Quem são os autores de um blog individual? Antes de responder a frase anterior é preciso observar uma potencial contradição na formulação da frase: se o blog é individual, por que usar sujeito e verbo no plural? É justamente esse recurso retórico que nos faz pensar sobre o impacto dos comentários na constituição de um blog como um texto.
Assim que se abre o espaço para comentários, o blog passa a receber contribuições de terceiros (conhecidos ou não do blogueiro). Tais falas normalmente reagem ao que diz o post. Nestes casos, procuram estabelecer uma conversação com o "dono" do blog. Este, por sua vez, tem o poder de moderar, editar e/ou apagar os comentários recebidos. Ou seja, o blogueiro está hierarquicamente um nível acima de todos que submetem suas respostas. De toda forma, todas as expressões dos leitores que são publicadas transformam estes últimos em co-autores do texto que é o blog. Por vezes, os comentaristas estabelecem interações conversacionais entre si e eventualmente fogem do assunto proposto pelo post. Essas rupturas ou subversões temáticas não deixam de fazer parte do texto global. Já podemos então problematizar o próprio termo "dono do blog", tão comum na blogosfera, e até mesmo questionar os limites de seu controle.
Comentários podem incluir reações ao post, propor adendos, novas informações e links. Podem se dirigir ao blogueiro (elogios, ofensas, etc.), a um ou mais comentaristas ou a todos interagentes. Mas, independente de quem sejam os destinatários diretos ou indiretos e se mantém ou não a coerência temática e conversacional, cada comentário é uma expansão do texto do blog. Tais enunciados podem estar em consonância com a intenção inicial do blogueiro ou mesmo mostrarem-se como desvios daquela proposta. Mas revelam outras vozes que contribuem explicitamente na redação do blog. É importante apontar que um comentário pode ressignificar o post, acrescentando nuances ou revelando informações (machistas, por exemplo!) que não eram claras ou até mesmo pretendidas pelo blogueiro. Em outras palavras, a leitura de um comentário pode exigir a releitura/reinterpretação do post original. O próprio blogueiro pode rever seu texto inicial com outros olhos e talvez até sentir-se impelido a manifestar-se no espaço de comentários ou mesmo reeditar o post.
O texto do blog, portanto, é constituído pela produção do blogueiro (incluindo as imagens e vídeos que acrescenta, como também o próprio template, informações e links que circundam o post) e pela participação efetiva de comentaristas. Alguns destes participantes têm participação constante, criando inclusive uma expectativa no grupo de interagentes que já espera por suas reações.
Dito tudo isto, podemos então reconhecer que o texto do post, a unidade mínima do blog, não termina em seu ponto final, mas sim no último comentário publicado. É nesse sentido que o título deste meu post postula: todo blog, mesmo aqueles individuais, é um texto coletivo.
E podemos ir ainda além. Do ponto de vista da Análise do Discurso e do dialogismo de Bakhtin, além das vozes explícitas (do blogueiro, de cada comentarista), outras tantas podem ser ouvidas. Autores de livros, políticos, pais e outras tantas vozes podem ser encontradas em cada post, em cada comentário. E diversos são os discursos que atravessam e condicionam cada fala registrada no banco de dados do blog e em sua interface. Como se vê, o blogueiro não é o marco zero do conteúdo do post. Antes dele, muitos outros falaram e agora são ouvidos através do post/enunciado.
Para que isto não termine por aqui, quero te interpelar: o que você acha disso tudo? :-)
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Leitura recomendada: FOUCAULT, Michel. O que é um autor? Lisboa: Vega, 1992.
De que maneiras você busca informação na web? Blogs, Twitter, newsletters... ou a boa e velha navegação aleatória, clicando de link em link pra ver onde vai dar? Entre tantas opções, difícil não incluir o Google Reader, leitor de feeds mais lido no mundo, que otimiza a leitura ao agregar o conteúdo dos sites preferidos em um só lugar, nos libertando de ir em busca das atualizações.
Há quem diga que o Twitter irá substituir o GReader, ainda que as ferramentas sejam diferentes em suas propostas. Com a popularização do passarinho azul, os leitores de feeds perderam audiência para o compartilhamento de links via tweets. Atento à esta ameaça, a partir de julho de 2009 o Google Reader ficou mais “social”, melhorando a função de “seguir” pessoas e receber seus itens compartilhados – no melhor estilo Twitter. Os botões Like e Share, que permitem que suas atualizações sejam vistas por outras pessoas que compartilharam o mesmo conteúdo, pode aproximar perfis com interesses parecidos. Ah, e entre as alternativas de compartilhamento, além do já conhecido “enviar por e-mail”, há possibilidade de direcionar o post para o Twitter com o encurtador Goo.gl.
