"Cala Boca Dilma" entra nos Trending Topics

13Ago
2010

Por Gilberto Consoni
Redator

Ao longo da semana, após o erro cometido pela candidata Dilma ao se referir à Baixada Santista e outras imprecisões na entrevista ao Jornal Nacional, observamos o hashtag CALA BOCA DILMA figurar nos Trending Topics Brasil (TTbr). Em entrevista ao portal Terra, o coordenador da campanha para web da candidata, Marcelo Branco disse que: “O ‘Cala Boca, Dilma’ é uma fraude”. O coordenador afirma em sua página no Twitter que a campanha é “feita c fakes, scripts e robôs”.

Marcelo Branco diz na mesma entrevista ao Terra que a campanha de Dilma não irá se pronunciar. “Não vamos fazer nenhuma resposta, pois nossa campanha é propositiva e está baseada em comentários positivos sobre a nossa candidata”. Particularmente acho que os comentários negativos devem ser trabalhados com afinco, já que são esses que precisam mudar para se ganhar votos.

Essa atitude da campanha de não se manifestar pode ser apenas uma estratégia para não dar ainda mais atenção ao fato, mas certamente devem olhar atentamente para o acontecimento, já que o CALA BOCA DILMA não é promovido por fakes e scripts como afirma Branco. Ainda que eles possam existir, qualquer pessoa que passar os olhos nos TTbr observará que são diversos os internautas que se engajaram na manifestação.

Mas será que esses internautas foram motivados e influenciados pela manifestação no Twitter ou apenas despertaram na web a sua posição política que já estava bem definida?

O que observo desde o início da campanha na web é que a maioria das mensagens reforçam a posição política que os internautas já manifestavam no presencial. São raras as mensagens no virtual cujos produtores estejam abertos ao diálogo. Vejo a maioria delas extremamente a favor ou contra.

Certamente o episódio Cala Boca Dilma atinge a imagem da candidata. Mas aqueles que analisarem atentamente o conteúdo dos tuítes que se engajam a favor ou contra nessa manifestação observarão que ele está repleto de manifestações radicais de eleitores bem definidos. Alguém poderia até defender que a manifestação no Twitter não muda nada, já que os envolvidos apenas defendem ao extremo seus candidatos e que o diálogo, que realmente poderia mudar alguma coisa, não ocorre entre os internautas.

Por outro lado, a projeção dessa campanha no Twitter fortalece a militância dos outros candidatos que despertam com mais subsídios para atacar a candidata que lidera nas pesquisas. Além disso, esse fenômeno no Twitter pode migrar para outros meios como já ocorreu em casos anteriores. O próprio Cala Boca Galvão é um ótimo exemplo disso, o que originou o protesto UmDiaSemGlobo.

A web e o Twitter não podem ser vistos como meios de massa, mas como ambientes que podem privilegiar informações mais direcionadas com grandes possibilidades de diálogo. Infelizmente, vejo que mais uma vez os internautas falham neste aspecto, já que não aproveitam o espaço para discussão e continuam com brigas acirradas e argumentos radicais muitas vezes sem fundamento.

Espero que até o dia das eleições o comportamento na web mude e que eu possa aproveitar o debate público em meios como o Twitter para definir meus candidatos. Do contrário, só poderei afirmar que no Twitter, como no Brasil, tudo acaba em pizza e futebol.



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Comentários:


Comentário de: Giovani Letti

A questão é se a Internet brasileira tem massa crítica suficiente para afetar os eleitores brasileiros. Acho que ainda existe muita gente longe da Internet e perto do Bolsa Família.

PermalinkPermalink 13.08.10 @ 15:08



Comentário de: Alex Primo Email

Opa, Giovani, que bom ver você por aqui!

De fato, o Twitter sozinho não muda resultado de eleições. E ainda não tem a mesma popularidade de outros serviços da Internet. De toda forma, acredito que ele faça parte do composto informacional que utilizamos para construir nossas visões de mundo.

PermalinkPermalink 13.08.10 @ 15:28



Comentário de: Ernesto

É um fato lamentável. A web que antes pensávamos que seria uma nova forma de comunicação, multiplicadora de conhecimento e de senso critico, está tendendo apenas a um mero reflexo do espelho do modo de vida do mundo real. Campanhas sem fundamentos, que caem na boca do povo e logo são esquecidas. A superficialização de conteúdo e a limitação do pensamento apenas acelera algo que está mais que certo: a "evolução deficiente" do homem. E vamos as pizzas!

PermalinkPermalink 13.08.10 @ 15:51



Comentário de: Gilberto Consoni Email

Giovani e Ernesto: esta é a minha inquietação com alguns fenômenos que observo no Twitter - a falta de senso crítico e profundidade nos temas que se tornam destaque. Porém, é verdade que o Twitter tem seu papel no engajamento midiático como o Alex fala. Igual, sinto falta do tempo em que as pessoas interagiam entre si e não com os Trending Topics.

Até que ponto é favorável destacar os temas apenas por sua popularidade?

