Sabemos que hoje existe uma variedade muito grande de blogs. A blogosfera complexificou-se de tal forma que as primeiras definições sobre blogs passam a revelar suas limitações. Se em um primeiro momento a imprensa e a academia apressaram-se a comparar blogs como diários pessoais e vincular sua produção a uma atividade confessional de jovens, hoje vemos um crescente número de grandes corporações mantendo blogs como estratégia mercadológica e promocional (veja meu post sobre os dados do Technorati e Ibope). Além disso, os probloggers vêm provando que o blogar pode ser uma atividade rentável, até mesmo sem qualquer relação com as tradicionais instituições midiáticas. Por outro lado, estas mesmas organizações passaram também a explorar a blogosfera. Logo, as visões essencialistas sobre blogs pouco podem ajudar.
Diante dessas atualizações e dos desafios que a blogosfera impõe ao pesquisador, desde o início do ano venho trabalhando em um método que possa delimitar os diferentes gêneros de blogs. A matriz para a tipificação de blogs abaixo é o resultado dessas reflexões (sugiro que, após você ler a argumentação a seguir, visite a versão hipertextual da matriz).

A matriz acima foi sendo lentamente desenvolvida a partir de uma insatisfação com tipologias de blogs que eu conhecia. Algumas delas classificavam blogs por suas temáticas (blog jornalístico, blog educacional, etc.). Outras delimitavam 4 ou 5 tipos e sugeriam grandes categorias como "outros" ou "mistos" (como a de Herring et al). Apesar dessas tipologias terem nos servido por algum tempo, a complexificação da blogosfera acabou inflando essas últimas categorias. Logo, tais tipologias acabaram ficando enfraquecidas com o tempo.
Mas como cheguei àqueles 16 gêneros de blogs? Ao observar os quadrantes de Krishnamurthy (citado por Herring et al), observei que outras dimensões deveriam ser consideradas em um estudo de blogs. Parti então do mais óbvio: existem blogs individuais e coletivos, o que já modifica as condições de produção e administração do blog. A seguir, busquei avaliar como se dão as interações (internas e com as audiências) e a relação do blogar com o trabalho e com o cotidiano (dimensão interações formalizadas/interações cotidianas). Quanto ao conteúdo, busquei investigar se os textos voltam-se para questões dos próprios blogueiros (quando falam de si, de suas relações e das próprias atividades) ou quando tratam de outros assuntos (dimensão dentro/fora). A última dimensão (reflexão/relato) visa observar a estratégia discursiva preferida: existe argumentação crítica ou apenas uma exposição de fatos? Vale lembrar que as linhas pontilhadas e setas no desenho das dimensões visam ilustrar um gradiente, uma variação contínua de intensidades.
A partir do cruzamento dessas dimensões, encontrei 16 gêneros: (1) profissional auto-reflexivo; (2) profissional informativo interno; (3) profissional informativo; (4) profissional reflexivo; (5) pessoal auto-reflexivo; (6) pessoal informativo interno; (7) pessoal informativo; (8) pessoal reflexivo; (9) grupal auto-reflexivo; (10) grupal inforativo interno; (11) grupal informativo; (12) grupal reflexivo; (13) organizacional auto-reflexivo; (14) organizacional informativo interno; (15) organizacional informativo; e (16) organizacional reflexivo.
Para um esclarecimento sobre cada um desses gêneros, visite a versão hipertextual da matriz e clique em cada uma das abas, nas dimensões (área externa da matriz) e nos gêneros. Sugiro que leia também o artigo que apresentei na Intercom 2008 onde detalho cada um dos gêneros. Lá você poderá compreender melhor porque eu classifico tanto um blog de problogger quanto o de um professor como profissional e blogs coletivos de probloggers como organizacionais.
Claro, os 16 gêneros que proponho são "tipos ideais". E como o proprio Bakhtin nos lembra, existe hibridismo entre diferentes gêneros. Contudo, não nos adiantaria querer fazer um mapa do mesmo tamanho do território (encontraríamos mais de 70 milhões de gêneros?!!!).
Em outro artigo que escrevi ("Os blogs não são diários pessoais online: Matriz para a tipificação da blogosfera") eu detalho a construção da matriz. Este trabalho (que foi escrito antes daquele da Intercom) sairá nas próximas semanas na Revista da Famecos (depois publico por aqui).
Espero que os gêneros que proponho e as dimensões de análise sugeridas provoquem novas questões em nosso contínuo debate sobre a blogosfera.
PS: Quero agradecer Elisa Höerlle pelo design hipertextual da matriz e Camile Giordani pelos retoques finais.
Agora que o Technorati terminou de publicar a análise dos resultados do relatório State of the Blogosphere 2008, quero fazer alguns comentários. Não vou repetir o que você pode ler direto na fonte, mas sim confrontar os dados coletados com alguns mitos sobre a blogosfera.
Conforme eu já tinha anunciado em julho, desta vez a pesquisa tem um cunho qualitativo, baseada em um longo questionário respondido por 1209 blogueiros de 66 países (veja aqui um pouco do método utilizado). Como relatei anteriormente, o questionário era dinâmico, ou seja, as perguntas futuras dependiam de respostas anteriores. Por exemplo, se alguém respondesse que utilizava blogs para fins corporativos, novas perguntas sobre essa prática eram apresentadas. Na verdade, essa foi uma dos encaminhamentos que mais me surpreendeu positivamente: questionar os entrevistados se eles usavam o blog de forma pessoal, profissional ou corporativa. Há muito tempo critico (aqui mesmo no blog, inclusive) a definição de blogs como diários pessoais. Logo, estava muito curioso para ver os resultados.
Em tempo, aproveito para lhe convidar para ver amanhã a minha proposta de gêneros de blogs, na qual venho trabalhando há muitos meses.
Blogs são diários pessoais?
É interessante que enquanto a blogosfera cresce e se complexifica, as definições sobre blogs ainda seguem repetindo a ladainha de que tratam-se de versões online de diários pessoais e que os posts em sua maior parte são confessionais.
O questionário enviado pelo Technorati para uma amostra de blogueiros perguntava logo no início sobre como eles identificavam seus blogs:
- Pessoal: sobre tópicos de interesse pessoal não associados com o trabalho;
- Profissional: blog sobre a indústria ou profissão às quais o blogueiro é filiado, sem que o blog seja da própria corporação;
- Corporativo: blog oficial da corporação.
A pesquisa revelou que de 5 blogueiros, 4 disseram que blogam sobre interesses pessoais. Antes que você diga "viu, eu disse que blogs eram diários pessoais!", veja o gráfico seguinte.

