O fim da obrigatoriedade do diploma é a morte do jornalismo no Brasil?

18Jun
2009

Certamente o fim da obrigatoriedade do diploma, decidido ontem no STF por 8 votos a 1, não porá fim ao jornalismo no Brasil. Neste debate precisamos separar duas discussões que não são exatamente a mesma coisa. As reflexões sobre o jornalismo e sobre o status da profissão de jornalista demandam argumentações em separado. Apesar da clara inter-relação entre as reflexões é capcioso afirmar que a não exigência de diploma acabará com a qualidade do jornalismo como um todo.

Ainda que se goste muito de elogiar o jornalismo americano e francês, prefere-se esquecer que lá o diploma em jornalismo não é pré-requisito para o exercício da profissão. Sobre essa condição, que se repete em dezenas de outros país, vale a pena ler este estudo realizado pelo professor Afonso Albuquerque.

Vamos ser sinceros, no Brasil o debate tornou-se por demais corporativista. Apesar da falaciosa campanha da Fenaj de que o fim da obrigatoriedade do diploma seria uma ameaça à democracia, a sociedade terá muito a ganhar com tal liberdade. Além de repetir o risco democrático que a liberdade de expressão pode acarretar (pasmem!), O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo Andrade, ainda lançou ontem esta pérola: "Foi um milagre o Supremo não nos proibir de exercer o jornalismo no Brasil" (veja íntegra da matéria da Folha de São Paulo). Sinceramente, os argumentos falaciosos de Andrade e da Fenaj acabam colocando em dúvida a seriedade de toda uma categoria. Ou os filiados concordam com a retórica distorcida de seu presidente?

Precisamos reconhecer que os salários de jornalistas nunca foram muito bons. E o volume de vagas cada vez se mostra mais insuficiente. Tal cenário inspira a reação à entrada em cena de profissionais com diplomas em outras áreas (ou até mesmo sem diploma!). Mas, como um defensor da liberdade de expressão, sou otimista. Apesar de potenciais deslizes nos primeiros tempos, acredito que o jornalismo no Brasil irá melhorar.

Dizer que o webjornalismo participativo, que blogs e que o fim da exigência do diploma representa a morte do jornalismo é assumir que o mesmo é muito frágil, o que não é verdade. O que morre é uma concepção antiga de jornalismo. Infelizmente, trata-se de uma área cheia de preconceitos. Diplomados preferem virar a cara para ex-colegas que trabalham em assessorias de imprensa: "Ora, isso não é jornalismo", dizem. É preciso abandonar visões essencialistas que querem fazer crer que só existe um tipo de jornalismo: o hard news da Folha de São Paulo!

Tampouco acredito que a decisão do STF acabe com as faculdades de jornalismo. Apesar de jornalistas odiarem ser comparados com publicitários (preferem se comparar com médicos, advogados e engenheiros), esta categoria nunca precisou mostrar diploma em qualquer agência. Mesmo assim, tais empresas vem sistematicamente empregando apenas diplomados. Sou convicto, portanto, que uma boa formação pode garantir um bom exercício da profissão. Logo, apesar dos rumores distribuídos pela Fenaj, acredito que a formação universitária em jornalismo melhorará com este baque (ela precisa melhorar!) e que fará diferença nas entrevistas de emprego. Espero também que os alunos de jornalismo ampliem seu interesse pelo estudo amplo e continuado.

Nos últimos anos ouvi em congressos a defesa de que o jornalismo deveria ser uma ciência autônoma e que profissionais e pesquisadores de outras áreas não deveriam estudar ou opiniar sobre jornalismo por falta de preparo. Torço que a decisão do STF realmente levante a poeira e mostre o que embolorava por baixo. Torço para que o debate nacional sobre jornalismo (e não simplesmente sobre jornalistas) se amplie. Espero não estar enganado, mas suspeito que o jornalismo começou ontem a ser reinventado. E que bom quando uma área se movimenta e se atualiza!


