Finalmente chegou a ferramenta de retweet oficial do Twitter. Ela chegou a ser disponibilizada no início do mês para alguns felizardos, mas foi logo retirada do ar por problemas técnicos.
Então vamos à análise crítica. É bom encontrar a funcionalidade logo ao lado do reply. Só não gostei do ícone. Enquanto o ícone do reply é curvo e tem movimento, o do retweet é reto e duro. Outro problema é a caixa que aparece logo abaixo do link quando você o clica. Por quê essa confirmação no estilo Microsoft "Tem certeza que quer..."? Ou seja, você precisa de dois cliques para fazer um retweet. Que desperdício.
Por outro lado, a possibilidade de se apagar um retweet anterior, usando o link "undo" (1), pode ser útil em caso de arrependimento! Para tanto basta visitar a nova página de Retweets (2). A opção estará na aba "Retweets by you" (3), além do avatar das pessoas que retweetaram a mesma mensagem. Isso pode ser interessante para conhecer pessoas com interesses iguais aos seus.
Já a aba "Your Tweets, retweeted" (4) permite que você veja todas as pessoas que retweetaram cada uma de suas mensagens (5). Você pode clicar nesses avatares e conhecer quem está "aplaudindo" seus tweets! Agora se você é um hub do Twitter, e chega a ter centenas ou milhares de retweets, quantas linhas de avatares você terá?
O Twitter passa a incluir uma ícone antes do texto retweetado. O lado ruim é que eles evitaram a sigla RT, que se tornou um padrão criado pela própria comunidade. Além disso, o retweet oficial não permite comentários (o que é péssimo) e não aparece em programas de terceiros (TweetDeck, por exemplo). Estará o Twitter querendo competir com esses aplicativos que ajudaram a popularizar o serviço? Suponho que não. Creio que em breve os RTs "oficiais" aparecerão nos programas de terceiros. Contudo, nestes aplicativos o RT é ainda mais fácil e flexível.
No início, ao dar seu primeiro retweet na interface do Twitter, você pode ter a impresssão que nada funcionou, pois ele não aparece na sua "home". Mas se você visitar a página "profile" você verá que ele lá encontra-se.
No intuito de dar mais controle aos seus interagentes, o Twitter permite que você evite que retweets de certos seguidores sejam mostrados para você. Este recurso vai na mesma direção do Twitter de evitar que você veja respostas de seus seguidores a pessoas que você não segue.
Para saber mais sobre as decisões tomadas pela equipe do Twitter no design dessa nova funcionalidade no Twitter (para um recurso já velho na twittosfera!) veja este post do Evan Williams.
Avaliação final
Em prol de uma implementação "elegante", o Twitter conseguiu limitar uma funcionalidade há muito utilizada por nós. Enquanto em programas de terceiros o retweet basicamente copia uma mensagem e acresenta "RT @<nome>", o que facilita a inclusão de comentários, o Twitter preferiu automatizar totalmente o envio desse tipo de citação direta. Desta forma, substituiu a conhecida abreviatura RT por um íconezinho bobo. Para "facilitar" a vida de novatos incluiu uma caixa de confirmação que antecede o envio do retweet. Ou seja, dois cliques passam a ser necessários para esta simples função. A falta de feedback (um imperativo na área da usabilidade) de envio, já que o RT não aparece na página home, confunde quem faz a citação. O bloqueio de comentários no RT é também um retrocesso, pois discordamos de muito do que retweetamos. Em outras palavras, o comentário antes ou depois de um RT tem a capacidade de ressignificar uma citação.
Vale lembrar mais uma vez que o RT foi um "protocolo social" inventado pela comunidade. A implementação oficial do Twitter não respeita o processo emergente e limita a prática. Teria sido muito mais útil se o link de retweet funcionasse da mesma forma que o link de reply: uma simples cópia do texto de outrem no campo de update precedido pelo nome do autor da mensagem anterior. Mas por que simplificar se você pode fazer uma implementação mais "elegante". Temo que o Twitter agora assuma uma postura mais "corporativa" em seus novos tempos. Enquanto isso, eu vou usando o TweetDeck!
"A internet não afasta as pessoas?" Essa é uma das perguntas que mais escuto de jornalistas. Acho muito curioso, pois a questão traz um interessante paradoxo: nunca se interagiu tanto e talvez nunca se tenha escrito tantas missivas, então como a tecnologia pode ter nos afastado uns dos outros?
A coleção de "amigos" no orkut e o gabar-se pelo alto volume de seguidores no Twitter não seria um sinal de que hoje se valoriza mais a quantidade de conexões do que a qualidade dos laços sociais?
Essas e outras tantas questões me incentivaram a estudar a amizade e sua atualização em tempos de cibercultura. Esse será o tema de minha fala semana que vem no III Simpósio da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura).