Google Reader Play
O GReader foi lançado em 2005 e, seguindo a linha do Google, vez que outra aparece com uma novidade. Há alguns dias começou a sugerir blogs com temas parecidos com os que você já assina, já algumas semanas atrás a novidade era que o Google Reader está operando em tempo real: postou, atualizou.
E agora o Google apresenta o Google Reader Play (GRP), uma maneira fácil e intuitiva de acompanhar o que há de novo, sem precisar fazer inscrição em nenhum feed. Isso mesmo, você não precisa ter uma conta no GReader: basta navegar e marcar seus itens preferidos, que a ferramenta seleciona as próximas atualizações com base nas suas escolhas. Em post oficial, o Google diz: "Nós achamos que o Reader Play é uma maneira divertida de procurar coisas interessantes online que você não encontraria de outro modo".
O Play não irá substituir a ferramenta tradicional, trata-se de uma forma de visualização diferente: a interface é simples e atrativa, com um tratamento especial para fotos e vídeos (aumenta e auto-reproduz em full screen automaticamente). Aparentemente o GRP é projetado para tablets como o Ipad, pois além de destacar o caráter visual do conteúdo no GReader, a ferramenta utiliza tecnologias comuns e se adapta à qualquer resolução.
Google Reader: ame-o ou deixe-o
É bem verdade que o Google Reader desperta sentimentos contrários por aí: alguns simplesmente não conseguem imaginar sua navegação na web sem um agregador de feeds, já outros não gostam da pressão que os “itens não lidos” fazem na caixa de entrada e preferem que a informação circule mais livremente, como no Twitter.
O GReader é como o garimpo: leitura "árdua" à procura daquilo que vale a pena. Poeticamente falando, os usuários mais fiéis sabem como é libertador pressionar o botão “marcar tudo como lido” e o quanto agoniante é o número +(1000) marcando os posts a serem lidos. Ainda sim, sempre aparece um link incrível naquele site que, se você não tivesse assinado no Reader, provavelmente não visitaria mais, e se perderia no “limbo dos Favoritos”.
PS.: para quem já usa o GReader, torne-se ninja. Digite a sequência "cima cima baixo baixo esquerda direita esquerda direita b a" e veja o que acontece!
Que as tags no Twitter são usadas para categorizar mensagens por assuntos não é nenhuma novidade. Mas o quero comentar aqui é um uso de tags que se tornou bastante popular: a indicação de contextos afetivos.
O desenvolvimento das hashtags
A tag (para ser mais exato, hashtag) é um recurso que foi criado de forma espontânea. O sinal # foi usado pela primeira vez para facilitar a organização de mensagens sobre um mesmo tema em 22 de outubro de 2007 por Nate Ritter. Ele criou a tag #sandiegofire nos relatos que vinha fazendo sobre os incêndios em San Diego. No Brasil as tags vêm também sendo muito usadas para cobrir eventos e tragédias (a tag #terremotoSP foi um marco nesse sentido).
Tagging, que significa etiquetar, é um processo de associação de metadados (dados sobre dados) a textos, imagens, bookmarks, etc. Diferentemente da taxonomia que utiliza vocabulários controlados, qualquer palavra pode ser utilizada como tag. Estas palavras-chave facilitam a recuperação de informações no sistema em sistemas de busca, como o Twitter Search. O próprio Twitter facilita a recuperação de tweets com a mesma etiqueta transformando todas tags em links em suas páginas oficiais.
Para facilitar o processo de “tagueamento” costuma-se usar etiquetas curtas, que sejam descritivas do assunto em questão. Como se vê ao lado, a inclusão da tag #games circunscreve a mensagem em um tema determinado. Quem tiver interesse nesse assunto pode fazer uma busca sobre essa tag e encontrar tudo o que se está falando no momento sobre ele.
A importância das tags tornou-se tão grande que o Twitter incorporou em 30 de abril de 2009 a seção Trending Topics (e mais tarde com diversas localizações ) para reunir as etiquetas mais populares em cada instante. O Twitter também passou a publicar uma lista das tags mais usadas em um ano (veja aqui o relatório de 2009).
Ou seja, de um movimento espontâneo as tags foram oficialmente incorporadas pelo Twitter e hoje contam com toda uma estrutura que facilita a busca e recuperação de mensagens. Politicamente, as tags têm servido como costura virtual para protestos mundiais (como #iranelection) e nacionais (#forasarney, por exemplo). E elas também têm sido usadas como uma forma de interagir sobre conteúdos da mídia de massa (#foradourado).
