O hype está criado. Para conhecer a nova versão do orkut é preciso conseguir um convite. Nada na Web 2.0 cria tanta expectativa quanto distribuir convites limitados para alguns early adopters. Essa estratégia já batida, mas que ainda funciona muito bem, gera curiosidade e mídia espontânea.
Você vai lembrar que quando o orkut foi lançado não se podia entrar no sistema sem ser convidado por alguém. Depois, tardiamente, o Google abriu seu pioneiro site de relacionamentos para qualquer interessado, tentando competir com MySpace e Facebook. Mas já era tarde demais. Apenas Brasil e Índia continuavam preferindo o orkut. E o que fazer se estes países começam a ser infiéis? Apresentar novidades, claro.
Vamos ser sinceros, o orkut tinha parado no tempo. A última mudança de layout (que eu tinha gostado muito) e a inclusão de aplicativos de terceiros (na seção Apps) foi muito aguardada. Contudo, parecia muito pouco e muito tarde para tentar barrar o crescimento do sempre inovador Facebook.
Apesar de ter começado fechado, permitindo a visualizacão de perfis apenas para colegas de turmas universitárias, o Facebook conseguiu o que parecia impossível: ultrapassar o MySpace nos Estados Unidos. Conseguirá agora bater o orkut no Brasil? A empreitada parece difícil, já que o orkut continua sendo o segundo site mais visitado em nosso país (segundo o site Alexa e terceiro segundo o Ibope). Por outro lado, o Facebook que nem aparecia nos rankings brasileiros agora já figura em 19˚ lugar. Além disso, o site Inside Facebook noticiou em julho deste ano que esse site de relacionamentos havia dobrado sua audiência aqui e na Índia.
A competição na Web 2.0 deve sempre ser enfrentada com inovações constantes. Por algum motivo no orkut isso demora para acontecer. Desta vez o orkut decidiu oferecer um pacote de mudanças em um único momento. Isso foi pensado como uma "reinauguração". Mas tanto estardalhaço tem lastro? Tire suas conclusões na análise abaixo.
O que há de mais novo no "novo orkut" é uma série de avanços na área da usabilidade. O layout também mudou, mas nada que vá deixar você de queixo caído.
Há muito que se esperva a a possibilidade de se customizar a interface do perfil. O orkut não caiu no extremo de permitir a exacerbação do mau gosto como ocorre no MySpace. Por outro lado, a simples possibilidade de escolher a cor do retângulo superior dentre parcas 5 cores pareceu pouco demais (1). Por que não permitir a troca de todo o background, mesmo que apenas alguns papéis de parede estivessem disponíveis? O Google sabe muito bem como fazer isso. Veja-se a experiência do Gmail e do próprio site de relacionamento Joga.com (um orkut de futebol desenvolvido para a Nike). Sendo assim, quem esperava pela possibilidade de customização do orkut vai ficar bastante frustrado.
Este retângulo superior agrupa uma série de funcionalidades que certamente vai facilitar sua navegação. Links como recados, fotos, vídeos, entre outros, ficam logo abaixo de sua foto (4). Ou seja, o típico menu lateral foi eliminado. O campo de status fica também no topo, para fácil atualização. Essas frases aparecerão listadas em sua página inicial. Será fácil verificar suas flutuações de humor! Será que alguém vai abandonar o Twitter para usar essa funcionalidade do orkut? Acho dífícil. Mesmo assim, foi um acerto destacar esse recurso.
Também nesse retângulo superior encontra-se um menu onde você pode definir sua "visibilidade" no GTalk (2). (BTW, essa integração do orkut e do GTalk foi fruto das muitas sugestões que eu, Raquel Recuero e Ricardo Araújo demos durante nossa consultoria no Google, na Califórnia, em 2006). Sim, essa barra superior é bastante funcional. Mas seu aspecto estético é espartano.
