iPad pode recuperar o prazer da leitura de jornais e revistas

22Abr
2010

Por Alex Primo
Editor

Quando comentei em meu vídeo-relato sobre o iPad de que eu encontrava nele um futuro para o jornalismo uma polêmica se instaurou. Estaria eu sendo irônico? Manifestando apenas uma paixão cega pela Apple? Defendendo o modelo pago de jornalismo digital?

Primeiramente é preciso lembrar que a discussão do jornalismo passa por muitos caminhos. Podemos discutir a experiência da leitura de notícias, o modelo de negócios, o processo de produção jornalística, entre outros tantos. Eu quero aqui focar apenas aquele primeiro aspecto. E foi justamente ele que provocou aquele meu comentário entusiasmado.

É realmente uma satisfação poder acessar diariamente (e várias vezes ao dia) sites e twittter de webjornais. E, melhor que isso, de forma gratuita e hipertextual. Porém, não posso deixar de comentar que acho hoje os jornais e revistas digitais todos muito parecidos. A recente mudança da interface do G1 mostra o caminho em direção a essa padronização progressiva.

Analise o design dos periódicos que você lê na web. Você verá que eles se repetem. Muito provavelmente você cai em sites jornalísticos aleatórios a partir de links no Twitter e da página de resultados do Google. A leitura dessas notícias é quase automática e sem maiores surpresas. Pior do que isso é constatar que quase todos jornais digitais trazem as mesmas informações e com o mesmo formato. Diante desse cenário eu me arrisco dizer: notícias na web tornaram-se uma commodity. Não importa onde você leu, nem quem escreveu ou publicou. A experiência é quase sempre a mesma.

Eu, que sou uma pessoa "visual", nunca consegui separar a notícia da experiência que ela promove. Talvez seja por isso que eu ainda goste de sujar meus dedos com tinta barata fixada em papel barato (sim, eu ainda assino dois jornais impressos). Provavelmente seja também por essa razão que eu me deleite com o fotojornalismo de revistas semanais e até mesmo com as grandes imagens de uma Caras em um consultório médico (pois é, isso ainda é jornalismo). A diagramação criativa em colunas, o forma como o texto "abraça" as fotos recortadas é também informação!

Não, isso não é simples frescura. Lembre-se, não existe notícia sem forma. E, para quem gosta de jornalismo, a leitura de jornais vai além do simples processo de se atualizar. Muitos de nós inclusive desenvolveram hábitos de ler: esticar o jornal na mesa do café da manhã, ler revistas deitado na rede, etc. Enfim, praticamos (ou praticávamos) uma relação íntima com as mídias jornalísticas. Na web, sinto confessar, isso se perdeu.

Foi esse deslumbre esquecido que redescobri em meu primeiro contato com o iPad. Os aplicativos do New York Times, da Associated Press, da BBC e da Time que experimentei estão recém em suas primeiras versões. De qualquer forma, me ofereceram uma experiência com as notícias e imagens diferenciada. Cada um deles oferecia experiências diferenciadas. Essa estratégia sensorial volta a ser um elemento de concorrência.

Segurar as páginas digitais da Time nas mãos e consumir a explosão das cores e do conteúdo imagético oferece uma experiência "íntima" com a notícia. O interessante é que o New York Times no iPad se parece com um jornal, enquanto a Time não deixa dúvidas de que seja uma revista. Na web, tanto um quanto o outro são sites convencionais. Quando tudo fica muito igual, tudo fica muito chato!

Essa experiência diferenciada só é permitida pela liberdade que a programação de aplicativos para iPad oferece. Claro, essas inovações são o último suspiro do modelo pago de jornalismo. O aplicativo é oferecido de graça, mas a leitura das edições depende de pagamento. Não é objetivo deste post discutir modelos de negócios, nem debater as alternativas gratuitas de circulação jornalística no iPad. Minha proposta é apenas de relembrar como pode ser prazeroso ler jornais e revistas em dispositivos digitais. Espero que os outros tablets ofereçam o mesmo ambiente interativo e sensorial.



