Quando o ódio se difunde na política e nos sites de redes sociais

05Nov
2010

Por Gilberto Consoni
Redator

Na recente campanha presidencial foi comum ouvirmos a palavra ódio nas falas dos dois candidatos que concorriam no segundo turno da eleição. As campanhas afirmaram por diversas vezes que o concorrente alimentava o ódio no eleitorado ao proferir supostas calúnias e difamações.

As campanhas ficaram, como parece que ficarão, inocentadas de qualquer mensagem de ódio trocada durante a eleição, mesmo aquelas ainda registradas na Internet em sites da web, perfis do Orkut, Twitter, Facebook, etc. Mas nem todos eleitores escaparam ilesos do que publicaram na rede, como foi o caso infeliz da estudante de direito, Mayara Petruso, que postou em seu Twitter que: – “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”. Essa mensagem extremamente preconceituosa, como outras que a seguiram, chega a lembrar movimentos nazistas em que o rancor toma proporções que o deseja toca na eliminação do inimigo.

A mensagem de Mayara tomou uma proporção na web que figurou no Trending Topics do Twitter e ela conquistou seus quinze minutos de fama, só que péssima fama. O conteúdo da mensagem já lhe rendeu a demissão do escritório em que estagiava e um processo movido contra ela pela OAB de Pernambuco. Algo extremamente sério para uma estudante que pretendia pretende ser advogada. Mas Mayara não tem toda parte da culpa nesta mensagem e não deveria ser a única penalizada neste triste episódio.

No Brasil, políticos falam o que bem entende, trocam acusações difamatórias e caluniosas, baseiam-se em dados mentirosos para sustentarem suas campanhas, atacam verbal e fisicamente seus concorrentes e nada acontece. A campanha deste ano ficou clara pela alimentação do ódio entre os eleitores pelos dois candidatos que levaram a inúmeras mensagens como esta de Mayara. Não foram poucas as que li no Twitter em que os eleitores ofendiam a militância concorrente com mensagens preconceituosas e extremamente ofensivas.

Mayara não é inocente e precisa ser responsabilizada pela grande bobagem que fez. Eu diria que nem precisa mais disso, pois já foi rotulada para o resto de sua vida como preconceituosa. Mas por que só a estudante deve ser condenada e pagar por algo que iniciou muito antes? Muito antes mesmo desta campanha eleitoral. O ódio e preconceito estão presentes em muitos locais da web.

Ao se fazer a busca pela palavra “odeio” nas comunidades do Orkut encontra-se inúmeros internautas engajados em grupos preconceituosos. Claro que muitas aparecerão como questões que podem parecer irrelevantes como a comunidade “Eu odeio gente fútil”, mas estas inspiram preocupantes como “Odeio o PT e o Lula”. Preocupante mesmo fica quando observamos o conteúdo na descrição da comunidade que diz que “[...] se você não vota em vagabundo, aqui é o seu lugar!”. Então só porque não voto contigo sou vagabundo? A comunidade possui milhares de integrantes, assim como a comunidade “Odeio o PSDB” que possui outros milhares de internautas.

Na web, há quem odeie os nordestinos, paulistas, brasileiros, argentinos e até os gaúchos. Dá para acreditar? Pode parecer tom de brincadeira, mas o tema é extremamente sério.

Há muitos agrupamentos “Eu odeio” pela web que se tomarem proporções fora dela teremos problemas de preconceitos ainda mais sérios em nosso país. Mas é importante lembrar que estas reações, como a da estudante Mayara, são reflexo da falta de educação, das políticas exercidas nas campanhas eleitorais, da impunidade vista a cada dia no Brasil.

O fato é que na internet também se aplica o ditado de quem fala o que quer, ouve o que não quer, ao menos para os cidadãos comuns de fora das campanhas eleitorais. O preconceito no Brasil ocorre na política, entre os estados da federação, entre as classes sociais e até entre as raças e isso está devidamente registrado e publicado em diversos sites de redes sociais para quem quiser ver. Não é nenhuma novidade!

O acontecimento com Mayara denuncia o problema e alerta a todos os internautas que a rede também tem lei, que também podemos ser punidos pelo o que publicamos aqui.



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