Quanto maior a eficiência de uma rede, maior o risco. Essa é uma das lições do excelente livro The Exploit. De fato, quanto mais bem relacionada uma rede social, mais veloz é a circulação de informações. Também é mais rápida a disseminação de vírus e links para sites de phishing, por exemplo.
Ao mesmo tempo que nos sentimos seguros de interagir na internet pois podemos usar pseudônimos e salvaguardar dados pessoais (nome, idade, endereço residencial, etc), estamos também muito vulneráveis a ataques de "cibercriminosos". Mas neste post eu não quero me ater ao problema tão conhecido de malware. Quero focar basicamente no risco que corremos ao dedicar toda nossa vida digital a poucas empresas.
É muito conveniente podermos usar apenas um user e senha para acessar e-mails, fotos, documentos e interagir com amigos e colegas. Por outro lado, se sua senha é roubada, se você esquece sua conta ligada em uma lan house ou no computador de um conhecido, ou mesmo se cai em um golpe de phishing você acaba dando acesso a um terceiro a suas informações particulares. Por outro lado, mesmo que possamos ter confiança quase cega em empresas como o Google, nenhuma tecnologia é livre de bugs. Recentemente, como em outras oportunidades, o webmail do Gmail saiu do ar. O pânico foi tão grande que o fato logo apareceu nos trending topics do Twitter e deixou o sistema "baleiando". Sim, o acesso via POP e Imap ficaram disponíveis, mas incidentes como esse nos mostram como até mesmo o todo poderoso Google pode enfrentar problemas.
O Google trabalha com as tecnologias mais modernas de segurança. Mas existe sim o risco de um ataque criminoso, liderado por alguém de dentro da empresa (ainda que não exista, claro, apenas uma senha a todas as informações do Google!), uma falha tecnológica ou até mesmo energética. E o que poderia acontecer se a sede da empresa em Palo Alto fosse bombardeada? Isso tudo parece ficção científica, mas pode acontecer.
Quanto tempo sua vida pessoal poderia resistir à falta de acesso ao Google. OK, você ainda pode recorrer ao velho telefone e outros recursos. Mas e sua vida profissional e acadêmica? Se você usa intensamente as ferramentas do Google e por anos a fio transferiu e organizou todas suas informações na "nuvem", cuidado!
Mais do que um simples post alarmista, a idéia aqui é colocar em debate a segurança de nossos dados na rede. Nunca é demais salientar a importância de backups em múltiplos lugares (em serviços de backup na rede, via e-mail, em pen-drives, DVDs, HDs externos, etc.). Mas vale a pena também considerar o uso de serviços de fornecedores diferentes, não dedicar toda sua vida digital a apenas uma empresa (como o Google, o Yahoo, a Microsoft, a Apple). Você pode inclusive ter várias contas de e-mail através de serviços de vários provedores e sincronizar com seu smartphone.
Enfim, nada disso reduz o risco de perda de horas ou dias de trabalho caso um problema digital de grandes proporções venha a acontecer. O importante é reconhecer o risco e tentar precaver-se.
E você, tem alguma sugestão para que possamos nos safar do grande apocalipse digital? Que um dia ele vai acontecer eu tenho certeza!
Uma coisa que o Google sabe fazer bem é utilizar idéias de terceiros e lançar suas próvias versões como grandes novidades. Claro, a hegemonia do Google facilita esse tipo de atuação. Uma das mais recentes "novidades" da empresa é o SideWiki, que passa a ser incorporado ao Google Toolbar. Através de uma barra lateral, que pode ser aberta e fechada através de uma aba que aparece no canto esquerdo da tela, qualquer pessoa pode deixar um comentário ou resenha sobre o site que está visitando. Além disso, é possível ler e julgar comentários de outras pessoas. Ao se votar quão útil é cada texto no painel lateral pode-se contribuir para que os inevitáveis spam sejam jogados para baixo na lista. Além disso, links de denúncia de abuso e de compartilhamento (e-mail, facebook, Twitter) também estão disponíveis.
Visitei alguns grandes sites para conferir os comentários já disponíveis. O primeiro que consultei foi o da Microsoft, claro. Como os responsáveis pelos sites tem a preferência de publicar o primeiro texto no SideWiki, a resenha no topo do painel era da própria empresa. Um texto sem graça apenas anunciava o que o site oferece. Ao consultar os comentários seguintes achei que logo esbarraria em dezenas de textos ofensivos. Não foi o que encontrei. Será que o dono do site pode filtrar comentários? Ou será que os internautas não estão dando muita bola para esse tipo de serviço?
