A defesa do diploma de jornalista não é tão importante…

08Out
2008

…quanto a discussão sobre a formação universitária em jornalismo. Mas o que se esconde por trás desse título provocativo?

Você já deve ter visto o selo aí ao lado em vários blogs e sites. Na verdade, essa campanha nacional da Fenaj tem desdobramentos em diversas mídias. Se você ainda não a conhece, dê antes uma rápida olhada neste vídeo:

Além da ameaça de desregulamentação do Jornalismo, muitos ainda se preocupam com o avanço da blogosfera. Exemplo disso é a patética capa da revista Imprensa deste mês que decreta que "blogueiro não é jornalista". O Noblat, em recente palestra em Porto Alegre, ironizou a capa: "Eu sou jornalista e sou blogueiro". Mas, não parou por aí. Defendeu que muitas pessoas na blogosfera, que não são jornalistas, fazem bom jornalismo. "Os amiguinhos não gostam que eu diga isso", provocou.

Há muitos anos dizia-se que a liberdade de expressão existia apenas para os donos de jornais. Temo que alguns queiram hoje adaptar a frase para: "a liberdade de expressão deve existir apenas para os jornalistas". Essa certamente não é a defesa da maior parte dos profissionais em jornalismo. Mas com certeza frequenta o imaginário de muitos radicais.

Para falar a verdade, essa discussão extremada entre panfletários ("blogs são sempre melhores que a mídia de massa") e apocalípticos ("a blogosfera é a lixolândia") já cansou faz tempo, não é?

É mais do que legítimo que uma categoria defenda seus interesses. Por outro lado, discordo de algumas peças alarmistas da campanha da Fenaj que aponta que a desregulamentação é uma ameaça à democracia. Exagero retórico.

No meio do fogo cruzado, contudo, não tenho visto um interesse maior em avaliar a própria formação universitária em jornalismo no Brasil. Essa discussão sim é mais urgente e necessária. De que adianta defender um diploma se ele pouco atesta? Prefiro um texto bem escrito, investigativo e opiniativo de alguém com outra formação do que outro de um recém formatado (o erro de digitação é proposital) acrítico. Parece-me que hoje abundam "técnicos" em jornalismo, que obedecem calados às imposições das grandes instituições midiáticas. Por outro lado, pouco ousam e se acomodam, simplesmente codificando a informação na técnica do texto jornalístico. Jornalismo era mais do que isso…

Em tempo, alguém poderia defender que do ponto de vista meramente industrial (o ciclo produtivo da finalização e circulação dos produtos jornalísticos), as empresas massivas alcançaram excelência. Mas podemos dizer o mesmo do jornalismo em si?

Se você está arrepiado com estas provocações, calma! Quero defender a formação universitária de qualidade. Mas não concordo que o diploma possa ser defendido em si mesmo, de forma essencializada. Não creio que a simples postura sindicalista ou corporativista seja suficiente.

Acho interessante que na área da propaganda não existe exigência de diploma. Mesmo assim, as agências (pelo menos em Porto Alegre) preferem aqueles com formação universitária. É nesse sentido que não fico apavorado com proposta do ministro da educação Fernando Haddad.

Sim, é preciso avaliar a formação dos jornalistas no país e reconhecer que a palavra não pode ser autorizada apenas àqueles sindicalizados. O debate certamente é muito mais complexo do que mostro aqui. Mas que ele seja aprofundado então. Que não se limite à palavras de ordem e paradigmas antigos.


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http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/31584

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Fábio Silva · http://www.twitter.com/fabio_silva

Falou e disse Alex. Sou formado em jornalismo, aliás, sou 'recém-formado' e entendo que muitos guardam um certo rancor quando se fala em 'blog' ou mais ainda, em 'blogosfera'.


