Quem quer ser uma celebridade?

26Mai
2009

Você já deve ter visto vários posts falando sobre celebridades na blogosfera. A Wikipédia inclusive mantém diretórios de fenômenos da Internet e de "celebridades" do YouTube. Lá você encontra listagens atualizadas de vídeos, músicas, perfomances e pessoas que de uma hora para outra se tornam muito conhecidos em todos os cantos da Web. Mais do que de repente, você começa a receber links do YouTube e de sites cujos personagens principais você passa a saber o nome. Foi assim com Mahir Çağrı (I kiss you), Tay Zonday, Dancing Matt , Obama Girl, entre tantos outros. Com a mesma velocidade, você repassa o link em seu blog, por e-mail e no Twitter. É com essa disseminação em rede que anônimos ganham notoriedade e, possivelmente, até dinheiro e reconhecimento da grande mídia. Tay Zonday, por exemplo, estrelou um comercial para o refrigerante Dr. Pepper e, nada mais lógico, apresentou o evento YouTube Live. Durante este último evento, outras "celebridades" do YouTube fizeram apresentações, como Funtwo, Bo Burnham, Chad Vader.

Quer ver um pout-pourri dessas personalidades da Web? Então não deixe de assistir ao bem-humorado clipe da música Pork and Beans, da banda Weezer, por onde desfilam vários famosos da internet (veja aqui a listagem).

Mas seriam de fato celebridades? Estes desconhecidos que ganham súbita fama na rede (e muitas vezes desaparecem logo em seguida) podem ser comparados a Tom Cruise, Britney Spears, Paris Hilton, Luma de Oliveira, Sandy, Xuxa, Luana Piovani? Será que fãs dormiriam na frente do hotel em que Mahir Çağrı está hospedado? E quanto da pequena venda de camisetas de Tay Zonday não passa de simples curtição?

Em outras palavras, podemos simplesmente aplicar o mesmo termo "celebridade" a pessoas que ganham notoriedade instantânea? Veja, celebridade não é o mesmo que renome. Ser bem conhecido e até admirado em um bairro ou em uma comunidade científica não é o suficiente para tal pessoa atingir o mesmo status de um Bono Vox. Celebridades não são apenas pessoas famosas. Tais figuras, que passaram a emergir no cinema na primeira década do século XX, são uma mercadoria das indústrias culturais. Seus nomes e personalidades construídas servem como slogans de venda, fazem parte de estratégias mercadológicas. E, como produtos a venda, seus nomes (marcas) e suas imagens são controladas por equipes que ajustam suas aparições ao gosto dos consumidores.

Celebridades devem ser compreendidas em uma lógica de produção e consumo, segundo estratégias persuasivas bem planejadas. Como mercadoria, também se tornam obsoletas assim que um novo nome/produto atinge o mercado midiático. Nessa lógica, cantoras loiras, boy bands, calouros em programas de auditório (American Idol e afins), modelos e atores se sucedem na prateleira.

Não é estranho, portanto, que apliquemos o mesmo conceito da comunicação de massa ("celebridade") a pessoas de renome ou que alcancem rápido reconhecimento na rede? E será que estamos tão adestrados pela grande mídia que também desejamos inventar e encontrar celebridades na blogosfera? Que papel elas tem em nosso imaginário já que esperamos encontrar o mesmo terreno familiar das estrelas nas telas de nossos computadores? Não seria a internet o espaço onde nos livraríamos do poder da mídia?

Estas são algumas das questões que motivaram a escrita deste artigo que apresentarei na próxima semana no Encontro da Compós em Belo Horizonte. E este é o tema que inspirará os posts desta semana.



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Comentários:


Comentário de: Träsel · http://www.trasel.com.br/

Ia mesmo perguntar se tu por acaso andava relendo a Escola de Frankfurt. Pelas referências do artigo, vi que é quase isso -- tem o Lowenthal ali. :-)

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 14:39



Comentário de: alesscar · http://www.twitter.com/alesscar

"E será que estamos tão adestrados pela grande mídia que também desejamos inventar e encontrar celebridades na blogosfera?" ai, professor, esse "adestrados" doeu demais.
Mas não acredito "no poder da mídia" isoladamente. Ou seja, o que é de TV é de TV, o que é de web é de web. Impossível fazer esse divórcio, né?

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 14:47



Comentário de: alesscar

quis dizer acima que é impossível isolar fenômenos de um meio e de outro meio. E a gente tem a Susan Boyle que saiu da TV, mas ficou famosa mesmo foi no Youtube. E a gente tem o Kutcher que era até famosinho no cinema, mas que agora paga de celebridade no twitter. Enfim..

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 14:51



Comentário de: Alex Primo Email

Trasel, o Lowenthal é referência da pesquisa, sim. O trabalho dele sobre celebridades é ainda muito provocador.

Alessandra, não posso concordar mais com você. A internet não está isolada da grande mídia. Pelo contrário, vejo um encadeamento entre os diferentes níveis midiáticos. A frase que você copiou é uma provocação, e algo que vem me incomodando. Se na Web podemos experimentar e inventar, por que será que buscamos reproduzir aqui o que criticamos lá? ;-)

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 14:58



Comentário de: Fabiana Andrade

"Se na Web podemos experimentar e inventar, por que será que buscamos reproduzir aqui o que criticamos lá?"

É sempre reconfortante, ao sair de um paradigma familiar para outro universo totalmente diferente, levar consigo velhos hábitos...

Será que a próxima geração de usuários/fazedores da internet se livrará destes vícios? Para mim, senhores, o fundamental é ter em mente que estamos assistindo a história acontecer! E por enquanto tentar prever o que vai rolar na próxima esquina está tão perto de ser uma ciência quanto quiromancia e astrologia...

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 16:02



Comentário de: Alex Primo Email

Gostei do puxão de orelha bem humorado, Fabiana!

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 16:06



Comentário de: Lígia · http://ligialana.wordpress.com

oi Alex

Li seu texto para Compos, espero poder assistir à apresentação aqui em BH. Não conhecia quase nenhum dos blogs daí de POA que vc cita no paper.

Concordo que as celebridades da blogosfera são diferentes das celebridades da TV, assim como celebridades atribuídas são diferentes das adquiridas.

Mas prefiro pensar menos na denominação (se é celebridade ou renome ou outra coisa) e mais no tipo de performance. É por aí que estou definindo meu objeto.

Abraços e até aqui!
Lígia

PermalinkPermalink 26.05.09 @ 21:22



Comentário de: Dhuankles Castro's · http://www.viconcursos.com

Parabens pelo o artigos, acho que no mundo em que vivemos hoje é o sonho de todos se tornarem celebidades,, nao basta apenas querer tem que sonhar e se comprometer,,, grande abraço a todos...

PermalinkPermalink 27.05.09 @ 07:59



Comentário de: Carmencita Freifrau von Fernsehglotzen · http://geleiairreal.wordpress.com

Eu amo a Susan Boyle!

Veja, celebridade não é o mesmo que renome.
Não entendi essa observação sobre a Veja.

Acho o cúmulo da preguiça não escrever Löwenthal direito.


PermalinkPermalink 27.05.09 @ 10:22



Comentário de: Joker · http://jokerfromlx.blogspot.com

Quem quiser saber os truques que os Youtubers mais conhecidos usam para ter tantas visitas, subscritores e gerar tanto dinheiro. Aqui está:

http://jokerfromlx.blogspot.com/2010/03/como-se-ser-famoso-e-bem-sucedido-no.html

PermalinkPermalink 25.03.10 @ 11:15




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