É justamente nesse contexto que fiquei muito satisfeito ao receber o link para esta interessante palestra do TED sobre relações sociais mediadas por computador. Apesar de grandes listas de contatos (no MSN, orkut, Twitter, etc.), as pessoas de fato interagem ativamente com um pequeno punhado de pessoas. Vale a pena assistir esta curta palestra de Stefana Broadbent.
Os dados do ranking de blogs brasileiros que você verá abaixo partiu de demandas de minhas pesquisas sobre a blogosfera nacional. Ao buscar os blogs mais relevantes do país para montar uma amostra confiável, não encontrei um ranking atualizado que pudesse ser utilizado para aquele fim. Na verdade, existem muitos prêmios (Top Blogs, Best Blogs, etc.) que a todo momento são publicados. Contudo, eles são gerados principalmente pelo voto popular e segundo certos interesses comerciais. Encontramos diversas distorções nessas listagens. Tanto é que muitos dos blogs premiados pontuaram muito mal no sistema utilizado pelo ranking que você poderá consultar a seguir.
Ao recorrermos ao Technorati, Google Blog Search e outros mecanismos online (como BlogPulse, por exemplo), não encontramos uma forma adequada para hierarquizar os blogs mais relevantes do Brasil. Em seguida, nos deparamos com rankings do Twingly, que podem ser separados por idioma. Apesar da equipe nos informar que os rankings eram atualizados diariamente, observeramos a omissão de grandes blogs (como KibeLoco) e a inclusão de blogs já extintos.
Ao consultarmos Cynara Peixoto, do MundoTecno, que havia publicado rankings em anos anteriores, ela nos disse que não havia produzido o ranking de 2009 e que estava sem tempo para gerá-lo. Foi nesse momento que surgiu nossa pareceria. A Cynara muito gentilmente nos ofereceu acesso ao seu sistema de "rankeamento". Juntamente com minha bolsista de iniciação científica, Laura Andrade, passamos a incluir os dados de cada blog no sistema (nome, URL, feedburner, categoria). Para esta alimentação manual, utilizamos rankings de anos anteriores, listagens recentes de prêmios da blogosfera nacional, listagens de serviços online (como o BlogBlogs, Twingly, entre outros) e informações sobre os blogs mais lidos em grandes condomínios de blogs. Além disso, cadastramos os principais blogs de grandes portais nacionais.
Os blogs foram então submetidos a um tratamento automatizado de quantificação dos valores de relevância disponíveis na internet: Google Page Rank, backlinks do Google e Yahoo, seguidores no Feedburner (se disponível), e dados do Alexa e Blogblogs. Ao ser cadastrado um blog, o sistema automaticamente reunia esses valores. A partir da seguinte fórmula, o total de pontos foi utilizado para ordenamento dos blogs:
pontos = ((PR*1000) + google + (yahoo/100)+ (feedreaders/10) + alexa + (blogblogs*10))/100
Você verá a seguir uma listagem dos 100 blogs que melhor ponturam no sistema de rankeamento utilizado. Logo depois você encontrará listas dos blogs mais relevantes separados em diferentes categorias (tecnologia, variedades, etc.).
O diferencial deste ranking 2009 é a listagem de blogs segundo sua categoria. Para gerar essas listas utilizamos as categorias incluídas por Cynara em seu sistema. Claro, é sempre difícil categorizar blogs em tipologias, pois muitos deles tratam de diversos assuntos ao mesmo tempo. Nesse sentido, a categoria "variedades" ficou superdimensionada.
O rankeamento categorizado abaixo pode ser muito útil para que se possa conhecer os blogs mais influentes em cada comunidade de interesse. Vale comentar que o ponto de corte para a listagem a seguir foi a posição 200 no ranking. O número exibido à esquerda do nome de cada blog indica sua posição no ranking geral. (Em tempo, outras categorias foram utilizadas, mas não se encontram listadas abaixo).