Acho que a questão do diploma não é merecedora dessa atenção toda que a Fenaj tenta impor. Pelo contrário, com a internet e até com os blogs (como muito bem soube aproveitar o Noblat), os jornalistas podem ganhar ainda mais. O problema é que os velhos não querem perder o prestígio e os novos, induzidos pelo discurso do panfleto, fecham a cabeça para o óbvio: o jornalista (e também sua profissão/ofício) tem de se reinventar!


PermalinkPermalink 08.10.08 @ 16:10



Comentário de: enio

Alex,
Como jornalista e ex-professor de jornalismo, mando uns adendos.
A discussão sobre obrigatoriedade do diploma surgiu após a mega-greve dos jornalistas de SP em 1979, que parou a imprensa paulista. Os patrões começaram uma cruzada contra o diploma como retaliação. Desde então, a briga que é corporativa de lado a lado segue aberta.
Os patrões querem flexibilizar a profissão de jornalista. Mas não falam em flexibilizar os contratos de trabalho para jornalista. Hoje, os profissionais assinam nos contratos de cessão completa de tudo o que produzem e de exclusividade. Se trabalho para a Folha de S. Paulo, não posso produzir para outra publicação. A flexibilização deveria ser completa, e não apenas parcial para atender o lado das empresas.
Há um mito de que teremos um Caetano Veloso fazendo reportagens com o fim da exigência do diploma. Só quem jamais entrou numa redação pode pensar assim. Os Caetanos continuarão a contribuir. A questão é quem vai sustentar a massa de noticiário. Isso será por meio de um jornalista em tempo integral.
Outro mal entendido é a abertura do jornalismo a profissionais com visões mais abrangentes e precisas. Como bem notou Clovis Barros Filho, na última revista Cult, o jornalismo tem o seu "habitus", tem um enquadramento construído ao longo de anos. É a cultura da profissão de jornalista que diz o que é uma notícia. Portanto, um economista ou historiador será enquadrado na "cultura do jornalista" ao entrar numa redação de jornal. É uma realidade, por mais absurda que eu possa achar.
Os cursos de jornalismo não têm condições de acompanhar as mudanças tecnológicas, que mudam a cada um ano e meio, como dizia, salvo engano, o então dono do Netscape. Talvez nenhum curso superior tenha condições de adaptar seus currículos às mudanças tecnológicas.
De tudo que já vi no meio acadêmico do Brasil e nas redações jornalísticas, o curso ideal seria parecido ao cursos de Humanidades proposto por Renato Janine Ribeiro na USP.
Além disso, uma pessoa das Humanidades leva tempo para amadurecer. O bom jornalista atinge um bom patamar após os 40 anos de idade. Mas, desde os anos 80, as empresas de mídia apostaram na garotada e houve uma perda sensível de qualidade. A entrada de novas tecnologias foi uma pimenta a mais num cenário de transformações que vinham de antes.
ab
enio


PermalinkPermalink 08.10.08 @ 18:15



Comentário de: marcia · http://marciabenetti.blogspot.com/

o jornalismo que se pratica no Brasil já não é nenhuma Brastemp.
(publicitários inteligentes criam boas frases de efeito, mesmo que a Brastemp nunca tenha sido… uma Brastemp!!!, mas que importância isso tem?)
e o que veremos depois da desregulamentação será deprimente.
e a oferta de "ensino" de certas universidades será ainda mais deprimente.
ladeira abaixo, aqui vamos todos.


PermalinkPermalink 08.10.08 @ 19:01



Comentário de: Mariana

Para mim as duas coisas tem de vir juntas: A formação jornalística aprofundada e de qualidade e aí sim, a obrigatoriedade do diploma. Estou cursando o terceiro ano de jornalismo e acredito sinceramente, que todo o conteúdo que tive até hoje poderia com facilidade ser aplicado em um curso técnico de um ano. E tudo o que fazem é isso: Pasteurizar, encaixotar e padronizar.


Acredito que os blogs sejam uma alternativa para quem quer realmente uma opinião, novos pontos de vista sobre o assunto, o que não acontece na grande mídia, que na sua "funcionalidade" fragmenta tanto a informação, que deixa de informar.