Logo abaixo, diversas funcionalidades encontram-se listadas. A sugestão de novos amigos (5), a partir do cruzamento de dados de sua rede social, é um recurso que funciona muito bem no Facebook. A incorporação desse recurso pode facilitar o estabelecimento de novos laços ou até mesmo reencontrar velhos amigos. Bem, é para isso que usamos sites de relacionamentos, não é? Os botões nas laterais dessa e de outras funcionalidades (6) diminui a necessidade de scroll na página, o que é excelente para a usabilidade do site. A possibilidade de se minimizar seções, como a de aniversários (7), é outro recurso que também contrubui para o mesmo fim.
A principal inovação, no entanto, encontra-se no upload de imagens. Apesar de eu achar o Flickr um dos melhores sites da Web 2.0 (no que toca os recursos disponíveis), a maior parte das pessoas prefere disponibilizar suas fotos em sites de relacionamento. Não é diferente no orkut. Contudo, essa seção sempre foi deficitária. Primeiramente o orkut ofereceria um limite muito pequeno de fotos. Mais tarde, apesar do fim dessa limitação estrita, o upload continuava chato e lento. Agora a equipe do orkut deu um show de usabilidade. Durante meus testes eu selecionei dezenas de imagens que estavam em meu desktop de uma única vez. O grande painel de upload apresenta thumbnails das imagens e apresenta feedback do progresso do envio de cada foto (9). Além disso, no mesmo painel é possível criar novos ábuns, girar imagens (10) e definir quem pode visualizar suas imagens.
A definição desse tipo de privilégio também merece destaque. O design de interação dessa funcionalidade é primoroso. É muito fácil selecionar grupos de amigos e dentre estes definir quem pode visualizar suas imagens mais comprometedoras (11)! Uma área lateral (12) facilita a visualização desses felizardos. Finalmente, se você desejar, pode enviar um e-mail comunicando essa publicação (13). Espero que este último recurso não se transforme em mais uma forma de spam.
Enquanto isso, a visualização dos álbuns continua a mesma. Não seria bacana incorporar recursos como o cover flow do iTunes? Muitos sites já incluem esse modo.
Outra funcionalidade que pode facilitar as interações é um campo destacado em seu perfil para o envio de recados (14). Sendo essa uma das ferramentas mais populares do orkut (e, sinceramente, a única que ainda me faz voltar ao site!), nada mais óbvio do facilitar seu uso e destacá-la em seu perfil. Abaixo desse campo seus visitantes também poderão visualizar todas as atualizações de seu status (15).
Nem todo o site está no novo layout. Dependendo da opção que você seleciona (Configurações, Gerenciar Amigos ou Apps, por exemplo), você entra no túnel do tempo de visualiza a antiga interface do sistema. Cá entre nós, um erro grosseiro.
Enfim, fico feliz que o orkut está se mexendo. Mas as inovações não parecem fazer jus a tanto falatório. Fora o novo sistema de upload de fotos e as notáveis melhorias na usabilidade, o orkut ainda parece muito atrás do Facebook, cujos recursos (próprios e de terceiros) não param de evoluir e se multiplicar.
Certamente eu não estou comemorando o novo orkut com tanta alegria quanto este saltitante rapaz, que de tão orgulhoso de ter ganho um disputado convite decidiu compartilhar sua alegria no YouTube.
PS: obrigado a minha colega Missila Cardozo pelo convite. Assim que eu tiver convites disponíveis farei um sorteio aqui no blog.
Gosto muito de projetos abertos, que buscam o compartilhamento de conhecimentos. Esse é justamente o intuito de Paulo Siqueira ao lançar gratuitamente o e-book Web 2.0 – Erros e Acertos – Um Guia prático para o seu projeto online. O pequeno livro, distribuído em formato PDF, oferece um panorama sobre como criar projetos digitais no contexto da Web 2.0. Trata-se de uma boa introdução aos principais temas da área. Além do texto claro e direto, o livro conta com as excelentes ilustrações de Orlando Pedroso.