Logo no primeiro site consultado eu encontrei um texto de spammer com um link. Esse será o maior desafio do Google: enfrentar a publicação automatizada de links de spammers. Talvez o mesmo mecanismo de filtragem de spam utilizado em blogs resolva esse problema. O link "Report Abuse" pode também ser uma solução administrada colaborativamente.
O detalhe é que a inclusão de comentários em sites utilizando o servidor de um terceiro não é nada novo. No final da década 90 alguns projetos começaram a buscar tecnologias que poderiam permitir a intervenção editorial em páginas da Web criadas por outras pessoas. Muitas daquelas tecnologias já eram motivadas por estratégias de comércio electrónico. Em 1999, o plug-in da empresa Third Voice permitia que se publicasse um comentário na forma de um Post-it dentro do próprio texto do site. Na época, muitos webmasters reagiram negativamente a essa forma de "pichação na web". Dois anos mais tarde, a Third Voice encerrou os seus serviços, já que a empresa não conseguiu popularizar seu plug-in nem atrair anunciantes.
Serviços de anotação na Web já recebiam atenção especial da World Wide Web Consortium desde 2001. O projeto Annotea buscou reforçar os processos de colaboração através de anotações e marcadores, com base em padrões de metadados e Web Semântica. Ao utilizar um plug-in (como Anozilla para Mozilla) ou browser Amaya do W3C, os internautas podem ler e escrever suas observações que são armazenadas em um servidor de anotação externo. A proposta do Annotea, que se parece muito com o que foi implementado pelo Google, utiliza um painel lateral para a publicação de comentários sem que o autor original do site possa autorizar ou apagar os textos enviados. Apesar de continuar desconhecido, uma nova versão do Anozilla foi lançada em 20 de junho de 2009. Com a entrada do Google neste segmento é possível que os serviços de anotações ganhem maior divulgação. De toda forma, o SideWiki já chega parecendo velho. Creio que o momentum para esse tipo de tecnologia já passou, tendo em vista que outros serviços da Web 2.0 permitem outras formas muito mais potentes de colaboração.
Se você ainda não conhece o Twitter Generator, faça o teste dessa "revolucionária tecnologia" antes de ler este post.
Agora, se você já visitou o "incrível" Twitter Generator, deve ter ficado sabendo dele através da rápida e espontânea divulgação que essa brincadeira/crítica recebeu. Pouco depois de eu divulgar o link, pude contabilizar o alto volume de retweets e hits em meu blog. Tendo em vista o tom do texto (que parodiava os produtos das "Organizações Tabajara"), que destoava de meus posts normais, a maior parte das pessoas logo compreendeu a crítica por trás do Twitter Generator. Outro grupo, bem menor que o primeiro, achou a tecnologia ótima, pois lhe pouparia o trabalho de twittar! Mas, um pequeno punhado de pessoas surpreendentemente não captou a brincadeira e sugeriu que a tecnologia ainda precisava de mais pesquisa!!!
O Twitter Generator também obteve ótima atenção da mídia institucionalizada. Além de sair na capa do G1 (uau!), apareceu no Twitter da revista Superintentessante, em jornais (como na Zero Hora, de Porto Alegre) e sites noticiosos. Também concedi uma entrevista para a rádio Band News de São Paulo, no mesmo bloco onde o designer brasileiro da interface do Twitter também era ouvido.

Não posso negar que fiquei muito satisfeito com toda a cobertura. Aproveito para agradecer todos aqueles que ajudaram a divulgar espontaneamente essa "revolucionária" tecnologia. Mas agora, passada toda a euforia (!), é hora de discutir a crítica por trás do Twitter Generator. Sim, vou explicar a piada.
- Hype na internet, ou a banalização das revoluções
A velocidade de inovações na internet faz tudo parecer efêmero. Cada nova tecnologia é lançada como revolucionária, prometendo mudar tudo o que existia até então. Tão ligeira é a obsoletização dos serviços digitais e tamanha é a constante criação de fugidios hypes que o novo de hoje é o velho de ontem. Se antes a frase inglesa "this is so last year" podia fazer sentido, no Twitter e em blogs acabamos dizendo "this is so yesterday"! As modas, hypes e tecnologias revolucionárias frequentemente não conseguem aniversariar. Podemos ver que o termo "revolução", antes uma palavra de ordem política, hoje não passa de um slogan mercadológico, tão elástico e esvaziado quanto qualquer outro. E com prazo de validade curtíssimo. Ou melhor, já vencido na data de seu lançamento.