Como esses perfis não são mutuamente exclusivos, veja que a soma dá mais de 100%. Isso quer dizer que uma pessoa pode ter mais de um blog ou até mesmo falar sobre suas preferências pessoais em seu blog profissional. Logo, observe pelo outro lado, quase metade dos entrevistados dizem blogar profissionalmente (os probloggers, por exemplo) ou usam um blog/programa para tratar de suas profissões. Além disso, 12% dos entrevistados escrevem em blogs corporativos. Esses números nos mostram que em poucos anos morreu a definição simplista que blogs são o mesmo que diários íntimos online.
Blogs são confessionais?
O Technorati confirmou o óbvio: blogueiros escrevem sobre tópicos variados. Assuntos pessoais e profissionais são igualmente populares. Por outro lado, derrubou a idéia de que a grande maioria dos posts tem cunho confessional. Você já deve ter lido (e talvez escrito) muitos textos defendendo o tom confessional como essência dos blogs. Pois esta pesquisa mundial nos mostra justamente o contrário.
Ao questionar os sujeitos sobre quais estilos caracterizavam os textos publicados, metade dos blogueiros afirmou que seu estilo é sincero, conversacional e bem-humorado. O posicionamento de um especialista ("expert") foi também muito citado. No outro extremo, exatamente no final da curva, encontra-se o tom confessional. Menos de 1 em 5 blogueiros assumem esse estilo como típico de seus posts. A pesquisa mostrou que o tom confessional é mais comum entre pessoas com menos de 34 anos e entre blogueiros da Ásia. Mesmo assim, o valor bruto total é baixo.

Os analistas do Technorati também apontam que apesar dos blogs serem com freqüência identificados como espaço de fofocas e intrigas, essa postura pouco apareceu no relatório. Confira a listagem dos tópicos preferidos:
Claro, vale lembrar, expressão pessoal não é o mesmo que confessional. Ou seja, ser sincero (o estilo mais citado) não é o mesmo que falar abertamente de si. E, como se vê abaixo, a manifestação de opinião pessoal sobre os tópicos de interesse e o compartilhamento de conhecimentos estão entre as principais razões para blogar.