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Emanuela · http://emanuelaribeiro.wordpress.com

Sei que meus quatro anos de graduação e três de pós-graduação não irão a qualquer lugar. O conhecimento adquirido é, sem dúvida alguma, algo meu, que me acompanhará para sempre. Mas não posso deixar de temer – e agora posso recair no erro de ser corporativa – a precarização da profissão de jornalista e me questionar sobre as futuras gerações que irão exercer a profissão sem formação superior; o futuro dos cursos de jornalismo; e os critérios das empresas de comunicação no momento de contratar a partir de agora. Não tenho resposta e não sei se elas poderão ser dadas tão facilmente.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 14:45



Comentário de: tiago jucá · http://odiluvio.blogspot.com/

limitar o exercício do jornalismo é inconstitucional: se alguns jornalistas nunca leram a constituição, pelo menos o STF conhece e reconhece

art.5º IX– é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

abz
Tiago Jucá
editor da revista O DILÚVIO

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 14:54



Comentário de: tiago jucá · http://odiluvio.blogspot.com/

a Emanuela não leu o que vc, Alex, falou sobre a publicidade, onde não se exige por lei o diploma

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 14:55



Comentário de: Carol Miltersteiner · http://twitter.com/carolinerm

Muito, muito bom esse post!
E o comentário do Tiago também faz muito sentido.

Sou publicitária, e o que me dá mais medo nessa história toda é a reação desesperada dos jornalistas diplomados. Quem deveria ser o setor da sociedade mais aberto a construir um novo mundo - que já está sendo construído - em termos de conhecimento, informação, democratização, é quem mais o repele.

Os jornalistas que reclamam dessa decisão são os mais conservadores, e conservadorismo não é nem de perto o que se precisará ter pra sobreviver aos próximos tempos.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 15:04



Comentário de: Silvana Dalmaso · http://silvanadalmaso.blogspot.com

Alex. Muito importante para mim ler teu post. Precisamos dessas reflexões. Nunca concordei com a postura da Fenaj nesse assunto. O dicurso "jornalistas por formação" não se sustentava, pois só se focava numa pretensa formação que estaria concentrada no diploma. Acredito que o jornalismo já pode estar melhorando e isto muito se deve justamente aos blogs, criticados inclusive por estudantes de jornalismo, e à democracia da Internet.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 15:19



Comentário de: Alvim Bellis · http://imprensaindependente.blogspot.com

A queda do diploma parece ser uma questão ruim, ao meu ver.

Falando em Brasil, as empresas de comunicação estão cada vez mais ávidas pela audiência e pelo lucro. Cada vez mais, seus conteúdos pecam por falta de ética e apuração devida.

A ausência do diploma não vai acabar com o jornalismo, nem com os jornalistas, mas tende a trazer para o mercado pessoas que queiram apenas correr atrás da informação a qualquer custo, fazer um textinho "super fechado" com a linha editorial do seu veículo e ganhar uma graninha. A chance de termos indivíduos pensando jornalismo na grande imprensa pode ser reduzida a zero em pouco tempo.

A internet é um território livre, amplamente democrático. Aqui o diploma já não era exigido mesmo. Blogs variados ajudavam, inclusive a nós, jornalistas, a fazer trabalhos no ramo. A internet assustava a grande imprensa, que com a decisão de ontem, passou a fazer parte do bolo, mas negativamente. A primeira coisa que disserem quando forem criticados pela baixa qualidade será dizer que "na internet já era assim", quando sabemos que na internet a coisa flui muito mais natural e eticamente e com uma qualidade boa.

Minha grande preocupação é esta. Quem corre o risco não é o jornalista, mas sim o jornalismo de qualidade. Para nós que entendemos de comunicação e estudamos para tal, fica fácil perceber. Mas o consumidor diário de informação da grande imprensa corre sério risco de cair em armadilhas armadas por publicações que devem se tornar, em pouco tempo, enormes editoriais de 200 páginas.

Boa reflexão a sua. O importante não é concordar ou discordar. O importante é debater e provocar reflexão. Isto é pensar o jornalismo e a comunicação. Coisa que vai ficar cada vez mais rara na grande imprensa se o que penso se confirmar.