Tecnologia 1 Interney 2 Usuário Compulsivo 4 MacMagazine 5 Gizmodo BR 15 Marketing de Busca 16 Bernabauer 29 BR-Linux 35 Meio Bit 57 Google Discovery 61 Dossiê Alex Primo 78 Blog do Inexistent Man 89 Digital Drops 100 Tableless 103 Revolução ETC 106 Garota sem fio 107 HitechLive 113 Usabilidoido 118 Cybervida 119 UnderGoogle 121 Mundo Tecno 129 Tiago Dória 150 Techbits 153 Tech Guru 154 Tecnoblog 156 Viu isso? 159 O velho 160 Geek Chic 173 Gigablog 188 Tecnocracia
Publicidade e Propaganda 13 Brainstorm #9 71 Blue bus 109 Sim Viral 194 Aletp
Política 14 Ricardo Noblat 30 Imprensa Marrom 70 Augusto Nunes 84 Josias de Souza 92 Reinaldo Azevedo
97 Diogo Mainardi 120 Blog do Claudio Abramo 124 Luis Nassif 133 Blog do Fernando Rodrigues 135 Blog do Sérgio Dávila 175 Marcos Guterman 181 Os Hermanos por Ariel Palacios 183 Fronteira Livre 186 Brasileiros na América
Variedades 3 Sedentário & Hiperativo 10 Pensar Enlouquece 11 Cogumelo Louco 12 Caixa PreTTa 18 Ah! Tri né! 21 Criativo de Galochas 23 Uhull 24 Liberal, Libertário, Libertino 25 Festerblog 32 Quarto Universitário 38 Lazer 42 Contraditorium 44 Ela tá de xico 45 Blog do Tas 48 Blog do Catarino 51 Brogui 53 Procurando vagas 54 Um Tudo 56 Jovem nerd 59 Lista 10 62 Anderssauro 64 Danosse 66 Sem título ainda por Rafa Barbosa 67 Não Salvo 69 Eclipse 74 Radar on line por Lauro Jardim 75 Bomba digital 76 Fiapo de jaca 77 Nadaver 82 Fábio P. 83 Blog do Cardoso 85 Cris Dias Weblog 87 Balaio do Kotscho 88 Quem matou a tangerina? 94 Papel Pop 98 Omedi 99 Bem Legaus 108 Portal Cab 110 Tarja Preta 112 Xpock 114 O fim da várzea 126 Diário do Rio de Janeiro 136 A vida como a vida quer 138 Ladybug Brasil 140 Favoritos 141 Mundo Gump 149 Jesus, me chicoteia 151 Novo-Mundo 163 Dia de Folga 164 Seu Estranho 165 Glamurama 166 O buteco da net 171 Barbara Gancia 174 Cláudia Trevisan 178 Blog da revista 189 Blog da Metrópole 192 Fabio Seixas, versão txt
193 Comunicação de Interesse Público 196 Ius communicatio 197 Repórter Net 101 Update or Die
Quadrinhos 7 Melhores do Mundo 39 Capinaremos 40 Dr. Pepper 68 Irmãos Brain 105 Depósito de Calvin 146 Manual do Minotauro 195 Nerdson não vai à escola
Pessoal e cotidiano 43 Hedonismos 47 Enloucrescendo 50 Cintaliga 55 Guindaste 63 Uma dama não comenta 65 Heresia loira 81 Blog do Tony Bellotto 86 Luz de Luma 127 Substantivolátil 137 Diário de um PM 161 Fatorw 162 Marcelo Rubens Paiva
Negócios e finanças 28 Miriam Leitão 96 Efetividade 122 Dinheirama 184 Carreira Solo
Metablog 6 Dicas Blogger 8 Templates Novo Blogger 46 Códigos Blog 90 pBlog 93 Blosque
Humor 9 Bobagento 19 Macacumor 20 Corto Cabelo e Pinto 22 Gordo Nerd 26 Papibakigrafo 31 Triplo Sentido 33 Kibeloco 34 Nadave.net 36 O Padre Voador 41 Treta 49 Praticando Humor 60 Ao mirante Nelson 95 Verdade Absoluta 104 Jacaré Banguela 116 Cocadaboa 125 Morróida
Esporte 58 De primeira 72 Blog do Juca 111 Milton Neves 117 A bola na bota 123 Blog do Alberto Helena Jr. 130 Blog de bola 131 Charges do esporte por Milton Trajano 147 Blog do Torero 180 Bate-pronto
Arte e Cultura 128 Smelly Cat 143 Luiz Zanin 144 Antonio Prata 167 Livros e Afins 190 Blog da foto
Universo Feminino 73 Como Faz 134 Eu capricho 145 Just Lia 182 Bombom 198 Chic
Universo Masculino 17 Gravatai Merengue 91 Revista Papo de Homem 142 Manual do cafajeste 152 Palavra de homem 200 Hypercool
Não deixe de visitar o ranking no blog MundoTecno. Lá você poderá ver a listagem completa dos blogs. E mais, incluir os dados de seu próprio blog para ver com anda sua relevância na blogosfera nacional!
E, sim, nós e a Cynara gostaríamos muito de ouvir o seu feedback para que o ranking possa ficar cada vez mais preciso. De nossa parte, gostaríamos de agradecer demais a Cynara pela valiosa parceria que nos propôs. Confiantes que estamos nos processos colaborativos, acreditamos que esse tipo de conduta só amplia nossas formas de intervenção no ciberespaço.
