2008

…quanto a discussão sobre a formação universitária em jornalismo. Mas o que se esconde por trás desse título provocativo?
Você já deve ter visto o selo aí ao lado em vários blogs e sites. Na verdade, essa campanha nacional da Fenaj tem desdobramentos em diversas mídias. Se você ainda não a conhece, dê antes uma rápida olhada neste vídeo:
Além da ameaça de desregulamentação do Jornalismo, muitos ainda se preocupam com o avanço da blogosfera. Exemplo disso é a patética capa da revista Imprensa deste mês que decreta que "blogueiro não é jornalista". O Noblat, em recente palestra em Porto Alegre, ironizou a capa: "Eu sou jornalista e sou blogueiro". Mas, não parou por aí. Defendeu que muitas pessoas na blogosfera, que não são jornalistas, fazem bom jornalismo. "Os amiguinhos não gostam que eu diga isso", provocou.

Há muitos anos dizia-se que a liberdade de expressão existia apenas para os donos de jornais. Temo que alguns queiram hoje adaptar a frase para: "a liberdade de expressão deve existir apenas para os jornalistas". Essa certamente não é a defesa da maior parte dos profissionais em jornalismo. Mas com certeza frequenta o imaginário de muitos radicais.
Para falar a verdade, essa discussão extremada entre panfletários ("blogs são sempre melhores que a mídia de massa") e apocalípticos ("a blogosfera é a lixolândia") já cansou faz tempo, não é?
É mais do que legítimo que uma categoria defenda seus interesses. Por outro lado, discordo de algumas peças alarmistas da campanha da Fenaj que aponta que a desregulamentação é uma ameaça à democracia. Exagero retórico.
No meio do fogo cruzado, contudo, não tenho visto um interesse maior em avaliar a própria formação universitária em jornalismo no Brasil. Essa discussão sim é mais urgente e necessária. De que adianta defender um diploma se ele pouco atesta? Prefiro um texto bem escrito, investigativo e opiniativo de alguém com outra formação do que outro de um recém formatado (o erro de digitação é proposital) acrítico. Parece-me que hoje abundam "técnicos" em jornalismo, que obedecem calados às imposições das grandes instituições midiáticas. Por outro lado, pouco ousam e se acomodam, simplesmente codificando a informação na técnica do texto jornalístico. Jornalismo era mais do que isso…
Em tempo, alguém poderia defender que do ponto de vista meramente industrial (o ciclo produtivo da finalização e circulação dos produtos jornalísticos), as empresas massivas alcançaram excelência. Mas podemos dizer o mesmo do jornalismo em si?
Se você está arrepiado com estas provocações, calma! Quero defender a formação universitária de qualidade. Mas não concordo que o diploma possa ser defendido em si mesmo, de forma essencializada. Não creio que a simples postura sindicalista ou corporativista seja suficiente.
Acho interessante que na área da propaganda não existe exigência de diploma. Mesmo assim, as agências (pelo menos em Porto Alegre) preferem aqueles com formação universitária. É nesse sentido que não fico apavorado com proposta do ministro da educação Fernando Haddad.
Sim, é preciso avaliar a formação dos jornalistas no país e reconhecer que a palavra não pode ser autorizada apenas àqueles sindicalizados. O debate certamente é muito mais complexo do que mostro aqui. Mas que ele seja aprofundado então. Que não se limite à palavras de ordem e paradigmas antigos.