Abraços,
Alvim.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 15:21



Comentário de: Will · http://willbill.com.br/

Sempre fui um defensor do diploma de jornalista para exercer a profissão.
Porém, há um ponto no qual todos devem concordar: isso fará com que as universidades se obriguem a qualificar mais o ensino da profissão.
No fim, os bons ficam. Nenhuma empresa gostará de ter um profissional desqualificado.
Embora haja muitos atualmente, mesmo pessoas com diploma.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 15:22



Comentário de: Silvana Dalmaso · http://silvanadalmaso.blogspot.com

A questão é que tendemos a defender o diploma porque pensamos somente no modelo empresarial, que, sinceramente, não está mais dando conto do jornalismo. Se pensarmos em outros modelos de comunicação, talvez o diploma realmente não seja assim tão fundamental. E quando falo em diploma não uso como sinônimo de formação. Formação não é só passar por um curso de jornalismo. Precisamos parar de pensar em um ideal de mercado. O mercado não contrata somente os bons profissionais. Tem muita gente ruim, diplomada, que está no mercado.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 15:29



Comentário de: Luís Felipe

eu gostaria de saber pelo menos três benefícios práticos do fim da obrigatoriedade do diploma. Assim, deixando a discussão ideológica, os relatos pessoais e outras papagaiadas.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 16:05



Comentário de: Alex Primo Email

Luís Felipe:

1 - liberdade de expressão
2 - liberdade de expressão
3 - liberdade de expressão

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 16:08



Comentário de: Crazyseawolf · http://crazyseawolf.blogspot.com

Liberdade de expressão é uma falácia! Então vamos agora extiguir todos os diplomas de curso superior. Já querem fazer isso também na educação, ou seja, abriu um precedente.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 16:37



Comentário de: Hugo Meira · http://www.portalmeira.com/

Fiz um texto apoiando a decisão do STF:
http://www.portalmeira.com/2009/06/desculpe-so-com-diploma.html

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 16:39



Comentário de: Pedro Reis

O "X" da questão é que o STF derrubou o arbítrio, o "cala boca", a que os jornalistas foram submetidos nos anos de regime militar, que muitos sequer imaginam o que tenha sido.

De maneira alguma vai se precarizar a profissão de jornalista, o que se tirou da lei foi a proibição de "escrever sem autorização". É uma vitória importante da democracia, na medida em que não limita o direito de escrever, inclusive de forma diária e sistemática, sem ser visitado por um fiscal pedindo carteirinha. É o único jeito de se falar sobre coisas que a mídia paga não pode falar, senão perde a verba publicitária. E se houver exageros, o código penal está aí para isso. Perdeu o trem da história quem se arvorou em defensor do " título acadêmico" e esqueceu de olhar em volta. O mundo evoluiu e muito, a informação vem de todos os lados. Vamos ter bom senso. Valeu Alex pela visão lúcida

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 16:46



Comentário de: Giovani Letti · http://estadodecoisas.blogspot.com

Alex, perfeito o teu texto.

A discussão de que o fim da obrigatoriedade do diploma vai acabar com o jornalismo é ridícula. Uma profissão como o jornalismo tem muito a ganhar com a diversidade de formações. Isso gera visões de mundo mais abrangentes, justamente o que o jornalismo precisa.

Também vai obrigar os cursos de jornalismo a se reinventarem, tornando seus currículos mais atuais e eficientes. Acho que ainda existem alguns colegas teus Alex, aí na UFRGS, que acham que o computador prejudicou a qualidade do jornalismo... Esse tipo de fala não pode ser mais admitida.

Já os argumentos contrários, provenientes de algumas entidades de classe, via de regra surgem muito mais para defender interesses de grupos de poder. A dita defesa da “qualidade” do jornalismo é apenas uma justificativa rasa para mascarar seus reais interesses.

[ ]s
Giovani

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 17:18



Comentário de: Manu · http://traversura.blogspot.com

Primo, seu post foi a primeira leitura que me fez concordar com a decisão do STF, entretanto, discordo com seu cometário para o Luís Felipe.

Liberdade de expressão não é algo reprimido por só se permitir a formados a função de jornalista, tampouco será estimulada pela não obrigatoriedade do diploma. Há jornais comunitários, blogs, programas de rádio e muitas outras formas de comunicação que pessoas não diplomadas podem usar para se expressar, inclusive com mais eficiência.

