O que "Don't Click" e #pesquisapr nos ensinam sobre o Twitter como rede social

18Fev
2009

A semana passada terminava. De repente, uma mensagem tomou conta do Twitter por estas bandas: "Don't Click: http://tinyurl.com/amgzs6″. Claro, boa parte dos twitteiros não aguentou a curiosidade e clicou, caindo nesta página: http://www.umoor.eu/blog/yes-we-can.php. Ela trazia apenas um botão que, sejamos sinceros, avisava para não se clicar. Mais uma vez os curiosos (eu incluído!) clicaram. Logo em seguida, todos os seguidores desses curiosos (incluindo os meus!) receberam a mesma mensagem: "Don't Click: http://tinyurl.com/amgzs6″.

O dia 12 de fevereiro, quando eu mesmo cliquei no "Don't Click", marcou o estouro exponencial da disseminação da praga — como também o seu fim. Vejam o gráfico abaixo (Fonte: Cnet News).

Mas o que essa experiência de clickjacking pode nos ensinar sobre o Twitter?

Desta vez tudo não passou de uma brincadeira inofensiva. Veja aqui o relato do autor da pegadinha, onde ele conta que aprendeu o truque com outro exemplo que vinha se reproduzindo na rede há duas semanas. Mas, como eu já tinha comentado antes (apesar de não ter seguido meu próprio conselho), as TinyUrls podem esconder códigos com más intenções. Cuidado, don't click! Ou melhor: Take care when clicking.

Lição 2: apesar da pegadinha inofesiva e do potencial risco envolvido, podemos mais uma vez constatar a força do Twitter como rede social. Não apenas pela rapidez com que o link se espalhou, mas também pela confiança que depositamos em quem assinamos. Eu cliquei no link por que ele foi enviado pelo Gilberto, meu orientando de mestrado. Ou seja, a rede se forma, se mantém e se dinamiza pelos laços mantidos entre seus participantes. Por outro lado, isso não quer dizer que somos máquinas clicadoras, que repassamos tudo o que recebemos. Se assim fosse, toda estratégia de marketing viral teria o sucesso esperado pelas agências. Nem tampouco podemos supor que a comunicação humana é a mesma coisa que uma transmissão viral.

Já esta semana começou com um debate sobre press release, organizado pela tag #pesquisapr. A proposta iniciou com a seguinte mensagem de rmacomunicacao: "Pesquisa rápida aqui no twitter! Conte o que vc pensa sobre o Press Release e use a tag #pesquisapr . RT, pf." Essa provocação fazia parte de uma campanha de divulgação daquela agência. De toda forma, ela nos lembra que há muito tempo o Twitter ultrapassou sua proposta inicial (What are you doing?).

Não quero aqui comentar mais uma vez como o Twitter vem sendo usado para estratégias promocionais, blá, blá, blá. Quero destacar como um grupo de interessados conseguiu manter um debate encadeado apesar de interagirem em uma ferramenta muito distinta de um fórum.

A tag é um protocolo social que precisa ser aceito e utilizado pelos participantes. Através desse recurso e do mecanismo de busca Twitter Search a discussão se organiza e pode ser recuperada. Ou seja, mesmo que o projeto inicial do Twitter focasse o simples envio de informações sobre o seu cotidiano, conversações dinâmicas e aprofundadas (apesar dos 140 caracteres) podem ser mantidas através dessa ferramenta.

Apesar dos recursos limitados do Twitter, uma rede social pode manter sua coesão conversacional a partir de um encadeamento simbólico e por protocolos sociais, como o uso de tags. Em outras palavras, é a interação que dá forma à rede social, e não apenas o botão "follow".



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Comentários:


Comentário de: Laís Bueno · http://emdialogo.blogspot.com

olá, Alex. acho que seu post foi cortado no final.



abs,


Laís


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 16:54



Comentário de: Daniel Christino · http://pasmoessencial.wordpress.com/

Alex, quando parei de usar o messenger e passei a usar o twitter, minha primeira motivação foi não ser incomodado o tempo todo por gente querendo papear a toa. Ao contrário de outras teconologias, o twitter não favorece a interação em tempo real. Na linha defendida pelo Nicolas Carr e pelo Bauman, não seria o twitter a forma perfeita de "interação liquida"? Superficial e fluída. Você monologa o tempo todo, supõe um leitor que as vezes nem on-line está, ganha ou perde seguidores sem nem mesmo saber quem são. O Twitter se assemelha muito mais a um "últimas notícias" particular. Ok, devemos entendê-lo juntamente com uma pá de outras ferramentas interativas (e-mail, messenger, orkut, blogs, etc.), mesmo assim fico com aquela impressão de "casa de pombos", sabe? Cada um no seu cubículo, sem nenhuma transversalidade. O que acha?