Em posts seguintes trarei comentários meus e da Laura sobre os dados encontrados.
Quando vou a um museu e vejo a arte e os artefatos de outras eras fico muito intrigado ao ver esses produtos de pessoas que viveram muitos séculos e milênios atrás. Como teriam vivenciado os problemas de sua época? E como deve ter sido experimentar as lentas revoluções de outrora?
Pois neste domingo me tornei um quarentão. Esse tipo de perguntas sempre ganha força em quem chega ao meio da vida (bem, planejo viver mais que isso!). A grande diferença é que os quarenta anos de hoje são muito diferentes daqueles de nossos antepassados. Um homem de quarenta anos era um senhor, o patricarca de uma já numerosa família. O quarentão de hoje ainda se sente jovem e vislumbra a sua frente um futuro a ser vivido intensamente. Apesar do disparar da tecnologia e das imposições do tempo real, a ampliação da expectativa de vida fez distender a percepção de nossa duração. Curioso isso. Se por um lado nosso cotidiano é hoje uma frenética corrida — saltando de uma rua congestionada para outra, de um computador para um laptop/smartphone —, por outro lado estamos tentando frear o avanço da idade. A medicina contemporânea, a ginástica, a moda “jovenzinha” dos quarentões e as cirurgias plásticas ajudam a anestesiar a percepção da idade.
Confesso, estava louco para fazer 40. Agora que cheguei lá, o que fazer?!! Este primeiro dia de quarta década de minha curta existência tem sido bom. A vida tem me tratado bem. Nunca quebrei um osso, nunca tive uma grave doença, sempre tive familiares e amigos para me dar suporte para a alma. Educação e tecnologias de comunicação nunca me faltaram. Ou seja, não posso reclamar de nada, só agradecer. E muito.
Antes que isso vire um texto piegas (típico de um senhor que ainda quer se sentir um pré-adolescente), melhor falar um pouco de cibercultura, afinal de contas este não é um blog pessoal auto-reflexivo!
É um privilégio chegar aos 40 em plena cibercultura. Viver as revoluções informáticas e das tecnologias móveis em sua invenção e popularização. Aos meus futuros netos (será que os terei?!!) poderei dizer que vivi o apogeu da mídia de massa. Assisti Vila Sésamo, Zé Colméia, novelas da Globo e muitas vinhetas diferentes do Fantástico. Acompanhei a criação da MTV e estudei mais tarde como sua linguagem visual transformou a expressão audiovisual. Quando tudo parecia definitivo (e perdido!), eis que usei computadores Apple ][, XT, a versão 6 do sistema operacional do Macintosh, Windows 3.11, aprendi Cobol e achei que a Web nunca pegaria em virtude da maior capacidade e velocidade dos CD-Roms. Joguei muito telejogo, Atari e Odissey. Carreguei pesados Tijorolas na cinta, comprei baterias de tarjas verde e branca e comprei um moderno aparelho de Fax doméstico.
Hoje tenho um Playstation 3, a tão esperada HDTV, um computador na mochila e outro no bolso (um iPhone, qua ainda acho revolucionário). A cabeça que um dia sentiu-se perdida pela “crise das utopias e falta de referenciais”, hoje está cheia de expectativas. Sou testemunha visual, sensorial e cognitiva desta revolução. Vejo lançamentos todos os dias e o sepultamento de padrões e artefatos nos dias seguintes. Nada é sólido, tudo flui nesta modernidade líquida. Onde vamos parar? Hoje isso não importa. É meu primeiro dia após os 40. Não quero estragar a festa neste momento pensando no aquecimento global ou no crescimento das formas de vigilância e controle.
Quero festejar com você a marcação deste momento rápido no cronômetro. Aproveito para agradecer todos os scraps, tweets e SMS que recebi. Estes quarenta não poderiam ser lembrados de forma melhor, já que os comemoro em plena cibercultura. Uma boa história para contar para os netos de alguém. A história poderá parecer mofada e sem graça para algumas crianças do futuro, ou simplesmente curiosa para os filhos do vizinho. Mas será minha história. A história de meu/nosso tempo.
O hype está criado. Para conhecer a nova versão do orkut é preciso conseguir um convite. Nada na Web 2.0 cria tanta expectativa quanto distribuir convites limitados para alguns early adopters. Essa estratégia já batida, mas que ainda funciona muito bem, gera curiosidade e mídia espontânea.
Você vai lembrar que quando o orkut foi lançado não se podia entrar no sistema sem ser convidado por alguém. Depois, tardiamente, o Google abriu seu pioneiro site de relacionamentos para qualquer interessado, tentando competir com MySpace e Facebook. Mas já era tarde demais. Apenas Brasil e Índia continuavam preferindo o orkut. E o que fazer se estes países começam a ser infiéis? Apresentar novidades, claro.