A confissão pública também esbarra no receio quanto às repercussões da exposição na Web. Um terço da amostra preocupa-se com sua privacidade, com o que seus amigos e familares pensarão deles. Sim, sabemos que isso varia de cultura para cultura. A pesquisa mostrou que os americanos preocupam-se menos com a privacidade que outros países. Suponho, contudo, que no Brasil essa preocupação é ainda menor. Como poucos foram os brasileiros que responderam a pesquisa, não temos dados ainda para confirmar essa tendência na blogosfera nacional.


De todo modo, é importante ressaltar mais uma vez que os blogs foram se distanciando da imagem de muro de lamentações. Mais do que isso, dentre as razões de blogar listadas anteriormente pode-se observar o crescimento de motivações profissionais e promocionais. O relatório inclusive mostra que muitos blogueiros já obtiveram vantagens (como receber presentes e ser convidado para entrevistas e palestras) por sua atividade na rede, incluindo maior reconhecimento profissional. Os gráficos abaixo detalham esses convites e vantagens.


Vale citar aqui uma das conclusões do Technorati sobre o "amadurecimento" da blogosfera:
"But as the Blogosphere grows in size and influence, the lines between what is a blog and what is a mainstream media site become less clear. Larger blogs are taking on more characteristics of mainstream sites and mainstream sites are incorporating styles and formats from the Blogosphere."
Ainda que o relatório de 2008 seja um grande avanço e uma importante contribuição para nossa compreensão sobre a blogosfera, é importante reconhecer que a amostra entrevistada foi selecionada dentre aqueles blogueiros registrados no Technorati. Logo, aqueles que não sabem o que é Technorati ou que não conhecem o sistema de registro (ou mesmo que não dão bola para isso), não puderam ser considerados. Podemos supor, portanto, que pequenos blogs e os blogueiros que não ligam ou não conhecem os serviços do Technorati não estão representados na pesquisa. Será então que os valores sobre tom confessional e blogs pessoais seriam muito maiores? Não sabemos. Mas quero insistir que isso não muda em nada a caduquice das definições de blogs como sinônimos de diários pessoais online.
Blog é coisa de rico e classe média?
Será que esse papo todo de blogs não faz sentido apenas entre as classes mais altas do Brasil?
Confesso que fiquei surpreso com essa tabela recentemente divulgada pelo Ibope:

Principais atividades realizadas na Internet, por Classe Social
Conforme o relato do blog Idéia 2.0 (do IDG Now), "Um dos fenômenos qualitativamente mais interessantes na evolução recente do uso da Internet no Brasil é sua utilização pelas camadas de baixa renda. De acordo com o IBOPE Mídia, esse grupo já respondia por 50% do total de usuários da Internet no final do ano passado, contra 39% em abril de 2004. Os dados do Comitê Gestor apontam que, graças à explosão do acesso em LAN Houses, 38% das pessoas integrantes da classe C, e 14% das classes D/E, já utilizam a rede com alguma regularidade. "
Lembro agora de meu amigo Vinícius Andrade Pereira comentando na Intercom 2008 que as LAN Houses vêm tendo um papel importante na chamada "inclusão digital" e que não está sendo abordada em estudos recentes.
Sem querer aprofundar esse debate, quero apenas chamar a atenção para a pequena diferença que existe na atividade "Criar/Atualizar Blogs" entre as classes sociais A, B, C, D/E.
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Antes de terminar, quero lembrar que amanhã publicarei aqui um post sobre minha proposta sobre gêneros de blogs, que busca refletir a imensa diversidade da blogosfera.
Se você circula pelo mundo da tecnologia, e mesmo que não use um Mac, já se divertiu com a campanha da Apple em que um gordinho conservador diz ser um PC e um cara descolado se apresenta como Mac. A série de comerciais tirava um sarro de quem usa Windows, com muita ironia e com orçamento baixíssimo (ou seja, pura criatividade). Veja abaixo alguns exemplos.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=C5z0Ia5jDt4]
E que tal esse com Gisele Bündchen?
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=KNnX6XRQBec]
Depois de muitos anos, a Microsoft decidiu contra-atacar. Primeiro lançou os vídeos abaixo, nos quais, para tentar fazer alguma graça, Bill Gates chega a rebolar e imitar um robô. Nem o aposentado humorista Jerry Seinfield (que usava macs em seu seriado) conseguiu salvar esses vídeos.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=afR5J7eskno]
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=gBWPf1BWtkw]
Já li algumas "leituras semióticas" desses comerciais, que tentam desvendar o sentido oculto nos roteiros! No primeiro vídeo, os sapatos apertados que Gates experimenta representariam a Apple. Já disseram que a velhinha chata do segundo comercial seria Steve Jobs, já que ela trabalha há 12 anos na casa, o mesmo tempo de Jobs na Apple. Enfim…não tenho paciência para fazer um esforço para vislumbrar onde essa desastrada campanha queria chegar. Tanto é que foi cancelada.
Agora, a Microsoft lança novos comerciais, mostrando pessoas comuns repetindo o bordão "Hi, I'm a PC" (viaUbimídia). De fato, a campanha é mais criativa. Contudo, chama ainda mais atenção para os comerciais anteriores da Apple.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kkZdkHylJ3w]
Nessa briga videográfica, para mim quem fica com a última palavra é a inspirada quadrinista Nitrozac. Ela sim sabe o que diz!