Observando tudo isso, comecei o lançamento do Twitter Generator com teasers onde eu anunciava que lançaria "uma tecnologia revolucionária que vai mudar a maneira como você twitta". Ao repetir esse anúncio, consegui despertar o interesse de diversos seguidores, que com seus RTs ajudaram a criar o hype espontaneamente. Na quarta-feira, dia do lançamento escolhido cuidadosamente, prometi que revelaria o link da nova tecnologia às 10 da manhã. Pontualmente naquele horário encontrei algumas pessoas cobrando o lançamento! Sim, o pequeno hype forjado mimetizava outros tantos que testemunhamos diariamente na internet.
Na semana de seu lançamento, o Twitter Generator foi a modinha da vez. Nesta semana, talvez poucos se lembrem dele. Quando divulguei sua URL, o número de visitas alcançou mais de 20 mil acessos apenas no primeiro dia. Os links logo apareceram entre os mais clicados e retweetados no Migre.me. Na semana seguinte, a estatística foi despencando. É interessante que uma "bobagem" como o Twitter Generator pode nos ajudar a compreender como funcionam as tendências e hypes na internet.
- A trivialidade de nossos tweets
A ideia do Twitter Generator nasceu de minha observação dos padrões de mensagens na twittosfera. Alguns tweets são repetidos diariamente, como saudações (bom dia, boa tarde, boa noite), comentários sobre o tempo, reclamações sobre o volume de trabalho, etc. Basicamente, o gerador de tweets é uma repetição automática desses padrões. Por um lado, essa automação pode ser interpretada como uma crítica a reprodução ad infinitum das mesmas mensagens. Por outro lado, pode também servir como um incentivo a "twittagens" mais criativas. Você decide!
Contudo, não acredito que haja um jeito correto de usar o Twitter. A melhor maneira é a sua forma particular de twittar. Se você usa para interagir com seus amigos...ótimo! Se usa para negócios...excelente! Se prefere apenas republicar links de notícias interessantes...maravilha! Essa é a beleza do Twitter: permitir que as pessoas se apropriem da tecnologia para alcançar seus objetivos.
É com grande orgulho que apresento uma tecnologia que vai revolucionar o Twitter. Após pesquisas exaustivas, que visavam conhecer profundamente como as pessoas twittam no Brasil, coletamos uma série de demandas para o desenvolvimento do primeiro protótipo em junho de 2009.
Após meses de programação, utilizando os mais modernos padrões e recursos disponíveis da Web 3.0, conseguimos chegar a esta versão estável que agora lhes apresentamos.
Para conhecer o revolucionário Twitter Generator clique no botão abaixo para ativá-lo.

Quando a Rádio Gaúcha me convidou para participar do tradicional programa Polêmica em uma mesa redonda sobre vício de internet fiquei na dúvida: estariam eles me convidando como professor/pesquisador de cibercultura ou como dependente?! Deveria eu refletir sobre a possibilidade de tal adicção ou dar um depoimento pessoal emocionado?!
O programa baseava-se em uma matéria publicada no jornal Zero Hora intitulada "Clínica nos EUA trata vício em internet". Mas, antes de mais nada, é preciso perguntar se de fato existe uma dependência por interação mediada por computador. O tema é controverso e nos Estados Unidos há um debate se esse "vício" deveria constar do Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders (DSM). Caso isso se confirme, o sistema de saúde e as empresas de seguros deveriam ajustar-se à cobertura desse novo distúrbio.
Como práticas excessivas de consumo online e jogos de azar na internet se diferenciam desses mesmos comportamentos compulsivos offline? As causas e tratamentos não poderiam ser os mesmos? É verdade que a internet pode potencializar muitas de nossas ações. Como lembra o sociólogo Manuel Castells, pessoas gregárias poderão fazer um número maior de amizades na rede; outros, que tendem ao isolamento, encontrarão na internet novas formas de distanciamento. Mas seria a internet uma droga digital com alto poder de addicção? A abstinência da rede pode causar graves crises de ansiedade?
Muitas vezes quando estamos conectados perdemos a noção do tempo como também sentimos uma gratificação instantânea pelas respostas recebidas do sistema (como em um game online). Outro fator importante é a sensação de imersão no virtual, que pode gerar uma agradável sensação de escapismo. Ou seja, não podemos pensar que a tecnologia é neutra, que a compulsão e obsessão online sejam exatamente o mesmo que offline. Por outro lado, tampouco podemos pensar que é a internet que causa a addicção, se é que ela existe. Depressão e ansiedade, por exemplo, podem ser causas anteriores que promovem o uso abusivo da rede.
Pelo que li neste excelente artigo, publicado no periódico científico CyberPsychology and Behavior, não existem evidências sólidas que possam confirmar a emergência desse novo distúrbio mental. Os autores afirmam que os trabalhos que sustentam a hipótese tem problemas metodológicos sérios (desde a seleção dos sujeitos avaliados) e não conseguem apresentar uma definição específica que distinga essa forma de addicção de outras compulsões conhecidas.