Vamos ser sinceros, o orkut tinha parado no tempo. A última mudança de layout (que eu tinha gostado muito) e a inclusão de aplicativos de terceiros (na seção Apps) foi muito aguardada. Contudo, parecia muito pouco e muito tarde para tentar barrar o crescimento do sempre inovador Facebook.
Apesar de ter começado fechado, permitindo a visualizacão de perfis apenas para colegas de turmas universitárias, o Facebook conseguiu o que parecia impossível: ultrapassar o MySpace nos Estados Unidos. Conseguirá agora bater o orkut no Brasil? A empreitada parece difícil, já que o orkut continua sendo o segundo site mais visitado em nosso país (segundo o site Alexa e terceiro segundo o Ibope). Por outro lado, o Facebook que nem aparecia nos rankings brasileiros agora já figura em 19˚ lugar. Além disso, o site Inside Facebook noticiou em julho deste ano que esse site de relacionamentos havia dobrado sua audiência aqui e na Índia.
A competição na Web 2.0 deve sempre ser enfrentada com inovações constantes. Por algum motivo no orkut isso demora para acontecer. Desta vez o orkut decidiu oferecer um pacote de mudanças em um único momento. Isso foi pensado como uma "reinauguração". Mas tanto estardalhaço tem lastro? Tire suas conclusões na análise abaixo.
O que há de mais novo no "novo orkut" é uma série de avanços na área da usabilidade. O layout também mudou, mas nada que vá deixar você de queixo caído.
Há muito que se esperva a a possibilidade de se customizar a interface do perfil. O orkut não caiu no extremo de permitir a exacerbação do mau gosto como ocorre no MySpace. Por outro lado, a simples possibilidade de escolher a cor do retângulo superior dentre parcas 5 cores pareceu pouco demais (1). Por que não permitir a troca de todo o background, mesmo que apenas alguns papéis de parede estivessem disponíveis? O Google sabe muito bem como fazer isso. Veja-se a experiência do Gmail e do próprio site de relacionamento Joga.com (um orkut de futebol desenvolvido para a Nike). Sendo assim, quem esperava pela possibilidade de customização do orkut vai ficar bastante frustrado.
Este retângulo superior agrupa uma série de funcionalidades que certamente vai facilitar sua navegação. Links como recados, fotos, vídeos, entre outros, ficam logo abaixo de sua foto (4). Ou seja, o típico menu lateral foi eliminado. O campo de status fica também no topo, para fácil atualização. Essas frases aparecerão listadas em sua página inicial. Será fácil verificar suas flutuações de humor! Será que alguém vai abandonar o Twitter para usar essa funcionalidade do orkut? Acho dífícil. Mesmo assim, foi um acerto destacar esse recurso.
Também nesse retângulo superior encontra-se um menu onde você pode definir sua "visibilidade" no GTalk (2). (BTW, essa integração do orkut e do GTalk foi fruto das muitas sugestões que eu, Raquel Recuero e Ricardo Araújo demos durante nossa consultoria no Google, na Califórnia, em 2006). Sim, essa barra superior é bastante funcional. Mas seu aspecto estético é espartano.
Logo abaixo, diversas funcionalidades encontram-se listadas. A sugestão de novos amigos (5), a partir do cruzamento de dados de sua rede social, é um recurso que funciona muito bem no Facebook. A incorporação desse recurso pode facilitar o estabelecimento de novos laços ou até mesmo reencontrar velhos amigos. Bem, é para isso que usamos sites de relacionamentos, não é? Os botões nas laterais dessa e de outras funcionalidades (6) diminui a necessidade de scroll na página, o que é excelente para a usabilidade do site. A possibilidade de se minimizar seções, como a de aniversários (7), é outro recurso que também contrubui para o mesmo fim.
A principal inovação, no entanto, encontra-se no upload de imagens. Apesar de eu achar o Flickr um dos melhores sites da Web 2.0 (no que toca os recursos disponíveis), a maior parte das pessoas prefere disponibilizar suas fotos em sites de relacionamento. Não é diferente no orkut. Contudo, essa seção sempre foi deficitária. Primeiramente o orkut ofereceria um limite muito pequeno de fotos. Mais tarde, apesar do fim dessa limitação estrita, o upload continuava chato e lento. Agora a equipe do orkut deu um show de usabilidade. Durante meus testes eu selecionei dezenas de imagens que estavam em meu desktop de uma única vez. O grande painel de upload apresenta thumbnails das imagens e apresenta feedback do progresso do envio de cada foto (9). Além disso, no mesmo painel é possível criar novos ábuns, girar imagens (10) e definir quem pode visualizar suas imagens.