Tags e afetos
Enquanto podemos identificar os usos acima como “formais”, um protocolo social para organização e recuperação de informações, um uso menos estruturado das tags ganhou força. Ainda que elas mantenham a função de contextualização, o uso de tags perde a função de folksonomia. Nestes casos, o twitteiro quer demonstrar de forma concisa seu estado emocional naquele momento.
Enquanto um simples franzir de sobrancelha pode acrescentar informações contextuais a uma frase, indicando raiva ou ironia, as mensagens de puro texto e com poucos caracteres limitam as pistas não-verbais. O uso de emoticons e onomatopéias (hahahaha, AHHHHH!!!) podem viabilizar alguma informação não-verbal, mas eles parecem não ser suficientes. É nesse sentido que #cansei, #sono, #gamei, #morri (indicando uma surpresa, normalmente desagradável) qualificam a mensagem com dados sobre como se sente o interagente. Algumas tags "afetivas" tornaram-se muito populares, tornando-se um padrão dessa categoria, como #prontofalei #muitoamor #euquero #rialto. Apesar de seu uso contínuo, não se pode dizer que os twitteiros estejem visando uma melhor indexação de suas mensagens pessoais.
Algumas tags indicativas de emoções são repletas de ironia e podem ser difíceis de se compreender em um primeiro momento, como #oiq ("Oi, quê?"). Outras incorporam erros ortográficos intencionalmente: #comofas, por exemplo. De toda forma, os dois exemplos incorporam novos sentidos ao que está sendo dito.
Este processo diferenciado de tagueamento pretende simplesmente revelar um estado de espírito, um posicionamento afetivo, um contextualização das emoções em jogo. Ainda que não se possa dizer precisamente que trata-se de uma pista não-verbal, já que palavras são usadas na etiqueta, tais tags podem ter um efeito semelhante àquela sobrancelha franzida ou a olhos lacrimejantes (de sono ou tristeza).
As tags também podem ser usadas como indicação de uma breve opinião sobre o que se escreve na mensagem. Serve como aprovação ou crítica do que diz o texto anterior. Em uma situação de alta limitação de caracteres para a expressão, tags desse tipo revelam o posicionamento do autor diante dos fatos que narra.
O sinal #, nestes casos, não é um convite para a busca de outras mensagens com a mesma tag. Tampouco é um compromisso com a coletividade, à medida que o interagente não visa agrupar sua mensagem com outras sobre o mesmo tema, facilitando a busca temática. O objetivo nestes casos é expor publicamente um dado afetivo que acrescenta informações ao que acaba de ser escrito, ou que ressignifica o retweet da mensagem de um terceiro.
Enfim, o uso de tags foi um movimento bottom-up que foi mais tarde instituicionalizado. O uso padronizado dessas etiquetas visam a produção de uma folksonomia cujo finalidade é potencializar a recuperação de informações em um dado contexto temático. Hoje as tags ganham um novo uso cuja importância é apenas local, no interior de uma determinada mensagem. Este novo tipo de procedimento visa apenas qualificar um texto com pistas contextuais de cunho afetivo. Para os que recém estão chegando no Twitter, não se assuste com esta linguagem ainda em construção! #beijomeliga
Quatro mil pessoas conectadas, interessadas em investigar, estudar e experimentar as redes sociais, compartilhando conhecimento e técnicas de netweaving (articulação e animação de redes sociais). Esse é o propósito da Escola de Redes, ambiente online criado na plataforma Ning e que tem como criador e responsável Augusto de Franco, professor, autor de mais de 20 livros e um dos palestrantes no TEDxSP. A partir do slogan "a escola é a rede" (E=R), a Escola de Redes traz uma posição interessante sobre a discussão acerca das redes sociais:
A rede social não é uma invenção contemporânea. (...) Seres humanos que se conectam entre si formam redes. O “social” é isso. Ponto. Nos últimos anos, fala-se muito de redes digitais. E fica-se com a impressão de que são as novas tecnologias de informação e comunicação que representam toda essa novidade organizativa. (Uma introdução às Redes Sociais, Augusto de Franco, 2008).
Concordo. Ainda que nossa vida esteja cada vez mais permeada por tecnologia, percebe-se que a maior parte das discussões atuais sobre as redes sociais se foca nas ferramentas (Twitter, Facebook, MySpace) e seus gigantes números e deixa de lado as relações das pessoas ATRAVÉS da tecnologia: redes sociais não são nada além do que redes de pessoas - online ou offline. E é nesse contexto que se insere a troca de conhecimentos e experiências que a Escola de Redes possibilita a seus membros.
