O YouTube quer seu dinheiro

05Mai
2010

por Mariana Oliveira
Redatora

O site de compartilhamento de vídeos mais famoso da web, que atualmente recebe mais de 24 horas de vídeo por minuto, foi comprado pelo Google em 2006 pela simpática cifra de U$ 1,65 bilhões. A aquisição foi bastante criticada pelos analistas de plantão, sobretudo considerando os altos custos operacionais que demandava (como servidores) e as discussões sobre direitos autorais com músicos e gravadoras. A empresa já possuía o Google Vídeo, mas decidiu investir na startup que despontava no mercado, apesar da fama de seu conteúdo ser “irrelevante”. Surpresa: em 3 anos, o YouTube atingiu 1 bilhão de views diárias, se tornou um dos carros-chefe do Google e referência indiscutível no negócio de vídeos online.

E achavam que o Google tinha feito mau negócio…

No meu último post, sobre a decisão do Ning de cobrar pelo serviço, considerou-se a hipótese de uma crise na economia free. Pois bem, sabe-se que cada uma destes novos aplicativos/serviços/ferramentas tenta buscar o seu “lugar ao sol”, adotando diferentes estratégias para se tornar rentável. Algumas adotam o modelo freemium, outras acabam quebrando mesmo. E, desde o início do ano, o YouTube tem apresentado diversas novidades que caminham para esta sonhada rentabilidade. No campo musical, o YouTube se consolida como o maior canal de distribuição. Como exemplo recente, temos a parceria com gravadoras que originou o VEVO e iniciativas como o Musicians Wanted - canal que procura novos talentos da música, e já atraiu nomes de peso como OK GO -, além do lançamento do YouTube Disco. Ainda falando de música, o YouTube tem na manga cartas como o streaming de megashows, como o do U2 em 2009 e o Hope for Haiti em janeiro deste ano. Nestes casos, a monetização do YouTube está na divisão do lucro de anúncios nestes canais de conteúdo. Mas a galinha dos ovos de ouro ainda está por vir.

A sua locadora YouTube

Há pouco tempo, o YouTube realizou uma experiência: abriu o serviço de locação para 5 filmes independentes do Festival de Sundance por U$ 3,99 cada, disponíveis por 48 horas. O faturamento foi baixo (menos de U$ 10 mil), mas considerando a “obscuridade” dos filmes, o porta-voz do Youtube, Chris Dale, disse que o lucro excedeu as expectativas. A iniciativa deu tão certo que, no dia 23 de abril, o Google decidiu inaugurar pra valer a sua Youtubelocadora, disponível por enquanto apenas nos EUA. Ainda contando apenas com títulos independentes, a YouTube Store nasce com uma promessa de acordos com grandes estúdios de cinema e títulos mais populares no acervo, assim como foi o caso do VEVO, que atraiu gravadoras de peso.

Se a aposta der certo, a Youtube Store será um marco na política de monetização do portal de vídeos e mais um exemplo de serviço da web 2.0 que conseguiu rentabilizar diante do mercado free. Entretanto, este flerte com o mercado de entretenimento pago não promete ser fácil. O YouTube está entrando no terreno do Hulu e do Netflix, duas gigantes do streaming de entretenimento. As cartas estão na mesa: o Hulu - segundo maior portal de vídeos dos EUA - recentemente anunciou um beta-testing que cobra U$ 9,95 pela inscrição, já o Netflix vêm apostando em uma expansão internacional, inclusive disponibilizando seu serviço em Wiis, iPads e iPhones.

A briga promete ser boa. E, pensando nos últimos acontecimentos, quem disse que o Google não gosta disso?



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Comentários:


Comentário de: Richard · http://www.twitter.com/richardrx

Excelente Artigo!

Parafraseando o Lincoln Murphy "Freemium is not a Business or Revenue Model: Money has to come from somewhere"

Freemium não pode nunca ser chamado de modelo é apenas uma estratégias e das mais perigosas, da mesma forma que o Ning não suportou o próprio Youtube não suportava a situação quando foi vendido, dificilmente outra empresa conseguiria ter dado o devido suporte que o Youtube recebeu.

Fica fácil dizer que existe um modelo Freemium quando se tem uma empresa com o caixa do Google para suportar os gastos.

Sobre a Youtubelocadora é a idéia mais genial de todas, as locadoras acabaram devido a internet e agora a internet reabre uma forma de "alugar" filmes por micro-pagamentos. Genial!

PermalinkPermalink 05.05.10 @ 14:27



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