Mesmo assim, além da clínica citada na matéria no jornal Zero Hora, você facilmente encontra na web outros centros de tratamento de vício em Internet. O Center for Internet Addiction Recovery inclusive traz um teste online para você avaliar se é um dependente digital. Que bom que esse teste é aplicado na própria internet!
Se um dia for comprovado que o vício em internet é um fato, uma coisa é certa: seu tratamento não pode ser comparado ao de dependentes químicos. Para estes é preciso evitar o consumo das substâncias a qualquer preço. Por outro lado, no mundo em que hoje vivemos evitar a internet pode ser impossível. O possível tratamento pode ser pensado como aquele ministrado para quem come compulsivamente (já que não se pode deixar de comer!), onde o comportamento moderado deve ser trabalhado.
Além de mim e do coordenador do Instituto de Informática da Unisinos, Cristiano Costa (do podcast Hora do Mac), participaram do programa os psiquiatras Daniel Zprietzer (que estuda a dependência de jogos de azar online) e Rogério Cardoso. Ao final do debate eu e o Cristiano pegamos os cartões dos psiquiatras. Quem sabe eles nos ajudam!
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E os videogames? Eles viciam ou podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo? Vale a pena ler "Surpreendente! A televisão e o videogame nos tornam mais inteligentes", de Steven Johnson.
Achei que iria conhecer a Twittess em Curitiba quando palestrei no Paço da Liberdade em junho. Apesar de ter dito que iria participar do evento, ela não apareceu. Ao voltar em Curitiba para apresentar meu trabalho sobre fama e narcisismo (no qual discuto o caso @twittess) no congresso Intercom 2009, Tessália Serighelli mais uma vez furou.
Mais tarde, contudo, Tess me escreve uma mensagem direta no Twitter combinando um café naquela noite. Encontre abaixo dois relatos sobre esse encontro.
<ficção>
Chego ao local marcado e começo a procurar twittess. Consigo a avistá-la no fundo do Café, sentada em um sofá. Ao chamar seu nome, levanta-se uma morena muito magra, vestindo jeans justo e blusa preta. Equilibrada em saltos muito altos, a moça é realmente bonita.
Após nos cumprimentarmos, logo percebo um estouro de flashes e um burburinho na entrada do Café. Um grupo de paparazzi surge do nada, buscando a melhor foto de twittess. Uma fã berra o nome da moça suplicando por um autógrafo. Um repórter repete várias vezes uma pergunta ensaiada: "Você se acha a estrela do Twitter?"
Com dificuldade conseguimos nos desvencilhar da corja de fotógrafos. Com a ajuda de seguranças de twittess, nossa conversa naquela noite foi então garantida.
</ficção>
O embate
Tessália, criadora da personagem twittess, é realmente simpática e inteligente. Muito rapidamente se percebe que Tess é determinada, com objetivos bem definidos. Fiquei convencido que twittess é uma criação estratégica, apesar de Tessália recorrer muitas vezes ao discurso de autenticidade. Tendo recentemente criado um blog homônimo e afirmado em uma entrevista que planeja abrir uma agência de mídias sociais, pode-se observar que ela quer explorar ao máximo o renome que conseguiu no Twitter.
Assim que sentamos para conversar, Tess me perguntou "Falou muito mal de mim?". Ela se referia à apresentação de meu artigo no congresso da Intercom. Em outra oportunidade ela havia me dito no Twitter que eu era uma das poucas pessoas de quem ela aceitava críticas. Sua fala, claro, parece envolvida em uma estratégia sedutora. De toda forma, meu trabalho como pesquisador não é falar mal de ninguém, mas sim analisar criticamente os fenômentos da cibercultura.
Como aponto em meu artigo, os métodos de Tessália na criação de sua personagem twittess foram artificiais (o uso de scripts), mas seus efeitos são reais.
Nossa conversa foi franca. Disse a ela que achava os tweets de twittess muito chatos (!), mas que reconhecia que atingiam seu público-alvo. Comentei também que tinha achado o blog muito mal posicionado. Tanto o layout (bonito, mas inadequado) quanto os textos fugiam do posicionamento criado para twittess (ei, esqueci de cobrar a consultoria!). Esse sério deslize no planejamento estratégico da "franquia" twittess deixa a dúvida sobre a atuação de Tessália no mercado de mídias sociais. Mas vamos ficar acompanhando!
A noite foi divertida. Não apenas o bate-papo foi interessante, mas a sessão de fotos com um grupo de amigos fotógrafos movimentou o Café. Sai com a impressão de que Tessália ainda vai dar muito o que falar, mesmo com o inevitável desgaste futuro de sua personagem twittess.
