Política e Twitter. Eis um assunto que vem ganhando cada vez mais interesse. O Twitter ganhou credibilidade como importante meio político na última eleição americana. Com suficiente antecedência, a campanha de Obama soube construir a imagem do candidato através de mídias sociais. Essa interação na rede mostrou um candidato diferente, que se aproxima dos eleitores e sabe ouvi-los. Além disso, "humanizou" o político, normalmente estampado estaticamente em santinhos e cartazes. Se a televisão e o rádio exibem um político distante, protegido pela distância da comunicação de massa, o Twitter oferece a sensação de intimidade.
Enquanto isso, no Brasil o Twitter aparece na política apenas como paródia. Conscientes do poder midiático e interativo dos novos meios digitais, nossos políticos começam a divulgar seus perfis em serviços da Web 2.0. Mas, não sabem eles, as mídias sociais não fazem milagres eleitorais. São de fato um potente canal de interação, não apenas uma vitrine reluzente. Veja-se por exemplo as trapalhadas do senador Mercadante (sim, aquele que já apoiou Renan Calheiros). Sua equipe está ciente de que blogs e Twitter pautam a mídia de massa e de que as mensagens com 140 caracteres podem ter grandes efeitos. Por outro lado, esqueceram que a ferramenta não é suficiente. De que adianta uma mensagem forte e de impacto instantâneo se o responsável pelo perfil é inseguro e a todo momento trai os seus princípios?
No Twitter tudo é rápido. Um pseudo-protesto do senador, que avisava que iria deixar a liderança do PT no senado em caráter "irrevogável" (risos, muitos risos!), transformou-se pouco tempo depois em um atestado de óbito. Discursando para um plenário vazio (bem, isso não é novidade no senado), o senador vacilão atestava em viva voz que aquilo que se lera em seu Twitter era uma mentira virtual de um covarde real. Pobre política nacional, pobre Twitter. Pobre eleitor brasileiro.
Gostamos muito de elogiar o uso do Twitter pelo Obama. Mais ainda de mostrar a importância desse meio nos protestos do Irã. Por outro lado, muitos criticam o uso da tag #forasarney. É como se lá fora o Twitter realmente movimenta o debate público, enquanto no Brasil ele não passa de uma ignição para modas passageiras. Sim, Sarney não vai arredar o pé. Ele está "blindado" (palavra asquerosa que virou bordão na imprensa). Mesmo assim, continuo crendo que tanto a tag #FORASARNEY (sim, as maiúsculas é para indicar que estou GRITANDO) quanto os debates em blogs tem um impacto no espaço de debates. Certamente alguns estamparam a tag pouco sabendo quem é o senador bigodudo e os colegas que o apóiam. Mesmo assim, o tema estava circulando, provocando reflexões.
A insistência das mensagens na blogosfera e na Twittosfera pedindo a necessária saída de Sarney nunca teria sozinha a força de afastá-lo do cargo. Mesmo assim, o debate no ciberespaço é mais uma força, não a única, nem a mais forte. Quero crer que esses movimentos no mínimo despertam a curiosidade de jovens eleitores. Mais do que isso, ajudem a fortalecer a crescente insatisfação de nosso povo com seus representantes políticos. Essas mudanças são lentas. Mesmo assim, olhando para trás podemos ver o quanto nossa política já evoluiu. Pode parecer que estamos indo ladeira abaixo, em direção àquele imenso lamaçal. Mas hoje podemos expressar livremente nossas opiniões, sem sermos exilados, perseguidos ou torturados. E podemos testemunhar em tempo real como os políticos que elegemos roubam nossos bolsos e saqueiam nossa dignidade. Quem sabe essa total visibilidade e tanto debate nos conduzam a escolhas melhores no futuro.
Enfim, blogs e Twitter não são nossa salvação na política, nem a estratégia eleitoral certeira. Os debates que lá ocorrem tampouco são mudos, sem real impacto. São, na verdade, mais um elemento do debate político.
