2008
Pois não é que no final da semana passada ficamos sabendo de mais uma investida da Microsoft em sua inglória corrida atrás do Yahoo? Durante toda essa história, digna de uma novela mexicana, as ações do Yahoo caíram, investidores ficaram furiosos e até altos executivos pularam fora da empresa em busca de novas aventuras. Eis que, enquanto as investidas do garanhão prosseguiam, um romance paralelo acabou se concretizando entre Yahoo e o "come-quieto" Google. Mesmo assim, tem gente achando que a novela ainda não terminou e que o garanhão Microsoft voltará ainda mais sedutor. Mas já se sabe que a Microsoft sentiu o gosto amargo da traição. Sem suportar o ar vitorisoso do concorrente, já pensa em se vingar.
Mas o que se aprendeu durante todo esse dramalhão? Primeiramente, ficou claro que o Yahoo precisa urgentemente de uma reestruturação. Apesar de seu pioneirismo na Web, a empresa deixou o Google ganhar terreno em muitas áreas de sua atuação. Não estou nem falando do mecanismo de busca, onde o Google realmente venceu por sua competência e inovação. O Yahoo foi perdendo sua primazia em serviços como webmail e portal personalizado. Enquanto o MyYahoo permanecia estagnado, fortaleciam-se o Google Calendar, contatos do Gmail, Google IG, Google News,Google Reader, etc.
Além disso, ficou claro que o Yahoo perdeu o foco pelo caminho, mantendo uma infinidade de serviços, muitos deles redundantes. Diante de tudo isso, a imagem imaculada do fundador Yang sai enfraquecida.
O mais divertido é observar a Microsoft esperneando. Creio que a gigante do software se deu conta que seu modelo de negócios está com os dias contados. Vender software em caixinhas em breve vai parecer muito antiqüado.
Novas distribuições Linux vêm se tornando finalmente mais fáceis de usar. Mesmo assim, a inércia privilegia o Windows e o Office. Em outra frente, contudo, a Apple deve conquistar uma maior fatia do mercado, usando o iPhone como sua vitrine de usabilidade. Mas a Apple e Linux são oponentes antigos.
O que mais assusta a Microsoft é o aparecimento de programas online como Google Docs. Até a própria Adobe, outra gigante da indústria de software, já entrou no mercado de programas online com o Photoshop Express. Ou seja, em um futuro não tão distante, esperar anos por uma nova versão bugada (como foi o caso do Windows Vista) vai parecer patético. Será sempre melhor poder contar com programas sendo atualizados todos os dias na rede.
Como a Microsoft nunca se deu muito bem na Web, suponho que a intenção de compra do Yahoo (de todo ele ou apenas uma parte) vai além da intenção de lucrar com propaganda online, que subsidia os serviços gratuitos na rede. Quem sabe eles não estão atrás de um know-how que não possuem, o de atuação no mercado de serviços online? Se eles não se mexerem, vão ficar na arquibancada assistindo a lenta e gradual mostra de produtos do Google. E, quem sabe, o famoso sistema operacional do Google?