De toda forma, não sei bem se naquela noite conversei com Tessália ou com twittess. Bem, creio que ela também conversou com o professor Alex Primo, e não com Alex, já que passamos a noite toda falando de marketing e cibercultura.
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Agradeço os fotógrafos Andréa Paccini (autora das imagens deste post), Maurício D'Elia, Murilo Souza, Ildo Golfetto e a figuração de Paula D'Elia.
As celebridades estão por todos os lados: nas bancas, nas telas de TV e cinema... no imaginário. Pode-se dizer que elas são as figuras mitológicas de nosso tempo, no timing fugaz da pós-modernidade.
No trabalho que apresentei sábado no congresso da Intercom 2009 dei continuidade à pesquisa que venho realizando sobre celebridades e mídias sociais. No paper anterior, busquei mostrar que a celebridade não é simplesmente uma pessoa com raros talentos. Muitas delas, na verdade, nem talentos tem! Elas são, isso sim, uma mercadoria rentável da indústria cultural. Para além do indivíduo que oferece a face e o corpo para esse produto midiático, a celebridade é um composto mercadológico formado por inúmeros profissionais, como publicitários, agentes, maquiadores, contadores, etc.
Como fênomeno típico da mídia de massa, confesso que comecei a estranhar quando os próprios leitores e blogueiros passaram a se referir a celebridades da blogosfera. Foi a partir dessa contradição que escrevi o trabalho "Existem Celebridades da e na Blogosfera? Reputação e renome em blogs". Conclui que Inagaki e Cardoso, por exemplo, não são celebridades, mas sim blogueiros de renome, segundo a proposta conceitual de Rojek. Já atores e apresentadores de TV que abrem seus próprios blogs, ainda que escritos por equipes, seriam celebridades na blogosfera (o que é diferente de celebridades da blogosfera!).
Neste segundo trabalho, "A busca por fama na web: reputação e narcisismo na grande mídia, em blogs e no Twitter", busco estudar como a cultura do narcisismo atualiza-se com os serviços da Web 2.0. Além de analisar o caso @twittess, amplio a diferenciação entre a simples fama e o estatuto celebridade. Se no primeiro trabalho eu discutia o conceito de celetóide (fama instantânea e fugidia), desta vez eu estudo o conceito de vfama (a fama conferida a pessoas de pouco ou nenhum talento).

Para provocar, termino este post reproduzindo um trecho do trabalho onde questiono porque tantas pessoas buscam celebrizar blogueiros e twitteiros se na Web 2.0 poderíamos nos livrar das imposições das indústrias culturais.
...é possível detectar um desejo de blogueiros e twitteiros em desenvolver seu próprio “star system”. Diante de tal constatação, é preciso questionar-se sobre o que justifica a busca por estrelas em blogs e no Twitter, se estas seriam esferas onde se poderia estar livre da manipulação massiva. A idolatria em contextos de micromídia digital não seria a própria derrota das utopias que anunciavam que blogs, por exemplo, nos libertariam da tirania das estratégias mercadológicas da grandes instituições massivas? Seriam esses novos ídolos necessários para legitimar as mídias sociais? Não estaríamos mimetizando aqui o que lá criticávamos? O que pode justificar esse possível encaminhamento?
Algumas hipóteses. Depois de décadas sendo “educados” pela mídia, não fomos ensinados que devemos seguir certas personalidades? Talvez essa seja uma das razões pela busca por quem idolatrar na blogosfera e no Twitter. O encontro e desenvolvimento de ídolos na micromídia digital podem servir como a “cola” que junta as conversações dispersas pela Web 2.0? É como se essas pessoas de renome fossem nos livrar de nossa orfandade na blogosfera. Desgarrados do alento afetivo das grandes celebridades, procuramos agora quem nos reúna sob o calor de suas asas? Desorientados na Web descentralizada, queremos agora desenvolver altares que possam nos reunir em seu entorno para idolatrarmos juntos nossos próprios ídolos? Será que essas hipóteses fazem sentido? Espero que não. Mas temo que tais frases não sejam percebidas em breve como simples exageros.
Se você ainda não comprou uma nova TV digital, acabará comprando em breve. Na verdade você será obrigado a comprar uma nova televisão, já que o sinal analógico deixará de ser transmitido em 2016. Os Estados Unidos acabam de fazer esse corte, deixando sem sinal milhões de TVs analógicas.
Antigamente era muito fácil comprar um novo "televisor": bastava chegar em uma loja e informar ao vendedor o tamanho da tela que você procurava. Outras decisões giravam apenas em torno de preço e marca. Hoje a escolha de uma nova TV envolve a avaliação de muitos fatores.