A definição desse tipo de privilégio também merece destaque. O design de interação dessa funcionalidade é primoroso. É muito fácil selecionar grupos de amigos e dentre estes definir quem pode visualizar suas imagens mais comprometedoras (11)! Uma área lateral (12) facilita a visualização desses felizardos. Finalmente, se você desejar, pode enviar um e-mail comunicando essa publicação (13). Espero que este último recurso não se transforme em mais uma forma de spam.
Enquanto isso, a visualização dos álbuns continua a mesma. Não seria bacana incorporar recursos como o cover flow do iTunes? Muitos sites já incluem esse modo.
Outra funcionalidade que pode facilitar as interações é um campo destacado em seu perfil para o envio de recados (14). Sendo essa uma das ferramentas mais populares do orkut (e, sinceramente, a única que ainda me faz voltar ao site!), nada mais óbvio do facilitar seu uso e destacá-la em seu perfil. Abaixo desse campo seus visitantes também poderão visualizar todas as atualizações de seu status (15).
Nem todo o site está no novo layout. Dependendo da opção que você seleciona (Configurações, Gerenciar Amigos ou Apps, por exemplo), você entra no túnel do tempo de visualiza a antiga interface do sistema. Cá entre nós, um erro grosseiro.
Enfim, fico feliz que o orkut está se mexendo. Mas as inovações não parecem fazer jus a tanto falatório. Fora o novo sistema de upload de fotos e as notáveis melhorias na usabilidade, o orkut ainda parece muito atrás do Facebook, cujos recursos (próprios e de terceiros) não param de evoluir e se multiplicar.
Certamente eu não estou comemorando o novo orkut com tanta alegria quanto este saltitante rapaz, que de tão orgulhoso de ter ganho um disputado convite decidiu compartilhar sua alegria no YouTube.
PS: obrigado a minha colega Missila Cardozo pelo convite. Assim que eu tiver convites disponíveis farei um sorteio aqui no blog.
Gosto muito de projetos abertos, que buscam o compartilhamento de conhecimentos. Esse é justamente o intuito de Paulo Siqueira ao lançar gratuitamente o e-book Web 2.0 – Erros e Acertos – Um Guia prático para o seu projeto online. O pequeno livro, distribuído em formato PDF, oferece um panorama sobre como criar projetos digitais no contexto da Web 2.0. Trata-se de uma boa introdução aos principais temas da área. Além do texto claro e direto, o livro conta com as excelentes ilustrações de Orlando Pedroso.
Sendo este um projeto de livre circulação, vale também destacar o trabalho de Gabriel Dread (filho do autor) que buscou o apoio de um grande conjunto de blogs para esta divulgação colaborativa.
William Bonner passou a ser notícia. Tornou-se o novo "queridinho" da twittosfera brasileira. Seu número de seguidores não para de crescer. Apesar da seriedade que apresenta no Jornal Nacional e em entrevistas que concede, descobre-se que Bonner tem bom humor e que gosta de twittar.
Essa recente descoberta das interações no ciberespaço (ele confessa que nunca gostou de mídias sociais) vem sendo motivo de inúmeras matérias em jornais e sites noticiosos. Além disso, Bonner foi entrevistado no programa de Marília Gabriela, que buscou mostrar o lado "mais humano" do jornalista.
Mas cabe agora perguntar: quão real é o perfil @realwbonner? Durante o programa de Marília Gabriela foi possível constatar que Bonner pode ser divertido, que sabe fazer imitações e canta razoavelmente bem (arriscou dois versos de New York, New York). Mas também descobrimos que seu nome real é William Bonemer Júnior. O sobrenome Bonner foi criado por ele assim que chegou na Globo, para proteger o nome de seu pai, um médico conhecido. Como se vê, desde os primeiros passos no telejornalismo ele já se mostrava consciente do papel público que desempenharia. Podemos então ampliar nossa pergunta: Quanto de Bonemer existe (ou resiste) em Bonner?
William Bonner é um personagem, que Bonemer Júnior sabe desempenhar muito bem. Por mais que se esforçasse em provar que é uma pessoa comum durante a entrevista à Marília Gabriela, o super-ego Bonner rapidamente tomava as rédeas de Bonemer. Quando falou de seu amor por Fátima Bernardes (cujo nome era quase sempre acompanhado do sobrenome), parecia estar recitando um texto lido em um teleprompter. A naturalidade em algumas falas logo dava lugar ao personagem institucional.
Vida dura essa de celebridade. Como homem público, editor e apresentador do principal telejornal do país, William Bonner sabe da responsabilidade que carrega em seus ombros. Sabe que sua vida "íntima" é fonte de curiosidade do grande público. E quando a expõe, faz com todo o cuidado. As matérias sobre sua família feliz e perfeita estampam capas da revista Caras. Não há um fio de cabelo fora do lugar, um copo sujo esquecido na mesa auxiliar. Todos sorriem e celebram a vida de uma família de propaganda de margarina.
