Apesar da popularização das mídias sociais e do aparecimento constante de novos serviços de Web 2.0, é surpreendente como muitas empresas não prestam atenção ao registro de suas marcas nesse tipo de sites. A surpresa é ainda maior ao observarmos que muitas marcas importantes, como o Guaraná Kuat da Coca-Cola, não foram registradas por suas proprietárias no Twitter.
Esse total descaso permite que terceiros lucrem com o registro gratuito de marcas em mídias sociais. A imagem demonstra que diversas contas de marcas importantes no Twitter estão à venda no Mercado Livre.
Recebi a informação que a pessoa que registrou tais marcas e as colocou à venda busca na verdade criar um buzz sobre tal imperícia. Mas quem garante que alguém não comprará muitas dessas marcas a preço de banana para depois as revender a peso de ouro? Sim, pois uma conta no Twitter de uma marca famosa certamente é um bem imaterial muito valioso.
Mais do que registrar a marca é importante também registrar diversas variações, incluindo aquelas com erros de digitação. Esse é um mercado antigo onde muitos espertinhos lucram dinheiro fácil com a revenda de domínios ou mesmo com a publicação de sites falsos ou lotados de propaganda.
O registro de contas de marcas e personalidades pode também ser usado como forma de ataque a concorrentes (veja mais detalhes aqui). Muito se falou recentemente sobre as contas fakes no Twiiter de José Serra e Dilma Rousseff. Por vezes, essa atividade tem como finalidade apenas a gozação. Por outro lado, a divulgação de notícias falsas em nome de uma marca conhecida pode se converter em um grave problema de relações públicas.
Como hoje as marcas muitas vezes valem mais que o próprio produto, é inadmissível que uma empresa deixe de registrar sua marca em todos, eu disse todos, os serviços da Web 2.0. Mesmo que a conta fique vazia, sem atualizações, é fundamental garantir a posse desse bem tão valioso.
O fim da obrigatoriedade do diploma acabará com a qualidade e credibilidade das informações na mídia? Ainda que possamos encontrar desequilíbrios nestes primeiros anos, não acredito que isso seja o derradeiro destino. Certamente as instituições jornalísticas não arriscarão seus investimentos e não abrirão tamanho flanco para a ação de seus concorrentes. E, com a disponibilidade de informações na rede (em diferentes periódicos, blogs, rádios e TVs online do mundo inteiro, além de acesso direto a sites das fontes primárias), ou os veículos jornalísticos oferecem informação relevante, bem trabalhada e atualizada, ou de fato tendem ao desaparecimento.
De fato, a situação dos empregos e salários no Brasil dificulta a equiparação de nosso jornaslismo com o de outros países desenvolvidos onde o diploma não é exigido (como EUA e França). Apesar das diferenças, ainda estou otimista que o jornalismo de qualidade resistirá.
Para ser um bom jornalista não basta saber escrever bem, ter publicado romances, ser bom fotógrafo ou ter participado de festivais de vídeo. Por outro lado, não concordo que só será bom jornalista quem tiver cursado a faculdade de comunicação. Mesmo assim, reconheço que a formação que damos para nossos alunos na Faculdade de Comunicação faz diferença sim. Acredito realmente que a boa formação ainda será decisiva para a contratação e manutenção de profissionais nos quadros dos veículos jornalísticos.
Entendo a revolta de muitos alunos de jornalismo (principalmente de caras faculdades particulares). A sensação é de que perderam tempo e dinheiro. Mas a formação que receberam, isso ninguém lhes tira. Tenho certeza que apesar do fim da obrigatoriedade do diploma, ele ainda fará diferença; principalmente aqueles emitidos por faculdades de renome. Já os diplomas de jornalismo de instituições de esquina... esses talvez sirvam apenas para enfeitar paredes.