Sendo este um projeto de livre circulação, vale também destacar o trabalho de Gabriel Dread (filho do autor) que buscou o apoio de um grande conjunto de blogs para esta divulgação colaborativa.
William Bonner passou a ser notícia. Tornou-se o novo "queridinho" da twittosfera brasileira. Seu número de seguidores não para de crescer. Apesar da seriedade que apresenta no Jornal Nacional e em entrevistas que concede, descobre-se que Bonner tem bom humor e que gosta de twittar.
Essa recente descoberta das interações no ciberespaço (ele confessa que nunca gostou de mídias sociais) vem sendo motivo de inúmeras matérias em jornais e sites noticiosos. Além disso, Bonner foi entrevistado no programa de Marília Gabriela, que buscou mostrar o lado "mais humano" do jornalista.
Mas cabe agora perguntar: quão real é o perfil @realwbonner? Durante o programa de Marília Gabriela foi possível constatar que Bonner pode ser divertido, que sabe fazer imitações e canta razoavelmente bem (arriscou dois versos de New York, New York). Mas também descobrimos que seu nome real é William Bonemer Júnior. O sobrenome Bonner foi criado por ele assim que chegou na Globo, para proteger o nome de seu pai, um médico conhecido. Como se vê, desde os primeiros passos no telejornalismo ele já se mostrava consciente do papel público que desempenharia. Podemos então ampliar nossa pergunta: Quanto de Bonemer existe (ou resiste) em Bonner?
William Bonner é um personagem, que Bonemer Júnior sabe desempenhar muito bem. Por mais que se esforçasse em provar que é uma pessoa comum durante a entrevista à Marília Gabriela, o super-ego Bonner rapidamente tomava as rédeas de Bonemer. Quando falou de seu amor por Fátima Bernardes (cujo nome era quase sempre acompanhado do sobrenome), parecia estar recitando um texto lido em um teleprompter. A naturalidade em algumas falas logo dava lugar ao personagem institucional.
Vida dura essa de celebridade. Como homem público, editor e apresentador do principal telejornal do país, William Bonner sabe da responsabilidade que carrega em seus ombros. Sabe que sua vida "íntima" é fonte de curiosidade do grande público. E quando a expõe, faz com todo o cuidado. As matérias sobre sua família feliz e perfeita estampam capas da revista Caras. Não há um fio de cabelo fora do lugar, um copo sujo esquecido na mesa auxiliar. Todos sorriem e celebram a vida de uma família de propaganda de margarina.
Bonner diz na entrevista que toma cuidados no trânsito, pois sabe que uma buzinada sua pode parar em sites de fofocas. E celebra que foi elogiado em tablóides online ao pacientemente esperar que um taxista movesse seu veículo para que ele pudesse manobrar. William é plenamente consciente que seu personagem Bonner precisa ser atualizado a todo momento, que a idolatria que desperta é importante para sua carreira e para a TV Globo. Sabe cultivar essa estrela e conhece bem como lucrar com isso.
Até mesmo a imitação de Lula no programa de Marília Gabriela é precisamente planejada. Recusa-se a imitar Clodovil, mesmo que o faça em outros momentos. Sabe que o vídeo vazado na rede com essa imitação poderia ter arranhado sua credibilidade. Bonner percebe que esse novo momento em sua carreira é importante. Arrisca momentos descontraídos durante a entrevista e ensaia algum "charminho" ao falsamente recusar cantar e fazer imitações no programa. Claro, logo em seguida (segundos depois) concede uma pitada de Bonemer.
William, o Bonner, sabe da importância das celebridades na cultura contemporânea. Conta com entusiasmo que esbarrou em Paul McCartney em uma rua americana. Confessa que virou-se maravilhado e lamenta não ter tirado uma foto. A partir desse exemplo prosaico revela ser consciente do papel de estrela que desempenha, da importância disso para sua atuação profissional e que sabe muito bem administrar o personagem.
