2010
Os nossos leitores do DossieAP certamente já leram em vários blogs e na própria tuitosfera sobre o fenômeno da semana que assustou os tuiteiros que viram seus suados (ou não, vide @twittess) followers zerados. O motivo foi um bug no sistema do Twitter que permitia que qualquer um forçasse alguém a segui-lo, ao postar a palavra accept seguida do @profile de outro. Por exemplo, ao postar “accept @realwbonner” faria com que o “Tio”, que deu as caras novamente no Twitter horas atrás, passasse a seguir você. O Twitter identificou o bug e zerou 'seguidos' e 'seguidores' de toda tuitosfera.
A notícia já é de conhecimento da maioria e foi motivo de divertidíssimas piadas no Twitter, mas o que vale também observar nesses eventos na tuitosfera são as atitudes dos internautas que se repetem e apontam práticas sociais como tendências no ciberespaço. A prática que mais me chamou a atenção neste fenômeno foi o retuite de mensagens por diversos tuiteiros que a partir de um certo momento perdia-se o autor original do tuite. Você sabe quem foi o autor da mensagem “Sobrevivi a virada do século (ano 2000), ao 06/06/06, ao vírus H5N1 e ao H1N1, apagão, e ao #twitterzerado. Que venha 2012, meu filho!”, que foi uma das mais retuitadas no dia em que o Twitter zerou?
O tuite original é de Carolina Azevedo (@carolinaBrasil) e foi postado às 15h e 04min de segunda-feira (10/05), momentos após o bug do Twitter, e ainda era retuitado nesta quinta-feira (14/05). Ao fazer a busca pelo hashtag #twitterzerado no Twitter Search você mesmo observará que há muitos RTs para esta mensagem onde a citação ao autor original não é feita à @carolinaBrasil.
Há duas questões que devem ser destacadas neste fenômeno, o problema da autoria das mensagens que são postadas no Twitter e a escrita coletiva que há na tuitosfera, já que muitos tuites recebem RTs com comentários adicionais e/ou até mesmo com alterações.
Você se preocupa com o autor original quando retuita?
O problema de autoria e cópia de conteúdo não autorizado no ciberespaço está longe de ser resolvido, até mesmo porque muitos produtores amadores não se preocupam com isso. Assim como na blogosgera, o conteúdo que é publicado em ambientes como a tuitosfera conquistou espaço frente aos veículos institucionalizados pelo desprendimento dessas questões de copyright e pelas possibilidades criadas com as licenças Creative Commons. Na blogosfera é comum citar-se a fonte original de uma idéia ou opinião, mesmo quando se reproduz na integra um texto se coloca um link para a fonte original na maioria das vezez, mas na tuitosfera essa prática não é vista da mesma forma.
Muitas vezes pela limitação dos 140 caracteres, os tuiteiros apagam os @profiles anteriores e acabam por deixar apenas aquele de quem ele segue e com isso apaga o @ do autor original. Na tuitosfera ainda não há como se colocar licenças Creative Commons da mesma forma que nos blogs e isso não deixa claro o que se pode fazer com os tuites de cada um. Mesmo que as licenças aparecessem, não se costuma visitar as páginas uns dos outros, mas sim receber as atualizações na própria página de quem acessa.
A autoria no Twitter é um problema que continuará, pois depende do empenho dos tuiteiros em observar o autor original da mensagem, mas é neste ponto que o conflito surge. O que também faz do Twitter um sucesso é a despreocupação com o que é tuitado ou retuitado. O Ttwitter aparece mais como espaço para conversação do que um ambiente para publicação de textos como na blogosfera e com isso a autoria não é uma preocupação, mesmo que muitos tuiteiros reclamem pelo o que escreveram.
Da mesma forma em que não se cita os autores originais de todas as mensagens que acompanham nossas falas diárias em conversas face a face, as mensagens no Twitter recebem o mesmo descuidado.
A vantagem que se observa a partir desse fenômeno no Twitter é que ao editar as falas diárias uns dos outros, através de tuites e retuites, surge uma escrita coletiva na tuitosfera. Da mesma forma que em uma discussão face a face se observa discussões e se resulta em opiniões conjuntas, na tuitosfera se adiciona a documentação dessas falas para posterior recuperação e a distribuição desse resultado pela rede de seguidos e seguidores.
De todo modo, mesmo com essas vantagens, creio que poderia haver maior preocupação em se citar os autores originais dos tuites, mas isso só ocorrerá se essa prática se estabelecer por vontade própria dos tuiteiros. No ciberespaço, como no presencial, os produtos sociais são estabelecidos a partir das interações cotidianas entre os próprios interagentes.

Mas e você?
Você se preocupa em citar o autor original dos tuites que retuita?