Algo que vai mudar nas redações e nas faculdades de comunicação é a presença de profissionais com graduação em outras áreas. Imagino que em pouco tempo os mestrados profissionalizantes em jornalismo começarão a aparecer. Até o momento, os programas de pós-graduação em Comunicação não tinham manifestado interesse nesse tipo de mestrado, apesar dos incentivos da Capes. Mas agora, com o fim da exigência de graduação em jornalismo, creio que haverá uma demanda importante por cursos de pós-graduação em jornalismo. Não tenho dúvida que as universidades particulares serão as primeiras a oferecer esse tipo de curso profissionalizante.
Será que se bons sociólogos, historiadores, economistas, cientistas políticos, professores de educação física cursarem esse tipo de programa de pós-graduação em jornalismo não poderemos ter boas surpresas quando ingressarem nas redações do Brasil? É pagar para ver.
Certamente o fim da obrigatoriedade do diploma, decidido ontem no STF por 8 votos a 1, não porá fim ao jornalismo no Brasil. Neste debate precisamos separar duas discussões que não são exatamente a mesma coisa. As reflexões sobre o jornalismo e sobre o status da profissão de jornalista demandam argumentações em separado. Apesar da clara inter-relação entre as reflexões é capcioso afirmar que a não exigência de diploma acabará com a qualidade do jornalismo como um todo.
Ainda que se goste muito de elogiar o jornalismo americano e francês, prefere-se esquecer que lá o diploma em jornalismo não é pré-requisito para o exercício da profissão. Sobre essa condição, que se repete em dezenas de outros país, vale a pena ler este estudo realizado pelo professor Afonso Albuquerque.
Vamos ser sinceros, no Brasil o debate tornou-se por demais corporativista. Apesar da falaciosa campanha da Fenaj de que o fim da obrigatoriedade do diploma seria uma ameaça à democracia, a sociedade terá muito a ganhar com tal liberdade. Além de repetir o risco democrático que a liberdade de expressão pode acarretar (pasmem!), O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo Andrade, ainda lançou ontem esta pérola: "Foi um milagre o Supremo não nos proibir de exercer o jornalismo no Brasil" (veja íntegra da matéria da Folha de São Paulo). Sinceramente, os argumentos falaciosos de Andrade e da Fenaj acabam colocando em dúvida a seriedade de toda uma categoria. Ou os filiados concordam com a retórica distorcida de seu presidente?
Precisamos reconhecer que os salários de jornalistas nunca foram muito bons. E o volume de vagas cada vez se mostra mais insuficiente. Tal cenário inspira a reação à entrada em cena de profissionais com diplomas em outras áreas (ou até mesmo sem diploma!). Mas, como um defensor da liberdade de expressão, sou otimista. Apesar de potenciais deslizes nos primeiros tempos, acredito que o jornalismo no Brasil irá melhorar.
Dizer que o webjornalismo participativo, que blogs e que o fim da exigência do diploma representa a morte do jornalismo é assumir que o mesmo é muito frágil, o que não é verdade. O que morre é uma concepção antiga de jornalismo. Infelizmente, trata-se de uma área cheia de preconceitos. Diplomados preferem virar a cara para ex-colegas que trabalham em assessorias de imprensa: "Ora, isso não é jornalismo", dizem. É preciso abandonar visões essencialistas que querem fazer crer que só existe um tipo de jornalismo: o hard news da Folha de São Paulo!
Tampouco acredito que a decisão do STF acabe com as faculdades de jornalismo. Apesar de jornalistas odiarem ser comparados com publicitários (preferem se comparar com médicos, advogados e engenheiros), esta categoria nunca precisou mostrar diploma em qualquer agência. Mesmo assim, tais empresas vem sistematicamente empregando apenas diplomados. Sou convicto, portanto, que uma boa formação pode garantir um bom exercício da profissão. Logo, apesar dos rumores distribuídos pela Fenaj, acredito que a formação universitária em jornalismo melhorará com este baque (ela precisa melhorar!) e que fará diferença nas entrevistas de emprego. Espero também que os alunos de jornalismo ampliem seu interesse pelo estudo amplo e continuado.