Bonemer é hoje aprisionado por Bonner. O primeiro se mostra no privado. O segundo é cultivado publicamente. E @realwbonner é real? Sim, um bonner absolutamente real...enquanto personagem no virtual. William sabe muito bem que os internautas não querem conhecer Bonemer. O que importa é a aura de (pseudo) autenticidade que é gerida profissionalmente por William. A informalidade presente em seus tweets são investimentos no produto Bonner. Parece que essa mercadoria ganhou novo valor na prateleira da mídia massiva.
Uma das maiores honrarias que recebi foi o convite para ser paraninfo da turma de Comunicação Social da UFRGS (2008/1). Achei que nunca receberia esse convite, pois dou aula apenas para alunos da Publicidade e Propaganda.
Logo percebi a responsabilidade que tinha recebido. O mínimo que poderia fazer seria preparar um discurso que respondesse à expectativa de uma última aula. Decidi, claro, falar sobre o que melhor conheço: a cibercultura.
Veja abaixo o vídeo desse discurso (em 2 partes), que finalmente consegui enviar para o YouTube (obrigado a Mauro Cavalheiro pela ajuda).
Quanto maior a eficiência de uma rede, maior o risco. Essa é uma das lições do excelente livro The Exploit. De fato, quanto mais bem relacionada uma rede social, mais veloz é a circulação de informações. Também é mais rápida a disseminação de vírus e links para sites de phishing, por exemplo.
Ao mesmo tempo que nos sentimos seguros de interagir na internet pois podemos usar pseudônimos e salvaguardar dados pessoais (nome, idade, endereço residencial, etc), estamos também muito vulneráveis a ataques de "cibercriminosos". Mas neste post eu não quero me ater ao problema tão conhecido de malware. Quero focar basicamente no risco que corremos ao dedicar toda nossa vida digital a poucas empresas.
É muito conveniente podermos usar apenas um user e senha para acessar e-mails, fotos, documentos e interagir com amigos e colegas. Por outro lado, se sua senha é roubada, se você esquece sua conta ligada em uma lan house ou no computador de um conhecido, ou mesmo se cai em um golpe de phishing você acaba dando acesso a um terceiro a suas informações particulares. Por outro lado, mesmo que possamos ter confiança quase cega em empresas como o Google, nenhuma tecnologia é livre de bugs. Recentemente, como em outras oportunidades, o webmail do Gmail saiu do ar. O pânico foi tão grande que o fato logo apareceu nos trending topics do Twitter e deixou o sistema "baleiando". Sim, o acesso via POP e Imap ficaram disponíveis, mas incidentes como esse nos mostram como até mesmo o todo poderoso Google pode enfrentar problemas.
O Google trabalha com as tecnologias mais modernas de segurança. Mas existe sim o risco de um ataque criminoso, liderado por alguém de dentro da empresa (ainda que não exista, claro, apenas uma senha a todas as informações do Google!), uma falha tecnológica ou até mesmo energética. E o que poderia acontecer se a sede da empresa em Palo Alto fosse bombardeada? Isso tudo parece ficção científica, mas pode acontecer.
Quanto tempo sua vida pessoal poderia resistir à falta de acesso ao Google. OK, você ainda pode recorrer ao velho telefone e outros recursos. Mas e sua vida profissional e acadêmica? Se você usa intensamente as ferramentas do Google e por anos a fio transferiu e organizou todas suas informações na "nuvem", cuidado!
Mais do que um simples post alarmista, a idéia aqui é colocar em debate a segurança de nossos dados na rede. Nunca é demais salientar a importância de backups em múltiplos lugares (em serviços de backup na rede, via e-mail, em pen-drives, DVDs, HDs externos, etc.). Mas vale a pena também considerar o uso de serviços de fornecedores diferentes, não dedicar toda sua vida digital a apenas uma empresa (como o Google, o Yahoo, a Microsoft, a Apple). Você pode inclusive ter várias contas de e-mail através de serviços de vários provedores e sincronizar com seu smartphone.
Enfim, nada disso reduz o risco de perda de horas ou dias de trabalho caso um problema digital de grandes proporções venha a acontecer. O importante é reconhecer o risco e tentar precaver-se.