Um prato cheio para quem gosta de ler sobre o assunto, vale a pena conferir o gigante acervo da Biblioteca E=R, disponível para download: são quase 700 obras de domínio público ou publicadas sob licença Creative Commons. A Biblioteca conta com a própria rede de membros da E=R para traduzir os textos, produzir resenhas e organizá-los em categorias. Contando com essa colaboração, já existem “bibliotecas básicas” para alguns autores fundamentais, como Pierre Lévy, Edgar Morin, Albert Barabási e Duncan Watts; além de seleções temáticas, como a Biblioteca Básica de Democracia. A plataforma da E=R ainda oferece suporte para blogs, fóruns e bate-papos, além de nodos (comunidades) e de um rico acervo de 300 vídeos relacionados.
CIRS Entre os dias 11 e 13 de março, a conexão dos membros da Escola de Redes será ainda maior. Curitiba recebe a CIRS – Conferência Internacional sobre Redes Sociais que, com o tema “Tudo que é sustentável tem padrão de rede”, contará com palestras de ninguém menos do que Pierre Lévy, Clay Shirky e Steven Johnson, algumas das maiores "autoridades" quando falamos em cibercultura, redes sociais e web 2.0.
Além destas três grandes palestras, a CIRS abrigará minicursos (Introdução ao Netweaving e Introdução à Análise de Redes Sociais) e um simpósio que funcionará como “Open Space”, onde os membros conectados à Escola de Redes irão definir a pauta e as atividades que serão desenvolvidas na discussão sobre redes sociais e plataformas digitais. Para inscrições, acesse o site da CICI - Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, pois a CIRS é um evento integrado à programação desta, que contará com 70 palestrantes e discutirá soluções globais de inovação para as cidades.
Mesmo sabendo que o iPad seria lançado nas semanas seguintes, decidi voltar com um Kindle na bagagem de uma recente viagem aos Estados Unidos. E já posso confirmar: estou muito satisfeito com esse charmoso leitor de e-books.
Em julho eu tinha testado o e-reader da Sony, mas não tinha ficado impressionado. Sim, a tecnologia do e-ink realmente me fascinou, mas o pequeno aparato japonês não despertou meus instintos consumistas. A interface, tanto de hardware quanto de software, se mostraram espartanas demais e de usabilidade ruim.
A sensação de manusear um Kindle pela primeira vez é muito diferente. A Amazon conseguiu alcançar aquele tipo de satisfação à primeira vista que apenas a Apple parecia saber despertar. O aparelho é realmente fino, bonito e muito leve. Agora, para descrever a qualidade da tela basta relatar esta surpresa inicial. Assim que tirei o Kindle da caixa vi que na tela havia umas instruções básicas de como ligar o aparelho. Achei que era um adesivo, como aqueles que normalmente vem grudados em dispositivos digitais. Mas eu estava errado. Não se tratava de uma película com desenhos e ilustrações muito bem impressos: era a própria tela e-ink que já vinha em modo standby. Foi assim que descobri que o Kindle nunca desliga totalmente. Ele fica sempre com uma linda ilustração randômica quando você usa o botão superior para desativá-lo (que na verdade coloca-o em modo "hibernação".
Os botões do Kindle são muito fáceis de ser acessados, pois situam-se em sua lateral. Por outro lado, o tecladinho para tomar notas e buscar livros na loja virtual é muito ruim de ser usado. Mas em um próximo post farei uma análise detalhada da interface e usabilidade.
O que quero destacar é o prazer de ler no Kindle. Como a tela não é iluminada por trás (o que exige boas condições de iluminação do ambiente) e tendo em vista a altíssima qualidade dos textos exibidos na tela (saiba mais sobre a tecnologia e-ink), o Kindle revela-se uma aparelho perfeito para longas leituras. Sendo assim, se você é um leitor voraz, você precisa ter um Kindle. É bem verdade que o aparelho é caro (ainda mais se você importá-lo legalmente no site da Amazon). Para ele se pagar você precisa ler muito e aproveitar os descontos das versões online. Mas corra, algumas editoras querem aumentar os preços dos e-books, apesar dos protestos da Amazon.
Logo que recebi o Kindle, comprei uns livros e assinei revistas e jornais (a Amazon oferece 14 dias gratuitos). Além disso, baixei umas "amostras" de livros, disponíveis para se conhecer um pouco da obra antes de comprá-la. O processo de compra e assinatura de periódicos é rápido e fácil. Os arquivos digitais são rapidamente baixados via rede de celular (cujos custos são pagos pela própria Amazon).