Nos últimos anos ouvi em congressos a defesa de que o jornalismo deveria ser uma ciência autônoma e que profissionais e pesquisadores de outras áreas não deveriam estudar ou opiniar sobre jornalismo por falta de preparo. Torço que a decisão do STF realmente levante a poeira e mostre o que embolorava por baixo. Torço para que o debate nacional sobre jornalismo (e não simplesmente sobre jornalistas) se amplie. Espero não estar enganado, mas suspeito que o jornalismo começou ontem a ser reinventado. E que bom quando uma área se movimenta e se atualiza!
Escrevo este post na sala de espera de um aeroporto. Enquanto digito estas linhas, uma televisão despeja nos insones passageiros imagens frenéticas de um desenho animado matinal. Claro, o volume da TV é muito alto, misturando os gritos dos dubladores com as insistentes mensagens dos funcionários da Gol e da Tam. Os três tons que antecedem cada um desses informes também estão em volume mais alto do que o necessário, antecedendo os gritos que anunciam que o aeroporto continua fechado em virtude do tempo chuvoso.
Desde que comecei a sofrer de ataques frequentes de enxaqueca me tornei muito sensível a imagens pulsantes e sons altos. Nesta condição, fiquei mais atento aos lugares que nos impõe poluição sonora e visual. E é sobre essa observação que quero falar.
Em todos os bares e restaurantes reluzem hoje enormes telas de plasma ou LCD. Enquanto as famílias e casais jantam, podem acompanhar o último capítulo da novela. Quando falta assunto aos jovens casais, eles podem sempre recorrer a comentários sobre a programação televisiva. Recentemente fiquei surpreso ao testemunhar em um bar famoso de Porto Alegre diversos casais sentados quietos diante de uma dessas telas. Não seria melhor ficar em casa para assistir ao filme deitado no sofá da sala? Fiquei imaginando a conversa daqueles pares horas antes: “Vamos sair para ver TV em um restaurante?” Estou sendo muito saudosista dos tempos em que se saía para jantar?
A academia onde faço ginástica não é muito diferente. Para todos os ângulos que olho há sempre uma televisão, exibindo um canal de esportes ou um sistema de notícias digitais. Em muitas faculdades (como aquela onde faço filosofia) o intervalo é embalado por uma TV, que não permite que ninguém perca o capítulo desta noite.
As telas e sons gritantes estão por todos os lados. Já não bastasse nossa dependência a esta tela do computador, quando viramos nosso olhar para outro lado ou mudamos de ambiente estamos sempre acompanhados de imagens televisivas e sons de alta estimulação.
Bem, hora de terminar este post, pois meu avião está chegando. Em alguns minutos ouvirei mais uma vez as instruções de segurança, mas desta vez não mais apresentadas por uma bela aeromoça: uma tela exibirá uma animação com massinha de modelar.
Um estudo da E.Life, empresa que monitora a menção de marcas em redes sociais online, mostra que Microsoft e Linux competem não apenas no mercado de software, como também no "boca-a-boca" no Twiiter.
A pesquisa foi realizada no período de 06 de maio a 02 de junho de 2009 e analisou 36.777 tweets. Veja os resultados abaixo:
Uma análise qualitativa dos resultados oferece mais informações sobre esse ranking. O buzz sobre a Microsoft se deve ao lançamento do serviço vine.net, que pretende concorrer com o Twitter, adicionando recursos de mídia locativa. Quanto ao Linux, Alessandro Lima, sócio diretor da E-Life, afirma que “Discussões e informações deste sistema operacional continuam em pauta em qualquer rede social, por conta do caráter aberto do software, e neste mês ganhou peso com o lançamento de um netbook com Linux instalado”.
A menção a outras marcas não se deve especificamente a seus produtos. Nokia foi muito comentada em virtude do corte de funcionários e a Fiat por sua fusão com a Opel e Chrysler. Esse dado nos faz observar que nem sempre uma marca mais comentada significa que ela está sendo elogiada ou desejada.
