURL

Como costumamos receber tantos links interessantes no formato TinyURL de pessoas que seguimos no Twitter, acabamos associando uma boa imagem a esse tipo de apontador. Por outro lado, os spammers e crackers já se deram conta disso. Como você já deve saber, uma das maneiras de coletar informações sigilosas dos internautas é enviar e-mails falsos com links que levam os desavisados a sites de "phishing". Estas páginas se parecem com os sites reais, mas servem apenas para coletar users, senhas e outros dados pessoais. Pois tenho recebido o seguinte e-mail falso:

TinyURL escondendo um site de phishing

Observe que meu programa para leitura de e-mails revela o endereço associado ao link. Uma maneira fácil de identificar se o site-destino é falso é observar para onde a URL aponta. Como mostra a imagem, a TinyURL esconde o endereço original. Claro, o Ministério da Fazenda não utilizaria a TinyURL. Mas cuidado, não vá ser pego de surpresa.

Daqui a pouco vão aparecer TinyURLs maldosas também no Twitter. Não adianta dizer que você só assina Twitters de amigos e pessoas confiáveis. Em breve um deles vai cair em um site de phishing do próprio Twitter. Assim que ele informar user e senha, um robô começará a lhe enviar mensagens como se fossem de autoria de seu amigo. Você já deve ter visto esse filme no orkut, né?

PS: o site do TinyURL não oferece um mecanismo de denúncia de URLs "maldosas".

"O Twitter vai terminar de matar o jornalismo". Será?

03Abr
2008

Twitter logoFoi mais ou menos isso que escutei no episódio 138 do podcast TWIT (This Week in Tech). Durante o programa, Steve Gillmor disse que o Twitter é hoje uma de suas principais fontes de informação (veja mais sobre diferentes usos do Twitter aqui). A partir disso, o debate prosseguiu sobre o possível fim do jornal impresso e até mesmo do jornalismo como o conhecemos hoje. Leo Laporte, âncora do podcast, citou um recente artigo da prestigiosa revista New Yorker sobre a vida e morte dos jornais americanos. O texto aponta que os jornais nos Estados Unidos vêm perdendo anunciantes, leitores e valor de mercado (o mesmo ocorre no Brasil). Para se ter uma idéia, as ações de importantes jornais caíram 42% nos últimos 3 anos. As ações da New York Times Company despencaram 54% desde 2004.

Este declínio vem sendo causado por novas tendências em circulação e propaganda, além, claro, da crescente força da internet. Eric Alterman, autor do texto na New Yorker, conclui que a internet está se transformando na principal fonte de notícias políticas para os leitores americanos. Isso já é realidade para os mais jovens e para aqueles com maior engajamento político, ele aponta. Por outro lado, a idade média de leitores de jornais americanos é de 55 anos.

Morte do jornalSe o jornal impresso de fato terminar, eu não sentirei saudades do papel pardo e poroso com imagens borradas e que sujam nossas mãos. Por outro lado, já confessei aqui que adoro ler o jornal de manhã na mesa do café ou lê-lo no fim-de-semana deitado na rede. Nestes momentos, o que menos quero é estar na frente de um notebook. Torço para que de fato o tão esperado papel digital seja logo desenvolvido, pois ainda gosto muito da interface das grandes páginas de jornais. Elas permitem uma visão panorâmica que os sites e monitores não podem oferecer. Gosto também de ir "escaneando" página por página, caderno por caderno, descobrindo notícias que eu não leria ou não perceberia na versão online de um jornal.

Esse processo que acabo de relatar possivelmente não ocorre em seu Twitter. Se você usa esse serviço, você deve "seguir" (que funciona como um processo de assinatura de informações) pessoas com gostos muito semelhantes aos seus. Encadeamento midiáticoSendo assim, você pode manter-se muito informado sobre assuntos cujo interesse é compartilhado naquele grupo de "twitteiros". Essa leitura seletiva é ótima para uma ultra-especialização em determinados assuntos. Por outro lado, pode nos isolar de outros temas que, a princípio, não atrairiam nossa atenção.