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Comentários:


Comentário de: Maick Costa · http://www.twitter.com/maickw

Eu incluiria os comics. Imaginem um comic da Marvel no estilo do livro Alice para o Ipad... Com certeza o Ipad já está na minha lista de próximas aquisições, mas não agora que a grana tá curta, não é?

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 12:16



Comentário de: Pedrox · http://www.twitter.com/pedrox

Eu acrescentaria que o iPad pode mudar inclusive a forma como um livro pode ser produzido. As obras literárias deixariam de se restringir apenas ao texto e às fotos, possibilitando a inclusão de hiperlinks, vídeos e até trilhas sonoras. Já pensou ler Alta Fidelidade, de Nick Hornby, e pode ouvir as canções citadas no top 5 do protagonista apenas clicando em seus títulos? A experiência vai ganhar maior dinamismo com estes novos dispositivos de leitura. Já é meu sonho de consumo - por enquanto - impossível.

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 12:33



Comentário de: Bruno · http://twitter.com/piuas

Muito bom texto hein Primo?

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 12:59



Comentário de: Victor · http://www.blablagol.com.br

Prof. Stephen Kanitz - O Ipad é Revolucionário:
http://www.google.com/cse?cx=017006762477050587527%3Az8znhl2pfrg&ie=UTF-8&q=ipad+%C3%A9+revolucion%C3%A1rio&sa=Pesquisar

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 15:02



Comentário de: Alex Primo Email

Maick, que bom que você lembrou da leitura em quadrinhos. De fato, parece que ela está sendo "reinventada" no iPad.

Pedrox: que grande sacada!

Bruno, acho que este post poderia ser chamado de nostálgico futursista!

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 15:51



Comentário de: Susan Liesenberg

Alex, além desse "deslumbre esquecido" redescoberto por ti "no primeiro contato com o iPad" - de poder ler mídias jornalísticas no conforto de uma rede, como citaste -, reforça o papel da diagramação, que viu sua criatividade preterida com os blocos de texto dentro dos quais as informações foram literalmente enquadradas nos primeiros momentos do jornalismo digital. Se notícia é forma - citação maravilhosamente bem pontuada por ti no post -, a apresentação é fundamental para que ela seja lida, absorvida. A colocação de notas/textos forjando uma pilha de engradados informativos, formando páginas frias e sem qualquer sedução visual, vai se esboçando como um passado nada saudoso e felizmente cada vez mais distante. Somos de uma cultura visual forte e cada vez mais exigente, queremos que as imagens nos capturem a atenção, precisamos nos deixar flagrar pelo apelo da apresentação de fotos e outros recursos visuais, e isso inclui essa conversão do papel para a tela. Estamos condicionados a isso e, sendo assim, o iPad atende muito bem a essa nossa necessidade, permitindo que o conteúdo informativo seja apresentado dessa maneira - visualmente agradável, interessante, sedutora aos olhos -, o que indica que se vatice o futuro do jornalismo convergente como algo cada vez mais promissor. O iPad valoriza o requinte e a importância do projeto gráfico de jornais e revistas, o que, pelo que se tem acompanhado, fará também com que sites jornalísticos reformulem sua apresentação se não quiserem perder audiência pelos modelos obsoletos de layout. Concordem ou não, sedentos ou satisfeitos, nesse aspecto, imagem é tudo!

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 16:44



Comentário de: Alex Primo Email

Susan, que belíssimo comentário. Fiquei muito feliz com a qualidade e pertinência de teus apontamentos! :

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 16:54



Comentário de: CHRIS · http://twitter.com/christyexx

Eu não tive ainda o prazer de experimentar pessoalmente o ipad; mas pela demonstração que vc postou aqui, pude perceber a mesma coisa, digo: ter a sensação de folhear uma revista, um jornal, cada qual nos seus formatos e configurações individuais; as histórias em quadrinhos! Fantástica a sensação, a diversidade de propostas. Acaba-se ganhando algumas informações adicionais com isso. Além do que se lê, junto com cada nova proposta, têm-se novos estímulos de criação, novas idéias.Uma diversidade mesmo enriquecedora para a comunicação digital, que, também concordo, estava ficando tudo muito igual e muito chato!

PermalinkPermalink 22.04.10 @ 17:25



Comentário de: covers · http://auto-deflectors.com

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