2009
Não há nada de errado em dizer, de forma irônica, que este ou aquele blogueiro é uma celebridade na Web. Por outro lado, essa atribuição é tão imprecisa quanto entender que um comentarista crítico é um policial ou achar que um blogueiro age exatamente da mesma forma que um inseto social (formigas, abelhas). Comparações e metáforas podem ser muito úteis didaticamente, mas nunca podemos esquecer o que essas equiparações frouxas escondem.
Para ser preciso, portanto, precisamos olhar com mais cuidado o que é uma celebridade. Como disse em meu último post, celebridades são um fenômeno da comunicação de massa. Por isso, transportar esse conceito para a blogosfera, que nitidamente não é um contexto massivo, é problemático. Ora, fama e renome não são sinônimos de celebridade. Ainda que esta última seja necessariamente famosa, e que um Ronaldo, por exemplo, tenha renome no contexto esportivo, aquelas primeiras características não conduzem alguém necessariamente ao status de celebridade.
Se em outros tempos o herói tinha um papel cultural importante, hoje ele perde espaço para as celebridades. Enquanto o herói é reconhecido por sua bravura e grandes feitos, a celebridade ganha notoriedade por seu nome/marca. Corrosivo, o pesquisador Boorstin sentencia: o herói é um grande homem, a celebridade não passa de um grande nome! Na mesma linha, Lowenthal define os heróis do passado como “ídolos de produção”. Já os "heróis" midiáticos seriam “ídolos do consumo".
Entre as celebridades, podemos distinguir os seguintes tipos (Rojek):
- celebridade conferida – decorre de linhagem, como a família real inglesa;
- celebridade adquirida – deriva de realizações individuais (conquistas esportivas, artísticas, etc.);
- celebridade atribuída – mesmo sem talento ou habilidade excepcional, essa pessoa consegue atrair grande interesse, muitas vezes acessorado por intermediários culturais.
Dentre esse último tipo, Rojek sugere a categoria de "celetóide". São os sucessos efêmeros que aparecem na mídia com grande velocidade, para logo em seguida desaparecer. Exemplos são ganhadores de loteria, heróis por uma dia, etc.
Podemos localizar nesta última categoria aquelas pessoas que de uma hora para outra se tornam muito conhecidas no YouTube ou em algum site, por causa de uma dança esquisita, por uma forma engraçada de falar ou cantar, ou...por coisa pior! Mesmo assim, conseguem atrair grande atenção na rede e da grande mídia. Após aparecerem em programas e revistas, e experimentar por pouco tempo o sabor da fama, esses celetóides retornam abrutamente para seu anonimato.
E o que dizer de blogueiros muito conhecidos na blogosfera? Não estou falando de Marisa Orth, Dado Dollabella ou Carolina Dieckmann, por exemplo, que já eram celebridades antes de abrir um blog. Estou falando daquelas pessoas que com o tempo ganharam grande notoriedade com seus blogs, como Inagaki e Cardoso. Podemos chamá-los de celebridades? Não me parece. Entendo que eles gozam de grande renome na blogosfera, mas que não ocupam o mesmo status midiático que uma estrela de cinema, um esportista internacional ou uma socialite, como Paris Hilton.
Podemos então concluir (pelo menos por enquanto!) que temos celebridades na blogosfera, mas não da blogosfera.
Nessas horas vale lembrar o Marmota ao dizer que blogueiro famoso é como Miss Cangaíba!
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Quer saber mais sobre esse tema, então não deixe de ler os livros Celebridade, de Chris Rojek, e The celebrity culture reader, de David Marshall.

Seu link ainda me fez perceber que o post estava incompleto - coisas da migração. Agora está de volta! Abraços 


