Por que não comprei um Sony Reader

20Ago
2009

Quando saí de férias, tinha certeza que voltaria com um Sony Reader na bagagem. Depois de ler e escrever sobre o aquecimento do mercado dos dispositivos para leitura de e-books, estava convencido que um desses aparatos se encaixaria muito bem em minha rotina de pesquisador. Mas, voltei de viagem sem ter comprado tal gadget. Veja abaixo as razões que fizeram eu me decepcionar com o Sony Reader.

Estou constantemente comprando novos livros para minhas pesquisas. Como a leitura deles não se dá por simples prazer, preciso marcar trechos e anotar comentários nas margens. Cheguei até a desenvolver alguns códigos para hierarquizar as partes que sublinho com um marcador de textos! Depois, essas notas e frases destacadas farão parte de um arquivo no Word onde coleto todas as citações que usarei em meus artigos.

O Sony Reader seria excelente para ler e armazenar esse volume de livros. Em vez de amontoá-los todos em minha bagunçada mesa de trabalho e de ter de carregar esse peso para baixo e para cima, eu poderia levar comigo apenas o fino aparelhinho da Sony. Estava disposto a pagar seu preço em Libras ou Euros. Mas acabei desistindo quando o conheci de perto.

A primeira fez que encontrei o aparelho em uma pequena loja em Londres não foi marcada por aquele deslumbre de testar uma nova maravilha do mundo tecnológico. De fato, o Sony Reader é elegante. Sua capa protetora o aproxima da estética de um pequeno livro, já que precisamos abri-la para ler os textos. O metal da carcaça do aparelho é sóbrio e não tem o charme do Kindle ou dos produtos da Apple. Confesso que para mim essa parte estética é fundamental! Após muitos anos usando produtos da Apple, não vejo graça em comprar uma nova tecnologia se o seu design é sem graça. Não, isso não é frescura, pois faz parte da experiência total com o produto.

A tela do Sony Reader tem alta legibilidade. A tecnologia do e-paper é muito superior a qualquer monitor de notebook. Mas, já que a tela não tem iluminação traseira, como nos LCDs, ela não pode ser lida em condições de pouca luminosidade. A Sony vende um acessório que ilumina a tela por cima, mas achei o dispositivo esquisito.

A atualização da interface é lenta. A mudança de página leva um tempinho para acontecer. Não tenho certeza se isso é causado pelo chip ou pelas características do e-paper. De toda forma, parece uma eternidade para quem está acostumado com a instantaneidade das interfaces de programas e sites!

Os botões do Sony Reader são pequenos e finos. Por causa disso, achei o toque dos controles pouco confortáveis. Os botões laterais agilizam as opções, já que não é preciso mover um cursor para cima ou para baixo. Mesmo assim, a tela sensível ao toque na nova versão do Sony Reader vai certamente facilitar o processo.

Além de ter achado o Sony Reader um concorrente sem graça do Kindle (infelizmente ele não é vendido na Europa), a principal razão para não comprar o aparelho foi sua incapacidade de marcar trechos e tomar notas. Para minhas necessidades de pesquisa essa deficiência é inadmissível. No Kindle é possível não apenas fazer essas marcações como também sincronizá-las com o próprio site da Amazon, de onde se pode fazer o download dessas notas e trechos.

Fiquei achando que o modelo do Sony Reader que avaliei é ótimo para quem lê muitos livros de literatura. Ele é leve, oferece ótima legibilidade e tem uma interface fácil de ser usada (ainda que não me pareça inovadora). Mas, para quem quer usar o aparelho para pesquisa ele não é útil, já que seria preciso estar sempre acompanhado de um caderno ou notebook para tomar notas e copiar trechos manualmente.

Mas nem tudo está perdido! A Sony anunciou que está lançando um novo modelo com touchscreen, recurso que nem o Kindle oferece, no qual será possível marcar trechos do livro. Isso sim é o que eu preciso!

Outra falha do Reader é não ter uma interface do aparelho com o Macintosh. Mas o pior é dispor de um número muito inferior de livros. Nessa área a Amazon leva enorme vantagem. Apesar do aparelho da Sony aceitar uma maior quantidade de formatos de arquivos, o volume de e-books oferecido pela Amazon para o Kindle (incluindo livros científicos) é várias vezes maior.

