2009
Há muito tempo os futurologistas anunciam a morte do livro e a popularização dos e-books. Também muito se falou na morte dos livros e da literatura como a conhecemos com a emergência do hipertexto. Enquanto isso, a Livraria Cultura vai abrindo novas e maiores lojas pelo Brasil! Então, será que os e-books um dia ainda pegam? O Kindle 2, recente lançamento da gigante Amazon, é o primeiro concorrente sério.
Este dispositivo móvel é primordialmente focado na venda de versões digitais de livros. Através de poucos cliques, é possível pagar (menos) e baixar um livro em poucos segundos. Desde sua primeira versão, o aparelho também permite a compra e leitura de outros materiais, como revistas e jornais.
O Kindle 2 vem solucionar diversos bugs da primeira versão, como a inesperada virada de páginas, mesmo que o leitor não tivesse apertado nenhum botão. Mas o que me chamou mais atenção foi o cuidado com o design do produto. Ele é agora muito fino, tem cantos arredondados e botões suaves e bem posicionados. A versão anterior era obtusa, tinha um teclado estranho e diversos problemas operacionais.

A primeira versão do Kindle, com bugs e cantos obtusos
Não ficaria surpreso em saber que Steve Jobs está morrendo de inveja. O Kindle 2 realmente parece um iPod para livros. Se esta nova versão é de fato uma bola dentro, podemos agora perguntar: conseguirá a Amazon revolucionar o mercado de livros, assim como a iTunes Store atualizou o consumo de música e vídeos? E representará o Kindle para a a leitura o que o iPod representa para a audição de músicas?
Do ponto de vista da interface e do hardware, o Kindle tem todas as chances. Infelizmente não sei quando terei acesso a um desses, mas pelo que pude ver a usabilidade é muito boa. O aparelho é leve, a tela tem excelente definição e pode ser bem visualizada em ambientes de alta luminosidade. No entanto, a tela ainda é monocromática. Certamente é uma questão de custo, mas uma próxima versão precisa incluir um monitor colorido. Mesmo que livros constem basicamente de texto preto em fundo branco, quem aceita hoje uma tela monocromática.
Achei bonito e delicado o visual dos botões do hardware, mas não sei ainda como respondem ao toque. No entanto, a interface gráfica parece um antiga. Veja abaixo como os botões se parecem com as primeiras versões do MacOS, ainda dos anos 80!


Achei estranho também o efeito fade quando uma página é virada. Tudo bem, a placa de vídeo deve ser meio fraquinha! De toda forma, as possibilidades de marcar trechos, fazer bookmarks e anotações são muito bem vindas.
Todas essas características fazem do Kindle 2, em minha opinião, a primeira real chance de sucesso de um leitor de e-books. Muitos aparelhos anteriores já foram lançados no mercado, mas nenhum deles chegou a ameaçar a leitura dos bons e velhos livros de papel. A portabilidade, a elegância e a usabilidade do Kindle são realmente uma boa promessa.