A Dell mostrou que sua estratégia de ação no Twitter tem rendido frutos, tendo em vista o volume de mensagens que a mencionam. Já as mensagens sobre LG e Samsumg decorrem da conversação sobre os produtos que produzem.
Para encurtar a história, acho que a equipe de relações públicas e jornalistas da Petrobras merecem todos os prêmios da área. Não apenas pela nova forma de interação com seus diferentes públicos, mas pelo debate nacional que promoveram com o lançamento do blog Fatos e Dados e do Twitter @blogpetrobras.
Faz tempo que discutimos a importância de blogs organizacionais, apesar das instituições terem dificuldades de reconhecer para o que eles servem. Logo, creio que o blog da Petrobras apareceu tardiamente. Mesmo assim, conseguiu despertar uma grande reflexão sobre jornalismo, relações públicas e liberdade de expressão.
Decidida a publicar a íntrega das entrevistas que concede, a empresa angariou ataques dos principais jornais e jornalistas do país. Declaradamente movidos por um lógica de mercado, onde o furo é fundamental para vencer a concorrência, os diretores de redação prontamente acusaram a Petrobras de falta de ética. Vejam algumas desses ataques (via Blog do Noblat e Observatório da Imprensa):
Atropelar a apuração jornalística é uma forma de censura, muito criativa, sem dúvida, mas censura. Euripedes Alcântara (diretor de Redação da revista Veja)
Publicar as perguntas dos jornalistas antes de o material ser publicado nos respectivos veículos é mais do que um ato de deselegância. Cheira um pouco a intimidação, incompatível com uma empresa que afirma não temer as investigações. Sergio Lirio (redator-chefe da CartaCapital)
O que podem estar querendo, atropelando a ética dessa forma, é tumultuar e impedir a reportagem, para supostamente provar que, no jornalismo, tudo é opinião. É um erro, um abuso e um disparate – que merece o repúdio de todo.
Luiz Antonio Novaes (editor-executivo de O Globo)
A Folha de S.Paulo considera que o teor do blog "Fatos e Dados" está na esfera de autonomia empresarial da Petrobras. Não considera adequado, porém, que questionamentos jornalísticos endereçados à empresa sejam tornados públicos por meio daquele blog antes que as respostas possam ser avaliadas e utilizadas pelos veículos que enviaram as interpelações. Otavio Frias Filho (diretor de redação da Folha de S. Paulo)
Após a publicação da reportagem, a Petrobras e qualquer outra empresa, se assim considerar necessário, podem tornar pública a íntegra das respostas. Não há mal nenhum nisso: jornalista algum se oporá a íntegras. Antes da publicação, porém, íntegras serão sempre uma atitude de desrespeito, não a veículos específicos, mas à imprensa, uma instituição que, numa democracia, deve ser sempre prestigiada. Ali Kamel (diretor-executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo)
Criar um antagonismo entre o sigilo da apuração e a transparência é falso. E pode, em último caso, jogar a opinião pública contra a imprensa, o que não é produtivo nem para a sociedade como um todo nem para a democracia. Ricardo Gandour (diretor de conteúdo do Grupo Estado de S. Paulo)
A Petrobras recuou e decidiu publicar suas respostas às entrevistas apenas à zero hora do dia da publicação da matéria. A negociação foi realizada, e agora? Do que poderão reclamar os jornais? A Petrobras tem todo o direito de divulgar suas respostas. Caso um veículo tema o que pode ocorrer com a divulgação da íntegra da entrevista, que se recuse a buscar a Petrobras como fonte. Simples assim. Enquanto isso, na mesma lógica de mercado, os jornais concorrentes vão aproveitar o flanco e divulgar suas entrevistas com a empresa.