Mas eu defendo sim, os "Jornalistas por Formação" (como diz o slogan da campanha) desde que essa formação venha acompanhada de uma qualidade que realmente nos nos faça merecer o título de jornalistas.


PermalinkPermalink 09.10.08 @ 08:43



Comentário de: claudia castelo branco · http://peerproduction.blogspot.com

sou jornalista, tenho blog e ainda por cima trabalho com isso. O próprio nome do curso é patetico. jornalista é quem faz jornal, só isso já é um limite. Todos podem comunicar, todos podem produzir conteúdo. Pq é tão dificil assim entender isso? Abaixo o diplominha instrumental!


PermalinkPermalink 09.10.08 @ 11:06



Comentário de: edupel · http://ubimidia.wordpress.com/

Alex, acho que fostes super feliz na questão de que o foco precisa ser outro. Não necessariamente discordo com a batalha pela regulamentação, mas muitas vezes se esquece da qualidade. Nas nossas discussões em aula eu sempre pergunto para os nossos alunos o que eles estão fazendo para que um blog deles, por exemplo, seja melhor do que o de um especialista em algum assunto.
Me parece que o jornalista tem que cada vez mais ser o cara que consegue fazer conexões, e para isso tem que estar muito mais preparado do que antes.


PermalinkPermalink 09.10.08 @ 15:03



Comentário de: luiz galvão

Sou jornalista há 23 anos. Primeiro preciso atualizar o nome da profissão para a velocidade da luz, não é vero?
Depois o que se aprende numa pós graduação boa em Comunicação Jornalística, como na Cásper, com professores, Sergio Amadeu, Walter Lima Jr, Laan etc, deveria estar nas grades do curso de graduação e não numa pós.
A tecnologia e o conhecimento são imprescindíveis para ser jornalista, comunicólogo, especialista em "Humanidades" ou seja lá o nome que está por vir.
No ciberspaço e cada vez mais em qualquer mídia é sabido que só sobreviverá quem tiver conteúdo e conhecimento técnico.
Trabalho não faltará, mas emprego já era.
O diploma foi importante sim. A luta pela democracia no acesso às informações são mais importantes. Acrescentaria a ética como fundamental nesse "embróglio". O problema é a velha expressão: "Jornalista tem o conhecimento de um oceano, com a profundidade de um dedo"aaa. ..e morre tropeçando no próprio ego.
Fim da hierarquização das notícias e dos jornalistas nas redações. Viva a plena interatividade. Devemos prestar mais atenção nos conglomerados midiáticos que realizam limpidamente "a metamorfose da mercadoria em ideologia, do mercado em democracia, do consumismo em cidadania."vou usar um "sic" aqui.
É preciso estar atento ao que acontece e já é realidade em outros países no mundo nessas questões.


PermalinkPermalink 09.10.08 @ 15:05



Comentário de: Luís Felipe · http://tercafeira.wordpress.com

Nessas discussões, geralmente, há uma confusão desnecessária entre o poder da palavra e o poder do jornalismo. A liberdade de expressão é garantida pela constituição; não necessariamente isso significa que qualquer um pode fazer jornalismo. A mãe que coloca um band-aid no machucado do filho não é uma enfermeira.



Ser jornalista não é só a prática, envolve toda uma questão de preparo, de percepção social…eu concordo com a Márcia nesse ponto, acredito sim que vai descer muito a qualidade do produto, descer rumo ao caos. A classe do jornalista já é absolutamente desunida, os padrões de remuneração do sindicato não são cumpridos em lugar nenhum - parece que a RBS cumpre, depois de anos de perseguição - e o desprezo pelo profissional chegou a tal ponto que alguns ganham dinheiro só para não divulgar informações privilegiadas. Diante desse cenário, eu não posso ficar contente só por que o mercado vai preferir quem tem diploma. Até por que nós sabemos que na publicidade, tem gente de todos os cursos em setores de atendimento só por que têm um corpo bonitinho.