Como estive envolvido recentemente na escolha de uma nova televisão, compartilho com você uma série de fatores que devem ser observados na hora da compra.
Tamanho da tela - Antes, quanto maior a tela, pior seria a imagem. Como as TVs analógicas trabalham com apenas 525 linhas de definição, os pixels que formam a imagem ficam aparentes em grandes telas. Com a chegada das transmissões digitais, do Blu-Ray e dos modernos cabos HDMI (que conduzem imagem e áudio em alta definição), toda essa qualidade merece uma grande tela! Com 1080 linhas, dificilmente você terá imagem ruim em uma nova TV.
HD Ready ou Full HD? - Quando compramos uma TV, estamos fazendo um investimento para durar cerca de uma década. Logo, vale a pena economizar para fazer a melhor compra possível. As TVs HD Ready aceitam o sinal digital, mas conseguem atingir "apenas" 768 linhas de definição (720p). Logo, se você vai comprar uma nova TV para sua sala, opte por uma Full HD. Agora, se a TV digital vai para seu quarto ou casa de praia, você pode enconomizar adquirindo uma TV HD Ready mais barata.
Plasma, LCD ou Led? - Essa é a mesma pergunta que fiz para dezenas de vendedores e experts. As opiniões variam muito. A própria imprensa especializada diverge sobre o tema. Para resumir, as TVs de plasma ainda são as que tem a melhor imagem, levando em conta cores e contraste. Suas telas são de vidro, o que é ideal para quem tem criança pequena que, inevitavelmente, gosta de bater as mãozinhas na tela! Por outro lado, a TV apresenta grande reflexo das luzes do ambiente, já que o vidro é muito brilhoso. As TVs de LCD são as que tem tido o maior desenvolvimento nos últimos tempos. Se antes elas apresentavam muitos ruídos (como a imagem pixelada de seu monitor de computador) e baixo contraste, hoje você encontra TVs de LCD com qualidade excelente. As novas TVs de Led (um tipo de LCD) são ultrafinas. Ficam lindas na parede e ainda mais em cima de uma mesa. Elas apresentam imagens com preto mais profundo que as TVs de LCD. Porém, o preço ainda está muito, muito salgado. Mas a entrada de novos competidores (apenas a Samsung as vende no Brasil) e de TVs OLED farão o preço cair no ano que vem. Vale comentar que apesar das telas de LCD serem opacas, algumas TVs da Samsung, tornaram-se um tanto reflexivas. Para maximizar a qualidade das cores e contraste, novas TVs de LCD e Led dessa marca apresentam hoje telas mais brilhosas.
60Hz ou 120Hz? - Se você for comprar uma TV LCD ou Led deve antentar para esse detalhe. Tipicamente as telas LCD apresentam borrões ou pequenos congelamentos da imagem em cenas de grande ação e movimento. Isso se deve a velocidade de atualização da tela, inferior às TVs de plasma. Hoje, as novas TVs de LCD e Led trabalham em 120 Hz (no exterior já existem TVs desse grupo com 240 Hz), o que elimina o problema dos borrões.
Capacidade de gravação - Um dos grandes diferenciais da marca LG é a capacidade de gravação do que está sendo exibido na TV. Através de um HD interno (na linha Time Machine) ou através da conexão de um HD externo (apenas algumas TVs da marca permitem essa interface), é possível programar a gravação, pausar ou mesmo dar câmera lenta no conteúdo transmitido. A empresas Sky e Net (neste caso é preciso pagar uma mensalidade adicional) também oferecem essa funcionalidade. Logo, você precisa avaliar se precisa gravar a programação e em qual equipamento. Particularmente acho melhor delegar esse serviço para os aparelhos da Net ou Sky, pois se estragar eles trocam sem custo adicional.
Entradas HDMI - Esqueça os antigos cabos RCA. Agora todo o conteúdo em alta definição depende de cabos HDMI. Além da alta capacidade de condução de sinais de vídeo (do decodificador de TV a cabo para a TV, por exemplo), o áudio é transmitido pelo mesmo cabo. Como os novos videogames (como Playstation 3), aparelhos de Blu-ray e câmeras de vídeo mais recentes usam esse tipo de cabo, procure TVs que tenham no mínimo 3 entradas HDMI.
Ambilight - Esta tecnologia inventada pela Philips analisa as cores da imagem nos cantos da tela e projeta cores semelhantes no fundo da TV ou mesmo na borda do aparelho. O efeito pode ser interessante se você for fixar a TV em uma parede clara. Por outro lado, se a TV for se colocada sobre uma mesa, o investimento não vale a pena.