E você, tem alguma sugestão para que possamos nos safar do grande apocalipse digital? Que um dia ele vai acontecer eu tenho certeza!
Uma coisa que o Google sabe fazer bem é utilizar idéias de terceiros e lançar suas próvias versões como grandes novidades. Claro, a hegemonia do Google facilita esse tipo de atuação. Uma das mais recentes "novidades" da empresa é o SideWiki, que passa a ser incorporado ao Google Toolbar. Através de uma barra lateral, que pode ser aberta e fechada através de uma aba que aparece no canto esquerdo da tela, qualquer pessoa pode deixar um comentário ou resenha sobre o site que está visitando. Além disso, é possível ler e julgar comentários de outras pessoas. Ao se votar quão útil é cada texto no painel lateral pode-se contribuir para que os inevitáveis spam sejam jogados para baixo na lista. Além disso, links de denúncia de abuso e de compartilhamento (e-mail, facebook, Twitter) também estão disponíveis.
Visitei alguns grandes sites para conferir os comentários já disponíveis. O primeiro que consultei foi o da Microsoft, claro. Como os responsáveis pelos sites tem a preferência de publicar o primeiro texto no SideWiki, a resenha no topo do painel era da própria empresa. Um texto sem graça apenas anunciava o que o site oferece. Ao consultar os comentários seguintes achei que logo esbarraria em dezenas de textos ofensivos. Não foi o que encontrei. Será que o dono do site pode filtrar comentários? Ou será que os internautas não estão dando muita bola para esse tipo de serviço?
Logo no primeiro site consultado eu encontrei um texto de spammer com um link. Esse será o maior desafio do Google: enfrentar a publicação automatizada de links de spammers. Talvez o mesmo mecanismo de filtragem de spam utilizado em blogs resolva esse problema. O link "Report Abuse" pode também ser uma solução administrada colaborativamente.
O detalhe é que a inclusão de comentários em sites utilizando o servidor de um terceiro não é nada novo. No final da década 90 alguns projetos começaram a buscar tecnologias que poderiam permitir a intervenção editorial em páginas da Web criadas por outras pessoas. Muitas daquelas tecnologias já eram motivadas por estratégias de comércio electrónico. Em 1999, o plug-in da empresa Third Voice permitia que se publicasse um comentário na forma de um Post-it dentro do próprio texto do site. Na época, muitos webmasters reagiram negativamente a essa forma de "pichação na web". Dois anos mais tarde, a Third Voice encerrou os seus serviços, já que a empresa não conseguiu popularizar seu plug-in nem atrair anunciantes.
Serviços de anotação na Web já recebiam atenção especial da World Wide Web Consortium desde 2001. O projeto Annotea buscou reforçar os processos de colaboração através de anotações e marcadores, com base em padrões de metadados e Web Semântica. Ao utilizar um plug-in (como Anozilla para Mozilla) ou browser Amaya do W3C, os internautas podem ler e escrever suas observações que são armazenadas em um servidor de anotação externo. A proposta do Annotea, que se parece muito com o que foi implementado pelo Google, utiliza um painel lateral para a publicação de comentários sem que o autor original do site possa autorizar ou apagar os textos enviados. Apesar de continuar desconhecido, uma nova versão do Anozilla foi lançada em 20 de junho de 2009. Com a entrada do Google neste segmento é possível que os serviços de anotações ganhem maior divulgação. De toda forma, o SideWiki já chega parecendo velho. Creio que o momentum para esse tipo de tecnologia já passou, tendo em vista que outros serviços da Web 2.0 permitem outras formas muito mais potentes de colaboração.
Se você ainda não conhece o Twitter Generator, faça o teste dessa "revolucionária tecnologia" antes de ler este post.
