2010
O mau uso das listas de distribuição de e-mail para envio de spam é uma prática negativa frente aos internautas e isso é de conhecimento da maioria dos profissionais e amadores que produzem e distribuem conteúdo na rede. Mesmo com essa informação, produtores insistem nesse mau uso em busca de autopromoção.
Os gerenciadores de e-mails mais avançados possuem sistemas de filtragem que empurram para a caixa de spam essas mensagens indesejadas, mas muitas vezes falham e nos fazem perder tempo com todo esse lixo eletrônico.
Os internautas já estão habituados com esses aspectos do spam e sabem como lidar com esses conteúdos não-autorizados em suas caixas de mensagens, mas quinta (29/04) muitos twitteiros expressaram sua revolta e desejaram dar um basta nessa atividade. Os internautas twittaram ao longo de todo o dia contra a inclusão no spam mailing do spammer blogueiro Pergunte ao Urso.
O desconhecimento de quem era o Urso e o descontentamento dos internautas incluídos no mailing já era esperado pelo próprio blogueiro, já que em seu próprio perfil do twitter ele posta que “não me encha o saco” àqueles que não gostaram. O interessante é que ele posta esse tweet nada espirituoso antes mesmo dos twitteiros iniciarem seus protestos contra o spam.
O blog e twitter “Pergunte ao Urso” são mantidos pelo publicitário Marcelo Vitorino e a sua prática como spammer na rede pôde ser confirmada nos tweets feitos no protesto contra ele desde quinta-feira passada. A busca pela palavra “pergunteaourso” no twitter search já gerava mais de 75 páginas de tweets no sistema até a manhã de sexta-feira (30/04). Ao buscar “pergunte ao urso” o resultado apresentava mais 17 páginas de tweets.
Somados são cerca de mil tweets e em uma visão menos apurada pode representar pouco frente aos cerca de 124 mil e-mails incluídos no mailing, mas ao considerarmos a soma dos seguidores de todos esses twitteiros que protestaram, a voz deles tomou uma proporção que colocou o blogueiro como o spammer vilão do dia na twittosfera brasileira, mesmo para aqueles que não receberam a mensagem indesejada e não twittaram a respeito. Eu mesmo fui um dos “azarados” que não foi incluído no mailing, mas passei o dia lendo tweets de pessoas que sigo e protestavam.
Ao ler o conteúdo dos tweets no Twitter Search (sim, dei-me o trabalho de ler tudo) observei que a maioria desses mil tweets protestavam contra a prática do blogueiro e o acusavam como distribuidor de spam ou diretamente como spammer. O adjetivo não deveria surpreender o blogueiro, pois ele próprio se autodenomina desse modo em seu blog.
Como a maioria dos internautas concordará comigo, a definição de spammer para o blogueiro está perceptivelmente incorreta, pois a prática do spam envolve as mensagens indesejadas e a forma como ele percebe a autorização para envio de e-mail interessa apenas a ele. Continuem enviando mensagens a suas mães tranquilamente que não é spam, mas não a adicionem na newsletter do blog de vocês sem ela autorizar, pois daí sim é spam!
O meu objetivo nesta postagem não é atacar o blogueiro, mas salientar a equivocada visão e prática ao distribuir conteúdo indesejado e mostrar como os twitteiros podem protestar com êxito, já que o próprio blogueiro resolveu gravar um vídeo como resposta. Imaginem qual é o título do vídeo. Spam?!
No vídeo em tom bem mais ameno do que seu tweet “não me encha o saco a toa”, o blogueiro enumera as 3 formas como conseguiu o e-mail dos internautas para inclusão em seu mailing.
1. Participou de alguma promoção cultural promovida com o apoio do Inblogs
2. Eu te conheço e você está em minha lista de endereços
3. Alguém lhe indicou
O tópicos 2 e 3 dispensam comentários, pois já somos conhecedores de que essas práticas como promoção de produtos ou distribuição de conteúdo são vistas de forma negativa e que devem ser evitadas. O principal erro do blogueiro está no uso dos endereços adquiridos nas promoções culturais, pois quando os internautas participam dessas promoções estão interessados no prêmio e não no recebimento de spam, pois nenhuma promoção diz: Quer concorrer a tal prêmio? É só deixar eu enviar lixo pra você!
As promoções estão cada vez mais presentes no cotidiano dos internautas e muitas apresentam ótimos resultados para quem as promove, mas as que têm sucesso são aquelas que oferecem algo e não pensam apenas em promover um produto ou conteúdo. As promoções que oferecem algo em troca de retwittes são ótimos exemplos de como se promover uma marca pela twittosfera com a participação ativa do internauta e não passiva. Ao retwittar, o internauta tem ação sobre sua decisão, ao receber uma mensagem sem esta ação faz com que ele se revolte, pois foi passivo na decisão. O que os produtores devem sempre ter em mente na atual geração da web é que o internauta deseja decidir o que quer consumir e não que alguém o faça por ele. Por esse motivo é que autopromoções como a desse blogueiro soam negativas na rede.
A prática do blogueiro prejudicou ainda a imagem da sua agência “Insight Agência de Publicidade” e do seu condomínio “in blogs”, já que a lista e as promoções a que se refere estão associadas a eles. Os internautas questionaram a estratégia utilizada para a promoção do “Pergunte ao Urso” e twittaram a falta de profissionalismo e de percepção de como funciona a rede.
Os twitteiros que se engajaram no protesto contra o spam do “Pergunte ao Urso” desde quinta mostraram como pequenas ações na Internet tomam caminhos que se espalham pela rede de forma viral. O efeito da rede permitiu que os internautas se manifestassem publicamente e atingissem outras pessoas. Sentiram-se traídos ao terem seus e-mails fornecidos em promoções para a distribuição de spam. O que o “Pergunte ao Urso” esqueceu foi de “perguntar aos internautas” se desejavam receber seu conteúdo.