Acredito que é muito cômodo dizer que todos os estudantes de jornalismo da atualidade são uma merda, ao contrário dos militantes de outrora, e por isso lutar pela obrigatoriedade é coisa de sindicalista. O fim da obrigatoriedade do diploma oficializa todas as práticas de caráter duvidoso que permeiam a contratação dos jornalistas. Corrobora a inutilidade das faculdades de comunicação. Se não precisa de diploma, pra quê a faculdade? O prédio da FABICO poderia muito bem abrigar um novo hospital federal, de pequeno porte, com as verbas destinadas para procedimentos inúteis como aprender teorias da cibercultura.



Também me surpreende o fato de várias pessoas formadas em faculdades de jornalismo apoiarem o fim da obrigatoriedade. Então, ninguém aprendeu coisa alguma?


PermalinkPermalink 10.10.08 @ 11:29



Comentário de: marcia · http://marciabenetti.blogspot.com/

Claudia, a comunicação surgiu com o jornalismo. no século 17, não havia rádio, nem TV. apenas jornal. em espanhol, o nome é "periodismo", relacionado à produção periódica de notícias (não necessariamente em jornal). é bom entender a etimologia.


PermalinkPermalink 14.10.08 @ 22:19



Comentário de: Eduardo · http://operiscopio.wordpress.com

concordo com a defesa da fomação universitária de qualidade.


Infelizmente, muitos (talvez, a maioria) dos defensores do diploma não estão preocupados com a qualidade do fazer jornalístico, mas sim com a reserva de mercado, a manutenção dos seus próprios empregos.


PermalinkPermalink 14.10.08 @ 22:58



Comentário de: Eduardo · http://operiscopio.wordpress.com

Ah, e vida longa aos blogues, que ainda vão SALVAR o jornalismo.


PermalinkPermalink 14.10.08 @ 22:59



Comentário de: Teca

Oi, Alex !! Apóio 200% a tua colocação de que falta interesse em discutir a qualidade do ensino, não apenas nos cursos de jornalismo, mas nos cursos de graduação em geral. Da forma como as coisas estão sendo conduzidas, não é apenas o diploma, mas o curso de graduação em si que se torna praticamente desnecessário.
Vou exemplificar com a Publicidade, que é a minha área. Nas últimas mudanças de currículo, as disciplinas "práticas" ganharam cada vez mais espaço, enquanto as teóricas tiveram seu espaço reduzido de tal forma que praticamente adentraram o patamar das disciplinas "enche-lingüiça" (aquelas que o aluno faz só para acumular créditos). A reflexão e a autocrítica, que já eram pouco incentivadas na época em que me formei (há 7 anos), deram lugar ao ensino do uso do Corel, Photoshop e assemelhados (coisa que, cá entre nós, um cursinho do Senac já resolveria muito bem).
A justificativa oferecida para essas mudanças é a necessidade de preparar os alunos para o mercado de trabalho. Engraçado que isso aconteça exatamente em um momento em que o negócio publicitário está se vendo obrigado a reavaliar toda a sua estrutura e posicionamento em função, entre outros fatores, da pulverização da verba oriunda dos anunciantes, da cobrança cada vez maior de investimentos de menor risco e maior controle dos resultados e da concorrência dos bureaus de mídia, que absorvem a maior fatia (até então) do faturamento das agências: a bonificação de mídia. Ou seja, enquanto as universidades preparam os futuros profissionais para "operar" dentro do sistema (no sentido mecânico do termo), a publicidade busca pessoas capazes de repensar e recriar a própria publicidade.
Acredito que cabe perguntar: será o virtual o novo espaço de desenvolvimento do pensamento crítico? E, se for, qual é o papel dos cursos de graduação, principalmente nas ciências humanas e sociais, hoje?
Abç !!


