Senhores, por favor desliguem seus celulares...mas não no show do Radiohead!

31Mar
2009

radioheadSabe qual o problema dos celulares terem câmeras para fotos e vídeos? As pessoas querem tirar foto de tudo, filmar tudo! Muitas vezes pouca importa o objeto a ser capturado. O que importa é registrar toda e qualquer imagem. Não custa nada! Ora, DVDs, cartões de memória e HDs são hoje muito baratos. Logo, vale a pena registrar e gravar tudo. Tenho um amigo que salva todas as fotos que já tirou desde que teve acesso a sua primeira câmera digital...mesmo as fora de foco e tremidas. Segundo ele, é um registro de sua vida. Ele tem razão.

Graças a essas microcâmeras pudemos ter registros instantâneos da enchente em Santa Catarina, dos atentados na Espanha e em Nova Iorque, entre outros fatos marcantes. Sem um celular barato nas mãos de uma cliente, não saberíamos da humilhação por que passou esta mulher, que precisou tirar a blusa para entrar em um banco.

E que seria do webjornalismo participativo se não fossem esses dispositivos móveis? Além da possibilidade de registro de imagens e textos, é possível publicá-los na rede, mesmo que não se esteja com um notebook à mão. Na verdade, esse é um dos diferenciais do webjornalismo participativo: o potencial de noticiar fatos muito antes da chegada de um jornalista profissional de uma grande instituição midiática.

Mas sejamos sinceros, nem sempre as fotos e vídeos são bem vindos. Em um teatro ou em um show intimista, câmeras e celulares ligados funcionam como lanternas nos olhos de quem está nas filas de trás. Lembro agora de uma apresentação circense que assisti em um teatro. Quando um arqueiro se preparava para acertar múltiplos alvos em uma performance que envolvia algum risco, um senhor na minha frente decidiu levantar a câmera em seus braços para melhor captar a cena (que ocorreria em apenas um segundo!). Nem ele conseguiu tirar a foto, nem eu consegui ver o feito.

Às vezes é a tecnologia que impõe o seu uso. Se o celular está no bolso ou na bolsa, por que não levar uma foto da peça de teatro como souvenir? Mesmo que o fotógrafo amador esteja no mezanino, sua camerazinha não tenha zoom e sofra com uma lente de segunda, é preciso tirar uma foto. A câmera demanda. É como se a tecnologia dominasse o indefeso fotógrafo.

Andrews GuedisMas não posso negar que agradeci mil vezes aos fãs que filmaram o único show do Led Zeppelin em 2007. Poder ver a reunião daqueles "dinossauros" do rock, mesmo que em imagens tremidas e distantes, foi fantástico.

Já o web designer Andrews Ferreira Guedis foi além do simples prazer de assistir no YouTube a registros dos shows do RadioHead no Brasil. Decidiu editar clipes ao vivo da banda, juntando gravações de diversos fãs publicadas na rede. Em entrevista ao Vírgula, o blogueiro comenta:

A ideia surgiu exatamente quando estava assistindo as várias filmagens feitas por fãs da música Paranoid Android. Me bateu uma vontade de juntar certas cenas e ver no que dava. Eu já tinha visto uma ideia parecida com o Nine Inch Nails, que atualmente liberou três shows com filmagens profissionais para os fãs realizarem as edições.

Ontem, Andrews publicou uma nova edição da música "Fake Plastic Trees". Vale a pena acompanhar o desenvolvimento desse projeto de mashups, que pretende lançar um DVD do show. Certamente alguns vão questionar sobre os direitos autorais das imagens, etc e tal. Enquanto eles discutem, curta os vídeos no blog Radiohead - Rain Down.

Livro sobre temas da cibercultura será lançado no Twitter

17Mar
2009

Eu estava zanzando pelo Campus Party quando o Juliano Spyer apareceu com uma ideia inspirada: fazer um "flash book". Antes que eu franzisse todos os músculos de minha face intrigada ele explicou que se trataria de um livro digital com pequenos textos introdutórios, com no máximo 500 palavras, sobre os principais temas ligados à cibercultura. A idéia inicial era lançar o livro no próprio Campus Party. A ideia, no entanto, ganhou novas proporções.

O livro digital "Para entender a Internet" foi lançado neste dia 17 de março e em grande estilo: através do Twitter. O link para download certamente vai rolar pela rede, conquistando leitores e curiosos.

Eu escrevi uma introdução à interatividade/interação, claro! Em 500 palavras, resumo o que discuto em meu livro "Interação Mediada por Computador" (veja aqui o site do livro). Claro, o espaço era curto, mas certamente poderemos prosseguir o debate em diversos espaços na internet.