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 17:10



Comentário de: alexprimo · http://alexprimo.com

Laís, obrigado! Eu tinha deixado um pedaço sobrando, pois tinha esquecido de apagar ;-)
Daniel, como você, eu também não tenho paciência com o MSM. Só o abro quando preciso discutir algo imediatamente. Mas odeio ser importunado no trabalho por coisas tipo "E aí, vendo muitos filmes?". :-o
De fato, apesar do Twitter permitir replies e mensagens privadas, ele não facilita tanto a conversação direta como o MSN e o Plurk. Por outro lado, o que este post pretende debater, ainda que de forma breve, é que não podemos minimizar as interações que ocorrem mediadas por esta ferramenta, cujo objetivo inicial era muito pequeno diante do fazemos com o Twitter hoje.

Vale também lembrar o encadeamento midiático do Twitter com outros meios. Uma conversa pode começar no Twitter, passar depois para o e-mail e continuar no Orkut! Ou seja, as conversações não se prendem necessariamente a um meio específico.


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 17:26



Comentário de: Daniel Christino · http://pasmoessencial.wordpress.com/

Por outro lado, o que este post pretende debater, ainda que de forma breve, é que não podemos minimizar as interações que ocorrem mediadas por esta ferramenta, cujo objetivo inicial era muito pequeno diante do fazemos com o Twitter hoje.


Correto. Visto pelo lado dos desvios funcionias o twitter tem se mostrado muito mais maleável. Isso me lembra uma história que ouvi sobre os primeiros hackers que trabalhavam na IBM na década de 60. Ao que parece um deles conseguiu criar um jogo de cartões - o input de comandos era via cartão perfurado - que fazia a máquina ranger e bater um trecho do hino dos fuzileiros navais.



Obrigado pela resposta.


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 17:42



Comentário de: Aline de Campos · http://alinedecampos.org

Alex, quando vi você postar isso semana passada, por conta justamente do que você disse sobre os laços sociais, cliquei e deixei a aba aberta com a página. Acabei por me distrair com outras coisas e não caí na esperta pegadinha. Tudo culpa desses programadores! <img src="/blogs/rsc/smilies/graybigrazz.gif" alt=":P" />
Falando sério. Muito interessante a progressão do acontecimento. Valeria buscar os miniposts que fazem referência a reação dos que clicaram e acabaram por ter, de certa forma, a individualidade dos seus posts invadida. Pois, se o mote é "what are YOU doing?", perceber a possibilidade de tão simplesmente postarmos algo contra nossa vontade, pode "assustar".

Já #ficadica, cuidado ao clicar <img src="/blogs/rsc/smilies/icon_smile.gif" alt=":)" />


PermalinkPermalink 20.02.09 @ 18:57



Comentário de: Ana Estela

Alex, uma forma de aumentar a confiança do tinyurl no twitter não seria usar o modo "preview", como este aqui: http://preview.tinyurl.com/dkba6w
??
Ana

----- PING: TITLE: Twitter: mais uma criação que surpreende seu criador « Pensamenteando BLOG NAME: Twitter: mais uma criação que surpreende seu criador « Pensamenteando

[...] se utilizam de ferramentas "encurtadoras" das URL de forma a ocupar menos caracteres, são quase sempre acessados, mesmo que ninguém saiba ao certo aonde um endereço do tipo "http://migre.me/55a" vá [...]

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[...] veículos. Além disso, o blog RMA teve comentários e dois posts foram escritos sobre o assunto ( Alex Primo e Daniel Miura). Porém, este é apenas o início do trabalho. A RMA espera que com os releases na [...]


PermalinkPermalink 24.02.09 @ 16:06



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