Enquanto a leitura de livros só merece elogios, a assinatura de revistas e jornais é um caso à parte. As edições dos jornais O Globo e New York Times (que estou pagando pela assinatura), assim como as do jornal Zero Hora e revistas Time e PC Magazine que testei, trazem uma ou outra imagem em preto e branco. Ou seja, elas são constituídas basicamente de texto. É como você estivesse recebendo apenas metade das informações.
As edições dos jornais normalmente chegam cedinho. Confesso que é bom ler bons colunistas sem ter de abrir enormes folhas de papel jornal. Esse tipo de interface digital adequa-se muito bem à leitura na mesa do café, em aviões e ônibus. Além disso, é ótimo para ler deitado na rede! Por outro lado, a navegação pelos periódicos usando os botões e o pequeno joystick do Kindle é mais trabalhosa. Seria muito bom ter uma tela sensível ao toque (como este leitor da Sony). Mesmo assim, por enquanto vou mantendo minha assinatura digital do Globo. Espero que a Folha lance sua versão para Kindle em breve. Em todo caso, a falta de imagens é um fator que decepciona este blogueiro que insiste em pagar por conteúdo(!). Quanto a isso, algumas reflexões.
Por que assinar o New York Times se é possível lê-lo gratuitamente na web? Apenas pela comodidade de lê-lo no Kindle. Mesmo assim, o alto preço não compensa. Neste mês já estou cancelando minha assinatura daquele prestigioso jornal. Quem sabe eu volte a assiná-lo no ano que vem, quando seu conteúdo gratuito será podado na web. E talvez eu continue assinando algum grande jornal brasileiro (os jornais gaúchos são dureza!), para poder ler bons colunistas assim que acordo. De toda forma, tenho consciência que o Kindle é para livros, não para periódicos.
É aí que entro no tema que dá título ao post (apenas agora?!!!). A tela multi-touch do iPad, suas cores vibrantes e a excelente usabilidade serão excelentes para a navegação pelo conteúdo fragmentário de jornais online e para a leitura de revistas muito ilustradas. O Kindle não poderá concorrer. Talvez uma versão nova com a esperada tela e-ink colorida sensível ao toque possa ser tentadora. Mas não acredito que a Amazon consiga vencer nesse terreno.
Por outro lado, o Kindle ainda é imbatível no mercado de livros digitais, que exigem horas de leitura. Ainda que a Amazon esteja testando um browser para o Kindle, a navegação em puro texto em preto e branco é risível. Apesar da ameaça que a Apple representa, a Amazon precisa investir naquilo que ela faz bem: vender livros e oferecer um excelente leitor de e-books. Talvez o iPad não seja o mesmo sucesso que o iPhone. Talvez esse terceiro dispositivo, que situa-se entre um netbook e um iPod Touch, não consiga convencer os consumidores que eles precisam de mais um aparato em suas mochilhas. A única certeza que temos é que a briga será boa.
Em resumo: estou muito satisfeito com meu Kindle. Não acredito que o iPad e a iTunes Store consigam vencer a Amazon na área de livros. Por outro lado, o Kindle vai parecer muito, muito velho para a leitura de periódicos. Será que existe espaço para dois vencedores? A Amazon está arriscando muito em tecnologia, onde a Apple é rainha, botando sua loja de livros em perigo? Será que o iPad será uma promessa que não vai convencer? Os consumidores que viverem verão.
A indústria de propaganda descobriu “tardiamente” que, quando se tem crianças em casa, estas são as principais influenciadoras nos processos de compras da família. As campanhas de brinquedos, por exemplo, eram direcionadas aos pais, e produtos de sucesso como Lego e Barbie foram pioneiros ao criar propagandas tendo como público-alvo quem realmente importava: as crianças.
No ambiente digital, a maioria das redes sociais online disponíveis atualmente possui foco adulto, exigindo que seus participantes possuam idade suficiente para que possam concordar com os termos de compromisso. Não tão tardiamente(?), existe uma grande expansão no mercado online específico para crianças, que atrai investidores de peso e também incentiva diversas startups. E este mercado oferece espaço para jogos em rede, browsers, redes sociais, aplicativos... tudo isso com a supervisão atenta dos pais:
Kidzui: navegador para crianças de 3 a 12 anos, com uma interface divertida, colorida e repleta de botões grandes. Apesar de ser em inglês, o Kidzui é intuitivo e disponibiliza mais de um milhão de sites, vídeos e fotos, analisados por uma equipe de 200 pais e professores que “filtram” a internet e tornam segura a navegação. O browser é gratuito e patrocinado pela Mattel, mas existe uma versão paga para os pais que desejarem relatórios detalhados da visitação de seus pimpolhos.
TotLol: uma versão infantil do Youtube, que reúne vídeos para crianças de até 6 anos. Apesar de ser um projeto recente, o site já conta com diversas animações e vídeos didáticos, escolhidos pelos próprios pais que frequentam a comunidade online.
