2009
Sabe qual o problema dos celulares terem câmeras para fotos e vídeos? As pessoas querem tirar foto de tudo, filmar tudo! Muitas vezes pouca importa o objeto a ser capturado. O que importa é registrar toda e qualquer imagem. Não custa nada! Ora, DVDs, cartões de memória e HDs são hoje muito baratos. Logo, vale a pena registrar e gravar tudo. Tenho um amigo que salva todas as fotos que já tirou desde que teve acesso a sua primeira câmera digital...mesmo as fora de foco e tremidas. Segundo ele, é um registro de sua vida. Ele tem razão.
Graças a essas microcâmeras pudemos ter registros instantâneos da enchente em Santa Catarina, dos atentados na Espanha e em Nova Iorque, entre outros fatos marcantes. Sem um celular barato nas mãos de uma cliente, não saberíamos da humilhação por que passou esta mulher, que precisou tirar a blusa para entrar em um banco.
E que seria do webjornalismo participativo se não fossem esses dispositivos móveis? Além da possibilidade de registro de imagens e textos, é possível publicá-los na rede, mesmo que não se esteja com um notebook à mão. Na verdade, esse é um dos diferenciais do webjornalismo participativo: o potencial de noticiar fatos muito antes da chegada de um jornalista profissional de uma grande instituição midiática.
Mas sejamos sinceros, nem sempre as fotos e vídeos são bem vindos. Em um teatro ou em um show intimista, câmeras e celulares ligados funcionam como lanternas nos olhos de quem está nas filas de trás. Lembro agora de uma apresentação circense que assisti em um teatro. Quando um arqueiro se preparava para acertar múltiplos alvos em uma performance que envolvia algum risco, um senhor na minha frente decidiu levantar a câmera em seus braços para melhor captar a cena (que ocorreria em apenas um segundo!). Nem ele conseguiu tirar a foto, nem eu consegui ver o feito.
Às vezes é a tecnologia que impõe o seu uso. Se o celular está no bolso ou na bolsa, por que não levar uma foto da peça de teatro como souvenir? Mesmo que o fotógrafo amador esteja no mezanino, sua camerazinha não tenha zoom e sofra com uma lente de segunda, é preciso tirar uma foto. A câmera demanda. É como se a tecnologia dominasse o indefeso fotógrafo.
Mas não posso negar que agradeci mil vezes aos fãs que filmaram o único show do Led Zeppelin em 2007. Poder ver a reunião daqueles "dinossauros" do rock, mesmo que em imagens tremidas e distantes, foi fantástico.
Já o web designer Andrews Ferreira Guedis foi além do simples prazer de assistir no YouTube a registros dos shows do RadioHead no Brasil. Decidiu editar clipes ao vivo da banda, juntando gravações de diversos fãs publicadas na rede. Em entrevista ao Vírgula, o blogueiro comenta:
A ideia surgiu exatamente quando estava assistindo as várias filmagens feitas por fãs da música Paranoid Android. Me bateu uma vontade de juntar certas cenas e ver no que dava. Eu já tinha visto uma ideia parecida com o Nine Inch Nails, que atualmente liberou três shows com filmagens profissionais para os fãs realizarem as edições.
Ontem, Andrews publicou uma nova edição da música "Fake Plastic Trees". Vale a pena acompanhar o desenvolvimento desse projeto de mashups, que pretende lançar um DVD do show. Certamente alguns vão questionar sobre os direitos autorais das imagens, etc e tal. Enquanto eles discutem, curta os vídeos no blog Radiohead - Rain Down.