PermalinkPermalink 13.08.10 @ 16:13



Comentário de: Hélio Sassen Paz · http://heliopaz.com/

Consoni e Alex,

Pesquisa de 2009 citada no livro Connected (2010) afirma que apenas 15% dos votos PODEM SER mudados nas últimas 6 semanas. Na esmagadora maioria das vezes, essa ação é presencial (face a face) e fortuita (vizinhos na fila da padaria, por exemplo).

Não sei se essa realidade se aplica ao Brasil. De qualquer forma, até onde a amostragem disponível de n maneiras diferentes pode informar, as mídias sociais reúnem mais pessoas que pensam parecido entre si do que parecem mudar algum quadro eleitoral.

Procurem os comentários nos blogs da mídia corporativa: lá, as críticas vêm nitidamente a favor da direita. Nos blogs independentes, não-remunerados, sem patrocínio e fora do guarda-chuva de qualquer corporação midiática, a situação é diametralmente oposta pela esquerda. Observem a quem cada twitteiro segue e quem os segue: o quadro geral é bastante dicotômico e polarizado. Comparem as comunidades no Orkut, os comentários no Facebook e assim por diante... Dá no mesmo.

O engajamento ajuda a fazer volume, chamar a atenção. No #bra , efeito é ainda menor (pelo menos 25% da população ainda não está regularmente conectada e a parcela que se importa ou que conhece política é minúscula).

Obama decolou por causa da linguagem predominantemente jovem e do conteúdo dirigido a n públicos conectados por diferentes mídias digitais e - principalmente - por alguns detalhes que não se repetem no atual quadro político brasileiro:

a) A população como um todo, independentemente de simpatia ou de filiação a democratas ou republicanos, estava de saco cheio do discurso da guerra;

b) A economia gringa estava (ainda está;) em frangalhos. No fundo, isso demonstra que o bolso e a empregabilidade definem muito mais o voto do que ideologias ou influências coronelista ou midiática. E isso vai se repetir no Brasil, onde a economia vai muito bem, obrigado;

c) O efeito em rede das ações do Governo Lula não replicam apenas nas mídias sociais e nos blogs de esquerda: há uma abertura maior e uma facilidade de informação que propiciam a qualquer pessoa de classe média conectada a participar e a conhecer ações do governo. O Cultura Digital, as políticas afirmativas, o PROUNI, o Projeto Pescar, o Bolsa Família (que é muito mais do que quem não leu o projeto pensa em termos de inclusão social)... Tudo isso é debatido publicamente, fora dos gabinetes dos políticos e dos burocratas.

O link entre as redes digital e presencial é muito mais significativo do que qualquer influência político-partidária, pois os resultados estão a olhos vistos.

Outro detalhe sobre o qual já falei no meu blog há muito tempo atrás é que o Brasil depende de um modelo eleitoral que obriga a composição com corruptos e a prisão do seu rabo com quem pensa diferente. Do contrário, a paz interna e externa; o investimento externo e - acima de tudo - o reconhecimento midiático de fora para dentro (que é amplamente positivo e não é hipócrita, pois o jornalismo da Europa e dos EUA é, em geral, mais crítico, mais detalhista, mais técnico e menos prosellitista do que o nosso) poriam por terra qualquer tentativa de desenvolvimento.

A despeito das minhas críticas severas contra a falta de reforma agrária, a criminalização das rádios comunitárias, o loteamento da Amazônia para os latifundiários mais sanguinários do país, o excesso de carros nas ruas, a lentidão absurda da demora da melhora do ensino público nas escolas, a falta de cuidado e de uso da internet nas escolas, a especulação imobiliária crescente nas grandes cidades, a prioridade para Olimpíadas e Copa do Mundo ao invés de investir em casas populares, saúde, previdência, etc., mesmo que de maneira insuficiente, lenta e com corrupção, ainda assim, o ritmo e a qualidade do que tem sido feito supera muito tudo o que já foi feito antes no país.

Pra terminar, o RS está de costas para o Brasil. Vivemos na terra de cultura mais racista, preconceituosa e maniqueísta do país. O Brasil, por sua vez, está abrindo oportunidades: o que seria de nossos empregos, pós-graduações, bolsas e projetos de pesquisa e de extensão?! Basta comparar com o que passou...

[]'s,
Hélio

PermalinkPermalink 13.08.10 @ 16:17



Comentário de: Nanni Rios

Hoje foi justamente o dia em que o "Cala boca Dilma" SAIU dos TT, Consoni =P

PermalinkPermalink 13.08.10 @ 17:07



Comentário de: Alex Rodrigues · http://www.contextoseo.com

É a segunda vez que vejo esse problema: Candidatos e seus asseclas X Twitter.
Ontem eu dei de cara com um perfil, que não sei ainda se é fake, quem faz e com qual intenção, coletando comentários contra a Dilma e dando RT em todos. Fui falar com ele e fui invadido por uma série de besteiras. Tive que bloquear e denunciar o Spam. Agora vejo que o outro lado faz o mesmo. Conclusão minha: ninguém sabe o que está fazendo.

PermalinkPermalink 18.08.10 @ 11:29



Comentário de: Wendson · http://emprestimo-consignado.com/

Eu adorei ver a Dilma no TT, imagem se fosse na epoca em que o lula se elegeiu, viveria no TT do twitter

PermalinkPermalink 21.08.10 @ 19:39



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