Cor - As TVs analógicas e digitais costumam ser pretas. Mas existe uma quantidade de TVs no mercado que usam (e até abusam) da cor vermelha. A Samsung tem usado pequenos detalhes avermelhados nas bordas de acrílico de seus aparelhos mais recentes. Esse estilo de design é chamado pela marca de Touch of Color (TOC). Já a linha Scarlet da LG amplia o uso do vermelho nas laterais e até mesmo em toda a traseira da TV. Dependendo de onde você for colocar a TV, o excesso de vermelho pode acabar cansando!
Custo - O preço das TVs digitais é muito alto. As TVs de plasma geralmente estão mais baratas. Mas prepare-se para investir mais se optar por telas de 46" ou maiores. E tenha certeza que gastará ainda mais (muito, muito mais!) se decidir entrar direto no mundo das TVs de Led. O principal é pechinchar nas grandes lojas e cuidar as ótimas ofertas em lojas online.
Como você viu, não vai ser tão fácil decidir qual será sua próxima TV!
Política e Twitter. Eis um assunto que vem ganhando cada vez mais interesse. O Twitter ganhou credibilidade como importante meio político na última eleição americana. Com suficiente antecedência, a campanha de Obama soube construir a imagem do candidato através de mídias sociais. Essa interação na rede mostrou um candidato diferente, que se aproxima dos eleitores e sabe ouvi-los. Além disso, "humanizou" o político, normalmente estampado estaticamente em santinhos e cartazes. Se a televisão e o rádio exibem um político distante, protegido pela distância da comunicação de massa, o Twitter oferece a sensação de intimidade.
Enquanto isso, no Brasil o Twitter aparece na política apenas como paródia. Conscientes do poder midiático e interativo dos novos meios digitais, nossos políticos começam a divulgar seus perfis em serviços da Web 2.0. Mas, não sabem eles, as mídias sociais não fazem milagres eleitorais. São de fato um potente canal de interação, não apenas uma vitrine reluzente. Veja-se por exemplo as trapalhadas do senador Mercadante (sim, aquele que já apoiou Renan Calheiros). Sua equipe está ciente de que blogs e Twitter pautam a mídia de massa e de que as mensagens com 140 caracteres podem ter grandes efeitos. Por outro lado, esqueceram que a ferramenta não é suficiente. De que adianta uma mensagem forte e de impacto instantâneo se o responsável pelo perfil é inseguro e a todo momento trai os seus princípios?
No Twitter tudo é rápido. Um pseudo-protesto do senador, que avisava que iria deixar a liderança do PT no senado em caráter "irrevogável" (risos, muitos risos!), transformou-se pouco tempo depois em um atestado de óbito. Discursando para um plenário vazio (bem, isso não é novidade no senado), o senador vacilão atestava em viva voz que aquilo que se lera em seu Twitter era uma mentira virtual de um covarde real. Pobre política nacional, pobre Twitter. Pobre eleitor brasileiro.
Gostamos muito de elogiar o uso do Twitter pelo Obama. Mais ainda de mostrar a importância desse meio nos protestos do Irã. Por outro lado, muitos criticam o uso da tag #forasarney. É como se lá fora o Twitter realmente movimenta o debate público, enquanto no Brasil ele não passa de uma ignição para modas passageiras. Sim, Sarney não vai arredar o pé. Ele está "blindado" (palavra asquerosa que virou bordão na imprensa). Mesmo assim, continuo crendo que tanto a tag #FORASARNEY (sim, as maiúsculas é para indicar que estou GRITANDO) quanto os debates em blogs tem um impacto no espaço de debates. Certamente alguns estamparam a tag pouco sabendo quem é o senador bigodudo e os colegas que o apóiam. Mesmo assim, o tema estava circulando, provocando reflexões.
A insistência das mensagens na blogosfera e na Twittosfera pedindo a necessária saída de Sarney nunca teria sozinha a força de afastá-lo do cargo. Mesmo assim, o debate no ciberespaço é mais uma força, não a única, nem a mais forte. Quero crer que esses movimentos no mínimo despertam a curiosidade de jovens eleitores. Mais do que isso, ajudem a fortalecer a crescente insatisfação de nosso povo com seus representantes políticos. Essas mudanças são lentas. Mesmo assim, olhando para trás podemos ver o quanto nossa política já evoluiu. Pode parecer que estamos indo ladeira abaixo, em direção àquele imenso lamaçal. Mas hoje podemos expressar livremente nossas opiniões, sem sermos exilados, perseguidos ou torturados. E podemos testemunhar em tempo real como os políticos que elegemos roubam nossos bolsos e saqueiam nossa dignidade. Quem sabe essa total visibilidade e tanto debate nos conduzam a escolhas melhores no futuro.
