Gosto muito de projetos abertos, que buscam o compartilhamento de conhecimentos. Esse é justamente o intuito de Paulo Siqueira ao lançar gratuitamente o e-book Web 2.0 – Erros e Acertos – Um Guia prático para o seu projeto online. O pequeno livro, distribuído em formato PDF, oferece um panorama sobre como criar projetos digitais no contexto da Web 2.0. Trata-se de uma boa introdução aos principais temas da área. Além do texto claro e direto, o livro conta com as excelentes ilustrações de Orlando Pedroso.
Sendo este um projeto de livre circulação, vale também destacar o trabalho de Gabriel Dread (filho do autor) que buscou o apoio de um grande conjunto de blogs para esta divulgação colaborativa.
William Bonner passou a ser notícia. Tornou-se o novo "queridinho" da twittosfera brasileira. Seu número de seguidores não para de crescer. Apesar da seriedade que apresenta no Jornal Nacional e em entrevistas que concede, descobre-se que Bonner tem bom humor e que gosta de twittar.
Essa recente descoberta das interações no ciberespaço (ele confessa que nunca gostou de mídias sociais) vem sendo motivo de inúmeras matérias em jornais e sites noticiosos. Além disso, Bonner foi entrevistado no programa de Marília Gabriela, que buscou mostrar o lado "mais humano" do jornalista.
Mas cabe agora perguntar: quão real é o perfil @realwbonner? Durante o programa de Marília Gabriela foi possível constatar que Bonner pode ser divertido, que sabe fazer imitações e canta razoavelmente bem (arriscou dois versos de New York, New York). Mas também descobrimos que seu nome real é William Bonemer Júnior. O sobrenome Bonner foi criado por ele assim que chegou na Globo, para proteger o nome de seu pai, um médico conhecido. Como se vê, desde os primeiros passos no telejornalismo ele já se mostrava consciente do papel público que desempenharia. Podemos então ampliar nossa pergunta: Quanto de Bonemer existe (ou resiste) em Bonner?
William Bonner é um personagem, que Bonemer Júnior sabe desempenhar muito bem. Por mais que se esforçasse em provar que é uma pessoa comum durante a entrevista à Marília Gabriela, o super-ego Bonner rapidamente tomava as rédeas de Bonemer. Quando falou de seu amor por Fátima Bernardes (cujo nome era quase sempre acompanhado do sobrenome), parecia estar recitando um texto lido em um teleprompter. A naturalidade em algumas falas logo dava lugar ao personagem institucional.
Vida dura essa de celebridade. Como homem público, editor e apresentador do principal telejornal do país, William Bonner sabe da responsabilidade que carrega em seus ombros. Sabe que sua vida "íntima" é fonte de curiosidade do grande público. E quando a expõe, faz com todo o cuidado. As matérias sobre sua família feliz e perfeita estampam capas da revista Caras. Não há um fio de cabelo fora do lugar, um copo sujo esquecido na mesa auxiliar. Todos sorriem e celebram a vida de uma família de propaganda de margarina.
Bonner diz na entrevista que toma cuidados no trânsito, pois sabe que uma buzinada sua pode parar em sites de fofocas. E celebra que foi elogiado em tablóides online ao pacientemente esperar que um taxista movesse seu veículo para que ele pudesse manobrar. William é plenamente consciente que seu personagem Bonner precisa ser atualizado a todo momento, que a idolatria que desperta é importante para sua carreira e para a TV Globo. Sabe cultivar essa estrela e conhece bem como lucrar com isso.
Até mesmo a imitação de Lula no programa de Marília Gabriela é precisamente planejada. Recusa-se a imitar Clodovil, mesmo que o faça em outros momentos. Sabe que o vídeo vazado na rede com essa imitação poderia ter arranhado sua credibilidade. Bonner percebe que esse novo momento em sua carreira é importante. Arrisca momentos descontraídos durante a entrevista e ensaia algum "charminho" ao falsamente recusar cantar e fazer imitações no programa. Claro, logo em seguida (segundos depois) concede uma pitada de Bonemer.
William, o Bonner, sabe da importância das celebridades na cultura contemporânea. Conta com entusiasmo que esbarrou em Paul McCartney em uma rua americana. Confessa que virou-se maravilhado e lamenta não ter tirado uma foto. A partir desse exemplo prosaico revela ser consciente do papel de estrela que desempenha, da importância disso para sua atuação profissional e que sabe muito bem administrar o personagem.
Bonemer é hoje aprisionado por Bonner. O primeiro se mostra no privado. O segundo é cultivado publicamente. E @realwbonner é real? Sim, um bonner absolutamente real...enquanto personagem no virtual. William sabe muito bem que os internautas não querem conhecer Bonemer. O que importa é a aura de (pseudo) autenticidade que é gerida profissionalmente por William. A informalidade presente em seus tweets são investimentos no produto Bonner. Parece que essa mercadoria ganhou novo valor na prateleira da mídia massiva.
Quanto maior a eficiência de uma rede, maior o risco. Essa é uma das lições do excelente livro The Exploit. De fato, quanto mais bem relacionada uma rede social, mais veloz é a circulação de informações. Também é mais rápida a disseminação de vírus e links para sites de phishing, por exemplo.
Ao mesmo tempo que nos sentimos seguros de interagir na internet pois podemos usar pseudônimos e salvaguardar dados pessoais (nome, idade, endereço residencial, etc), estamos também muito vulneráveis a ataques de "cibercriminosos". Mas neste post eu não quero me ater ao problema tão conhecido de malware. Quero focar basicamente no risco que corremos ao dedicar toda nossa vida digital a poucas empresas.
