2009
Vamos ser sinceros: a proposta original e a interface do Twitter são bem deficientes. Quando fui convidado pela primeira vez para entrar no Twitter logo recusei, pois não achei interessante ficar divulgando o que estou fazendo e ler sobre o cotidiano de outras pessoas. Mas, quando os interagentes se apropriaram da ferramenta para outros fins, como compartilhar links e provocar questões, dei o braço a torcer e... me viciei no serviço.
Confesso que até duas semanas atrás eu nunca tinha usado o site oficial do Twitter para ler e publicar tweets.
Desde o princípio, uso programas que mediam essas ações, como o Twitterific, TwitterFox, Twhril e TwitterDeck. Nos últimos dias, contudo, decidi experimentar o próprio site do serviço. Descobri que retwittar e enviar mensagens privadas é mais custoso na página do Twitter, pois a interface demanda que eu copie e cole trechos e usernames e inclua comandos ("d" para mensagens diretas) e arrobas, além de RT para retweets (uma convenção social usada pelos assinantes do serviço para citações diretas). Por que a interface não me oferece botões que agilizem esse processo repetitivo? Na página de mensagens diretas, nem sempre o ícone de resposta funciona e frequentemente o username de quem quero responder está disponível no menu dropdown. Falhas primárias.
É verdade que a interface do Twitter melhorou recentemente. Com a compra do excelente Summize, foi possível incluir um campo de busca no site (rebatizado de Twitter Search). A listagem de assuntos populares (Trending Topics) foi também um recurso bem vindo. Fora o sutil redesign das páginas, o Twitter tem feito pouquíssimas atualizações na interface. Suponho que todos os esforços da empresa estejam sendo direcionados para conferir maior robustez ao serviço que vem atraindo um número crescente de assinantes. Sendo assim, a usabilidade não parece ser seu foco.
Então como pode o Twitter ter se popularizado, com uma proposta inicial limitada e uma interface deficitária?
Além dos novos usos que os assinantes inventaram para esse meio de comunicação, desenvolvedores do mundo todo passaram a criar programas e sites com recursos e serviços indisponíveis ou mal trabalhados pelo Twitter. Ou seja, é a inteligência coletiva aperfeiçoando o sistema. Como já apontava O´Reilly em seu célebre texto, esse aperfeiçoamento coletivo, descentralizado e espontâneo é uma das principais características da Web 2.0.
A implementação de serviços de terceiros só foi possível porque o Twitter abriu o acesso ao seu banco de dados e suas funcionalidades através de uma API. Com isso, não apenas twittar ficou mais fácil (com programas como aqueles que citei acima), como outros recursos e funcionalidades se tornaram possíveis. A cada semana novos sites são publicados, oferecendo novas formas de busca, mecanismos para administração de seguidores, jogos, estatísticas, etc.
Isso mais uma vez nos mostra que na Web 2.0 quanto mais aberto é um sistema, maiores são as suas chances de prosperar. Será que se o Twitter não tivesse oferecido uma API, nós ainda estaríamos por lá? Sem todas essas ferramentas de terceiros a experiência na twittosfera seria tão informativa e divertida?
É interessante observar que a empresa Twitter introduziu uma nova infra-estrutura de comunicação. Já a mediação de interações (interface, serviços e recursos) vem sendo trabalhada por pessoas e equipes sem qualquer relação empregatícia com o Twitter. Esse é o tipo de relação produtiva que desafia os especialistas na velha economia.