Enfim, blogs e Twitter não são nossa salvação na política, nem a estratégia eleitoral certeira. Os debates que lá ocorrem tampouco são mudos, sem real impacto. São, na verdade, mais um elemento do debate político.
Quando saí de férias, tinha certeza que voltaria com um Sony Reader na bagagem. Depois de ler e escrever sobre o aquecimento do mercado dos dispositivos para leitura de e-books, estava convencido que um desses aparatos se encaixaria muito bem em minha rotina de pesquisador. Mas, voltei de viagem sem ter comprado tal gadget. Veja abaixo as razões que fizeram eu me decepcionar com o Sony Reader.
Estou constantemente comprando novos livros para minhas pesquisas. Como a leitura deles não se dá por simples prazer, preciso marcar trechos e anotar comentários nas margens. Cheguei até a desenvolver alguns códigos para hierarquizar as partes que sublinho com um marcador de textos! Depois, essas notas e frases destacadas farão parte de um arquivo no Word onde coleto todas as citações que usarei em meus artigos.
O Sony Reader seria excelente para ler e armazenar esse volume de livros. Em vez de amontoá-los todos em minha bagunçada mesa de trabalho e de ter de carregar esse peso para baixo e para cima, eu poderia levar comigo apenas o fino aparelhinho da Sony. Estava disposto a pagar seu preço em Libras ou Euros. Mas acabei desistindo quando o conheci de perto.
A primeira fez que encontrei o aparelho em uma pequena loja em Londres não foi marcada por aquele deslumbre de testar uma nova maravilha do mundo tecnológico. De fato, o Sony Reader é elegante. Sua capa protetora o aproxima da estética de um pequeno livro, já que precisamos abri-la para ler os textos. O metal da carcaça do aparelho é sóbrio e não tem o charme do Kindle ou dos produtos da Apple. Confesso que para mim essa parte estética é fundamental! Após muitos anos usando produtos da Apple, não vejo graça em comprar uma nova tecnologia se o seu design é sem graça. Não, isso não é frescura, pois faz parte da experiência total com o produto.
A tela do Sony Reader tem alta legibilidade. A tecnologia do e-paper é muito superior a qualquer monitor de notebook. Mas, já que a tela não tem iluminação traseira, como nos LCDs, ela não pode ser lida em condições de pouca luminosidade. A Sony vende um acessório que ilumina a tela por cima, mas achei o dispositivo esquisito.
A atualização da interface é lenta. A mudança de página leva um tempinho para acontecer. Não tenho certeza se isso é causado pelo chip ou pelas características do e-paper. De toda forma, parece uma eternidade para quem está acostumado com a instantaneidade das interfaces de programas e sites!
Os botões do Sony Reader são pequenos e finos. Por causa disso, achei o toque dos controles pouco confortáveis. Os botões laterais agilizam as opções, já que não é preciso mover um cursor para cima ou para baixo. Mesmo assim, a tela sensível ao toque na nova versão do Sony Reader vai certamente facilitar o processo.
Além de ter achado o Sony Reader um concorrente sem graça do Kindle (infelizmente ele não é vendido na Europa), a principal razão para não comprar o aparelho foi sua incapacidade de marcar trechos e tomar notas. Para minhas necessidades de pesquisa essa deficiência é inadmissível. No Kindle é possível não apenas fazer essas marcações como também sincronizá-las com o próprio site da Amazon, de onde se pode fazer o download dessas notas e trechos.
Fiquei achando que o modelo do Sony Reader que avaliei é ótimo para quem lê muitos livros de literatura. Ele é leve, oferece ótima legibilidade e tem uma interface fácil de ser usada (ainda que não me pareça inovadora). Mas, para quem quer usar o aparelho para pesquisa ele não é útil, já que seria preciso estar sempre acompanhado de um caderno ou notebook para tomar notas e copiar trechos manualmente.
Mas nem tudo está perdido! A Sony anunciou que está lançando um novo modelo com touchscreen, recurso que nem o Kindle oferece, no qual será possível marcar trechos do livro. Isso sim é o que eu preciso!
Outra falha do Reader é não ter uma interface do aparelho com o Macintosh. Mas o pior é dispor de um número muito inferior de livros. Nessa área a Amazon leva enorme vantagem. Apesar do aparelho da Sony aceitar uma maior quantidade de formatos de arquivos, o volume de e-books oferecido pela Amazon para o Kindle (incluindo livros científicos) é várias vezes maior.
Apesar de não ter ficado fascinado com o Reader, assim como fiquei quando vi um iPod pela primeira vez, ainda não desisti de comprar um leitor de e-books. Vou precisar esperar, infelizmente. E vou ficar na torcida para que Amazon libere a compra de livros para o Kindle para outros países.