O que bombou no Twitter

07Mai
2010

Por Gilberto Consoni
Redator

O Trending Topics Brasil (TTBr) tornou-se um local almejado por muitos twitteiros e marcas que desejam aparecer em um local destacado na rede, pois o Twitter já é um dos sites mais visitados no Brasil e no mundo. Ter seu hashtag no Trending Topics pode significar um retorno positivo, mas sabemos que nem sempre o destaque é por bons motivos, ao menos para o personagem em questão. Foi o caso de um dos hashtags mais presentes nesta semana no TTBr – #centernada – que foi usado como chacota online do Corinthians que completa cem anos em 2010 e foi desclassificado de mais um campeonato, a Libertadores da América.
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O exemplo positivo da semana foi a campanha SennaVive que manteve o hashtag #sennavive junto à expressão “Instituto Ayrton Senna” nas primeiras colocações do TTBr por quase metade da semana. Há também temas das mídias de massa que influenciam os temas do TTBr, como foi o caso do lançamento do programa TV Garagem da Rede Globo nesta quinta-feira (6/5). Na hora da estreia, o nome do programa apareceu rapidamente na primeira posição do TTBr, junto ao nome do usuário @fiuk, Filipi Gomes, que é protagonista da novela Malhação e foi convidado para participar da primeira transmissão.

Mas qual hashtag é hit neste caso, o TV Garagem ou o fiuk? Para quais brasileiros interessa o hashtag #centernada, a todos ou apenas aos paulistas? Como os twitteiros reagem frente às campanhas na twittosfera, seguem as regras da promoção ou retwittam sem mesmo saber como funciona a campanha? Essas são algumas questões que me chamaram atenção no acompanhamento do comportamento dos internautas em relação aos hashtags que receberam destaque no TTBr dessa semana.

Porque o Twitter precisa funcionar cada vez mais como uma mídia locativa

Observo desde o início da Copa do Brasil e da Libertadores que o TTBr é agendado por esses campeonatos de futebol e que os hashtags quase sempre dizem respeito aos times de São Paulo. Isso ocorre por que o TT é uma funcionalidade quantitativa e que por motivos óbvios nos deixa claro que o número de twitteiros do estado de São Paulo leva seus temas sempre para destaque. O TTBr poderia praticamente ser considerado como um TTSP, já que dificilmente um população de twitteiros do Paraná ou de outros estados poderá concorrer com esse número de habitantes. O Twitter precisa habilitar logo essa funcionalidade para novas regiões para que o filtro no TT ofereça informações mais relevantes aos twitteiros.

Os internautas preferem cada vez mais os acontecimentos próximos a eles do que temas massivos e esse é um dos potenciais da web. Existem dispositivos que informam a localização exata ou aproximada de onde o tweet é publicado. Esses mesmos aparelhos permitem que o twitteiro filtre as mensagens próximas a ele. Essa funcionalidade já resolveria perfeitamente a recuperação de tweets locais, mas a estrutura da Internet brasileira não permite que o serviço de localização desses dispositivos funcione, já que conectamos na maioria das vezes com IPs dinâmicos a partir de um único servidor. Aqueles dispositivos que possuem GPS não sofrem este problema, mas ainda são poucos os twitteiros que twittam com aparelhos desse tipo. Até que os TT funcionem de forma mais locativas, estaremos sujeitos a essa lógica quantitativa dos twitteiros.

Como a mídia de massa influencia os Trending Topics?

Nessa semana, pôde-se observar que a mídia de massa ainda possuí forte influência nos temas de destaque de mídias sociais como o Twitter. Hashtags como #tvgaragem e expressões como “Maria Amélia Buarque”, mãe de Chico Buarque que morreu na quarta-feira (4/5), pautaram os tweets e colocaram os temas no TTBr. Os tweets da morte da mãe do compositor foram em sua maioria homenagens a sua pessoa. O tema partiu da mídia de massa e rapidamente ganhou destaque no Twitter.

Temas da mídia de massa e personagens famosos são frequentes no TTBr e isso já mostra o quanto influenciam as interações nas twittosfera, mas outro fato que me chamou atenção foi a estreia do programa TV Garagem. A forte divulgação na programação da Rede Globo já seria suficiente para que muitos twitteiros comentassem o fato, mas o que me chamou a atenção foi que a maioria dos tweets parecem estar mais interessados no personagem convidado para a estreia, o ator e cantor Filipi Gomes que mantém seu perfil no twitter com quase meio milhão de seguidores. Mesmo que a construção midiática do @fiuk esteja em torno de lógicas massivas, por ser ator protagonista de uma das novelas da rede e também filho de Fábio Júnior, perguntei-me se os hit neste caso era TV Garagem ou @fiuk, já que em muitos tweets observei que os internautas perguntavam o que era esse TV Garagem, mas todos pareciam saber quem era @fiuk.

O conhecimento do ator é claro, por sua exposição em um meio de massa, mas o desconhecimento dos internautas em relação ao programa foi o que chamou atenção. Percebi que muitos não acompanham a programação da Globo a ponto de reconhecer um novo programa na rede, mas que o personagem que é construído pela Globo cumpre o papel de distribuir o programa de massa. Nesse ponto muda o caminho de distribuição, mas o programa de massa ainda recebe sua devida posição de destaque, mesmo em uma mídia como o Twitter que poderia se preocupar com temas menos massivos. Não desejo afirmar que os temas do TTBr são os mesmos das mídias de massa, mas que por seguir muito uma questão quantitativa para a seleção dos temas que serão destaque faz com que se repita essa lógica de distribuição de conteúdo, mesmo que o caminho agora seja a partir dos personagens de hit. O ponto que fica para reflexão é se esse tema apareceria rapidamente no TTBr se fosse divulgado por um twitteiro com o mesmo número de seguidores, mas que não fosse uma celebridade de alguma mídia de massa.

Os twitteiros não lêem o que retwittam

O Instituto Ayrton Senna fez uma interessante campanha para arrecadar fundos, desejou escrever o maior cartão de aniversário do mundo para comemorar o ano em que Senna completaria 50 anos. A cada mensagem enviada no hotsite da campanha ou tweets com o hashtag #SennaVive seriam doados R$2,00 ao Instituto, mas o que observei foi um elevado número de retwittes e pouquíssimas mensagens escritas. O fenômeno que ocorreu é que já se vê uma cultura de promoções na twittosfera que para se participar basta dar RT, mas neste caso precisava escrever uma mensagem com o hashtag e não simplesmente retwittar. A intenção dos internautas e do instituto é ótima,mas não sei se os RTs serão considerados. Oque desejo destacar é que há uma cultura de se retwittar sem ao menos clicar no link ou sem ler mais a respeito de uma promoção, como era o caso desta campanha. A onda de RTs que pensavam seguir o que a campanha solicitava me lembrou do fenômeno do “Don’t Click” que eu mesmo cliquei lá no início de 2009. De todo modo, a intenção do Instituto Ayrton Senna mostra como o envolvimento interativo dos internautas é cada vez mais presente em campanhas de mídia.



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