2009
Ainda que enfrentando resistência por parte de alianças como a Open Book Alliance (Amazon, Microsoft e Yahoo, juntas!) e dos gigantes do mercado editorial, o Google vêm digitalizando livros há mais de cinco anos, e recentemente firmou um importante acordo com autores, editoras e bibliotecas para a publicação de seus acervos no Google Books.
O foco das discussões sobre o acesso ao conhecimento está voltado para as plataformas de distribuição: o melhor e-Reader do mercado, as editoras on demand, os e-books e o futuro incerto do livro de papel, a leitura em smartphones. Dentre tantos egos feridos, como autores, gráficas e pequenas editoras, eis que surge mais um grande inimigo: a França!
Nesta sexta-feira, o Google foi condenado pela Justiça francesa por infringir direitos autorais da editora La Martiniere. O processo corria há três anos e pedia uma indenização de 15 milhões de euros(!), mas a multa aplicada ao gigante das buscas corresponde a 300 mil euros, além de taxas diárias até que todo os fragmentos de livros desta editora sejam retirados do Google Books.
Pouco antes desta decisão, o presidente Nicolas Sarkozy fez declarações polêmicas sobre a digitalização de livros, ao dizer que não deixaria a herança literária francesa nas mãos de "empresas norte-americanas amigáveis". Uma das providências foi a criação da Polinum, startup planejada para, num futuro próximo, servir de alternativa ao sistema de arquivamento do Google. O projeto de digitalização é uma das prioridades do governo francês em 2010, garantiu o primeiro ministro François Fillon.
Acesso x Leitura
O co-fundador do Google, Sergey Brin, diz que os acordos de digitalização de livros são uma vitória para a empresa, mas que “quem realmente ganha é o leitor, pois a enorme riqueza de conhecimentos presente em todos os livros do mundo agora estará ao alcance de todos”. Entretanto, este precedente aberto pela Justiça Francesa de condenação do projeto provavelmente prejudicará os planos do Google Books de digitalizar "todas as informações do mundo".
Tantas batalhas judiciais e o que se percebe é que estas discussões focam no processo de disponibilizar o livro, e não em sua leitura. Caberia refletir sobre a importância de brigar por tanto acesso quando se constata que, segundo o NOP World Reports Worldwide, o índice de leitura da maioria dos países é de menos de 1 hora por dia. Faz sentido tamanho acesso ao objeto-livro e a esta "riqueza", se não soubermos como aproveitá-la?
Certamente o incentivo a tais hábitos de leitura não é um dever do Google - que, diga-se de passagem, já está fazendo sua parte ao promover esta digitalização. A única maneira de explorar e desfrutar deste conhecimento é ler mais, seja no papel, no e-reader ou no Google Books. Que tal começar por aqui?




