2010
Fotos, música, e-mail, buscas personalizadas, aplicativos, redes de relacionamento: tudo de graça. A web 2.0, além de abrir espaço para colaboração e compartilhamento, parece ter como sinônimo a gratuidade. Um dos exemplos desta era é o Google, que oferece serviços com alta qualidade de graça, subsidiados por investidores e anúncios. Este modelo de negócio encantou o mundo e abriu precedentes para um leque de empresas que também buscam seu espaço na economia Free.
O desafio da rentabilidade é um dos principais tópicos em discussão no mercado online, já que muitos serviços importantes e influentes ainda não possuem uma plataforma de lucro que seja rentável e estabelecida. Chris Anderson, em seu livro Free, fala sobre as possibilidades econômicas de uma economia baseada na gratuidade e nos modelos Freemium, em que apenas uma pequena porcentagem tem acesso às regalias da versão paga do serviço, e acabam "sustentando" aquelas que utilizam de graça. Um dos exemplos desta economia é o Ning.
Considerado uma "rede social de redes sociais", o Ning é uma plataforma virtual que permite a construção de sua própria rede social online. Com 2,3 milhões de comunidades de nicho - focadas nos mais diferentes segmentos – e 45 milhões de usuários registrados, o Ning oferece diversos recursos a quem deseja criar um ambiente virtual de maneira simples e gratuita. Ou melhor, era assim.
Em março deste ano, a co-fundadora Gina Bianchini anunciou sua saída da presidência do Ning, passando a bola para Jason Rosenthal. Nesta sexta-feira, um mês depois, Jason apresentou um novo posicionamento estratégico para o Ning, que concentrará 100% dos esforços nas comunidades que pagam pelos serviços. Isso mesmo: o Ning não será mais gratuito. As comunidades virtuais criadas na plataforma deverão se associar a um dos planos Premium ou simplesmente serão deletadas. Jason argumenta que 75% do tráfego atual do site é proveniente de grandes redes do Ning que já utilizam os modelos Premium, e portanto estão dispostas a pagar pelos serviços a mais.
O que se almeja é a independência do Ning do capital dos investidores, se tornando rentável através de seu próprio capital. Não há como prever se a idéia vingará, mas de fato é o fim do Ning como o conhecemos. E, também, de um exemplo de empresa que embarcou no sistema Free mas acabou cedendo à lógica de cobrar pelo serviço oferecido. A despeito do debate acerca dos grandes jornais e seus respectivos dilemas sobre cobrar pelo conteúdo, este posicionamento do Ning é mais um indício reforçando que o mercado de aplicativos, serviços e conteúdos gratuitos precisa desenvolver novas formas de monetização. Afinal, em algum momento as pessoas esperam ver um retorno sobre seu investimento – e é aí que o bicho pega para as centenas de startups com foco nos serviços gratuitos que surgem a cada dia.
Esta iniciativa do Ning pegou todo mundo de surpresa, e deixa a dúvida no ar: a economia FREE (já) está em crise? Agora que já fomos "mal-acostumados", você está disposto a pagar pela qualidade que tinha gratuitamente?
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PS: A entrevista em vídeo com Eduardo Pellanda sobre o iPad, anunciada para esta segunda-feira, será publicada amanhã.