Agora, se você já visitou o "incrível" Twitter Generator, deve ter ficado sabendo dele através da rápida e espontânea divulgação que essa brincadeira/crítica recebeu. Pouco depois de eu divulgar o link, pude contabilizar o alto volume de retweets e hits em meu blog. Tendo em vista o tom do texto (que parodiava os produtos das "Organizações Tabajara"), que destoava de meus posts normais, a maior parte das pessoas logo compreendeu a crítica por trás do Twitter Generator. Outro grupo, bem menor que o primeiro, achou a tecnologia ótima, pois lhe pouparia o trabalho de twittar! Mas, um pequeno punhado de pessoas surpreendentemente não captou a brincadeira e sugeriu que a tecnologia ainda precisava de mais pesquisa!!!
O Twitter Generator também obteve ótima atenção da mídia institucionalizada. Além de sair na capa do G1 (uau!), apareceu no Twitter da revista Superintentessante, em jornais (como na Zero Hora, de Porto Alegre) e sites noticiosos. Também concedi uma entrevista para a rádio Band News de São Paulo, no mesmo bloco onde o designer brasileiro da interface do Twitter também era ouvido.
Não posso negar que fiquei muito satisfeito com toda a cobertura. Aproveito para agradecer todos aqueles que ajudaram a divulgar espontaneamente essa "revolucionária" tecnologia. Mas agora, passada toda a euforia (!), é hora de discutir a crítica por trás do Twitter Generator. Sim, vou explicar a piada.
Hype na internet, ou a banalização das revoluções
A velocidade de inovações na internet faz tudo parecer efêmero. Cada nova tecnologia é lançada como revolucionária, prometendo mudar tudo o que existia até então. Tão ligeira é a obsoletização dos serviços digitais e tamanha é a constante criação de fugidios hypes que o novo de hoje é o velho de ontem. Se antes a frase inglesa "this is so last year" podia fazer sentido, no Twitter e em blogs acabamos dizendo "this is so yesterday"! As modas, hypes e tecnologias revolucionárias frequentemente não conseguem aniversariar. Podemos ver que o termo "revolução", antes uma palavra de ordem política, hoje não passa de um slogan mercadológico, tão elástico e esvaziado quanto qualquer outro. E com prazo de validade curtíssimo. Ou melhor, já vencido na data de seu lançamento.
Observando tudo isso, comecei o lançamento do Twitter Generator com teasers onde eu anunciava que lançaria "uma tecnologia revolucionária que vai mudar a maneira como você twitta". Ao repetir esse anúncio, consegui despertar o interesse de diversos seguidores, que com seus RTs ajudaram a criar o hype espontaneamente. Na quarta-feira, dia do lançamento escolhido cuidadosamente, prometi que revelaria o link da nova tecnologia às 10 da manhã. Pontualmente naquele horário encontrei algumas pessoas cobrando o lançamento! Sim, o pequeno hype forjado mimetizava outros tantos que testemunhamos diariamente na internet.
Na semana de seu lançamento, o Twitter Generator foi a modinha da vez. Nesta semana, talvez poucos se lembrem dele. Quando divulguei sua URL, o número de visitas alcançou mais de 20 mil acessos apenas no primeiro dia. Os links logo apareceram entre os mais clicados e retweetados no Migre.me. Na semana seguinte, a estatística foi despencando. É interessante que uma "bobagem" como o Twitter Generator pode nos ajudar a compreender como funcionam as tendências e hypes na internet.
A trivialidade de nossos tweets
A ideia do Twitter Generator nasceu de minha observação dos padrões de mensagens na twittosfera. Alguns tweets são repetidos diariamente, como saudações (bom dia, boa tarde, boa noite), comentários sobre o tempo, reclamações sobre o volume de trabalho, etc. Basicamente, o gerador de tweets é uma repetição automática desses padrões. Por um lado, essa automação pode ser interpretada como uma crítica a reprodução ad infinitum das mesmas mensagens. Por outro lado, pode também servir como um incentivo a "twittagens" mais criativas. Você decide!