Parabéns ao Juliano pela grande sacada e pela contribuição que está fazendo para o estudo da cibercultura. Quero também louvar todos os autores que se empenharam em concretizar essa ideia genial em um livro que vai dar o que falar, twittar, blogar, discutir…

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PING:
TITLE: Links de 17-03-2009 | Blog do Guto
URL: http://guto.pro.br/blog/delicious/links-de-17-03-2009
IP: 201.33.21.11
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DATE: 03/17/2009 11:53:44 PM

[...] Livro sobre temas da cibercultura será lançado no Twitter [...]

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O Brasil (e este blog) só recomeça depois do carnaval

07Fev
2008

CarnavalPois é, o carnaval terminou. Pelo menos em Porto Alegre. Em outras cidades gaúchas, como Pelotas e Santa Maria, carnaval só semana que vem. Estranho isso. Mas vi uma matéria na TV sobre um projeto de fixar-se uma data certa para o carnaval. Segundo relataram, essa história de ficar mudando de época é ora ruim para o comércio e para o turismo (se a temporada termina muito cedo), ora ruim para os profissionais liberais (que precisam ter movimento logo no ínicio do ano). Bem, carnaval com data marcada também é estranho!

De qualquer maneira, a verdade é que o trabalho neste país só começa quanto se varre o confete e a serpentina. Sendo assim, este blog é obrigado a voltar à ativa. Depois de um bocado de descanso, e outro tanto de trabalho excessivo (escrevendo um artigo sobre o Interney Blogs para um congresso), eis que estou de volta.

Mas valeu a pena o recesso. Dormi tanto que cheguei até a sonhar que a Microsoft estava quase comprando o Yahoo. É, talvez eu tenha dormido demais…

Não, a comunicação não é viral

19Nov
2007

Dois temas que andam hoje muito populares: marketing viral e memes. Contudo, preocupa-me o fato de que tanto um quanto o outro partem de uma visão que aborda a comunicação como mero processo transmissionista. Lava-se tudo o que se sabe sobre subjetividade, discurso, implicações sócio-políticas, condicionamentos dos dispositivos materiais, etc. Por outro lado, o hype em torno das pesquisas sobre aquelas temáticas têm conferido sobrevida à perspectiva de difusão de inovações, muito popular nos anos 60-70, mas que perdeu força em virtude de seu viés funcionalista.

Meme e v?rus conversando

A ressurreição de tal aboradagem alimentou-se da chamada "nova" ciência das redes e das discussões sobre emergência. Barabási, expoente do primeiro grupo, lidera aqueles que não se cansam em comparar processos sociais à disseminação de epidemias. O jornalista Steven Johnson, por sua vez, prefere comparar o comportamento social humano à formação e manutenção de formigueiros e colméias. (Em tempo: utilizo muito esses autores, mas discordo das analogias que utilizam).

Apesar da sedução dessas metáforas, tão didáticas e bonitinhas (!), não podemos esquecer que a transmissão viral é um processo aditivo. Uma pessoa infectada transmite o vírus, que passa para outra, que repassa para um terceiro e assim por diante. Qualquer criança que já brincou de telefone sem fio sabe que a comunicação interpessoal não funciona dessa forma. Mesmo assim, no imaginário da cibercultura, como nos lembra meu amigo Erick Felinto, tudo é traduzido em termos informacionais.

No último congresso da IAMCR, realizado em Paris (ah, Paris!), a pesquisadora Virginia Nightingale fez uma dura crítica ao determinismo biológico que tanto aparece em periódicos, livros e congressos sem encontrar uma maior análise crítica. Ironicamente, ela comenta que a própria idéia de teia (web) nos coloca no mundo dos insetos antes que nos demos conta!

Virginia afirma que a simples inteligência dos insetos é um dos modelos preferidos em pesquisas de inteligência artificial. Contudo, essas explicações biológicas, reduzem a agência humana às respostas intuitivas dos "insetos sociais". Para ela, o perigo de tais analogias, que naturalizam as relações sociais e descrevem a cibercultura como sendo determinada biologicamente, reside no fato que elas ignoram as estruturas de poder que limitam a expressão e os relacionamentos.

Enquanto você pensa em seu comentário, vou ali fazer um pouquinho de mel com as abelhas companheiras…

PS: Este post se inspira no trabalho que apresentei na Intercom deste ano, onde proponho e utilizo um método para o estudo das relações sociais na blogosfera.

Geradores de texto para todos os gostos

19Out
2007

Sexta-feira. Dia de relaxar um pouco aqui no blog. Mas o que publicar? Uma nova história em quadrinhos sobre a vida acadêmica? Uma pequena ficção do ##GrEkKO0##? Puxa, se eu tivesse um gerador automático de posts… Claro! É isso! Eureka!!!

Fantástica Coleção de Geradores de Textos

Se você está na faculdade ou no pós já deve conhecer o Fabuloso Gerador de Lero-Lero. Para que perder tempo escrevendo um artigo para a disciplina se em segundos você pode gerar automaticamente um texto de excelente argumentação? Agora, se você estiver fazendo um curso sobre pós-modernidade em algum país de fala inglesa, deverá preferir este gerador de paper pós-moderno.