Apesar de não ter ficado fascinado com o Reader, assim como fiquei quando vi um iPod pela primeira vez, ainda não desisti de comprar um leitor de e-books. Vou precisar esperar, infelizmente. E vou ficar na torcida para que Amazon libere a compra de livros para o Kindle para outros países.


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Priscila Grison · http://midiamovel.blogspot.com

Olá, bem pegal o post!

Estou fazendo uma pesquisa sobre mercado de e-books, e vou fazer referência a sua experiência com o aparelho da Sony. Já tiveste experiência com outros readers? E com aplicaçoes mobile, como o Stanza? Como você vê este mercado?

Aproveitando o seu comentário sobre literatura X livros técnicos e de referência, qual mercado você acredita que será mais bem sucedido, e mais rápido?

Obrigada,

PermalinkPermalink 20.08.09 @ 11:22



Comentário de: Bruno Cardoso · http://blog.ojornalista.com/

Alex,

No meu blog (http://blog.ojornalista.com/) eu fiz um post sobre readers também, citando o IN.

Não citei o da Sony, o que considero um erro. Mas assim que tivermos novidades em relação ao que possui Touch Screen, com certeza escreverei a respeito (e talvez adquira um).

Gostei de saber que você usa as metodologias próximas as minhas: "Cheguei até a desenvolver alguns códigos para hierarquizar as partes que sublinho com um marcador de textos! Depois, essas notas e frases destacadas farão parte de um arquivo no Word onde coleto todas as citações que usarei em meus artigos". Isso indica que eu devo estar no caminho certo.

Obrigado e um forte abraço!

PermalinkPermalink 20.08.09 @ 12:00



Comentário de: Alex Primo Email

Priscila, o Sony Reader foi o primeiro que tive contato. Vale a pena conversar com o Eduardo Pellanda, do blog Ubimídia. Ele tem um Sony Reader e já testou o Kindle. Além disso, ele conhece os programas mobile muito bem.

Bruno, que bom que eu não sou o único louco que faz notas hierarquizadas!!!

PermalinkPermalink 20.08.09 @ 12:03



Comentário de: Pase · http://www.verbeat.org/blogs/andrepase/

oupa Alex

Sobre a comunicação com o Mac, não é bem assim. O software que faz a comunicação com a loja (é tipo um iTunes) não funciona no Mac, erro, mas nada que um bootcamp não resolva.
Isso não significa que ele não tenha comunicação com a maçã. Assim como boa parte dos dispositivos da Sony que usam a dupla comunicação USB+memory card, basta plugar o cabo no micro e ele vai reconhecer o memory card. Aí é só fazer o upload arrastando pra dentro de uma pasta específica (tô sem o meu reader aqui no trabalho, sorry), desconectar e ele vai aparecer lá. É assim que passo boa parte do material que eu leio - PDF, RTF, TXT. Ok, não tem conteúdo comprado direto da loja, mas exisetm outras fontes.
O processo é o mesmo usado p. mexer com o PSP x Mac. Existem bons softwares, mas o básico dá p. fazer via USB mesmo.

abrazon

PermalinkPermalink 20.08.09 @ 16:55



Comentário de: Alex Primo Email

Pase, obrigado pela dica! De toda forma, acho o modelo do Kindle muito interessante. Pena que só funciona nos EUA. Fico na dúvida se tão cedo isso estará disponível por aqui. Eles dependem de muitos acordos com editoras.

PermalinkPermalink 20.08.09 @ 17:19



Comentário de: Rodrigo Namba · http://www.twitter.com/rodrigonamba

Bom dia,
Belo post sobre e-readers.
Gostaria de fazer um comentário, adquiri um Sony Reader PRS 505, mas qndo adquiri estava na duvida entre esse modelo e o 707 também da Sony, porem percebi que o fato do 707 ser Touch, causava uma perda na qualidade do e-paper então decidi levar o 505, e digo que não me arrependo, mesmo sem ter luz (o que acredito não fazer falta) pois o aspecto principal é a quantidade de livro armazenado em um pequeno dispositivo.