Bonner diz na entrevista que toma cuidados no trânsito, pois sabe que uma buzinada sua pode parar em sites de fofocas. E celebra que foi elogiado em tablóides online ao pacientemente esperar que um taxista movesse seu veículo para que ele pudesse manobrar. William é plenamente consciente que seu personagem Bonner precisa ser atualizado a todo momento, que a idolatria que desperta é importante para sua carreira e para a TV Globo. Sabe cultivar essa estrela e conhece bem como lucrar com isso.
Até mesmo a imitação de Lula no programa de Marília Gabriela é precisamente planejada. Recusa-se a imitar Clodovil, mesmo que o faça em outros momentos. Sabe que o vídeo vazado na rede com essa imitação poderia ter arranhado sua credibilidade. Bonner percebe que esse novo momento em sua carreira é importante. Arrisca momentos descontraídos durante a entrevista e ensaia algum "charminho" ao falsamente recusar cantar e fazer imitações no programa. Claro, logo em seguida (segundos depois) concede uma pitada de Bonemer.
William, o Bonner, sabe da importância das celebridades na cultura contemporânea. Conta com entusiasmo que esbarrou em Paul McCartney em uma rua americana. Confessa que virou-se maravilhado e lamenta não ter tirado uma foto. A partir desse exemplo prosaico revela ser consciente do papel de estrela que desempenha, da importância disso para sua atuação profissional e que sabe muito bem administrar o personagem.
Bonemer é hoje aprisionado por Bonner. O primeiro se mostra no privado. O segundo é cultivado publicamente. E @realwbonner é real? Sim, um bonner absolutamente real...enquanto personagem no virtual. William sabe muito bem que os internautas não querem conhecer Bonemer. O que importa é a aura de (pseudo) autenticidade que é gerida profissionalmente por William. A informalidade presente em seus tweets são investimentos no produto Bonner. Parece que essa mercadoria ganhou novo valor na prateleira da mídia massiva.
Uma das maiores honrarias que recebi foi o convite para ser paraninfo da turma de Comunicação Social da UFRGS (2008/1). Achei que nunca receberia esse convite, pois dou aula apenas para alunos da Publicidade e Propaganda.
Logo percebi a responsabilidade que tinha recebido. O mínimo que poderia fazer seria preparar um discurso que respondesse à expectativa de uma última aula. Decidi, claro, falar sobre o que melhor conheço: a cibercultura.
Veja abaixo o vídeo desse discurso (em 2 partes), que finalmente consegui enviar para o YouTube (obrigado a Mauro Cavalheiro pela ajuda).
Quanto maior a eficiência de uma rede, maior o risco. Essa é uma das lições do excelente livro The Exploit. De fato, quanto mais bem relacionada uma rede social, mais veloz é a circulação de informações. Também é mais rápida a disseminação de vírus e links para sites de phishing, por exemplo.
Ao mesmo tempo que nos sentimos seguros de interagir na internet pois podemos usar pseudônimos e salvaguardar dados pessoais (nome, idade, endereço residencial, etc), estamos também muito vulneráveis a ataques de "cibercriminosos". Mas neste post eu não quero me ater ao problema tão conhecido de malware. Quero focar basicamente no risco que corremos ao dedicar toda nossa vida digital a poucas empresas.
É muito conveniente podermos usar apenas um user e senha para acessar e-mails, fotos, documentos e interagir com amigos e colegas. Por outro lado, se sua senha é roubada, se você esquece sua conta ligada em uma lan house ou no computador de um conhecido, ou mesmo se cai em um golpe de phishing você acaba dando acesso a um terceiro a suas informações particulares. Por outro lado, mesmo que possamos ter confiança quase cega em empresas como o Google, nenhuma tecnologia é livre de bugs. Recentemente, como em outras oportunidades, o webmail do Gmail saiu do ar. O pânico foi tão grande que o fato logo apareceu nos trending topics do Twitter e deixou o sistema "baleiando". Sim, o acesso via POP e Imap ficaram disponíveis, mas incidentes como esse nos mostram como até mesmo o todo poderoso Google pode enfrentar problemas.
O Google trabalha com as tecnologias mais modernas de segurança. Mas existe sim o risco de um ataque criminoso, liderado por alguém de dentro da empresa (ainda que não exista, claro, apenas uma senha a todas as informações do Google!), uma falha tecnológica ou até mesmo energética. E o que poderia acontecer se a sede da empresa em Palo Alto fosse bombardeada? Isso tudo parece ficção científica, mas pode acontecer.
