2007
Havia um tempo em que o termo microconteúdo era usado para a definição de blogs. Mas como descrever o microblogging: micro-microconteúdo?
Microblogging refere-se aos processos interativos mediados por interfaces como Twitter, Jaiku, Moodmill, Hictu, e Tumblr. Trata-se basicamente da publicação de uma frase sobre o que se está fazendo naquele momento. O próprio slogan do Twitter define essa nova onda: What are you doing? E recursos para microblogging já vêm sendo incluídos nas interfaces de sites populares da Web 2.0, como nas redes de relacionamento Facebook e Bebo e no serviço de blogs Xanga (o Xanga Pulse).
E como quase tudo na Web 2.0, o microblogging virou uma febre instantânea. De uma hora para outra, o Twitter pipocou nas páginas da blogosfera. Enquanto se lê um post, fica-se sabendo se o blogueiro está escrevendo um artigo, indo viajar ou jogando mega-drive. A ênfase no instante, na transmissão online do aqui e agora, é facilmente percebida pelo uso constante do gerúndio. Blogar é dizer o que se pensa sobre algo que se fez, leu ou viu; microblogar é dizer o que se está fazendo. No blog, se pensa sobre o que se escreve; no micropost, se escreve!
O interessante é que o microblogging cria uma nova interface para um processo que se popularizou entre nós de forma emergente. Ora, não é nada incomum ver pequenas frases ao lado do nome dos amigos listados no MSN sobre o que eles estão fazendo.
Confesso que nunca me interessei muito pelo Twitter. Ele me exigiria uma dedicação com a qual não conseguiria me comprometer. Para que o microblogging tenha sentido, é preciso publicar constantemente. Por exemplo, qual a graça de ver no Twitter do blog da Maria Clara que, 40 dias atrás, ela estava jogando mega drive?!!! Ou ela largou o mestrado e continua jogando até hoje?
Meu colega Henrique Antoun, por sua vez, prefere publicar em uma mesma interface o que um conjunto de pessoas (amigos ou não) e até mesmo instituições (como a BBC) estão publicando em seus Twitters.
O Jaiku oferece uma interface melhor. Mas acho que esse serviço vai acabar sendo o que as fitas Beta foram para o VHS: um competidor mais sofisticado, mas que não emplaca. A Web 2.0 é mesmo cruel! Funciona como uma festa, que é legal porque está cheia. Não importa se o bar ao lado é melhor e tem bebida mais barata.
Na verdade, eu ia escrever este post na semana passada e ia comentar que apostava que o Twitter seria comprado em breve pelo Yahoo (o que ainda não duvido). Mas eis que surge um competidor mais interessante, e que conta com a criatividade de Kevin Rose, o criador do site de notícias colaborativo Digg. O Pownce ainda está em versão de testes, mas só se fala dele nos sites especializados. Trata-se de uma mistura de microblogging, com mensageiro instantâneo (infelizmente, esse recurso ainda é extremamente lento) e uma interface para se compartilhar arquivos e links com os amigos.
Eu já estou testando o sistema (veja minha página). Gostei da interface gráfica e da possibilidade de escolher temas diferentes. Além do site na Web, o Pownce oferece um programa (baseado na tecnologia AIR, da Adobe) para se acompanhar o microblogging de amigos e baixar os arquivos compartilhados. Creio que em breve esse programa terá mensagens instantâneas em tempo real, sem que se precise apertar o botão de refresh ou se aguardar a atualização automática da tela. Mas prometo uma análise mais detalhada em um próximo post.
Será que isso representará o fim do Twitter e….do MSN e do GTalk?
PS: Como o Pownce ainda está em fase inicial de testes (a chamada versão Alpha), para se entrar no sistema é preciso receber um convite de alguém que já esteja cadastrado. Já que os convites são muito limitados, o hype em torno do Pownce cresceu ainda mais (típico da Web 2.0!). Nesse espírito, muitos blogs estão fazendo concursos para a distribuição de convites. Claro, este blog não poderia ficar de fora dessa onda. Por acaso (!) tenho dois convites sobrando para distribuir. O primeiro será dado para o primeiro leitor/comentador que responder as seguintes perguntas: a) quem matou Deus?; b) quem matou o homem?




