2007
Na quarta passada, dei uma entrevista para um jornalista do Estadão, responsável pelo site Link. O jornalista estava interessado em saber qual será o futuro da Web. Ele me questionou se um único site poderá reunir todo tipo de informação e todas as ferramentas de interação em um mesmo lugar. A matéria sobre redes sociais foi hoje publicada aqui. A conversa por telefone durou cerca de 20 minutos, mas o jornalista não deu importância para o que falei e usou sua própria pergunta como sendo minha análise sobre o tema. Bem, vamos ao que eu realmente penso sobre essa questão.
Na primeira geração da Web, os portais serviam como página de entrada na rede. Hoje, na Web 2.0, multiplicam-se os sites altamente personalizáveis, nos quais você pode selecionar e posicionar as informações e serviços que mais lhe interessam. Os principais concorrentes nesta categoria são o MyYahoo, iGoogle, Pageflakes, e Netvibes. Cada um deles oferece uma grande quantidade de módulos de conteúdo: notícias, jogos, quadrinhos, calendário, previsão do tempo, vídeos do YouTube, etc. Além disso, você pode cadastrar seus feeds preferidos. Ou seja, pode assinar os blogs e sites de notícias que mais lê. Em vez de acessar um portal que lhe diz o que há de mais importante, você define o contéudo e a interface que realmente lhe agradam. Já testei o MyYahoo (creio que foi o pioneiro no segmento), iGoogle e Netvibes, e acabei preferindo o último.
Hoje, contudo, a página inicial de meu navegador é o Google Reader. Este site oferece um sistema mais eficiente para a leitura de feeds. A interface, que está longe de ser tão bonita quando aquelas do Pageflakes e Netvibes, tem aquele jeitão conservador que caracteriza o Google. No Reader, posso ver quais são os posts e as notícias mais recentes dos blogs e sites que acompanho. Para quem gosta de blogs, é uma ótima pedida. Pode-se saber em quais deles há algo de novo, sem que se precise visitar um a um. Realmente é muito chato chegar em um blog e encontrar o mesmo post de 2 dias atrás ![]()
O Google também tem o orkut, conhecido de todos os brasileiros. Mas, a briga no segmento de redes de relacionamento vem esquentando. Nos Estados Unidos, o todo poderoso MySpace está perdendo espaço para o Facebook. Este último começou como um serviço fechado. Só estudantes universitários e funcionários de certas organizações podiam se cadastrar. Com a abertura dessa rede a qualquer internauta, e com a possibilidade de se personalizar a interface e incluir widgets (até de bichinhos virtuais, versões atualizadas do Tamagoshi), o Facebook ganhou espaço. O próximo alvo pode ser o próprio orkut, já que uma versão em português já está prometida.
O jornalista do Estadão queria saber se, ou melhor, ele insistia que uma dessas redes de relacionamento se transformará no site onde encontraremos tudo o que precisamos. Discordo dessa aposta. Quanto mais serviços se inclui em um mesma interface, mais se corre o risco de perder o foco. Veja-se por exemplo o orkut. No dia 11 de julho, a simpática indiana Nandini noticiou no blog oficial do orkut o lançamento de um sistema para a leitura de feeds. OK, mas essa funcionalidade fica muito aquém do Google Reader. O álbum de fotos do orkut também parece muito limitado. Mas como e por que concorrer com o Flickr (em minha opinião, o site mais bem resolvido da Web 2.0)? E para que aperfeiçoar a interface da páginas de vídeos se o YouTube oferece um serviço muito melhor? Se o Google possui todas essas ferramentas, por que não integrá-las em um único site. Estratégia, oras! Quando se tenta acertar em muitos alvos ao mesmo tempo, acaba-se por não acertar nada em cheio.
O jornalista queria saber qual é o futuro da Web. Eu também quero. O Google, o Yahoo, o Murdock e todo mundo também!