Absolutamente indignado após a absolvição de Renan Calheiros, enviei uma mensagem para Aloizio Mercadante, a partir de uma lista de e-mails dos senadores desta vergonha nacional que circulou na blogosfera. Desculpem a falta de elegância, caros leitores, mas o título da mensagem era "COVARDE TRAIDOR".
Pois nesta terça recebi a resposta padrão do omisso Mercadante (ou de um auxiliar que assina em seu nome). Leia abaixo a mensagem e meus comentários.

Espero que leia e compreenda as razões do meu voto e as providências que estão sendo tomadas em relação aos processos contra o senador Renan Calheiros:
1) Nova representação contra o senador Renan Calheiros - Conforme tenho dito, esse processo apenas se iniciou. O senador Renan Calheiros não foi absolvido. A Mesa do Senado acaba de receber nova denúncia de que Renan Calheiros teria participado de um esquema de desvio de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB. Essa nova representação somente agora passará a ser analisada. Portanto, novamente gostaria de esclarecer que são quatro representações, quatro processos diferentes. Estamos julgando um único mandato, mas estamos analisando quatro representações. O julgamento não acabou. Haverá mais três votações, que podem levar à cassação do mandato do senador Renan. Eu sobrestei meu voto para aguardar a análise de todos os processos e, assim, formar uma convicção definitiva diante do conjunto das acusações. Defendo que os processos podem até ter relatores diferentes, mas deveriam ser todos apreciados numa única sessão, porque, enquanto não dermos um voto terminativo sobre o futuro do senador Renan Calheiros, a Casa continuará se desgastando. Volto a dizer: em relação ao primeiro processo, não há conclusão sobre a tese fundamental da denúncia de que a empreiteira Mendes Júnior pagou, por meio de lobista, as contas pessoais do presidente do Senado. Mas considerei que há graves indícios que precisam ser esclarecidos. Ficaram dúvidas e incertezas. Sendo assim, na votação desse primeiro processo, eu não poderia ter votado pelo arquivamento de modo algum, e não poderia absolver Renan. Ainda não há uma visão abrangente, acabada do processo. Meu voto não foi de omissão. Foi um voto transparente, de quem entende que o julgamento de mérito se faz com base na conclusão do processo das quatro denúncias, quando, então, será possível assumir uma posição definitiva.Comentário: COVARDE TRAIDOR
2) Licenciamento de Renan - Conforme disse em meu discurso da última terça-feira, na tribuna do Senado, já havia defendido e continuo defendendo que o presidente Renan se licencie. Considero que ele deve ter assegurado o direito de defesa, mas, ao insistir em sua permanência no cargo, Renan prejudica as votações e o andamento dos trabalhos na Casa e é grande o desgaste institucional. É como se os grandes erros que ele cometeu, que poderão ser crimes se forem comprovados, fossem da própria instituição.Comentário: COVARDE TRAIDOR
3) Sessões abertas - Um requerimento pedindo que as sessões futuras sejam abertas foi apresentado e apoiado pela bancada do PT e pelos líderes dos partidos, a partir de um pronunciamento meu, que sempre defendi o voto aberto, essencial para dar a transparência necessária e evitar qualquer tipo de manipulação do voto.
Comentário: COVARDE TRAIDOR
3) Sessões abertas - Um requerimento pedindo que as sessões futuras sejam abertas foi apresentado e apoiado pela bancada do PT e pelos líderes dos partidos, a partir de um pronunciamento meu, que sempre defendi o voto aberto, essencial para dar a transparência necessária e evitar qualquer tipo de manipulação do voto.Comentário: COVARDE TRAIDOR
4) Voto aberto - Aprovamos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira, emenda à Constituição que acaba com todas as votações secretas no Congresso Nacional. Gostaria de lembrar que nos últimos 20 anos o PT luta pelo voto aberto. Fomos derrotados em 2003. Nesta quarta-feira, na sessão da CCJ, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou parecer mantendo o sigilo nas votações de indicações e vetos, mas alterou o documento a partir das minhas argumentações. Passou a defender a extinção do voto secreto. O parlamentar tem que assumir sua responsabilidade. Acho que é preciso ser absolutamente radical na transparência. É preciso ter coragem para assumir responsabilidades, e tenho feito isso. Sempre fiz. O que é inconcebível é que possamos ter 43 senadores anunciando ter votado pela cassação de Renan, quando, no painel, foram registrados somente 35 votos contra o presidente do Senado. Isso fragiliza a representação e não permite ao eleitor se identificar ou não com a votação de quem a tenha feito. Vou trabalhar com afinco, não vou me ausentar, não vou me omitir, serei coerente. Declararei meu voto definitivo assim que houver o julgamento final desse processo, a partir do conjunto dos indícios e das provas oferecidas para essas denúncias.Um abraço
Senador Aloizio Mercadante.