Essa discussão não é nova. Ela apareceu junto com as primeiras reflexões sobre hipertexto digital e jornalismo online. As ferramentas de busca, o clique apenas em matérias de total interesse e a assinatura digital de informações (o RSS veio potencializar essa prática) acabariam nos afastando de outras notícias, causando assim um novo processo alienante.

Por outro lado, creio que o Twitter (assim como os blogs) é mais uma fonte de atualização em nosso "mix informacional". Como os próprios debatedores do TWIT lembraram, esses dois meios citados abastecem-se de notícias da mídia tradicional. Creio que eles dão eco às matérias da mídia de massa e de nicho. E mais, os blogs permitem que elas sejam discutidas de forma dialógica, o que é bloqueado em jornais e tevês, por exemplo.

Como propus em meu último artigo, podemos hoje observar um "encadeamento midiático" entre os níveis de massa, de nicho e de micromídia. Se por um lado o Twitter e blogs (vistos aqui como micrimídia digital) potencializam a circulação de informações, as interações conversacionais nesses espaços virtuais têm também um importante papel político, na medida em que promovem uma reflexão sobre os temas difundidos na grande mídia, permitindo que as notícias não sejam apenas consumidas de forma a-crítica.

Mas o que seria dos blogs independentes e do próprio Twitter sem as estruturas jornalística institucionalizadas? Acredito que o jornalismo como um todo está se rearticulando. Está inclusive aprendendo com as práticas de webjornalismo participativo. Mas continuo acreditando que, para além de uma simples oposição entre isto e aquilo, precisamos adotar uma perspectiva sistêmica para analisar as atualizações do macro-sistema midiático em virtude das novas interações entre os sub-sistemas.

PS: Leia mais sobre a possível morte dos jornais nesta matéria do Guardian.

Compra do Jaiku pelo Google esquenta mercado de microblogging

10Out
2007

Google loves JaikuFoi anunciada ontem a compra do serviço de microblogging Jaiku pelo Google. Já era hora que uma grande aquisição nesse segmento acontecesse. Eu tinha apostado que o Yahoo compraria o Twitter (e ainda acredito nessa hipótese), mas errei totalmente meu prognóstico sobre o Jaiku. Em meu post sobre microblogs, eu reconhecia a superioridade da interface desse sistema finlandês, mas achava que ele acabaria ficando em segundo plano. Como todo movimento do Google é acompanhado com grande interesse, podemos esperar um salto do Jaiku nos próximos meses. Quem sabe veremos em breve a sua integração com o orkut, Google IG, Gmail, blogger, etc.

O segmento continua dominado pelo Twitter, mas a prática de microblogging já se afastou do relato simples do que se está fazendo no momento (o próprio slogan do Twitter é "What are you doing?"). Acho bacana a forma de se compartilhar links para assuntos recentes, sem que se queira escrever um longo post no blog. É interessante também observar como algumas empresas estão se apropriando do microblogging. Destaco o uso do Twitter pela BBC (veja aqui a versão brasileira).

Logo do SoupMas se você acha o microblogging muito curtinho e sem graça, tente experimentar um tumblelog! Trata-se de uma versão mais multimídia que fica no meio do caminho entre um blog e um microblog. Enquanto o Tumblr estreiou o conceito, o Soup rapidamente chegou oferecendo inovações. Além de poder montar uma rede social (OK, isso não pode ser mais considerado novidade), você pode importar suas atualizações no Digg, Flickr, del.icio.us, eBay, LiveJournal, StumbleUpon, Twitter, YouTube, etc. Ou seja, o Soup serve como central de sua vida na Web 2.0.

Mas voltemos ao Jaiku. Vale comentar que seu co-fundador, Jyri Engeström, é um acadêmico antenado! Formado em comunicação, com mestrado em Ciências Sociais e doutorando em "Organisation, Work and Technology" (hein?), Jyri tem uma teoria muito interessante sobre o que chama de objetos sociais. E sua proposta de 5 princípios para serviços da Web 2.0 parece precisa. Para saber mais, veja o vídeo abaixo (que eu estava por postar há muito tempo!) de sua palestra "Microblogging: tiny social objects on the future of participatory media". Você pode visualizar/baixar o Powerpoint dessa palestra no Slideshare.