Contudo, não acredito que haja um jeito correto de usar o Twitter. A melhor maneira é a sua forma particular de twittar. Se você usa para interagir com seus amigos...ótimo! Se usa para negócios...excelente! Se prefere apenas republicar links de notícias interessantes...maravilha! Essa é a beleza do Twitter: permitir que as pessoas se apropriem da tecnologia para alcançar seus objetivos.
É com grande orgulho que apresento uma tecnologia que vai revolucionar o Twitter. Após pesquisas exaustivas, que visavam conhecer profundamente como as pessoas twittam no Brasil, coletamos uma série de demandas para o desenvolvimento do primeiro protótipo em junho de 2009.
Após meses de programação, utilizando os mais modernos padrões e recursos disponíveis da Web 3.0, conseguimos chegar a esta versão estável que agora lhes apresentamos.
Para conhecer o revolucionário Twitter Generator clique no botão abaixo para ativá-lo.
Quando a Rádio Gaúcha me convidou para participar do tradicional programa Polêmica em uma mesa redonda sobre vício de internet fiquei na dúvida: estariam eles me convidando como professor/pesquisador de cibercultura ou como dependente?! Deveria eu refletir sobre a possibilidade de tal adicção ou dar um depoimento pessoal emocionado?!
O programa baseava-se em uma matéria publicada no jornal Zero Hora intitulada "Clínica nos EUA trata vício em internet". Mas, antes de mais nada, é preciso perguntar se de fato existe uma dependência por interação mediada por computador. O tema é controverso e nos Estados Unidos há um debate se esse "vício" deveria constar do Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders (DSM). Caso isso se confirme, o sistema de saúde e as empresas de seguros deveriam ajustar-se à cobertura desse novo distúrbio.
Como práticas excessivas de consumo online e jogos de azar na internet se diferenciam desses mesmos comportamentos compulsivos offline? As causas e tratamentos não poderiam ser os mesmos? É verdade que a internet pode potencializar muitas de nossas ações. Como lembra o sociólogo Manuel Castells, pessoas gregárias poderão fazer um número maior de amizades na rede; outros, que tendem ao isolamento, encontrarão na internet novas formas de distanciamento. Mas seria a internet uma droga digital com alto poder de addicção? A abstinência da rede pode causar graves crises de ansiedade?
Muitas vezes quando estamos conectados perdemos a noção do tempo como também sentimos uma gratificação instantânea pelas respostas recebidas do sistema (como em um game online). Outro fator importante é a sensação de imersão no virtual, que pode gerar uma agradável sensação de escapismo. Ou seja, não podemos pensar que a tecnologia é neutra, que a compulsão e obsessão online sejam exatamente o mesmo que offline. Por outro lado, tampouco podemos pensar que é a internet que causa a addicção, se é que ela existe. Depressão e ansiedade, por exemplo, podem ser causas anteriores que promovem o uso abusivo da rede.
Pelo que li neste excelente artigo, publicado no periódico científico CyberPsychology and Behavior, não existem evidências sólidas que possam confirmar a emergência desse novo distúrbio mental. Os autores afirmam que os trabalhos que sustentam a hipótese tem problemas metodológicos sérios (desde a seleção dos sujeitos avaliados) e não conseguem apresentar uma definição específica que distinga essa forma de addicção de outras compulsões conhecidas.
Mesmo assim, além da clínica citada na matéria no jornal Zero Hora, você facilmente encontra na web outros centros de tratamento de vício em Internet. O Center for Internet Addiction Recovery inclusive traz um teste online para você avaliar se é um dependente digital. Que bom que esse teste é aplicado na própria internet!
Se um dia for comprovado que o vício em internet é um fato, uma coisa é certa: seu tratamento não pode ser comparado ao de dependentes químicos. Para estes é preciso evitar o consumo das substâncias a qualquer preço. Por outro lado, no mundo em que hoje vivemos evitar a internet pode ser impossível. O possível tratamento pode ser pensado como aquele ministrado para quem come compulsivamente (já que não se pode deixar de comer!), onde o comportamento moderado deve ser trabalhado.