Nicktropolis: cidade virtual da Nickelodeon que oferece várias opções de diversão multimídia para os seus “habitantes”, como jogos, pets, vídeos exclusivos da Nick e interação com outras crianças.
FaceChipz: aqui, as crianças têm acesso a diversos recursos, como compartilhamento de fotos, atualizações de status, emoticons, chats, widgets e jogos. Mas o FaceChipz possui o modelo mais inovador até então, pois a rede social para crianças e pré-adolescentes parte de um relacionamento no mundo real. Explicando: os pais cadastram a criança e compram fichas colecionáveis que vêm com um chip que traz um "código de amizade". A criança distribui essas fichas entre seus amigos, que inserem o código ao aceitar o pedido de amizade na rede. Assim, criam-se relacionamentos "seletivos", com base nos existentes offline. O site é recente (novembro de 2009), mas tem grandes chances de cair no gosto da garotada, pois as fichas são coloridas, personalizadas, e se parecem com tazos (alguém mais lembrou disso?).
Club Penguin: a gigante comunidade virtual, criada em 2005 e comprada pela Disney em 2007 por pelo menos 350 milhões de dólares, merece destaque nesta lista. Com mais de 12 milhões de membros, aqui cada criança vira um pingüim, no melhor estilo MMORPG, e pode personalizar seu avatar, explorar o mundo virtual com outros pinguins e se divertir com jogos. Todo controlado por moderadores, o Club Penguin é gratuito, mas conta com um lucrativo sistema de assinaturas que permite acesso VIP a alguns lugares, compra de acessórios, entre outros.
"Lugar de criança é na rua"...? Redes sociais focadas em crianças suscitam a discussão: será que isso faz bem para o desenvolvimento e sociabilidade das crianças? Pesquisa da National Literacy Trust indica que crianças que utilizam redes sociais e escrevem em blogs são mais confiantes nas suas habilidades, e interagem melhor. Assim como qualquer outra forma de jogos, brinquedos e quebra-cabeças - individuais ou em grupo-, o uso da Internet pode estimular diversas potencialidades, como a inteligência cognitiva, mas as atividades físicas são fundamentais para o desenvolvimento motor da criança. O que se percebe é que existe um "medo das tecnologias" em relação às crianças, como se fossem ficar reclusas e depressivas por causa delas. Entretanto, como diz Sílvio Meira nesta matéria para a Super Interessante, lugar de criança é na Internet! Com tantas alternativas divertidas e seguras, cabe aos pais dar limites que possam equilibrar de maneira saudável todas as brincadeiras.
Em terra de smartphone, quem tem IPhone é rei. Dezenas de aplicativos, jogos e acessórios são “despejados” no mercado mobile mês após mês, mas o foco das atenções é a AppStore, a loja da Apple. Dirigir remotamente um carro? Fazer tricô? Avisar que o protetor solar precisa ser reaplicado? Procurar o Wally? Bom, estes e centenas de outros aplicativos já estão disponíveis para download. Inovadores, divertidos, úteis, fúteis, não importa: ninguém quer ficar de fora deste mercado promissor, e as marcas mais moderninhas já estão garantindo seu espaço desenvolvendo seus próprios apps.
Ainda que existam outras lojas de apps, a Apple tem liderança absoluta: em 2009, dados da ComScore indicaram que 99,4% dos aplicativos móveis foram adquiridos na AppStore, com o restante a ser dividido entre Nokia, Google e Palm. Mas este “oceano azul” começa a receber sinais de concorrência das boas: com esta simpática campanha, veiculada há poucas semanas, a Nokia apresenta O maravilhoso mundo da Ovi, divulgando a Ovi Store, loja de aplicativos da empresa.
Os apps chegaram pra ficar: existem diversas listas reunindo “os melhores”, além das que focam em objetivos específicos, como jogos, geolocalizadores, gerenciadores de tarefas... tem aplicativo até para os enólogos de plantão. Inclusive, há uma rede social para os fãs trocarem opiniões e experiências, a AppBoy.
Este promissor mercado está na mira de milhares de olhos: desenvolvedores, empreendedores, publicitários. A disputa ganhou ainda mais tempero quando, na sexta-feira (22/01), a Nokia anunciou que irá oferecer GPS gratuito para alguns de seus aparelhos (no Brasil, o 5800 e o 6710). A empresa, que está envolvida em uma batalha com a Apple por patentes desde outubro passado, agora arranjou confusão com os fabricantes de GPS. Ainda que mantendo as portas abertas para que outras empresas vendam aplicativos de localização para seus telefones, quem vai concorrer com navegação gratuita da Nokia?
