2010
Ao longo da semana, após o erro cometido pela candidata Dilma ao se referir à Baixada Santista e outras imprecisões na entrevista ao Jornal Nacional, observamos o hashtag CALA BOCA DILMA figurar nos Trending Topics Brasil (TTbr). Em entrevista ao portal Terra, o coordenador da campanha para web da candidata, Marcelo Branco disse que: “O ‘Cala Boca, Dilma’ é uma fraude”. O coordenador afirma em sua página no Twitter que a campanha é “feita c fakes, scripts e robôs”.
Marcelo Branco diz na mesma entrevista ao Terra que a campanha de Dilma não irá se pronunciar. “Não vamos fazer nenhuma resposta, pois nossa campanha é propositiva e está baseada em comentários positivos sobre a nossa candidata”. Particularmente acho que os comentários negativos devem ser trabalhados com afinco, já que são esses que precisam mudar para se ganhar votos.
Essa atitude da campanha de não se manifestar pode ser apenas uma estratégia para não dar ainda mais atenção ao fato, mas certamente devem olhar atentamente para o acontecimento, já que o CALA BOCA DILMA não é promovido por fakes e scripts como afirma Branco. Ainda que eles possam existir, qualquer pessoa que passar os olhos nos TTbr observará que são diversos os internautas que se engajaram na manifestação.
Mas será que esses internautas foram motivados e influenciados pela manifestação no Twitter ou apenas despertaram na web a sua posição política que já estava bem definida?
O que observo desde o início da campanha na web é que a maioria das mensagens reforçam a posição política que os internautas já manifestavam no presencial. São raras as mensagens no virtual cujos produtores estejam abertos ao diálogo. Vejo a maioria delas extremamente a favor ou contra.
Certamente o episódio Cala Boca Dilma atinge a imagem da candidata. Mas aqueles que analisarem atentamente o conteúdo dos tuítes que se engajam a favor ou contra nessa manifestação observarão que ele está repleto de manifestações radicais de eleitores bem definidos. Alguém poderia até defender que a manifestação no Twitter não muda nada, já que os envolvidos apenas defendem ao extremo seus candidatos e que o diálogo, que realmente poderia mudar alguma coisa, não ocorre entre os internautas.
Por outro lado, a projeção dessa campanha no Twitter fortalece a militância dos outros candidatos que despertam com mais subsídios para atacar a candidata que lidera nas pesquisas. Além disso, esse fenômeno no Twitter pode migrar para outros meios como já ocorreu em casos anteriores. O próprio Cala Boca Galvão é um ótimo exemplo disso, o que originou o protesto UmDiaSemGlobo.
A web e o Twitter não podem ser vistos como meios de massa, mas como ambientes que podem privilegiar informações mais direcionadas com grandes possibilidades de diálogo. Infelizmente, vejo que mais uma vez os internautas falham neste aspecto, já que não aproveitam o espaço para discussão e continuam com brigas acirradas e argumentos radicais muitas vezes sem fundamento.
Espero que até o dia das eleições o comportamento na web mude e que eu possa aproveitar o debate público em meios como o Twitter para definir meus candidatos. Do contrário, só poderei afirmar que no Twitter, como no Brasil, tudo acaba em pizza e futebol.