PermalinkPermalink 15.10.08 @ 15:28



Comentário de: Sara Eduarda

O poder da comunicação e da informação não pode ser propriedade de uma categoria. O que justifica ainda a presença do diploma jornalítico? A suposta Imparcialidade? Ora, essa nunca existiu, sejamos honestos/as. Assegurar a liberdade de imprensa? de quem? do patrão?
Perdão meus caros colegas jornalistas, mas vamos precisar de muita prosa, muita razão e muita vivência pra acertar os espaços possíveis de mse comunicar.
Pensar, pesquisar, produzir um bom escrito, investigativo e opiniativo não é prerrogativa só de jornalistas: filosófos, produtores, sociólogos, cineastas, fotográfas, poetas, pintores, escritoras/es, cartunistas, cinegrafistas também têm na palavra e na imagem muito a dizer.
Porque então concentrar na mão de poucos, o que há muito pra fazer?

Saudações Solidárias a uma comunicação livre!


PermalinkPermalink 15.10.08 @ 23:15



Comentário de: Heleno Nazário

Alex, considero muito pertinente a ligação do debate sobre o diploma ao contexto curricular dos cursos. Poderíamos ter cursos melhores, equalizando a formação humanística à qualificação técnica e dando o real valor dos nossos diplomas, aos nosso olhos e aos olhos dos profissionais de outras áreas. O caminho do meio parece uma boa alternativa; resta abrir essa nova vereda.
Quanto ao ranço de jornalistas contra blogueiros (e vice-versa, como se pode notar), penso que é totalmente desnecessário. Não vejo motivo real para evitar o aproveitamento, pelo jornalismo, das boas práticas e das facilidades técnicas que a comunicação em rede têm ajudado a desenvolver.
Creio (espero que não de forma ingênua) que há espaço para muita gente e que as duas culturas podem gerar novas manifestações, mais competentes, críticas, éticas e construtivas - desde que a discussão se dê sem medo de tocar em temas nevrálgicos e com respeito mútuo.
Tenho acompanhado (no modo lurker - essa é a minha primeira fala), nos últimos meses, os blogs de vários pesquisadores da cibercultura e de nomes importantes da blogosfera, já que, após muito tempo, despertei para as diversas possibilidades do meio internet . Sim, demorei bastante. Este jornalista não-geek respeita os conhecimentos e os recursos desses profissionais. E sabe que precisa desenvolver mais os seus próprios saberes nessa área.
Ranços de qualquer tipo e o orgulho são grilhões da evolução.
Saudações a todos!


PermalinkPermalink 16.10.08 @ 10:30



Comentário de: Träsel · http://www.insanus.org/martelada

Já que meu link não gerou um trackback, publico à mão, mesmo, a referência ao meu post sobre o assunto:


http://www.insanus.org/martelada/archives/024781.html


Legal que o Alex me questionou sobre o assunto e nem se dignou a comentar lá. :~~(



TECA: Você diz:


"Pensar, pesquisar, produzir um bom escrito, investigativo e opiniativo não é prerrogativa só de jornalistas: filosófos, produtores, sociólogos, cineastas, fotográfas, poetas, pintores, escritoras/es, cartunistas, cinegrafistas também têm na palavra e na imagem muito a dizer."


Só posso concordar. Porém, existem outros meios de expressão que não os jornais. Por que de repente todo mundo acha que precisa estar no jornal para se comunicar?


PermalinkPermalink 16.10.08 @ 13:31



Comentário de: Joel Minusculi · http://joelminusculi.wordpress.com

Concordo plenamente, Alex.
Achei irônico, inclusive, no final da matéria a Revista Imprensa fazer a propaganda de seu "Blog". Compartilho abaixo um textinho que enviei para o pessoal da revista (mas não sei se vai sair…;):

Sobre a matéria "Igual, mas diferente"

A matéria "Blogueiro não é Jornalista", publicada na edição nº 238 da Revista Imprensa, trata a situação da blogosfera de forma superficial e sem considerar os devidos pontos que dizem respeito ao jornalismo. Será que vale a pena dizer que é superficial já na primeira linha?