Sergey Brin, que fundou o Google ao lado de Larry Page, abriu ontem seu blog Too. Se Google era uma brincadeira com o número "googol" (10100), "Too" é um trocadilho com outro número, este muito menor: "two" (2).
Em sua estréia, Brin comenta que sua mãe tem Síndrome de Parkinson e reflete que também poderá desenvolver a doença no futuro, em virtude de possuir a mesma mutação gênica que sua mãe.
É interessante encontrar esse post absolutamente confessional dando início ao seu blog pessoal. Para muitos, esses titãs do mundo tecnológico parecem figuras mitológicas inalcançáveis e indestrutíveis. O texto, pelo contrário, mostra mais uma vez porque o Google tem um espírito tão diferente daquele da Microsoft.
Vi domingo no Discovery Channel um documentário sobre o nascimento da chamada "guerra dos browsers". Dentre as imagens de arquivo, uma delas me chamou a atenção: o depoimento do Bill Gates na justiça negando com desculpas estapafúrdias que teria jogado sujo para destruir o Netscape (o que de fato acabou conseguindo).
Mas a guerra dos browsers não terminou. Além do Firefox vir progressivamente ganhando adeptos, e o Safari manter uma pequena fatia do mercado, agora o próprio Google decidiu tornar o embate ainda mais divertido…e criativo.
Se você usa Windows e ainda não instalou o Chrome (por que não???), com certeza já leu muito sobre ele. Mas o que pretendo neste post é fazer uma breve análise da interface desse novo navegador. (Em tempo: leia também minha análise da interface do Firefox 3).

Após usar o Chrome umas duas ou 3 vezes, a página inicial do navegador passa a lhe mostrar miniaturas das páginas que você mais visita (B). De fato, o Opera tinha algo parecido. Mas, enfim, quem usava o Opera?
Essa página inicial, com o mesmo "look and feel" de um site, apresenta no lado direito uma lista dos últimos favoritos visitados (C) e um campo para buscar endereços no histórico (D). Prático, não?

