Você clica na vida alheia? Boatos na comunicação e no marketing

10Set
2010

Por Gilberto Consoni
Redator

Você possivelmente já se apaixonou e pensou em fazer loucuras por amor pela pessoa amada que não correspondeu? A paixão é assim mesmo, algo que nos atinge e que muitas vezes não conseguimos racionalizar momentaneamente nossos atos. Mas há aqueles que vão além das simples demonstrações privadas de afeto e, na tentativa de conquistar ou reconquistar seu amor, vão a público com atitudes desesperadas que beiram o ridículo.

Nesta semana, ao passar por um outdoor na Av. Protásio Alves em Porto Alegre, deparo-me com a seguinte mensagem de Marlene para Vladimir...

No momento em que vi a mensagem, recordei de um sujeito que fez um anúncio de página inteira em um jornal da minha cidade natal para pedir que a namorada reatasse com ele – triste episódio sem final feliz. Mas ao ler neste outdoor que a Marlene citava um vídeo no YouTube, logo percebi que se tratava de uma estratégia de marketing para que as pessoas procurassem pelo vídeo “Paixão e Bipolaridade” na Web.

Fui atrás do vídeo, pois também sou curioso, e encontrei um curta-metragem publicado em quatro capítulos. Tratava-se mesmo de uma divulgação e não de mais uma triste história de amor que terminava com um dos amantes exposto ao ridículo.

Parabéns aos criadores do outdoor que tiveram a original ideia. Mas o que podemos observar neste instrumento de marketing que instiga pessoas a procurarem um vídeo pelo interesse na vida alheia?

Esse aspecto me chamou a atenção pelo fato de boatos serem cada vez mais comuns na Web, como a falsa notícia da morte de um dos integrantes da banda brasileira Restart que foi TT no Twitter e, ainda, contribuiu para a distribuição de um vírus na rede.

A mensagem circulava pela tuitosfera com um link e informava a morte de Pe Lanza em um suposto acidente de carro. Segundo sites como G1 e ClickRBS, mais de 110 mil pessoas clicaram no link. O número poderia ter sido ainda maior, mas por sorte muitos internautas aproveitavam o feriadão da Independência e estavam offline na segunda-feira. Mas por que clicaram neste link?

A minha hipótese é que as pessoas possuem um exacerbado interesse pela vida alheia e quando se trata de celebridades isso se agrava ainda mais. Os criadores do outdoor “Paixão e Bipolaridade”souberam inteligentemente aproveitar para atingirem o seu objetivo esse desejo humano de saber da desgraça dos outros. Foram geniais ao comunicarem a mensagem no presencial que levava ao virtual. O exemplo pode ser visto como boa convergência entre a antiga mídia outdoor com a recente Web.

Mas até que ponto é ético e inteligente aproveitar-se de uma real ou suposta desgraça para atingir o objetivo de envio da desejada mensagem?

O estudante carioca que criou o vírus e o distribuiu com a informação da suposta morte do integrante da Restart diz que fez com a intenção de alertar uma falha no sistema do Twitter. Justificou que havia reportado o erro aos responsáveis pelo Twitter, mas como não havia sido corrigido resolveu denunciar de forma mais ativa. Mas como acreditar que agiu de boa fé no momento em que passou a roubar as senhas de quem clicava no link?

Os criadores do outdoor também trabalharam com uma suposta desgraça. Não inventaram o boato da morte de uma celebridade, mas aproveitaram um tema em que todos nós poderíamos estar sujeitos (paixão) e criaram personagens para dramatizar a partir de uma pequena frase a desgraça de um triste apaixonado (novelas trabalham estes temas cotidianos). Com isso, as pessoas vão em busca das palavras-chave (bem escolhidas por sinal) paixão e bipolaridade.

O interesse na vida alheia aliado a boatos são bons instrumentos para a difusão de informação na rede, pode ocorrer de forma perigosa como no caso do vírus do Twitter ou por que não engraçada e divertida como no caso do outdoor. Agora, como reagirão aqueles que não acharam graça na brincadeira é um risco que talvez não seja ético e não valha a pena correr.

Imaginem a graça que os familiares de um bipolar acham neste outdoor. Viram, estratégia perigosa, não?

Em tempo: souberam que um funcionário público venezuelano foi preso por defender, através de mensagens no Twitter, o assassinato de Hugo Chávez? Isso foi mais um exemplo de que o que se fala no virtual pode sim ter consequências graves no presencial. A web já não é mais terra de ninguém há algum tempo. Deve-se ter isso em mente ao se produzir conteúdo em Sites de Redes Sociais.



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Comentários:


Comentário de: Rafael Sanches · http://flavors.me/rafaelsanches

O cara deveria receber um prêmio por propor a morte do Chávez!

PermalinkPermalink 14.09.10 @ 11:40



Comentário de: Advogados em Porto Alegre · http://www.kinsel.com.br

Muito legal o Post!! Parabéns

PermalinkPermalink 14.09.10 @ 17:13



Comentário de: Mateus · http://www.ocappuccino.com

O v'ídeo foi removido???

mateus
@ocappuccino

PermalinkPermalink 22.09.10 @ 12:43



Comentário de: Vivian Belochio · http://www.flwedisse.wordpress.com

Ótimo texto, Gilberto.
Muito criativa mesmo a estratégia adotada. Efetivamente o caso que descreveste é um exemplo de aplicação inteligente de uma estratégia de marketing que envolve uma mídia analógica clássica e o potencial do meio digital. A partir de casos como o de "Paixão e Bipolaridade" me pergunto ainda mais sobre o potencial das iniciativas marcadas pelo "revés participativo", descrito por Burgess e Green (2009) como a utilização de estratégias bottom-up pelas mídias e marcas consagradas para a conquista de popularidade.

Vale refletir!

PermalinkPermalink 26.09.10 @ 15:08



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