Em primeiro lugar, o assunto perde sua atualidade ao ser tratado tão tarde pela revista. Os blogs se popularizaram entre os jornalistas em 2005, com o blog do Noblat. A partir disso, outras categorias souberam explorar o seu potencial.

Por isso, não é estranho perceber que tantos publicitários (como dito na matéria) entraram nesse meio. Estes souberam explorar o potencial da ferramenta blog, principalmente no que diz respeito ao multimídia – conjugar texto, imagem e áudio para passar a mensagem.

A plataforma multimídia mostra-se eficaz e essencial nos dias de hoje. Ela é uma resposta para a correria do dia-a-dia, que facilita a nossa vida ao juntar os diversos canais de informação em um único lugar.

Já que os publicitários souberam explorar a característica multimídia, não é de se estranhar que seus blogs sejam os mais visitados segundo o ranking. Eles sabem "chamar" o leitor. O jornalismo poderia sim ter mais representantes entre as primeiras posições, caso deixe de lado o medo de agregar novos formatos de apresentar seu conteúdo e estar aberto ao novo panorama.

Quanto à monetarização e aos produtos recebidos, é lógico que os publicitários aceitam, pois não tem o compromisso da imparcialidade do jornalismo. Publicitário está para vender o produto, da forma mais parcial possível no quesito de convencer o comprador. A matéria cumpriria sua intenção se investigasse a prática em blogs de jornalistas.

Ao colocar na capa da revista "blogueiro não é jornalista", a publicação criou uma generalização, como se antes da matéria "blogueiro é jornalista". Essa consideração é pobre, pois parece que não há entendimento de causa. Qualquer pessoa pode publicar conteúdo na web sim, mas ainda cabe ao jornalista filtrar e organizar esse conteúdo, para agregar valor e confiabilidade – essa habilidade é da profissão, assim como dos publicitários em vender produtos.


PermalinkPermalink 16.10.08 @ 13:56



Comentário de: Eduardo Marques

A fenaj abortou o debate do diploma e vem se sustentando em um lema furado de "qualidade" na informação. Será que a FENAJ pensa que a gente não Pensa ?
Sou formado em comunciação social Relações Públicas e trabalho como repórter. segundo a FENAJ um bacharel em comunicação social não pode trabalhar na área a não ser que seja diplomado em JORNALISMO ( rsrsrsrsr) . que coisa não !!!! O STF vai acabar com essa palhaçada Já, já. Vivemos no Brasil em estado democrático de direito e a constituição garante liberdade de expressão, de opinião… Aliás, 6 dos 11 ministros, já deixaram claro que vão acababar com o entulho do autoritarismo, criado na didatura. Feio para FENAJ que se apega no instrumento autoritário de 1964 para levantar a bandeira vejam só, " da qualidade na informação " coitada da FENAJ que seria melhor ser chamada de "FENOJO"


PermalinkPermalink 19.10.08 @ 10:18



Comentário de: Heleno Nazário

Eduardo: se eu, formado em Jornalismo, quiser trabalhar como relações-públicas, o CONRERP não vai deixar, certo? Isso é uma repressão à minha liberdade de opinião e de expressão?


Penso que só a vivência prática da área não basta. Por mais que existam lacunas nos currículos dos cursos superiores de Jornalismo (e há os que são muito bons), os saberes téoricos, técnicos, filosóficos e éticos são necessários. Apostar na desregulamentação como saída para os problemas da imprensa nacional é a nova versão da política da "terra arrasada".



Diploma pelo diploma não é a melhor política para melhorar a qualidade do jornalismo. Abrir mão da necessidade de curso superior só vai servir para enfraquecer a formação profissional e acadêmica - e desconfio que, com a desregulamentação, a pesquisa em jornalismo corre seus riscos…


Que outras pessoas desejem trabalhar na área, ok, sou a favor - desde que se habilitem, pô. No teu caso, é até mais simples - com a proximidade dos currículos, em pouco tempo te habilitas. Se já tens a vivência de repórter, ótimo, só tens a ganhar com os bancos universitários. E as liberdades de expressão e de opinião não dependem do acesso à posição de repórter.