O botões de navegação (avançar, voltar, recarregar) são muito simples, mas "charmosos", com linhas com extremidades arredondadas (A). Como se vê, todo o browser mantém essa tonalidade azulada, o que combina com o estilo Windows. Mas será que as futuras versões para Mac e Linux manterão esses tons azulados?
Diferentemente de outros programas, o mesmo campo do endereço da página, serve também para realizar buscas na Web (B). O Google Suggest é usado nessa barra, indicando palavras-chave e sites a serem encontrados na rede. Apesar do Google ser o mecanismo de busca padrão, pode-se alterar essa definição para outro serviço.
É preciso habilitar a barra de favoritos (C), pois ela não aparece logo que se instala o browser. Ela tem um estilo diferente dos outros navegadores, pois não tem o velho jeitão de barra cinza. Logo, parece muito bem integrada à parte superior da interface, que inclusive ocupa pouco espaço na tela.
O Chrome permite a importação de favoritos de outros browsers, como também a criação de pastas na barra de favoritos. E, como no Firefox 3, pode-se alterar a ordem dos favoritos em uma pasta arrastando-os para a posição desejada. A pasta "Outros favoritos" (D) mantém todos os bookmarks que não forem posicionados naquela barra.
Já as abas, como já foi muito noticiado, foram parar no topo da tela. Não parece óbvio isso? Pois é, mas só os designers do Google pensaram nisso.
Mas esse reposicionamento é apenas um detalhe. Todo mundo também já leu que cada aba é gerenciada individualmente. Se uma delas trava, em virtude de um site problemático, o resto do browser segue funcionando. O mais legal do ponto de vista do design, contudo, é a forma com que se pode arrastar as abas para os locais desejados (E). Não apenas se pode agrupar abas em novas posições, como também se pode transformá-las em novas janelas. Basta arrastar a aba para baixo (veja o detalhe ao lado). E tudo funciona super bem, sem trancos no desenho da tela.
Ao se clicar em um link segurando "control" o site abre em uma nova aba. OK, todos browsers recentes fazem isso. O diferencial é que no Chrome a aba se abre ao lado daquela originária, e não ao fim da barra de abas. Faz sentido, pois mantém o que faz parte do mesmo contexto lado-a-lado. Essas são as pequenas definições no design de interação que fazem uma grande diferença.
Diferentemente do que tinha falado antes, a reabertura de abas fechadas recentemente é possível, mas funciona de forma distinta do Firefox. Ao se abrir uma nova aba, a página inicial lista aquelas recém fechadas (obrigado pela lembrança Tiago Sartor). Infelizmente, não existe uma função para abrir abas recém fechadas, como no Firefox (o Safari tampouco tem esse útil serviço). É preciso recorrer ao histórico. Por outro lado, o Chrome não pergunta se você realmente quer fechar todas as abas simultaneamente quando se clica no botão de fechamento da janela. Tanto Firefox e Safari fazem isso, o que previne muitos "acidentes".
O Chrome, ao meu ver, é um importante passo na sedimentação de um caminho que certamente assusta a Microsoft: a potencialização de aplicativos online. Muitos supõem que o Google lançará no futuro um sistema operacional. Ou seria melhor para eles ter um browser, que funciona em qualquer OS, mas que agiliza o uso de serviços como GoogleDocs e GMail? Bem, o Chrome não apenas oferece uma sólida estrutura para o funcionamento de Java e Javascript, como também permite a criação de ícones no desktop para sites que fazem uso intenso das novas tecnologias da Web 2.0. Para testar isso, criei um "atalho de aplicativo" do Docs e do Gmail.
Ao clicar no ícone do primeiro, o GoogleDocs tomou conta de toda a tela, realmente parecendo um aplicativo instalado na máquina. Contudo, assim que selecionei um texto no qual eu estava trabalhando, uma aba foi criada em uma nova janela do browser. Assim, perdeu-se a sensação de se trabalhar em um aplicativo online. No caso do Gmail, contudo, tudo pareceu funcionar melhor.
Assim como no Firefox 3, o browser oferece-se para salvar seu username e sua senha apenas na página seguinte, após o preenchimento do formulário. É realmente melhor tomar essa decisão depois, na página de chegada, e não na página de partida.
O modo de navegação anônimo (sem cookies e rastros no histórico), muito útil em laboratórios públicos, lan houses (como também para funcionários dispersos e namorados infiéis!), faz a interface ficar acinzentada e inclui o ícone de um personagem misterioso. Certamente isso não faz diferença na funcionalidade, mas dá um excelente (e divertido) feedback visual.
Finalmente, quero também mencionar o funcionamento do campo de busca interno. Vejam que ele aparece no canto superior direito, com um bonito desenho com cantos arredondados. O mecanismo apresenta quantos resultados foram encontrados e pinta todos eles de amarelo. As flechas que indicam "próxima" e "anterior" rolam a tela revelando cada ocorrência, marcando-as em laranja. Excelente.