Acuados, alguns jornalistas preferem ainda chamar a Petrobras de anti-ética e anti-democrática. Ora, divulgar suas opiniões e respostas em seu próprio blog é contra a democracia? Quer dizer que uma fonte perde a liberdade de divulgar seus próprios posicionamentos? Vale também lembrar que as informações que uma assessoria de imprensa ou um relações públicas divulgam não é sinônimo de "vazamento", como rotulam o Globo e a Folha de São Paulo. Trata-se, isso sim, da divulgação do posicionamento oficial e autorizado da empresa.
E vejam que curioso. Apesar da pergunta capciosa desta enquete com Folha de São Paulo, o público votante mostra preferir a transparência total ao filtro "oficial" da imprensa:
É absolutamente legítimo que a Petrobras, como qualquer empresa, queira se resguardar de interpretações de suas manifestações. Ao publicar as entrevistas em seu blog, a instituição não exerce qualquer censura à imprensa. Nem teria como, vamos ser sinceros. E não há nada mais democrático que o jogo de forças e a livre circulação de informações.
Convenhamos, não há santo nesta história de CPI da Petrobras. É um fato político interessante para a oposição e perigoso para o governo. Para nós, reles mortais, cabe a busca por informações para montarmos nosso próprio parecer. Sendo assim, o blog é mais um dado para nossas considerações (a favor ou contra). Quer participar deste jogo? Fácil: escreve em seu blog, comente no blog dos outros, twitte.
Não suponho que o leitor comum vá deixar de ler notícias da Petrobras em jornais para consultar apenas seu blog oficial. Por outro lado, entendo que os leitores interessados nas diferentes denúncias que a empresa recebe buscarão dados onde quer que eles estejam.
Sim, os blogs contribuem para a liberdade de expressão. É preciso que aprendamos a lidar com isso. Os jornalistas já não mantém a primazia da coleta, filtragem e publicação de informações. Porém, isso não enfraquece o jornalismo...apenas os maus jornalistas e empresas noticiosas presas a um passado que não volta mais.
Creio que todos estas ameaças à "instituição" jornalismo ainda o fará mais forte e lhe trará mais qualidade, apesar das gralhas saudosistas.
Quem é esta moça que de uma hora para outra tornou-se uma das pessoas mais conhecidas na Twittosfera em Português. É o que você vai descobrir na entrevista que realizei com @twittess, ou melhor, Tessália Serighelli, através do gTalk. Nesta conversa franca (ela pediu apenas que não se falasse sobre scripts de adição automática de pessoas no Twitter), você saberá o que Tess pensa sobre o Twitter, publicidade e sobre as críticas que recebe de blogueiros de renome nacional.
Alex Primo: Tess, você ficou conhecida na twittosfera quase que instantaneamente. Contudo, pouco se sabe sobre você. Por favor, fale um pouco sobre você, o que faz, e onde é, etc.
Tess: Eu nasci em Curitiba, e fui criada aqui, na terra do frio! Meus pais são professores.. Minha familia toda é, na verdade. Depois de terminar o Ensino Medio, fui conhecer outras cidades. Morei em São Paulo e Brasília, trabalhei principalmente com fotografia nesses lugares. Fiz um semestre de faculdade em cada lugar.. Publicidade, Jornalismo, Moda foram alguns dos cursos que estudei, mas sem concluir nenhum. Hoje estou de volta a Curitiba, moro com minha filha, a Valentina, que tem 4 anos. E pretendo mudar de cidade novamelte, até o fim do ano.
Alex Primo: Essa mudança de cidade se deve ao fato de você ter se tornado bastante conhecida na internet?
Tess: Não. isso tudo foi antes. tem mais a ver com minha vontade de conhecer pessoas e culturas diferentes. Sociedades diferentes.. A diversidade brasileira.
Alex Primo: Celebridade é um conceito da mídia de massa. Em redes sociais online, por outro lado, falamos de reputação e autoridade. Por outro lado, muitos tem considerado você uma celebridade do Twitter. Como você vê esse comentário?