Além de mim e do coordenador do Instituto de Informática da Unisinos, Cristiano Costa (do podcast Hora do Mac), participaram do programa os psiquiatras Daniel Zprietzer (que estuda a dependência de jogos de azar online) e Rogério Cardoso. Ao final do debate eu e o Cristiano pegamos os cartões dos psiquiatras. Quem sabe eles nos ajudam!
Achei que iria conhecer a Twittess em Curitiba quando palestrei no Paço da Liberdade em junho. Apesar de ter dito que iria participar do evento, ela não apareceu. Ao voltar em Curitiba para apresentar meu trabalho sobre fama e narcisismo (no qual discuto o caso @twittess) no congresso Intercom 2009, Tessália Serighelli mais uma vez furou.
Mais tarde, contudo, Tess me escreve uma mensagem direta no Twitter combinando um café naquela noite. Encontre abaixo dois relatos sobre esse encontro.
<ficção>
Chego ao local marcado e começo a procurar twittess. Consigo a avistá-la no fundo do Café, sentada em um sofá. Ao chamar seu nome, levanta-se uma morena muito magra, vestindo jeans justo e blusa preta. Equilibrada em saltos muito altos, a moça é realmente bonita.
Após nos cumprimentarmos, logo percebo um estouro de flashes e um burburinho na entrada do Café. Um grupo de paparazzi surge do nada, buscando a melhor foto de twittess. Uma fã berra o nome da moça suplicando por um autógrafo. Um repórter repete várias vezes uma pergunta ensaiada: "Você se acha a estrela do Twitter?"
Com dificuldade conseguimos nos desvencilhar da corja de fotógrafos. Com a ajuda de seguranças de twittess, nossa conversa naquela noite foi então garantida.
</ficção>
O embate
Tessália, criadora da personagem twittess, é realmente simpática e inteligente. Muito rapidamente se percebe que Tess é determinada, com objetivos bem definidos. Fiquei convencido que twittess é uma criação estratégica, apesar de Tessália recorrer muitas vezes ao discurso de autenticidade. Tendo recentemente criado um blog homônimo e afirmado em uma entrevista que planeja abrir uma agência de mídias sociais, pode-se observar que ela quer explorar ao máximo o renome que conseguiu no Twitter.
Assim que sentamos para conversar, Tess me perguntou "Falou muito mal de mim?". Ela se referia à apresentação de meu artigo no congresso da Intercom. Em outra oportunidade ela havia me dito no Twitter que eu era uma das poucas pessoas de quem ela aceitava críticas. Sua fala, claro, parece envolvida em uma estratégia sedutora. De toda forma, meu trabalho como pesquisador não é falar mal de ninguém, mas sim analisar criticamente os fenômentos da cibercultura.
Como aponto em meu artigo, os métodos de Tessália na criação de sua personagem twittess foram artificiais (o uso de scripts), mas seus efeitos são reais.
Nossa conversa foi franca. Disse a ela que achava os tweets de twittess muito chatos (!), mas que reconhecia que atingiam seu público-alvo. Comentei também que tinha achado o blog muito mal posicionado. Tanto o layout (bonito, mas inadequado) quanto os textos fugiam do posicionamento criado para twittess (ei, esqueci de cobrar a consultoria!). Esse sério deslize no planejamento estratégico da "franquia" twittess deixa a dúvida sobre a atuação de Tessália no mercado de mídias sociais. Mas vamos ficar acompanhando!
A noite foi divertida. Não apenas o bate-papo foi interessante, mas a sessão de fotos com um grupo de amigos fotógrafos movimentou o Café. Sai com a impressão de que Tessália ainda vai dar muito o que falar, mesmo com o inevitável desgaste futuro de sua personagem twittess.
De toda forma, não sei bem se naquela noite conversei com Tessália ou com twittess. Bem, creio que ela também conversou com o professor Alex Primo, e não com Alex, já que passamos a noite toda falando de marketing e cibercultura.