Isto está parecendo brincadeira, né? Pois uns estudantes do MIT tiveram um artigo aprovado em um desses congressos picaretas com um paper gerado no mecanismo SCIgen. Vale a pena visitar o site, ler o trabalho e saber mais sobre a denúncia que fazem de eventos "científicos" caça-níqueis. Bem, mas se leu este post muito tarde e já tem seu artigo pronto, não deixe de usar este gerador de palavras-chave. Por outro lado, se você é um professor e está chocado com estas dicas, não desespere. Existe um mecanismo feito sob medida para você! O "Farejador" que busca identificar plágios em qualquer tipo de texto.

Agora, se você trabalha com Marketing deve estar imaginando como seria bom ter um mecanismo que reproduzisse os chavões sempre usados nas reuniões administrativas. Infelizmente, não achei um software pronto para isso. Mas o Business Embromation é um excelente (e divertido) roteiro para o mesmo fim (dica da Candice Habeyche).

BushExistem também os geradores de textos de diferentes gêneros literários. Sonhando em escrever como o Jorge Amado? Use este eficente mecanismo. Para criar poesias sem depender de um dia inspirado, muitas são as opções. O Rob's Amazing Poem Generator, por exemplo, gera poesias a partir de palavras de um site indicado. Para poemas românticos, use o Love Poems Generator. Agora, se você gosta de Haikai, escolha entre Instant Haiku Generatror, Haiku-O-Matic, e Random Word Haiku. Este outro, o Bushku Generator, cria poesias inspiradas no George W. Bush. E tem até um fantástico gerador de haikai EMO! Ah! Para poesias voltadas para o público Emo, o MiGuXeiToR © ® ™ pode ser muito útil (dica da Gisele)

Caso seu projeto seja escrever telenovelas, prefira o simulador de folhetins do Manoel Carlos ou de novelas italianas da Globo. Se por acaso você criar algum personagem da classe D, não deixe de usar esse utilíssimo gerador de nome de pobre.

Por outro lado, se o seu sonho é escrever letras de músicas, escolha o gerador pelo estilo: Tribalistas, Engenheiros do Havaí e até samba enredo!

Agora, se nada disso lhe interessou e você está achando que não é nada criativo, seus problemas acabaram! Crie uma empresa revolucionária para a Web 2.0. Use este poderoso Gerador de idéias, crie o nome da empresa com o Web 2.0 Company Name Generator e faça o logotipo com o gerador já citado aqui: Web 2.0 Logo Creatr. Não deixe de criar um botão promocional com o Button Maker.

Finalmente, se você achou bacana algum desses programas, faça uma resenha jornalística usando o Gerador de texto enlatado para análise de software.

Update: acrescentei no post seguinte um gerador que fiz de poesias dadaístas.

Update 2: não deixe de conferir minha Sensacional coleção de conversores de textos.

Mapa mental: Tecnologia e Práticas Sociais

17Out
2007

Nesta segunda, participei do ciclo de debates "Além das Redes de Colaboração", promovido pela Associação Software Livre e pela Casa de Cinema de Porto Alegre, com apoio do Ministério da Cultura. Durante minha palestra no painel "Politizando as Tecnologias: como as redes reconfiguram a sociedade, a educação e a cultura?" apresentei um mapa mental em que faço um paralelo entre diferentes categorias de práticas sociais (conhecimento, autoria, educação, etc.), a partir da tipologia de 3 fases do desenvolvimento tecnológico, propostas por André Lemos (2002).

Conforme prometido na palestra, publico abaixo a imagem do mapa mental (agora com uma nova organização visual), compartilhado sob licença Creative Commons. Você ampliá-la e salvá-la em tamanho 1200X858 clicando na imagem abaixo.

Tecnologia e práticas sociais

Como sempre, conto com a ajuda de vocês para aperfeiçoar o mapa e corrigir possíveis erros conceituais.

Em tempo: a versão corrigida do mapa mental da Cibercultura, através das colaborações que venho recebendo, será publicada em novembro.

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Mapa mental de Cibercultura

25Set
2007

Há muito tempo que eu queria usar o método de mapa mental em minhas disciplinas no pós-graduação. Aproveitando que fui dar aula no curso de especialização em Ciências da Comunicação na UCPel, de Pelotas, produzi o seguinte mapa mental sobre os principais temas e conceitos de cibercultura (clique na imagem para ampliá-la):

Mapa mental de Cibercultura

Trata-se ainda de uma versão beta. A versão final será hipertextual e deve ser aqui publicada em algumas semanas. Conto com a ajuda de vocês para o aperfeiçoamento do mapa mental. Sugestões de aperfeiçoamentos e links são muito bem vindas!

Update: A partir das sugestões recebidas, abri um wiki para que os amigos possam sugerir links e apontar outras sugestões. Basta cadastrar-se aqui: http://alexprimo.wetpaint.com. A nova versão será publicada em novembro.


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