Apesar do contragosto corporativo (sinceramente me agradava a reserva de mercado), vejo que o conteúdo será o grande beneficiário. Luís Felipe, um exemplo fraco: especialistas em determinados assuntos poderiam escrever reportagens com mais propriedade e correção do que jornalistas que sabem superficialmente ou nada sobre o tema e que não se esforçam na apuração. Se elas saberiam a melhor forma de escrever, não sei, mas os editores ainda existem.

Entretanto, admito: se alguém quiser ser jornalista sem ser formado, deverá ter qualificação profissional. Se um não formado pegar o emprego que deveria ser de alguém que passou 4 anos numa universidade, dos dois um, ou o candidato é excelente (e merce ser contratado), ou o diplomado é péssimo (e não merece ser chamado de jornalista).

Só espero que um dia a fonte não peça pra fazer a matéria no meu lugar, rs.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 17:30



Comentário de: Márcio Kerbel · http://www.marciokerbel.blogspot.com

Certamente não é o fim do jornalismo, após anos de militância no movimento sindical resolvi estudar jornalismo, me graduando na maturidade.
Antes de ingressar na faculdade já era contra o diploma, mas percebi que a formação é fundamental, ela fornece o instrumental necessário para apurar, editar e publicar. Neste sentido a técnica é imprescindível, aliada a uma boa formação teórica contribui para o aprimoramento profissional.
Creio que o equívoco é analisar questões atuais com filtros do século passado, o mundo mudou e para melhor, a tecnologia proporcionou o apoderamento de ferramentas de comunicação: blogs e redes sociais favorecem a troca de idéias, informações e opiniões.
A criatividade humana é ilimitada, não pode ser aprisionada por leis decretos, concepções arcaicas. Neste caso a realidade sempre trata de supreender, principalmente àqueles que se consideram donos da verdade absoluta.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 18:26



Comentário de: codigodoeleitor · http://twitter.com/codigodoeleitor

Parabéns. Perfeita a sua colocação. Democracia vive de liberdade de expressão, não de diploma.
O diploma de jornalismo deve servir, sim, para destacar pessoas mais preparadas tecnicamente para redigir uma matéria, para organizar e dirigir um órgão de imprensa etc, não para impor uma reserva de mercado.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 18:31



Comentário de: Eliane

Alex, muito boa a tua reflexão.
Espero que a decisão não seja algo que estimule a proliferação de profissionais desqualificados ou daqueles que pensam 'eu gosto de escrever, sempre fui bem em redação e, então, posso ser jornalista". Que sirva para as faculdades de jornalismo se reinventarem e que o diploma sirva, sim, para que as pessoas mais preparadas tecnicamente ocupem espaçosestratégicos no mercado.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 20:36



Comentário de: Tecars

Concordo contigo, Alex. O que me preocupa um pouco são as declarações dos Min. Cezar Peluso ( "não existe no exercício do jornalismo nenhum risco que decorrra do desconhecimento de alguma verdade científica") e Ayres Britto ("ela - atividade jornalística - se disponibiliza para os vocacionados, para os que têm a intimidade com a palavra"). Então, para fazer jornalismo, bastam acesso à informação e um bom conhecimento de gramática ? Espero que a discussão realmente colabore para o aperfeiçoamento desta prática, trazendo à tona questões relevantes relacionadas à ética, ao envolvimento da área editorial com comercial e à responsabilidade no tratamento e divulgação das informações.
Abç.

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 21:01



Comentário de: FEr

Na verdade, a decisão toca numa área até então tida como intocável. Confesso que não tenho ainda uma opinião 100% formada sobre o assunto. Solidarizo-me com a angústia de muitos amigos, estudantes de jornalismo, mas não consigo deixar de perceber pontos interessantes nessa decisão do STF.

Concordo plenamente com o que disse sobre essa decisão por em cena uma discussão, que, diga-se de passagem, há muito vem sendo postergada, sobre a quantas anda o jornalismo no nosso país. Acho o ambiente acadêmico e as reflexões que ele propicia muito importantes, mas não acredito, sinceramente, que passar 4 anos na faculdada garanta a formação de bons jornalistas, até porque isso tem a ver com aproveitamento de cada um além de não se aprender somente nos bancos da faculdade.