É muito conveniente podermos usar apenas um user e senha para acessar e-mails, fotos, documentos e interagir com amigos e colegas. Por outro lado, se sua senha é roubada, se você esquece sua conta ligada em uma lan house ou no computador de um conhecido, ou mesmo se cai em um golpe de phishing você acaba dando acesso a um terceiro a suas informações particulares. Por outro lado, mesmo que possamos ter confiança quase cega em empresas como o Google, nenhuma tecnologia é livre de bugs. Recentemente, como em outras oportunidades, o webmail do Gmail saiu do ar. O pânico foi tão grande que o fato logo apareceu nos trending topics do Twitter e deixou o sistema "baleiando". Sim, o acesso via POP e Imap ficaram disponíveis, mas incidentes como esse nos mostram como até mesmo o todo poderoso Google pode enfrentar problemas.
O Google trabalha com as tecnologias mais modernas de segurança. Mas existe sim o risco de um ataque criminoso, liderado por alguém de dentro da empresa (ainda que não exista, claro, apenas uma senha a todas as informações do Google!), uma falha tecnológica ou até mesmo energética. E o que poderia acontecer se a sede da empresa em Palo Alto fosse bombardeada? Isso tudo parece ficção científica, mas pode acontecer.
Quanto tempo sua vida pessoal poderia resistir à falta de acesso ao Google. OK, você ainda pode recorrer ao velho telefone e outros recursos. Mas e sua vida profissional e acadêmica? Se você usa intensamente as ferramentas do Google e por anos a fio transferiu e organizou todas suas informações na "nuvem", cuidado!
Mais do que um simples post alarmista, a idéia aqui é colocar em debate a segurança de nossos dados na rede. Nunca é demais salientar a importância de backups em múltiplos lugares (em serviços de backup na rede, via e-mail, em pen-drives, DVDs, HDs externos, etc.). Mas vale a pena também considerar o uso de serviços de fornecedores diferentes, não dedicar toda sua vida digital a apenas uma empresa (como o Google, o Yahoo, a Microsoft, a Apple). Você pode inclusive ter várias contas de e-mail através de serviços de vários provedores e sincronizar com seu smartphone.
Enfim, nada disso reduz o risco de perda de horas ou dias de trabalho caso um problema digital de grandes proporções venha a acontecer. O importante é reconhecer o risco e tentar precaver-se.
E você, tem alguma sugestão para que possamos nos safar do grande apocalipse digital? Que um dia ele vai acontecer eu tenho certeza!
Uma coisa que o Google sabe fazer bem é utilizar idéias de terceiros e lançar suas próvias versões como grandes novidades. Claro, a hegemonia do Google facilita esse tipo de atuação. Uma das mais recentes "novidades" da empresa é o SideWiki, que passa a ser incorporado ao Google Toolbar. Através de uma barra lateral, que pode ser aberta e fechada através de uma aba que aparece no canto esquerdo da tela, qualquer pessoa pode deixar um comentário ou resenha sobre o site que está visitando. Além disso, é possível ler e julgar comentários de outras pessoas. Ao se votar quão útil é cada texto no painel lateral pode-se contribuir para que os inevitáveis spam sejam jogados para baixo na lista. Além disso, links de denúncia de abuso e de compartilhamento (e-mail, facebook, Twitter) também estão disponíveis.
Visitei alguns grandes sites para conferir os comentários já disponíveis. O primeiro que consultei foi o da Microsoft, claro. Como os responsáveis pelos sites tem a preferência de publicar o primeiro texto no SideWiki, a resenha no topo do painel era da própria empresa. Um texto sem graça apenas anunciava o que o site oferece. Ao consultar os comentários seguintes achei que logo esbarraria em dezenas de textos ofensivos. Não foi o que encontrei. Será que o dono do site pode filtrar comentários? Ou será que os internautas não estão dando muita bola para esse tipo de serviço?
Logo no primeiro site consultado eu encontrei um texto de spammer com um link. Esse será o maior desafio do Google: enfrentar a publicação automatizada de links de spammers. Talvez o mesmo mecanismo de filtragem de spam utilizado em blogs resolva esse problema. O link "Report Abuse" pode também ser uma solução administrada colaborativamente.
O detalhe é que a inclusão de comentários em sites utilizando o servidor de um terceiro não é nada novo. No final da década 90 alguns projetos começaram a buscar tecnologias que poderiam permitir a intervenção editorial em páginas da Web criadas por outras pessoas. Muitas daquelas tecnologias já eram motivadas por estratégias de comércio electrónico. Em 1999, o plug-in da empresa Third Voice permitia que se publicasse um comentário na forma de um Post-it dentro do próprio texto do site. Na época, muitos webmasters reagiram negativamente a essa forma de "pichação na web". Dois anos mais tarde, a Third Voice encerrou os seus serviços, já que a empresa não conseguiu popularizar seu plug-in nem atrair anunciantes.
Serviços de anotação na Web já recebiam atenção especial da World Wide Web Consortium desde 2001. O projeto Annotea buscou reforçar os processos de colaboração através de anotações e marcadores, com base em padrões de metadados e Web Semântica. Ao utilizar um plug-in (como Anozilla para Mozilla) ou browser Amaya do W3C, os internautas podem ler e escrever suas observações que são armazenadas em um servidor de anotação externo. A proposta do Annotea, que se parece muito com o que foi implementado pelo Google, utiliza um painel lateral para a publicação de comentários sem que o autor original do site possa autorizar ou apagar os textos enviados. Apesar de continuar desconhecido, uma nova versão do Anozilla foi lançada em 20 de junho de 2009. Com a entrada do Google neste segmento é possível que os serviços de anotações ganhem maior divulgação. De toda forma, o SideWiki já chega parecendo velho. Creio que o momentum para esse tipo de tecnologia já passou, tendo em vista que outros serviços da Web 2.0 permitem outras formas muito mais potentes de colaboração.