Até 2009, o reinado de aplicativos era da Apple, mas estima-se que esta fatia reduza de 99,4% para 66% em 2010, principalmente devido ao crescimento exponencial do Android. A concorrência acirrada neste mercado é positiva para os consumidores, pois traz mais opções e maior variedade de benefícios (como GPS gratuito) para os smartphones. Que vença o melhor.
Os polêmicos China e Google são os protagonistas de uma emblemática guerra de/por informação entre uma empresa e uma nação-estado, que envolve censura, monopólio, restrições e ataques à privacidade alheia.
Como foi noticiado em diversos meios, já que a maioria dos jornais e blogs está fazendo intensa cobertura sobre o caso, o Google anunciou a decisão de quebrar o acordo com a China e retirar os mecanismos de censura da ferramenta de busca em território chinês. Logo no início da declaração em seu blog, a empresa avisa que “detectou” uma grande ameaça de ataque proveniente da China, a então chamada Operação Aurora, que ainda envolvia ataques de pishing a ativistas locais usuários do Gmail. E ainda ameaçou: caso não tenha o aval para retirar a censura nos seus resultados, o Google fecha as portas no país. Isso mesmo, Googlebye, como apelidaram os chineses mais abalados com a notícia.
Muitos desdobramentos ainda estão por vir, inclusive há rumores que estes ataques provêm do governo chinês e/ou do próprio Google(!). E entre diversas análises sobre o caso publicadas na mídia especializada, as opiniões heróico-apaixonadas têm destaque, na linha “finalmente, alguém teve coragem de enfrentar a monstruosidade da China”. De fato, a postura da empresa traz à tona a discussão e acaba por revelar outras facetas destas relações diplomáticas, mas bloquear a censura das pesquisas em um país em que o Google nem é líder (30% das buscas) não combateria as históricas fragilidades em termos de direitos humanos que permeiam o país, intensamente retratados pela imprensa mundial durante as Olimpíadas. Mas uma outra corrente crítica argumenta que a briga é de gente grande: o gigante das buscas não irá abandonar este gigante mercado, o que faz disto uma manobra estratégica. That's the good PR!
Para além desta discussão centrada no governo chinês, o que surpreende é a crise diplomática que o Google vêm enfrentando a partir do crescimento exponencial de seus negócios para mais e mais áreas (já conhecem o projeto Energy?). O departamento de Relações Públicas da empresa deve estar sobrecarregado de trabalho, pois o Google está interferindo nas relações comerciais, editoriais, políticas e até de privacidade de diversos países. Algumas das quais consigo lembrar no momento:
- Suíça x Google: aqui, o problema é com a privacidade dos cidadãos suíços clicados no Google Street View. A empresa de buscas foi acusada de não obscurecer as fotos de transeuntes e placas de carros, além de colocar as câmeras em determinada altura que contempla imagens de propriedades privadas. A decisão judicial determinou que o Google poderá continuar registrando o país para o Street View, mas atentando para normas mais rígidas de privacidade. Polêmica semelhante também ocorreu no Reino Unido.
- Alemanha x Google: em entrevista à revista Del Spiegel, a ministra da Justiça do país, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, fez declarações em que demonstrou preocupação na quantidade de dados sobre cidadãos, e anuncia que a empresa está criando um “monopólio gigante”, similar ao construído pela Microsoft, o que a coloca na mira das investigações alemãs.
- Índia x Google: Já no país indiano, a preocupação é com o Google Earth. O governo considera o software um perigoso aliado para ataques terroristas, por oferecer informações por satélite dos possíveis alvos.
- França x Google: como recentemente tratado aqui no Dossiê, o presidente Sarkozy fez declarações polêmicas sobre o processo de digitalização de obras francesas pelo projeto Google Books. E a briga recém começou, pois o governo francês estuda propostas de criar um "imposto google" sobre as buscas.
- Brasil x Google: alguém se lembra das extensas batalhas judiciais para revelar dados de possíveis pedófilos no Orkut?
Pergunto: de fato, quem detém informação detém o poder? Ou também é preciso muito jogo de cintura diplomático e manobras estratégicas (como o caso China?). Uma coisa é certa: nunca nos questionamos tanto sobre a possível criação de um monopólio nas buscas por informação, e como estamos colaborando para isto. Esperamos que o Google siga seu próprio slogan: Don't be evil.
Ainda que enfrentando resistência por parte de alianças como a Open Book Alliance (Amazon, Microsoft e Yahoo, juntas!) e dos gigantes do mercado editorial, o Google vêm digitalizando livros há mais de cinco anos, e recentemente firmou um importante acordo com autores, editoras e bibliotecas para a publicação de seus acervos no Google Books.
