2007
Esta é a segunda parte de uma discussão que comecei em um post anterior.
Como comentei anteriormente, não podemos comparar um jornal impresso, por exemplo, com qualquer blog. Seria injusto pois apenas uma parte menor da blogosfera se dedica ao jornalismo. Sim, pode-se comparar a linguagem jornalística ou as rotinas de produção de uma emissora de rádio dedicada a notícias e de um blog jornalístico. Mas seria incorreto confrontar este blog que você agora lê como jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Se os objetivos são diferentes, tanto de quem escreve quanto de quem lê, como fazer tal análise comparativa? Logo, e mais uma vez, a pergunta se blogs são uma forma de jornalismo não faz sentido. A repetição da questão não apenas é cansativa, mas também insiste em uma visão equivocada que resulta em debates maniqueístas e não raro preconceituosos.

Hoje buscamos informações e entretenimento nos mais diversos veículos. Eu leio jornal todas as manhãs, revistas nos fins-de-semana, assisto alguns telejornais, dirijo escutando a rádio BandNews e durante o dia consulto diversos blogs (alguns informativos, outros de clipping, outros pessoais, alguns de humor, etc.). Ou seja, tenho hoje muito mais acesso a informações do que tinha antes. Mas, apesar de ter acesso a jornais online e a um blog "clandestino" com os principais articulistas do país, prefiro ainda a interface do papel, esticada na mesa do café ou no sofá, enquanto "sorvo" um bom chimarrão! Ou seja, cada veículo e interface nos oferece experiências e informações diferentes.
Essa grande quantidade veículos de informação, além do acesso na rede a fontes primárias e os espaços de debates na internet, nos ajudam a criar nossa própria visão dos fatos. Com o tempo, passamos a dar maior importância a certos veículos, programas, articulistas, etc. Ora, credibilidade é algo construído no tempo. Quanto aos blogs, muitos são aqueles que passam a ser respeitados quanta à qualidade de suas informações.
Para me manter atualizado sobre tecnologia, além de sites como CNet, IDGNow, Reuters, Guardian Unlimited, Wired News, também consulto o excelente site colaborativo Slashdot e blogs como Boing Boing, Engadget, Gizmodo, Garota sem Fio, etc. Este último blog, mantido pela Bia Kunze, não apenas relata notícias publicadas em sites especializados em mobilidade, mas também traz periodicamente resenhas e testes feitos pela blogueira, que recebe uma quantidade de releases e celulares para testar. A Bia é dentista (hoje também faz faculdade de jornalismo) e se tornou uma referência nacional em matéria de smartphones.
Podemos supor que os blogueiros sem formação em jornalismo não estão preocupados com aquele contraste entre jornalismo e blogs. No debate organizado pelo Estadão, Edney Souza, do Interney, inclusive sentenciou que blogs jornalísticos são apenas aqueles escritos por jornalistas. Ainda que isso possa ser discutido pelos estudiosos e defensores do webjornalismo participativo, a estratégia do Edney era avançar a reflexão sem ficar patinando no mesmo lugar.
Mas o que nos importa aqui é que credibilidade não é um conceito que se aplica apenas ao contexto jornalístico. De fato, muitos blogueiros buscam tornar-se referência em determinado nicho. Muitas vezes, acabam cobrindo lacunas deixadas pela mídia institucionalizada. Nestes casos, credibilidade é um valor almejado em cada texto publicado.
Vale agora lembrar a defesa de Howard Rheingold, em seu livro Smart Mobs, de que na Web a reputação é um valor fundamental. Em uma economia da dádiva, onde os bens são oferecidos livremente e não se espera uma troca monetária, a reputação no grupo pode constituir-se no próprio alvo a ser alcançado. Para um blogueiro, obter acessos continuados (mesmo que isso não passe de poucas centenas de page views) e ser reconhecido como referência em um dado nicho pode ser justamente o resultado que ele espera.
Por outro lado, reputação não é o mesmo que credibilidade. O blog humorístico cocadaboa tem alta reputação, mas pouca ou nenhuma credibilidade (em virtude de suas pegadinhas). O blog Kibe Loco, que já foi inclusive capa de revista semanal, tampouco é produzido visando ampliar sua credibilidade. Já sua reputação é reconhecida pelas agências de propaganda, que passaram a ver a importância da audiência mantida naquele blog.
Reputação na blogosfera, no entanto, não é sinônimo de grandes audiências nem lucros. Um quadrinista amador, por exemplo, pode ter ter uma pequena mas fiel audiência, que vibra com seus quadrinhos e discute ativamente o que ele escreve sobre essa prática.
E segue o debate…

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