[googlevideo="http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=-8660680426020413852"]

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Twitter e Pownce no ringue do microblogging

08Jul
2007

Havia um tempo em que o termo microconteúdo era usado para a definição de blogs. Mas como descrever o microblogging: micro-microconteúdo?

Microblogging refere-se aos processos interativos mediados por interfaces como Twitter, Jaiku, Moodmill, Hictu, e Tumblr. Trata-se basicamente da publicação de uma frase sobre o que se está fazendo naquele momento. O próprio slogan do Twitter define essa nova onda: What are you doing? E recursos para microblogging já vêm sendo incluídos nas interfaces de sites populares da Web 2.0, como nas redes de relacionamento Facebook e Bebo e no serviço de blogs Xanga (o Xanga Pulse).

E como quase tudo na Web 2.0, o microblogging virou uma febre instantânea. De uma hora para outra, o Twitter pipocou nas páginas da blogosfera. Enquanto se lê um post, fica-se sabendo se o blogueiro está escrevendo um artigo, indo viajar ou jogando mega-drive. A ênfase no instante, na transmissão online do aqui e agora, é facilmente percebida pelo uso constante do gerúndio. Blogar é dizer o que se pensa sobre algo que se fez, leu ou viu; microblogar é dizer o que se está fazendo. No blog, se pensa sobre o que se escreve; no micropost, se escreve!

O interessante é que o microblogging cria uma nova interface para um processo que se popularizou entre nós de forma emergente. Ora, não é nada incomum ver pequenas frases ao lado do nome dos amigos listados no MSN sobre o que eles estão fazendo.

Confesso que nunca me interessei muito pelo Twitter. Ele me exigiria uma dedicação com a qual não conseguiria me comprometer. Para que o microblogging tenha sentido, é preciso publicar constantemente. Por exemplo, qual a graça de ver no Twitter do blog da Maria Clara que, 40 dias atrás, ela estava jogando mega drive?!!! Ou ela largou o mestrado e continua jogando até hoje?

Meu colega Henrique Antoun, por sua vez, prefere publicar em uma mesma interface o que um conjunto de pessoas (amigos ou não) e até mesmo instituições (como a BBC) estão publicando em seus Twitters.

O Jaiku oferece uma interface melhor. Mas acho que esse serviço vai acabar sendo o que as fitas Beta foram para o VHS: um competidor mais sofisticado, mas que não emplaca. A Web 2.0 é mesmo cruel! Funciona como uma festa, que é legal porque está cheia. Não importa se o bar ao lado é melhor e tem bebida mais barata.

Na verdade, eu ia escrever este post na semana passada e ia comentar que apostava que o Twitter seria comprado em breve pelo Yahoo (o que ainda não duvido). Mas eis que surge um competidor mais interessante, e que conta com a criatividade de Kevin Rose, o criador do site de notícias colaborativo Digg. O Pownce ainda está em versão de testes, mas só se fala dele nos sites especializados. Trata-se de uma mistura de microblogging, com mensageiro instantâneo (infelizmente, esse recurso ainda é extremamente lento) e uma interface para se compartilhar arquivos e links com os amigos.

Eu já estou testando o sistema (veja minha página). Gostei da interface gráfica e da possibilidade de escolher temas diferentes. Além do site na Web, o Pownce oferece um programa (baseado na tecnologia AIR, da Adobe) para se acompanhar o microblogging de amigos e baixar os arquivos compartilhados. Creio que em breve esse programa terá mensagens instantâneas em tempo real, sem que se precise apertar o botão de refresh ou se aguardar a atualização automática da tela. Mas prometo uma análise mais detalhada em um próximo post.

Será que isso representará o fim do Twitter e….do MSN e do GTalk?

PS: Como o Pownce ainda está em fase inicial de testes (a chamada versão Alpha), para se entrar no sistema é preciso receber um convite de alguém que já esteja cadastrado. Já que os convites são muito limitados, o hype em torno do Pownce cresceu ainda mais (típico da Web 2.0!). Nesse espírito, muitos blogs estão fazendo concursos para a distribuição de convites. Claro, este blog não poderia ficar de fora dessa onda. Por acaso (!) tenho dois convites sobrando para distribuir. O primeiro será dado para o primeiro leitor/comentador que responder as seguintes perguntas: a) quem matou Deus?; b) quem matou o homem?


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