2009
Há algo de conservador nos inovadores sites de probloggeres e nerds. Parece um paradoxo, eu sei, mas é o que tenho visto por aí na blogosfera.
Antes de mais nada quero dizer que não tenho nada contra o uso de propaganda em blogs. Pelo contrário, não vejo nada de errado em um blogueiro buscar remuneração por seu trabalho criativo. Por outro lado, tenho encontrado muitos blogs que dão um show de acessos e assinaturas, mas que oferecem muito pouco de novo. Em muitos deles encontramos basicamente o "requente" de textos publicados em blogs americanos...às vezes simples traduções. Alguns blogs nem isso apresentam. Limitam-se a incontáveis promoções de produtos e marcas. Mais uma vez: não sou contra publieditoriais. Só acho que posts pagos devem ser sempre apresentados como tais. Por uma questão ética, é preciso dizer que o texto é patrocinado. Além disso, defendo que deva haver um equilíbrio entre conteúdo original do blogueiro e material pago. Caso contrário, o blog não passará de um outdoor digital.
O tipo de blog que busca apenas ampliar a audiência com o simples intuito de veicular mais propaganda acaba por usar uma ferramenta nova para fins antigos. O que há de inovação em um blog "vendido"? Antes da crítica, o meu reconhecimento: trata-se de um empreendimento individual, que escapa ao tradicional esquema empresa-empregado, ao modelo industrial de comunicação. Mas o que há para além do empreendedorismo de uma geração que descobriu por si própria como se sustentar? Em muitos casos, não há a febre jovem em botar a boca no mundo, em deixar uma marca, em reclamar de tudo o que é velho. Infelizmente, os hormônios foram anestisados. Recupera-se velhos processos de exploração, sem que se leve em conta como se pode mudar o social.
Vamos ser sinceros, tênis All Star e camiseta básica de grife "alternativa" não configura nenhum tipo de resistência. Para ser mais provocativo, não deixa de ser uma aceitação do mesmo modelo mercadológico subscrito por mauricinhos e patricinhas. Não assistir novela, mas ver Simpsons e Lost é recusar a indústria cultural e a imposição das grandes instituições midiáticas? Ora, o processo ainda é o mesmo, só muda a embalagem. Na verdade, é uma sofisticação na sintonia entre mercadoria e público-alvo.
Não, não sou um velho marxista, um professor tacanho que ainda recita melhos mantras da Escola de Frankfurt. Por outro lado, não quero perder a oportunidade de analisar criticamente o ambiente no qual interajo. Se eu fosse um anti-capitalista não traria banners publicitários neste blog. Sim, reconheço que estou aberto a negociações promocionais por aqui. Mas não abro mão de expressar minhas impressões sobre nosso mundo. E sei que quem me visita espera debater pontos-de-vista.
Comparando os blogs mais populares no Brasil com aqueles listados no Technorati vejo que gostamos muito mais do besteirol e dos blogs copia/traduz/cola. Talvez isso tenha a ver com nossa cultura, com a faixa etária dos leitores de blogs no Brasil. Mas não podemos achar justificativas para a falta de compromisso social. OK, é a pós-modernidade: hedonismo, neo-tribalismo, presenteísmo...e outros ismos. Mas será que toda uma geração ficou broxa? Estaremos vivendo a emergência de uma geração conservadora?
Por mais que eu goste de frases de efeito, por seu potencial polêmico, não posso concordar com tais exageros. Estamos no ciberespaço protestando contra os ímpetos autoritários do Azeredo, multiplicando denúncias em nossas redes sociais online, discutindo a crise e reclamando do que é anacrônico. Por outro lado, precisamos também reclamar daqueles que buscam mimetizar as mesmas estratégias da grande mídia aqui na blogosfera. Se passarmos a encarar nossos interagentes e comentadores simplesmente como perfis segmentados ou público-alvo, a utopia de uma rede livre e crítica virará simples fantasia. Apesar de não acreditar que isso vá acontecer, vale a pena ficar alerta, desconfiando das "tendências" e modinhas pseudo-nerds.
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A foto utilizada neste post foi publicada originalmente aqui.