Tess: Não me preocupo com a nomenclatura. Até porque, o conceito que tenho de celebridade de maneira alguma se encaixa no que eu me vejo. Mas não podemos negar, que o twitter é usado por milhares de pessoas. É ferramenta de pesquisa, de análise social, de comunicação , por que não, em massa também. O twitter pode ser comunicação dirigida, mas também pode influenciar muitos, em diferentes classes, nichos, sociedades, cidades... Eu não me preocupo com o que decidem me chamar. Celebridade, rainha do twitter, esses nomes nada mais são que comparáveis aos apelidos que recebemos no colégio. Ou vocie aceita e se diverte, ou fica brabo e aumenta a repercussão.
Alex Primo: Até o momento você tinha uma participação ativa em comunidades no orkut sobre redação publicitária. Mas você era desconhecida entre blogueiros. Quando e por que decidiu construir uma vultosa rede de seguidores no Twitter?
Tess: Nunca tive um blog. Meu interesse sempre foi em conversar, trocar opniões, e não apenas "falar". Era a impressão que eu tinha dos blogs na época. E, sim, anteriormente os blogs eram tão unilaterais quanto redes de notícias. Por isso o twitter, quando decidi entrar realemente, me pareceu parfeito para a idéia que tenho de interação. No twitter eu passo as notícias, os links que filtro, e acho interessantes, mas também recebo muito de volta. Existe o feedback, em tempo real. E talvez, por eu já estar tão adaptada no meu modo de vida, mesmo sem existir twitter eu já "twittava" com meus amigos, por msn, e-mail, gtalk, etc.. Ele foi apenas uma ferramenta de optimização do que eu já fazia. O sucesso veio pela fácil adaptação.
Alex Primo: Existe hoje um grande furor sobre o Twitter. O que esse serviço tem lhe oferecido em retorno?
Tess: A opinião de milhares de pessoas.
Alex Primo: O Twitter tem alguma vinculação com seu trabalho? Em tempo, fale um pouco sobre sua atuação profissional no momento.
Tess: Trabalho como assistente de fotógrafa aqui em Curitiba. Mas também sou cool hunter independente. Claro, pra minha segunda atuação o twitter é bem fundamental. Mas costumo usar a ferramenta mais para diversão do que para trabalho.
Alex Primo: Como o Twitter tem lhe ajudado na atividade de cool hunter. Fale mais um pouco sobre essa profissão.
Tess: Eu uso para analisar tendências, mas não só o twitter, a internet é uma boa fonte para isso. E compartilho com meus seguidores o que acho que é do interesse deles. Nåo publico tudo, porque faco análise dos posts que são mais clicados e que tem maior relevância, então, não repito o mesmo assunto se não é algo que quem me segue quer ler.
Alex Primo: Você publica uma grande quantidade de links. Como é seu processo de seleção? Além disso, diga quanto tempo você permanece online por dia e por quê?
Tess: primeiramente, seleciono o que eu gostaria de ler. Depois, o que é relevante, de alguma maneira. E por fim, vejo o histórico 9na verdade já meio que sei de cor) do que é de maior interesse.
Tess: Meu tempo online depende muito. Mas no mínimo 2h por dia.
Alex Primo: Você comentou que usa o Twitter para se comunicar, compartilhar links e ouvir a resposta de milhares de pessoas. Mas por que trabalhou para conquistar dezenas de milhares de seguidores? Fale mais sobre como se deu esse processo.
Tess: Bem, eu sigo de volta quem me segue. Com isso, não encho minha timeline com respostas, posso responder por direct messenges, e posso responder a todos.
Tess: Com isso, tenho um canal aberto, consigo falar e ter a resposta. Consigo engater uma conversa mais produtiva, mais demorada.
Alex Primo: Há um interesse normal de agências por líderes de opinião. Isso não seria diferente na internet. Recentemente você comentou uma promoção de uma marca de lingeries. Tratava-se de um tweet pago? A sua popularidade tem lhe oferecido contratos publicitários?