O foco das discussões sobre o acesso ao conhecimento está voltado para as plataformas de distribuição: o melhor e-Reader do mercado, as editoras on demand, os e-books e o futuro incerto do livro de papel, a leitura em smartphones. Dentre tantos egos feridos, como autores, gráficas e pequenas editoras, eis que surge mais um grande inimigo: a França!
Nesta sexta-feira, o Google foi condenado pela Justiça francesa por infringir direitos autorais da editora La Martiniere. O processo corria há três anos e pedia uma indenização de 15 milhões de euros(!), mas a multa aplicada ao gigante das buscas corresponde a 300 mil euros, além de taxas diárias até que todo os fragmentos de livros desta editora sejam retirados do Google Books.
Pouco antes desta decisão, o presidente Nicolas Sarkozy fez declarações polêmicas sobre a digitalização de livros, ao dizer que não deixaria a herança literária francesa nas mãos de "empresas norte-americanas amigáveis". Uma das providências foi a criação da Polinum, startup planejada para, num futuro próximo, servir de alternativa ao sistema de arquivamento do Google. O projeto de digitalização é uma das prioridades do governo francês em 2010, garantiu o primeiro ministro François Fillon.
Acesso x Leitura
O co-fundador do Google, Sergey Brin, diz que os acordos de digitalização de livros são uma vitória para a empresa, mas que “quem realmente ganha é o leitor, pois a enorme riqueza de conhecimentos presente em todos os livros do mundo agora estará ao alcance de todos”. Entretanto, este precedente aberto pela Justiça Francesa de condenação do projeto provavelmente prejudicará os planos do Google Books de digitalizar "todas as informações do mundo".
Tantas batalhas judiciais e o que se percebe é que estas discussões focam no processo de disponibilizar o livro, e não em sua leitura. Caberia refletir sobre a importância de brigar por tanto acesso quando se constata que, segundo o NOP World Reports Worldwide, o índice de leitura da maioria dos países é de menos de 1 hora por dia. Faz sentido tamanho acesso ao objeto-livro e a esta "riqueza", se não soubermos como aproveitá-la?
Certamente o incentivo a tais hábitos de leitura não é um dever do Google - que, diga-se de passagem, já está fazendo sua parte ao promover esta digitalização. A única maneira de explorar e desfrutar deste conhecimento é ler mais, seja no papel, no e-reader ou no Google Books. Que tal começar por aqui?
A cada semana uma nova febre acomete o Twitter. O estado febril da vez é o Formspring.me. À primeira vista este sisteminha de perguntas e respostas parece trivial e sem graça. É bem verdade que também pensamos o mesmo do Twitter quando ele surgiu. Mas será que o Formspring.me acabará sendo avaliado em bilhões de dólares daqui a alguns meses? Ou como toda febre passará em breve?
O grande trunfo deste novo serviço é conseguir juntar duas figuras muito comuns da Web 2.0: o egocêntrico e o anônimo. O primeiro sofre da Síndrome Narcísica, muito comum em nossos tempos. Ele busca incansavelmente uma audiência que o aplauda e que confirme sua existência. Nada como ter um grupo de desconhecidos querendo saber trivialidades sobre a sua pessoa. Para um narcisista, a oportunidade de falar de si é sempre prazerosa. Do outro lado desta breve conversação, um anônimo (ainda que interagentes registrados possam se identificar) dispara perguntas protegido pelo escudo da total invisibilidade. Neste encontro inusitado, onde o ego admira-se diante de um espelho sem imagem, o narcisista exerce sua criatividade em responder simplórias provocações com trocadilhos e filosofias baratas.
Claro, as perguntas são previamente selecionadas. Nesse sentido, não apenas as respostas nos falam muito sobre quem responde, mas as próprias perguntas escolhidas revelam um pouco do universo que lhe interessa. A prática envolve tanto o lúdico quanto o risco. De qualquer forma, para o narcisista o que menos importa é a pergunta. O que vale é o espaço para se expor.
Mas não sejamos tão críticos. O Formspring.me pode ser uma brincadeira gostosa, um exercício de autoconhecimento e até mesmo uma ferramenta para professores e empresas receberem o livre feedback de seus públicos.
Resta saber se este serviço vai conseguir ultrapassar o limite da curiosidade ou se impor como um novo espaço conversacional. Já podemos observar o envio automático de perguntas e respostas para o Twitter. Um fenômeno parecido aconteceu com o Blip.fm , mas hoje ele parece bastante esquecido. Será esse o destino do Formspring.me?