Ao invés de argumentos puramente apaixonados e setorialistas, está na hora de aprofundar mais a questão. Um debate com o qual todos, e não somente jornalistas, devem opinar. Menos egos inflados nessas horas é vital.

É óbvio que entristece escolher uma profissão, estudar tanto e depois ter uma vaga ocupada por alguém que não é da área. Mas ainda acredito que o diploma será considerado um diferencial competitivo aliado obviamente ao expertise de cada um. Como pregam por aí, o que vale é competência, não é?

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 22:47



Comentário de: Mateus · http://www.ocappuccino.com

Temo que RP não seja o próximo e que o meu diploma, quando conquista-lo, ainda tenha validade e seja obrigatório para atuar como um profissional.

Abraços,
Mateus d'Ocappuccino

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 01:37




Vamos que vamos.

Minha banca foi hoje (PUC Minas) e fico mto feliz em ter um diploma.
Esta decisão serviu p/ balançar um pouco as redações tradicionais.

É bom.

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 11:32



Comentário de: luiz galvão

Leandro Fortes, blog do Azenha:Sem precisar buscar jornalistas formados, os donos dos meios de comunicação terão uma farta pescaria em mar aberto. Muito da deficiência dessa discussão vem do fato de que ela foi feita sempre pelo olhar da mídia graúda, dos jornalões, dos barões da imprensa e de seus porta-vozes bem remunerados. Eu, que venho de redações pequenas e mal amanhadas da Bahia, fico imaginando como é que essa resolução vai repercutir nas redações dos pequenos jornais do interior do Brasil, estes já contaminados até a medula pelos poderes políticos locais. Arrisco um palpite: serão infestados por jagunços, capangas, cabos eleitorais e familiares.

O fim da obrigatoriedade do diploma vai, também, potencializar um fenômeno que já provoca um estrago razoável na composição das redações dos grandes veículos de comunicação: a proliferação e a expansão desses cursinhos de trainee, fábricas de monstrinhos competitivos e doutrinados para fazer tudo-o-que-seu-mestre-mandar. Ao invés de termos viabilizado a melhoria dos cursos de jornalismo, de termos criado condições para que os grandes jornalistas brasileiros se animassem a dar aulas para os jovens aspirantes a repórteres, chegamos a esse abismo no fundo do qual se comemora uma derrota.

De minha parte, acho uma pena.

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 13:12



Comentário de: mafalda

Concordo que as faculdades de jornalismo precisam de mudanças, ainda mais agora. Sobre a tão almejada liberdade de expressão...vivemos em tempos que todos podem dizer o que bem entendem, portanto, dizer que este é o principal benefício do "não diploma" não dá. Realmente existem outras tantas discussões que precisamos ter, mas vamos lembrar que os mais beneficiados com a decisão do STF são as empresas jornalísticas, afinal de contas, todo colaborador agora é jornalista! Contudo, Alex, espero como você, que exista movimentação e atualização da área, pois jor.na.lis.mo é a grande paixão dos jornalistas.

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 16:40



Comentário de: Luís Felipe

hm, liberdade de expressão. Um benefício prático que é uma beleza. Eu achava que morava num país democrático, não numa ditadura dos jornalistas, mas tudo bem.

Aliás, acho curioso que a defesa da liberdade de expressão aplauda uma decisão autoritária de nove magistrados que não foram eleitos por ninguém, sendo que ainda temos um poder legislativo e um executivo nessa mesma democracia.

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 20:42



Comentário de: Carlos Alberto

Perfeito o comentário de Luis Felipe. Nunca se expressou tanta opinião com tamanha libertade hoje no BRasil. Sinto no ar um certo ranso de publicitário contra jornaista.