É uma pena que ainda não há versão do Chrome para Mac 
PS: Sim, o Internet Explorer 8 está sendo lançado. Mas não vou resenhá-lo. Preconceito? Acertou!
O que faz um barman para misturar as diferentes bebidas necessárias para a preparação de um drink? Basta sacudir a coqueteleira.
O que faz um ouvinte para misturar a ordem das músicas em em seu iPod? Até 2 dias atrás, precisava achar a função shuffle no menu inicial. Mas, com o lançamento do novo iPod Nano, a Apple mais uma vez inova no design de interação: para misturar as músicas, basta sacudir o aparelho! Não gostou da lista randômica gerada? Sacuda de novo.
A primeira geração do iPod, ainda com tela em preto e branco, já era um exemplo de interface gráfica de alta usabilidade. Além de apresentar um agradável design de apresentação baseado em texto, o design de informação já era um show de organização e intuitividade. Fora isso, a click wheel modificou a experiência sensorial, facilitando a seleção das diferentes funções com um mínimo de controles.
Nas gerações seguintes, a click wheel deixou de girar (mas manteve a mesma funcionalidade), a largura do aparelho diminuiu, a tela cresceu e a família de modelos se diversificou.
Com o iPod Touch, a Apple também nos ensinou que podemos usar uma tela sensível ao toque com mais de um dedo ao mesmo tempo. Agora, o mesmo sensor accelerometer do iPod Touch foi incorporado ao novo iPod Nano. Ele permite que a tela assuma a posição paisagem assim que o aparelho é girado.
Se você é estudante de design, vale acompanhar de perto o desenvolvimento dos produtos da Apple. Além de interfaces gráficas de muito bom gosto (ainda mais agora, com as telas de alta resolução, mesmo no pequeno Nano), a empresa reinventa a todo momento as formas de controle dos aparelhos. Trata-se de um cuidado com a experiência completa da interação.
Você entende porque nunca tive um MP3 que não seja um iPod e faz 10 anos que não toco em um PC por mais de 10 minutos (tempo máximo de tolerância, antes de querer quebrar o Windows)?
Em outubro do ano passado participei de uma mesa do excelente evento "Além das Redes de Colaboração". Pois agora os textos das palestras estão disponíveis no livro homônimo organizado por Nelson Pretto e Sérgio Amadeu. Inspirado pelo mesmo espírito colaborativo que permeou todo o seminário, o livro tem licença Creative Commons e pode ser baixado livremente.
O volume traz um capítulo de minha autoria: "Fases do desenvolvimento tecnológico e suas implicações nas formas de ser, conhecer, comunicar e produzir em sociedade". Nesse texto, eu parto de uma tipologia de André Lemos sobre 3 fases do desenvolvimento tecnológico (indiferença, conforto e ubiqüidade) e discuto as transformações (a) no conhecimento, (b) na autoria, (c) na educação, (d) na economia, (e) nos processos midiáticos; além disso, trato (f) das características da Web nos períodos do conforto e da ubiqüidade e apresento (g) as metáforas usuais de cada fase.
Para esta discussão, eu mais uma vez uso um mapa mental para ilustrar as idéias em debate. Em um post anterior eu já tinha publicado esse mapa, mas fiz algumas atualizações. Veja aqui uma versão com maior resolução.
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Durante a Intercom 2008, que ocorre nesta semana em Natal, estaremos apresentando o trabalho "Análise de citações dos trabalhos da Compós 2008″. Trata-se de um estudo bibliométrico que apresenta, entre outros dados, os autores, títulos (trabalhos, livros, capítulos) e periódicos mais citados nos trabalhos apresentados na Compós deste ano. Para a realização da pesquisa, foram analisadas as 2111 citações encontradas nos 120 trabalhos apresentados.
Os resultados dessa pesquisa - desenvolvida em parceria com Ida Stumpf, Gilberto Consoni e Stefanie Carlan da Silveira - serão debatidos no MULTICOM: III Colóquios Multitemáticos em Comunicação, na tarde desta quarta-feira. Lá estaremos ao lado de Maria Immacolata Vassallo de Lopes e Richard Romancini, que fizeram um estudo semelhante com os trabalhos da Compós 2007. O professor Luiz Martino, da UNB, apresentará uma discussão dos resultados apresentados.
Encontre abaixo alguns dados que lá apresentaremos. Esses e outros resultados são analisados no artigo que publicaremos neste semestre.
A Tabela 1 descreve o volume de citações em cada Grupo de Trabalho (GT), separando os autores citados por nacionalidade ("misto" significa que o trabalho citado foi escrito em co-autoria por pesquisadores nacionais e estrangeiros).



A tabela abaixo mostra os autores mais citados na Compós, descontadas as auto-citações.