Tess: Não tenho nenhum contrato publicitário. O que posto é por fazer parcerias com sites que são de interesse dos meus seguidores. Eu costumo dar RT em promoções e oportunidades mesmo sem que a pessoa que twittou tenha pedido Se é interessante, eu posto.
Alex Primo: Confesso que não vejo problema algum na contratação de blogueiros e twitteiros para promoverem produtos, desde que tal parceria fique clara. O que pensa sobre isso? E você está aberta a contratos publicitários que possam aproveitar o alcance de suas mensagens, tendo em vista o número de seguidores que você tem?
Tess: Sendo pertinente para meus seguidores, não vejo problema.
Alex Primo: Até o momento seus mais de 40 mil seguidores não lhe renderam nenhum benefício publicitário?
Tess: Não.
Alex Primo: Tess, você nos mostrou que não apenas a mídia de massa tem o poder de catapultar personalidades ao reconhecimento público. Do anonimato você saltou para a Playboy. Como você é da área da Comunicação, gostaria muito de ouvir seus comentários sobre isso.
Tess: Bem Alex, agora você pode dar um ctrl+c ctrl+v sobre "como os tempos mudaram e nós temos o poder nas mãos.. Os blogs são tão acessados quanto grandes portais de notícias, e até mesmo atribuídos a eles mais confiabilidade do que a ações publicitárias e repostagens jornalísticas.". A gente já sabe de tudo isso. E não porque lemos, estudamos, pesquisamos. Mas porque somos geração Y, nascemos na era digital, vivemos disso. Não importa mais como era "antes". Nós é quem mandamos agora. No que queremos ver, ouvir, falar. Como, quando, onde. Ou há uma adaptação, ou há perda de audiência. Se o twitter brasileiro coloca uma garota anônima como a mais seguida do Brasil, não somente atribui alguma relevância a ela como formadora de opnião, algo que na realidade, não difere muito do formato anterior, mas principalmente, mostra um direcionamento de poder voltado à audiência, ao receptor, e não mais ao emissor. O meio é nosso. Cabe aos emissores adequarem a mensagem.
Alex Primo: O blog de Gabriela Rolim lançou uma campanha para você posar na Playboy. Você a conhece? E como reagirá se esse convite chegar? Isso seria importante para você?
Tess: Conheço a Gaby pelo twitter. Ela é uma garota bem querida Imagino que essa "campanha" é mais como uma brincadeira. Eu sou de falar, não sou de mostrar
Alex Primo: Quantas vezes em média uma mensagem sua é retweetada?
Tess: Depende muito. Do dia, do assunto. Vocie pode conferir pelo migre.me. Mas a média é de 500 cliques. RT varia muito.
Alex Primo: Você tem recebido muitas críticas em blogs, podcasts e no Twitter. Principalmente de blogueiros que estão há anos atuando na rede. A que você justifica tais críticas?
Tess: Mesmo dentro da "nova" web 2.0 já é possível perceber um antes e depois. Alguns blogueiros estão acostumados com o antes. Eles apareceram numa época comparada à uma pós ditadura. Uma época em que criar um blog era quase um ato de rebeldia, uma afronta ao poder centralizado da informacão pelos grandes jornais. Foram os precessores, os desbravadores, os iniciantes Era uma época em que era necessário ser mais rígido, mais ríspido, combater algo. Formaram legiões de fãs, e conseguiram um público fiel. Bem, como todo bom porquinho que chega a poder, que se preze, agora eles ficam assustados com uma nova era, dentro de uma mesma era 2.0. É uma nova revolução. Eles tentam se adaptar ao microblog, mas estranhamente, seus seguidores são apenas os que migraram de seus blogs para o twitter. Eles não tem novos seguidores. Seus números não crescem. Eles não fazem sucesso na nova mídia. Eles são uma adaptação, e como foram os primeiros portais de notícias e jornais, que apenas adaptavam o conteúdo. Eles nasceram no 2.0, mas esta é a 2.1. Aqui, mais do que gorjear, vale mais quem consegue que a mensagem seja uma troca. Refletida, repassada, repercutindo e, como num boomerang, voltando mais forte, com mais opniões e impressões.