Agora espero encontrar alguma empresa que abra os olhos para esse dispositivo que vai ganhar muito espaço, como aconteceu com o MP3.

Para conhecimento, o arquivo ideal para o e-reader é no formato .e-Pub. Nos EUA já produzem livros nesse formato, tanto é que o 505 já vem com 5 livros inclusos, dentre eles o "Marley e Me".

Do jeito que as coisas andam e o fascinio pelos americanos crescem a cada dia mais com o e-reader, acredito que daki uns anos vai ser lançado um "Note-reader" rsrs imagina substituir todos os seus cadernos e anotações por um dispositivo que faça isso ?

É esperar e desfrutar dessa tecnologia que a cada dia nos surpreende mais.

Um forte abraços e parabens pelo blog.

PermalinkPermalink 21.08.09 @ 09:17



Comentário de: Alex Primo Email

Rodrigo, obrigado por sua gentileza e pelos dados que nos oferece.

Realmente, a iluminação da tela não faz falta. Até por isso a qualidade do e-paper é tão boa. Não sabia que a tela touch piorou a legibilidade. Quando vi as informações sobre esse lançamento, fiquei com muita vontade de adquiri-lo, pois facilitará não apenas a navegação nos menus, como também a prática de se "sublinhar" trechos.

Valeu, Rodrigo!

PermalinkPermalink 21.08.09 @ 09:46



Comentário de: Cristiano · http://cristianoalves.net

Na fila ainda tem os mp3 que a amazon também não vende para países como o Brasil, o mercado brasileiro é irrelevante para a amazon.

PermalinkPermalink 21.08.09 @ 13:45



Comentário de: celo · http://www.meunovocelular.com/

Vou arriscar uma previsão: em 5 anos, os celulares já virão com telas touch screen de qualidade semelhante à dos readers, com iluminação traseira opcional e que ainda serão capazes de exibir vídeos em alta resolução.

Haverá um padrão comum para disponibilizar livros para leitura nos celulares, provavelmente o PDF com algum sistema de DRM. E todos serão felizes para sempre e esquecerão de que um dia alguém falou de Kindle ou Sony Reader.

Será que vou acertar? :)

PermalinkPermalink 26.08.09 @ 01:34



Comentário de: Ricardobrusd

Alex,

Como mencionou o Rodrigo, uma das reclamações que mais pesavam sobre o primeiro modelo touch screen (prs-700) foi a perda de definição da tela, apesar de oferecer a possibilidade de sublinhar texto e fazer anotações.

No PRS-600, que apesar do número substituirá o 700, a nitidez das imagens aparentemente foi melhorada (ou, pelo menos, foi o que foi anunciado), entretanto, a diferença entre ele e o 505 continua brutal.

Review do 600 e comparação com o 505:

http://www.engadget.com/2009/08/24/video-sony-prs-600-touch-is-fast-but-too-dim-to-satisfy-prs-505/

Em relação ao suporte para Macintosh, a Sony anunciou que a versão 3.0 do seu software está disponível para OSX. Além disso há um software alternativo chamado Calibre (Windows/Mac/Linux) que funciona com vários readers, incluindo os da Sony e o Kindle.

Pesando os prós e contras, eu ainda estou inclinado a adotar um 600 mas vou esperar até o lançamento (e a inevitável enxurrada de unboxings, reviews e críticas no Youtube) para tomar a decisão final.

PermalinkPermalink 27.08.09 @ 01:57



Comentário de: Eduardo

Olá, alguém poderia me dar uma dica sobre como adquirir livrosd na eBooks da Sony com endereço e cartão de crédito brasileiros? Comprei o PRS-505 nos EUA e qual não foi a minha surpresa quando verifiquei que o eBooks da Sony só vende para os EUA e Canadá! Não aceita nem cartão de crédito emitido fora de lá...

PermalinkPermalink 30.08.09 @ 20:46



Comentário de: Paulo de Tarso

Caro Celo,

Possuo um Nokia 6120 Classic com o Adobe Reader LE (pdf) e o QuickOffice (D0C) e me quebra um bom galho. A telinha é muito pequena mas pode-se aumenar o zoom e usar o modo reflow.
Carrego montes de e-books para onde vou.

Abs,
Paulo

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 17:20



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