2009
O fim da obrigatoriedade do diploma acabará com a qualidade e credibilidade das informações na mídia? Ainda que possamos encontrar desequilíbrios nestes primeiros anos, não acredito que isso seja o derradeiro destino. Certamente as instituições jornalísticas não arriscarão seus investimentos e não abrirão tamanho flanco para a ação de seus concorrentes. E, com a disponibilidade de informações na rede (em diferentes periódicos, blogs, rádios e TVs online do mundo inteiro, além de acesso direto a sites das fontes primárias), ou os veículos jornalísticos oferecem informação relevante, bem trabalhada e atualizada, ou de fato tendem ao desaparecimento.
De fato, a situação dos empregos e salários no Brasil dificulta a equiparação de nosso jornaslismo com o de outros países desenvolvidos onde o diploma não é exigido (como EUA e França). Apesar das diferenças, ainda estou otimista que o jornalismo de qualidade resistirá.
Para ser um bom jornalista não basta saber escrever bem, ter publicado romances, ser bom fotógrafo ou ter participado de festivais de vídeo. Por outro lado, não concordo que só será bom jornalista quem tiver cursado a faculdade de comunicação. Mesmo assim, reconheço que a formação que damos para nossos alunos na Faculdade de Comunicação faz diferença sim. Acredito realmente que a boa formação ainda será decisiva para a contratação e manutenção de profissionais nos quadros dos veículos jornalísticos.
Entendo a revolta de muitos alunos de jornalismo (principalmente de caras faculdades particulares). A sensação é de que perderam tempo e dinheiro. Mas a formação que receberam, isso ninguém lhes tira. Tenho certeza que apesar do fim da obrigatoriedade do diploma, ele ainda fará diferença; principalmente aqueles emitidos por faculdades de renome. Já os diplomas de jornalismo de instituições de esquina... esses talvez sirvam apenas para enfeitar paredes.
Algo que vai mudar nas redações e nas faculdades de comunicação é a presença de profissionais com graduação em outras áreas. Imagino que em pouco tempo os mestrados profissionalizantes em jornalismo começarão a aparecer. Até o momento, os programas de pós-graduação em Comunicação não tinham manifestado interesse nesse tipo de mestrado, apesar dos incentivos da Capes. Mas agora, com o fim da exigência de graduação em jornalismo, creio que haverá uma demanda importante por cursos de pós-graduação em jornalismo. Não tenho dúvida que as universidades particulares serão as primeiras a oferecer esse tipo de curso profissionalizante.
Será que se bons sociólogos, historiadores, economistas, cientistas políticos, professores de educação física cursarem esse tipo de programa de pós-graduação em jornalismo não poderemos ter boas surpresas quando ingressarem nas redações do Brasil? É pagar para ver.




