2007
A Análise de Redes Sociais (SNA) de vez em quando é chamada de um método sem uma teoria. Mesmo assim, ela vem entusiasmando nós pesquisadores da cibercultura por poder apresentar uma série de métricas e grafos (como o reproduzido abaixo) para o estudo de redes sociais, cujas estruturas são explicitadas na Web através de links.
Por outro lado, o blog BubbleGeneration traz uma provocativa crítica e postula: "o grafo não é a rede", em um claro trocadilho com a máxima "o mapa não é o território", de Korzybski. Segundo este filósofo, a abstração de algo não é a coisa em si. Em outras palavras, é como se um artista fizesse uma escultura observando uma modelo e mais tarde defendesse que a escultura é a própria modelo (usei essa ilustração neste artigo sobre inteligência artificial).
Em um minúsculo post, o BubbleGeneration defende que o grafo é diferente da rede social, pois o primeiro é um estoque, enquanto o segundo é um fluxo.
De toda forma, entendo que a SNA pode oferecer dados quantitativos sobre a estrutura de uma grande (ou enorme!) rede social a partir do registro dos links e suas direções (ou seja, se um nó envia ou recebe um link, ou se trata-se de uma conexão recíproca) em um determinado momento. Contudo, as diferentes fórmulas que podem ser aplicadas a esse retrato não podem revelar a dinâmica social que extravasa a (ou se esconde na) mera fotografia da interconexão explícita entre os nós.
Ou seja, o problema do uso de grafos sociais emerge quando se passa a acreditar que eles são uma prova suficiente para a interpretação dos relacionamentos entre as pessoas. Essa postura pode perigosamente travestir o carcomido corpo estruturalista com nova e sensual roupagem!
Para ilustrar de forma lúdica o problema em se tirar conclusões definitivas sobre a dinâmica social sem conduzir-se uma observação qualitativa durante um certo período de tempo, responda as perguntas a seguir baseando-se na imagem abaixo:

1 - A família Jones é formada pelo senhor Jones, senhora Jones e Johnny;
2 - Johnny está fazendo seu dever de casa enquanto assiste TV;
3 - A senhora Jones está tricotando um blusão;
4 - Eles têm um gato;
5 - Eles estão olhando um programa noturno de TV.
A imagem e essas perguntas (reproduzo apenas algumas delas aqui) foram publicadas em um livreto sobre comunicação em 1968. Apesar de alguns pressupostos daquele texto estarem desatualizados, esse exercício ainda é bastante interessante. Veja abaixo as respostas que o antigo livreto traz para as questões anteriores:
1- Você não sabe de fato se esta é a família Jones, nem tampouco se existem outros membros da família que não estão presentes;
2 - Você não tem como saber se Johnny está fazendo dever de casa ou não. Você sabe apenas que ele tem um livro diante de si;
3 - Você não pode ter certeza que trata-se da senhora Jones, nem o que ela está tricotando;
4 - Poderia ser um gato do vizinho "sentindo-se em casa";
5 - Você não sabe se é noite ou não, apesar das luzes estarem ligadas. Pode ser meio-dia, mas as cortinas foram fechadas.

Enfim, creio que a SNA pode coletar e analisar grandes volumes de dados. Esse método e suas métricas podem oferecer importantes indícios sobre os relacionamentos mantidos em serviços na Web como blogs, redes de relacionamento, fóruns, etc. Por outro lado, é preciso conduzir em paralelo, ou em um momento seguinte, investigações qualititativas (como análise das conversações, entrevistas, etc.) para o estudo daquilo que os grafos estáticos não podem revelar… antes que as dinâmicas sociais sejam reduzidas à troca econômica de links. Caso contrário, o estudo quantitativo de laços, me perdoem o trocadilho infâme, vai apenas encontrar nós cegos.
to be continued…
Compartilhe:
Envie este post para um amigo |
Salve no del.icio.us |
Assine o blog (RSS) |
Receba novos posts por e-mail





