2007
A recente publicação do Techmeme Leaderboard tem dado o que falar nesta semana. Trata-se de uma lista das 100 fontes de informação mais populares na Web, publicado pelo site agregador de notícias sobre tecnologia e negócios Techmeme. A diferença deste ranking para o Top 100 blogs do Technorati é que ele se baseia em quantas vezes cada fonte aparece no agregador de notícias durante um mês, em vez de apenas contar quantos links recebe (como faz o o primeiro). Outro diferencial é que o Techmeme não lista apenas blogs, mas também analisa sites de tradicionais instituições midiáticas (como jornais, revistas, agências de notícias, etc.). Essa mistura de blogs e sites de grandes corporações no ranking confirma que existe hoje uma oferta muito variada de fontes de informação na Web e, por outro lado, que o público busca de fato informações tanto na grande mídia quanto fora dela.

Deve-se notar que para o Techmeme Leaderboard o blog Bits do New York Times é listado em separado do "site-mãe", pois o ranking avalia a marca utilizada e não quem é seu proprietário. Além disso, cada blog de uma mesma rede de blogs é listado em separado.
Algumas críticas foram feitas ao método utilizado. Mas, como lembra o próprio criador do agregador de notícias, Gabe Rivera, toda forma automatizada de julgamento de informações na rede (incluindo, claro, os algoritmos utilizados pelo Google e Technorati) apresentam viezes (bias). É também interessante observar que sites de muita importância na Web no que toca a divulgação e discussão de notícias sobre tecnologia, como o Slashdot, não figuram no ranking, pois baseiam-se principalmente em links para outras fontes, em vez de oferecer conteúdo próprio.
Dentre as críticas sobre esse novo ranking, Ben Metcalfe aponta que existem poucos blogs na listagem. Mas o Techmeme não se dedica tão somente à análise de blogs, como faz o Technorati. Logo, não se trata de um estudo sobre a blogosfera apenas. De toda forma, o Techmeme Leaderboard pode dar um bom indicativo do "mix" dos principais players no segmento (desculpem pelo jargão marketeiro!).
Os blogs morreram?
Feita a apresentação do ranking, o que me interessa discutir é se a blogosfera já não é mais o que pensávamos que ela fosse. E, mas especificamente, debater a frase de efeito do reconhecido blogueiro Robert Scoble de que os blogs morreram. Essa afirmativa parte da definição de blogs como voz autêntica de um indivíduo que reflete sobre fatos de sua vida e seus interesses. Segundo Scoble, a profissionalização de alguns blogueiros, a produção de posts por equipes de redatores, a contratação de jornalistas e a conversão de blogs em empresas midiáticas atestariam a falência da própria concepção de blogs.
No mesmo caminho, Richard Macmanus afirma que seu Read/Write Web deixou de ser um blog e se converteu em uma empresa midiática. Para ele, não se pode comparar blogs individuais, escritos no tempo livre, com outros que converteram-se em novos negócios midiáticos. Estes últimos passam a contar com equipes de redatores, cujos textos seguem um determinado perfil editorial e respondem a interesses mercadológicos (logo, não necessariamente exprimem a voz de um indivíduo). Macmanus defende que, da mesma forma que não se pode comparar maçãs e laranjas, tampouco se pode equiparar o blog Scripting News com o Techcrunch (que se transformou em uma empresa da nova mídia). E, para complicar, ele diz se reconhecer como um blogueiro (que hoje bloga muito menos, pois está mais ocupado adminstrando a empresa), mas que o Read/Write Web não é mais um blog!
Eu discordo dessa diferenciação entre blog, blogar e blogueiro. Não creio que simplesmente dizer que o Read/Write Web não é mais um blog seja esclarecedor. Conforme busquei esclarecer em um post anterior, existem diferentes gêneros de blogs. Sendo assim, defini-los como meros registros pessoais é não somente reducionista quanto potencialmente dogmático ("os blogs deveriam ser assim"). Como sabemos, em um meio podem circurcular uma enorme gama de informações. Ou você já viu alguém dizendo que televisão é humor, rádio é jornalismo, jornal é horóscopo? Portanto, a solução de Macmanus parece simplista e foge ao debate da maneira mais confortável.
Por outro lado, Macmanus e Scoble têm toda a razão em salientar que blogs também se tornaram um negócio rentável. Veja-se por exemplo a notícia que acabo de ler: o TechCrunch deve ser comprado pela CNet por mais de 100 milhões de dólares. Outros grandes blogs devem seguir o mesmo caminho. Se esse movimento realmente irá acontecer ainda ainda está por ser confirmado. Mas podemos observar que existe uma amplitude muito grande de usos da interface blog (posts listados em cronologia inversa, ferramenta de comentários, blogroll, etc.).
Probloggers, blogs que se transformam em empresas e blogs organizacionais (outro gênero que se afasta totalmente da definição de página pessoal) são minoria na blogosfera, mas não estão fora dela, claro! Ora, não podemos usar esses rankings de blogs que tanto circulam na Web para concluir como é a blogosfera, pois eles descrevem apenas aquela minoria. Suponho que os blogs pessoais constituam a maior fatia de fato, mas tampouco são eles próprios a definição da blogosfera.
Conclusão: é preciso hoje duvidar de qualquer definição que delimite blogs em apenas um ou outro gênero ou através da descrição de uma determinada condição de produção.
Technorati tags: blogs, Techcrunch, Techmeme, Technorati, ranking
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