Prezado senador desta vergonha nacional, obrigado, mas não aceito abraços de fantasmas.
Sei que é costume de vocês chamarem o senado de "casa" e que não cansam de repetir que "esta casa isto"…"esta casa aquilo". Infelizmente, com tanta atenção voltada para os interesses do domícilio particular, vocês vêm legislando de costas para o Brasil.
Como que você, que antes travestia-se de defensor da ética, hoje quer fazer crer que não tinha elementos para votar o tema? Lembre-se, você não é policial nem fiscal da receita. Logo, só poderia representar os cidadãos brasileiros no que toca a quebra de decoro parlamentar. E você ainda tem dúvidas sobre se houve quebra de decoro?
Pois agora você está indignado que o Renan Calheiros não arreda pé da presidência da vergonha nacional. Você achou que estava sendo um grande líder ao confiar que logo após manipular a votação conseguiria que o Renan abriria espaço para o Tião do PT liderar a mesa, não é?
Enquanto isso, a base aliada obstrui a votação da CPMF (que era moeda de troca na votação sobre o Renan) pois não vem ganhando cargos! Deve ser isso o que os senadores entendem por ética (você já ouviu algum político dizendo que é anti-ético?).
Depois de se omitir, Aloizio, você passou a defender o voto aberto e que as outras representações sejam votadas em bloco. Deve estar se achando o rei da manobra. Pois chega de justificar sua omissão e se comparar a um juiz. O Brasil precisa de homens de verdade, de opinião e que compreendam o que ética realmente quer dizer.
Com essa bagunça "aí em cima", como posso "aqui embaixo" cobrar que quem bateu no meu carro pague os prejuízos? Como posso reclamar de alunos que não cumprem com suas responsabilidades? Como posso me indignar com quem fura a fila? Como posso reclamar do mal atendimento em lojas? E como posso me indignar com o ladrão que roubou minha carteira?
Mercadante, tenho mais uma coisa para te dizer: COVARDE TRAIDOR.
(Prezado assessor do senador omisso, aguardamos sua resposta-padrão aqui neste espaço)
Technorati tags: Mercadante, traidor, Calheiros, Ética
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Salve no del.icio.us
Renan Calheiros é absolvido. Renan é o homem mais poderoso do país. Eu e você somos uns idiotas. Pára o Brasil que eu quero descer.

O blog do Noblat tem hoje um repórter secreto, infiltrado nas trevas da sessão do senado, que julga se Renan Calheiros é ou não um canalha (ups, não é bem isto, mas dá na mesma). Pois o tal mascarado está prestando um excelente serviço, oferecendo alguns detalhes sobre o que ocorre na sessão às escuras.
Nossa equipe de detetives analisou cuidadosamente os últimos posts do Blog do Noblat e chegou à conclusão que o repórter justiceiro só pode ser Cristovam Buarque. O senador avisou mais cedo que usaria sim o seu celular para transmitir informações (é a mobilidade tentando furar o estático congresso!). E disse que faria isso apesar da ameaça de ser processado por falta de decoro parlamentar. Imagine a seguinte situação: Renan sendo absolvido (demonstrando que é um dos políticos mais poderosos do país, e que eu e você somos idiotas) e Cristovam Buarque perdendo o mandato por tentar arrombar a porta do túnel obscuro onde os senadores se escondem.
Vale a pena acompanhar os relatos do misterioso repórter.