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 22:26



Comentário de: Carlos Alberto

Não sou professor e nem jornalista mas me chama a atenção como um professor universitário apóia uma ação que enfraquece a formação acadêmica, a busca pela qualidade? Puro ranso contra jornalista. Mas será que vcs não vêem que foi uma atitude revanchista dos juízes que de um tempo para cá tem ocupado as manchetes com denúncias escabrosas? Menos teoria, mais prática. Recomenda-se a leitura de jornais! Comparar jornalista com cozinheiro é de uma burrice. A justificativa dos senhores juízes é a de que não há ciência na prática jornalística. Por favor, rasguem todas as teorias de comunicação! Oito notáveis decidem acabar com uma profissão, e um professor de comunicação defende isso com a balela de "liberdade de expressão". Ranso e alienação tem limite. Acho sim que havia uma demanda reprimida contra jornalista perfeitamente justificável. Agora daí apoiar a decisão do STF ....

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 22:51



Comentário de: mafalda

Pois é, sabe do que mais? assisti muito colegas que fizeram um esforço enorme para se formar, muitos vindos do interior para estudar, para ter o diploma, fazendo um sacrifício pessoal imenso para pagar uma universidade particular (imagino que muita gente esteja nessa mesma situação nesse momento). Aí, pouco mais de meia dúzia de magistrados decide que todo esse esforço era desnecessário, afinal, bastava ter o “dom”, como um cozinheiro...tem dó!

PermalinkPermalink 20.06.09 @ 20:17



Comentário de: Crazyseawolf · http://crazyseawolf.blogspot.com

Eu só quero ver as opiniões de quem está sendo a favor quando outras profissões também ficarem sem ter a exigência de um diploma.

PermalinkPermalink 23.06.09 @ 17:49



Comentário de: Alex Primo Email

Carlos Alberto e Mafalda, preferi comentar alguns dos importantes pontos que vocês tocam no post seguinte.

PermalinkPermalink 24.06.09 @ 09:09



Comentário de: Luiz marco · http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx

Ser ou não ser Jornalista !
Diante deste complexo sistema de ter ou não ter diploma, venho informar aos leitores que atuo na área de jornalismo há mais de 23 anos...além de ser proprietário de jornal, sou também jornalista Credenciado pela FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) com MTB, na função de Repórter-fotográfico. Mesmo assim, sempre contratei em minha empresa jornalistas formados e credenciados para exercerem a função a altura de seus méritos. Porém, já encontrei todo tipo de jornalistas, um mais doido que o outro... cada um querendo ser o melhor, mas, na hora de executar o trabalho acabam não correspondendo por não saberem as vezes nem escrever... infelizmente isto acontece em todos os meios profissionais. Eles estão mais preocupados em quanto vão ganhar. Não quero aqui generalizar, mas, são muitos os que cometeram os mesmo deslizes como profissional, e de repente vejo pessoas que estudaram em áreas como relações publicas, ao qual passam ser muito mais profissionais do que os alguns chamados diplomados...
Por tanto, não vejo alteração alguma em ter ou não ter diploma, cabe a cada empresa jornalística saber de fato quem é quem nesta história, e que vença o melhor !!!
Sei muito bem na prática do que realmente estou falando. Há pessoas com diplomas causando horrores e desqualificando e envergonhando a classe jornalística.
Fica aqui meu protesto aos jornalistas que pensam que são, mas não são!!!


PermalinkPermalink 25.06.09 @ 15:30



Comentário de: Eduardo Nunes · http://eduardonunes.org

Como estudante de Jornalismo, posso afirmar que o fim da exigência do diploma valorizará ainda mais o canudo. Isso porque, a partir de agora, o diferencial do curso não será mais o diploma em si, e sim a formação.

Claro que o fim da "reserva de mercado" pode piorar um pouco as chances de quem busca emprego, mas acredito que o Jornalismo sai ganhando.

PermalinkPermalink 29.06.09 @ 09:53



Comentário de: Daniela

A obrigatoriedade do diploma não impediu o jornalismo brasileiro de ir esgoto abaixo... A tal "liberdade de expressão" virou a reprodução de procedimentos limitantes da prática jornalísta e os cursos universitários, juntamente com as empresas de comunicação, têm grande resposabilidade nisso. Quem sabe o fim da necessdade de diplome afaste os cursos do peso de formar para o mercado, e busque formas de aprofundar a formação humanística, apliar a ideia do que pode ser a comunicação jornalistica, que ela vai muito além da ideia de ter um emprego na redação de um grande veículo.

PermalinkPermalink 10.09.09 @ 11:05



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