PermalinkPermalink 20.10.08 @ 07:41



Comentário de: Patrícia Paiva · http://patflower.blogspot.com

Q surpresa esse debate!!!!!!Tantas opiniões…..Sobre "jornalismo" - Ter ou não ter diploma…Penso q em primeiro lugar a q se pensar sobre "jornalismo", pq como disseram:"-Jornalista é aquele q faz jornal." Em plena era da revolução da informática e política mundial para preservação da natureza e economia de papel , devemos pensar sim, em atualizar o curso de "jornalismo", pq as matérias e professores não podem fugir desta realidade: a internet faz parte de nossas vidas, queiram ou não. Em pouco tempo, bebês irão nascer com endereço de email e site pessoal, laptop,iphone e algo q já teve existir no Japão e China. Pelo amor de Deus, atualizem as idéias e os debates. Não pode haver comparações entre "jornalistas" e "blogueiros". Essa divisão não deve existir, visto q as pessoas têm liberdade de expressão(!) em todos os sentidos e lugares!!!!!! E viva a democrática internet!!!!
Abrobrinhas………


PermalinkPermalink 25.10.08 @ 09:52



Comentário de: Jackson Rubem · http://www.obrasileirinho.com.br

No mundo globalizado não deve existir barreiras que impeçam as pessoas de comunicar livremente. Diploma de jornalista não quer dizer que a pessoa esteja apta para exercer a profissão. Muitos jornalistas estão formando em faculdades particulares, sem nunca ter lido um livro na vida, e mal sabem fazer uma redação. A Constituição Brasileira assegura o direito da livre expressão. A regulamentação da profissão de jornalista é da ÉPOCA DA DITADURA MILITAR, quando os militares aptos para controlar as informações e os jornalistas ávidos para eliminar competição, resolveram fazer um acordo. VIVA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO! VIVA OS BLOGS. VIVA O DOSSIÊ ALEX PRIMO, que levantou tão importante discussão.


PermalinkPermalink 07.11.08 @ 16:03



Comentário de: Guará Matos · http://afogandooganso.blogspot.com

Um texto independente e equilibrdo.
Eu não sou jornalista formado, porém escrevo algumas coisas no meu blog: http:afogandooganso.blogspot. E acreditoque o "assassino" de todas as profissões é o tal do corporativismo. Os "donos" de coisa nenhuma, se julgam no direto de dirigir as outras pessoas. Acredito que deve ter regras e serem respeitas, porém conheço tantos formados e que absolutamente, estão mais perdidos do que minhoca em galinheiro.
Abraços.


PermalinkPermalink 26.11.08 @ 16:13



Comentário de: lovantino

tenho um blog, uso o mesmo para divulgar as minhas fotos. Vi a nessecidade de tambéum utiliza-lo para divulgar as notícas da minha pequena cidade.
Não tenho formação jornalistica ( não sou jornalista, obviamente não tenho diploma)
não ganho nada em divulgar as notícas da minha cidade, quero dizer que somente gasto o meu tempo disponível para colocar a minha cidade em evidência. É um absurdo dizer que somente as pessoas que tem um diploma possam relativamente públicar notícias.
viva a democracia, viva a liberdade, vive a constituição, não podemos reprimir ninquem.


PermalinkPermalink 22.12.08 @ 10:37



Comentário de: Carlos Dimitris

se os jornalistas estao preocupados desse jeito imagina eu que sou historiador… eu acho que vou morrer e nao vou ver minha profissao ser regulmanetada… aff


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TITLE: Linkblog Pensar Enlouquece, Pense Nisso.
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Leituras recomendadas…


Todos os nossos fracassos cinematográficos, em Revista Zé Pereira.



Este post contém propaganda, não leia, em Contraditorium.


Do começo, em Para Francisco.


A defesa do diploma de jornalista não é tão importante?, em Dossiê Alex Primo….


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