2010
Ontem assisti em minha TV o último episódio do videopodcast TWIT, especial sobre o iPad, no YouTube através do Playstation 3 (isso que é convergência tecnológica!). O excelente apresentador Leo Laporte fez várias demonstrações da interface do tablet da Apple. Diante desse show de usabilidade fiquei com uma certeza: vai ser muito difícil o Kindle conseguir atrair a atenção do público mais jovem. Mesmo adultos e pessoas da terceira idade vão achar mais fácil ler livros, jornais e revistas online no iPad. Além de Laporte, seus convidados Robert Scoble e Xeni Jardin (que testemunhou um terremoto durante o programa ao vivo!) reclamaram do brilho da tela. De qualquer forma, as cores, a diagramação e o virar de páginas deixam o Kindle no chinelo!
Eu gosto demais da tela e-ink de meu Kindle. A legibilidade é realmente fantástica. Mas a interação no iPad e todo o universo online que ele abre em suas mãos é inatingível hoje pelo aparelho da Amazon. Como eu disse antes, creio que o Kindle é ainda a melhor opção para leitores vorazes de livros e pessoas com déficit de atenção (nessas horas é ótimo não ter Twitter, e-mail ou um browser!). Mas a usabilidade e a oferta de aplicativos para o iPad serão fatores que definirão a decisão de consumidores em dúvida. O impacto das cores, das grandes imagens e vídeos no dispositivo da Apple podem realmente reinventar a leitura de periódicos.
Durante o videopodcast, vi Laporte demonstrando a leitura do Wall Street Journal e do New York Times. Esses jornais já lançaram programas específicos para o iPad. E veja que divertido pode ser a leitura de quadrinhos da Marvel através da App que a editora já publicou:
Esses aplicativos mostram a última tentativa viável da grande imprensa em manter o lucratividade de assinaturas. Enquanto a web não se mostrou tão importante economicamente como esperava essa indústria, o iPad oferece uma nova possibilidade para o fechamento do conteúdo desses periódicos. Para ler o Wall Street Journal, por exemplo, é preciso uma assinatura digital. O app da Marvel é gratuito, assim como algumas histórias em quadrinhos clássicas. Mas o leitor nerd vai precisar pagar por novas revistas. Será que esse novo modelo de negócios pegará? É preciso pagar para ver
Mas o que quero aqui discutir é a propaganda em periódicos online no iPad. Como o aparelho recém foi lançado e apenas um punhado de jornais e revistas online já marcaram sua presença no tablet da Apple, esse debate ainda é bastante especulativo. Mas é urgente, claro!
A web vive hoje um período de maturidade no terreno da propaganda online, ainda que esteja em pauta a criação de novos formatos. Os pop-ups foram quase sepultados, dando lugar a anúncios que flutuam ou se expandem na página. Ao lado dessas propagandas em rich media, e dos sempre presentes banners, os links patrocinados (anúncios em texto popularizados pelo Google) permanecem provando seu potencial. Mas será que esses serão os mesmos padrões dos anúncios a popularem (e poluírem) as páginas noticiosas no iPad? Dê uma olhada nas primeiras experiências destas grandes empresas jornalísticas.
Para quem assina o New York Times no Kindle (como eu!), é uma satisfação ver a diagramação em colunas, as ótimas imagens e a interação com o periódico no app oficial do jornal. Além disso, a interface diferenciada da Associated Press é uma surpresa. O que não encanta é justamente a falta de criatividade nos anúncios presentes nessas páginas digitais. Imagens estáticas com simples links para o site dos anunciantes ainda parecem desperdiçar o potencial estético e interativo viabilizado pelo iPad. Certamente limitações de banda e peso dos arquivos colocarão restrições às agências. Mas a criatividade foi sempre a solução adotada para essas barreiras dos veículos noticiosos.
Em sua apresentação do iPad, Steve Jobs provocou: o iPad vai oferecer a forma mais “íntima” de se navegar na web. “Você literalmente segura a página em suas mãos”, insistiu o visionário líder da Apple. Sendo assim, quero questionar: o que será uma propaganda “íntima”? Como é a sensação de segurar um anúncio digital e como isso pode ser explorado criativamente? Em primeiro lugar, é preciso lembrar que para navegar o interagente precisa segurar o iPad, mantê-lo no colo ou apoiado em uma mesa. É uma situação diferente do uso do iPhone, de um desktop ou notebook. Certamente interagir em uma propaganda dinâmica com as mãos em uma grande tela pode oferecer um alto impacto de sedução. Advergames poderão ser ainda mais divertidos. Esse tipo de interação tem o poder de envolver os potenciais consumidores com a marca. Ainda não temos muitas certezas sobre quais estratégias poderão se tornar padrão. Mas sabemos que, mais uma vez, a entrada de um novo dispositivo no mercado desafiará as agências digitais. Será preciso testar muito o iPad para tentar compreender se essa interação "íntima" é de fato uma realidade.