Alex Primo: Você se tornou conhecida pelas dezenas de seguidores que conquistou. Esse número vultuoso lhe trouxe ainda mais seguidores. Um fenômeno conhecido na teoria das redes como "os ricos ficam mais ricos". O seu sucesso na rede pode ser justificado apenas pelo número de pessoas que assinam seu Twitter? O que podemos esperar da Tess daqui para frente?
Tess: Bem, acredito que esse dito "sucesso" tenha a ver com o numero de seguidores também. Mas não apenas por isso. Aqueles que tomaram um tempo para receber minhas mensagens, acabam por hora creditando relevância. Não é apenas por uma twittada que você define toda o potencial "twittico"(hehe) de um usuário do twitter. E sim por uma rede de relacionamento, que demanda tempo, conversa, troca de informações. Aqueles que se permitiram experimentar, e não apenas se deixar levar por opniões alheias, em maior parte, continuam a seguir. A prova disso é que nunca tive uma baixa no número de seguidores. Assim, prevejo que tenha uma taxa de retenção bem alta.
Alex Primo: Você comentou que usa o Twitter pelo simples prazer da comunicação e que não conseguiu nenhum contrato publicitário. Então por que trabalhou para conseguir dezenas de milhares de seguidores, de forma tão rápida? Trata-se de uma estratégia para projetos futuros, tendo em vista que você é uma publicitária?
Tess: Uma publicitária nunca descartaria o poder que uma rede tão consistente quanto o alto número de seguidores em um perfil do twitter pode ter. Mas sim, eu twitto por diversão. E como já respondi anteriormente, eu estou sempre procurando novidades, então, a minha rede tem papel fundamental nisso
Home é o título em inglês para este filme francês. Essa é uma pequena contradição entre tantas que desfilam pelas incríveis e assustadoras imagens deste filme lançado mundialmente nesta sexta. Você pode assisti-lo no cinema, em DVD ou no YouTube (veja em inglês, francês ou em português de Portugal). Mais do que uma experiência interessante de livre distribuição na internet, trata-se de um show da técnica cinematográfica e um alerta de como nossa tecnologia está destruindo nosso mundo.
Assisti Home neste domingo, conectando meu computador à TV, mas devo assisti-lo de novo no cinema na semana que vem. As imagens, em sua maioria captadas do alto por uma câmera de controle remoto fixada a um helicóptero, são de uma beleza estética impresssionante... se não fossem assustadoras. Durante as duas horas de filme é possível conhecer um pouco mais de nosso planeta, seus povos e animais. A curiosidade por tais paisagens exóticas logo é substituída pelo espanto de testemunhar em cores vivas como a fuligem vem ofuscando a vida na Terra.
As cenas, música e texto não poderiam estar em melhor sincronia. Através desses recursos, a locução vai nos mostrando como o homem, chegado tardiamente ao planeta, vem acabando com seu equilíbrio. O texto por diversas vezes nos lembra que tudo na Terra está "linkado". As imagens ilustrativas se parecem, de fato, com diagramas de redes sociais. Por outro lado, as linhas que se entrecruzam são rasgos de erosão, leitos de rios secos ou água que escorre do degelo.
Impossível não ficar incomodado com este filme que mete o dedo direto em nossas feridas. Dá vontade de parar o filme, desligar a TV ou sair do cinema. Mas isso não freará o destino trágico que plantamos. Apesar da riqueza de dados e estatísticas sobre nossa miséria ambiental, o filme termina dizendo que não há tempo para pessimismo e lista algumas ações ambientalistas que vem sendo feitas. Mas parece tão pouco diante do tamanho do desastre relatado.
Veja abaixo um trailer do filme. Mas não deixe de assisti-lo integralmente.