2009
A produção em sites colaborativos e em serviços da Web 2.0 vem aumentando exponencialmente a quantidade de conteúdo publicado na rede. Esse é um desafio para os mecanismos de busca, que precisam rastrear rapidamente todas essas novidades na rede. Foi justamente essa a principal razão da compra do Blogger pelo Google em 2003. Diante da crescente publicação na blogosfera, o Google percebeu que precisava rastrear essas informações com maior agilidade.
Já em 2006, mesmo tendo o serviço Google Video, a empresa também reconheceu a importância da compra do YouTube. Essa aquisição bilionária não se justificava apenas pelo conteúdo lá publicado, mas também pela riqueza da base de assinantes do sistema. E, como tudo na Web 2.0, onde há um volume significativo de pessoas interagindo recorrentemente e produzindo bom conteúdo existe também o alto potencial de lucratividade. (Bem, no caso do YouTube os custos andam muito mais altos que seus lucros).
Pois essas são as mesmas razões que nos mostram que mais cedo ou mais tarde o Google comprará o Twitter. Na verdade, o Google precisa fazer essa aquisição. A base de assinantes do Twitter cresce de forma impressionante. O conteúdo publicado a cada segundo é muito rico e precisa ser rastreado pelo Google. Na verdade, o Twitter Search (ex-Summize) e o Twazzup já fazem um excelente trabalho. Mas, perder ações de busca para outros mecanismos é prejuízo para o Google, pois deixa de monetizar seus anúncios com valor pleno. E mais, a imagem de seu mecanismo de busca fica desafiada.
Além do potencial futuro do Twitter na área da propaganda online, a base de assinantes e os dados sobre as redes que eles formam são informações fundamentais para estratégias mercadológicas. É verdade que o Twitter ainda não explora a propaganda em suas páginas, mas ele vem se preparando para isso. Na primeira quinzena de abril o Twitter deixou escapar uma pista sobre como pretende começar a veicular anúncios. Como se vê na imagem ao lado, as definições veiculadas em breve serão comercializadas. Mesmo que a empresa tenha dito que a veiculação da frase "Sponsored definition" foi um engano (!), muito em breve estaremos vendo anúncios no serviço.
Apesar da falta de rendimentos, o Twitter continua angariando investimentos. Enquanto isso, o número de assinantes tem aumentado muito nas últimas semanas. Na sexta passada, a apresentadora americana Oprah deu a sua primeira twittada ao vivo em seu programa, entrevistou o Evan Williams (co-fundador do Twitter) e o ator Ashton Kutcher (o primeiro a ultrapassar a marca de um milhão de seguidores). Em tempo, ninguém me convence que todo esse destaque no programa da Oprah não passou de um testemunhal pago para aumentar o valor de venda do Twitter. Já aqui no Brasil, a grande imprensa descobriu o Twitter faz pouco. A capa da revista Época e uma matéria no Fantástico atraíram um novo público para o serviço.
Enquanto cresce o interesse pelo Twitter e o número de assinantes vai aumentando, cresce também o possível valor de venda. O Google ainda precisará esperar mais um pouco para conseguir comprar o Twitter. Esta empresa certamente está esperando o momento e o valor certo. Ou será que um Rupert Murdoch da vida vai comprar antes? Ou o Twitter vai resistir todas as ofertas, como fez o Facebook?




