2007
Como já pude discutir antes, um blog/programa pode mediar a publicação de blogs/textos dos mais diferentes gêneros, sendo que o jornalístico é apenas um deles. Logo, é justo cobrar credibilidade de qualquer blog?
Alguns blogs notabilizam-se justamente por investir no humor. Claro, não se pode cobrar informações verdadeiras de um humorista. Até hoje, por exemplo, ninguém criticou o Casseta&Planeta por falta de credibilidade! Então que validade tem uma generalização que insiste que blogs não têm credibilidade?
Desculpem o lugar-comum, mas existem blogs para todos os gostos. Enquanto sempre consulto os blogs Read/Write Web e Garota sem fio em busca de informações atualizadas sobre tecnologia, o blog Cocadaboa é uma excelente pedida para a diversão. É uma pena que nem todo jornalista sabe disso. Alguns já foram vítimas das pegadinhas de Mr. Manson. Vale lembrar os boatos sobre o traficante Xaxim, que defendia a proibição de armas, o lançamento da rede de relacionamentos Sexkut e o roubo de comunidades no orkut que foram amplamente divulgados pela imprensa tradicional como fatos reais.
Na busca por notícias e pelo chamado "furo", muitos jornalistas acabam não checando as informações que transformam em notícias. Nas últimas semanas denunciei a vergonhosa publicação pelo ClicRBS e Globo online sobre a suposta morte de um colega da academia no acidente da TAM e a veiculação pelo Estadão (que se apresenta como ícone da credibilidade) de um boato da cirurgia que um americano teria feito para usar melhor o iPhone. Outros casos passam desapercebidos, mas demonstram que não apenas os leigos caem em boatos (estes não tem a obrigação de confirmar a veracidade das informações que recebem), mas também muitos profissionais da imprensa deixam de checar seus dados. Vejam abaixo a publicação de um rumor bem conhecido por um experiente jornalista (imagens cedidas por Marcelo Träsel):

Os leitores prontamente avisam o jornalista que a informação não passa de um rumor. Contudo, Xico Vargas responde com um "carteiraço":

Claro, podemos citar outros casos recentes de informações duvidosas em veículos de alta credibilidade. As notícias forjadas por Jayson Blair no New York Times e os documentos falsos noticiados pelo famoso âncora da CBS Dan Rather são os exemplos mais emblemáticos. Neste último, a blogosfera teve inclusive presença marcante na denúncia do fato. Como vemos, se o jornalismo é considerado por muitos o cão de guarda da política, alguns já apontam os blogs como cães de guarda do próprio jornalismo! Mas, podem os blogs exercer essa função? Todo e qualquer blogueiro quer exercer essa função? O importante é que temos mais pessoas "de olho". E quem ganha com isso não são apenas os leitores, mas o próprio jornalismo. Os blogs, na verdade, tem o mérito de sacudir a reflexão sobre o fazer jornalístico, no momento em que alguns dogmas pareciam querer sedimentar.
Da mesma forma que a educação a distância não matou o professor, como alguns temiam, o jornalismo não desaparecerá por causa da blogosfera (isso não é uma obviedade?). Apenas os fracos e incompetentes precisam ficar assustados.
Nesse debate contínuo sobre a possível ameaça da internet aos jornais, termino com a excelente frase de Jeff Jarvis, da City University of New York (via blog do GJol):
Os produtos impressos podem continuar a existir e, em alguns países, até crescer. Mas eu não choraria sua morte, desde que consigamos maneiras de fazer com que o conteúdo jornalístico materializado nesse suporte-papel sobreviva e prospere. Jornais não devem ser definidos pelo seu meio. Não são apenas papel. Sua força e ser valor não advém apenas do controle de seu conteúdo e sua distribuição.