Quanto tempo sua vida pessoal poderia resistir à falta de acesso ao Google. OK, você ainda pode recorrer ao velho telefone e outros recursos. Mas e sua vida profissional e acadêmica? Se você usa intensamente as ferramentas do Google e por anos a fio transferiu e organizou todas suas informações na "nuvem", cuidado!
Mais do que um simples post alarmista, a idéia aqui é colocar em debate a segurança de nossos dados na rede. Nunca é demais salientar a importância de backups em múltiplos lugares (em serviços de backup na rede, via e-mail, em pen-drives, DVDs, HDs externos, etc.). Mas vale a pena também considerar o uso de serviços de fornecedores diferentes, não dedicar toda sua vida digital a apenas uma empresa (como o Google, o Yahoo, a Microsoft, a Apple). Você pode inclusive ter várias contas de e-mail através de serviços de vários provedores e sincronizar com seu smartphone.
Enfim, nada disso reduz o risco de perda de horas ou dias de trabalho caso um problema digital de grandes proporções venha a acontecer. O importante é reconhecer o risco e tentar precaver-se.
E você, tem alguma sugestão para que possamos nos safar do grande apocalipse digital? Que um dia ele vai acontecer eu tenho certeza!
Uma coisa que o Google sabe fazer bem é utilizar idéias de terceiros e lançar suas próvias versões como grandes novidades. Claro, a hegemonia do Google facilita esse tipo de atuação. Uma das mais recentes "novidades" da empresa é o SideWiki, que passa a ser incorporado ao Google Toolbar. Através de uma barra lateral, que pode ser aberta e fechada através de uma aba que aparece no canto esquerdo da tela, qualquer pessoa pode deixar um comentário ou resenha sobre o site que está visitando. Além disso, é possível ler e julgar comentários de outras pessoas. Ao se votar quão útil é cada texto no painel lateral pode-se contribuir para que os inevitáveis spam sejam jogados para baixo na lista. Além disso, links de denúncia de abuso e de compartilhamento (e-mail, facebook, Twitter) também estão disponíveis.
Visitei alguns grandes sites para conferir os comentários já disponíveis. O primeiro que consultei foi o da Microsoft, claro. Como os responsáveis pelos sites tem a preferência de publicar o primeiro texto no SideWiki, a resenha no topo do painel era da própria empresa. Um texto sem graça apenas anunciava o que o site oferece. Ao consultar os comentários seguintes achei que logo esbarraria em dezenas de textos ofensivos. Não foi o que encontrei. Será que o dono do site pode filtrar comentários? Ou será que os internautas não estão dando muita bola para esse tipo de serviço?
Logo no primeiro site consultado eu encontrei um texto de spammer com um link. Esse será o maior desafio do Google: enfrentar a publicação automatizada de links de spammers. Talvez o mesmo mecanismo de filtragem de spam utilizado em blogs resolva esse problema. O link "Report Abuse" pode também ser uma solução administrada colaborativamente.
O detalhe é que a inclusão de comentários em sites utilizando o servidor de um terceiro não é nada novo. No final da década 90 alguns projetos começaram a buscar tecnologias que poderiam permitir a intervenção editorial em páginas da Web criadas por outras pessoas. Muitas daquelas tecnologias já eram motivadas por estratégias de comércio electrónico. Em 1999, o plug-in da empresa Third Voice permitia que se publicasse um comentário na forma de um Post-it dentro do próprio texto do site. Na época, muitos webmasters reagiram negativamente a essa forma de "pichação na web". Dois anos mais tarde, a Third Voice encerrou os seus serviços, já que a empresa não conseguiu popularizar seu plug-in nem atrair anunciantes.
Serviços de anotação na Web já recebiam atenção especial da World Wide Web Consortium desde 2001. O projeto Annotea buscou reforçar os processos de colaboração através de anotações e marcadores, com base em padrões de metadados e Web Semântica. Ao utilizar um plug-in (como Anozilla para Mozilla) ou browser Amaya do W3C, os internautas podem ler e escrever suas observações que são armazenadas em um servidor de anotação externo. A proposta do Annotea, que se parece muito com o que foi implementado pelo Google, utiliza um painel lateral para a publicação de comentários sem que o autor original do site possa autorizar ou apagar os textos enviados. Apesar de continuar desconhecido, uma nova versão do Anozilla foi lançada em 20 de junho de 2009. Com a entrada do Google neste segmento é possível que os serviços de anotações ganhem maior divulgação. De toda forma, o SideWiki já chega parecendo velho. Creio que o momentum para esse tipo de tecnologia já passou, tendo em vista que outros serviços da Web 2.0 permitem outras formas muito mais potentes de colaboração.