Em terra de smartphone, quem tem IPhone é rei. Dezenas de aplicativos, jogos e acessórios são “despejados” no mercado mobile mês após mês, mas o foco das atenções é a AppStore, a loja da Apple. Dirigir remotamente um carro? Fazer tricô? Avisar que o protetor solar precisa ser reaplicado? Procurar o Wally? Bom, estes e centenas de outros aplicativos já estão disponíveis para download. Inovadores, divertidos, úteis, fúteis, não importa: ninguém quer ficar de fora deste mercado promissor, e as marcas mais moderninhas já estão garantindo seu espaço desenvolvendo seus próprios apps.
Ainda que existam outras lojas de apps, a Apple tem liderança absoluta: em 2009, dados da ComScore indicaram que 99,4% dos aplicativos móveis foram adquiridos na AppStore, restando 0,6% a ser dividido entre Nokia, Google e Palm. Mas este “oceano azul” começa a receber sinais de concorrência das boas: com esta simpática campanha, veiculada há poucas semanas, a Nokia apresenta O maravilhoso mundo da Ovi, divulgando a Ovi Store, loja de aplicativos da empresa.
Os apps chegaram pra ficar: existem diversas listas reunindo “os melhores”, além das que focam em objetivos específicos, como jogos, geolocalizadores, gerenciadores de tarefas... tem aplicativo até para os enólogos de plantão. Inclusive, há uma rede social para os fãs trocarem opiniões e experiências, a AppBoy.
Este promissor mercado está na mira de milhares de olhos: desenvolvedores, empreendedores, publicitários. A disputa ganhou ainda mais tempero quando, na sexta-feira (22/01), a Nokia anunciou que irá oferecer GPS gratuito para alguns de seus aparelhos (no Brasil, o 5800 e o 6710). A empresa, que está envolvida em uma batalha com a Apple por patentes desde outubro passado, agora arranjou confusão com os fabricantes de GPS. Ainda que mantendo as portas abertas para que outras empresas vendam aplicativos de localização para seus telefones, quem vai concorrer com navegação gratuita da Nokia?
Até 2009, o reinado de aplicativos era da Apple, mas estima-se que esta fatia reduza de 99,4% para 66% em 2010, principalmente devido ao crescimento exponencial do Android. A concorrência acirrada neste mercado é positiva para os consumidores, pois traz mais opções e maior variedade de benefícios (como GPS gratuito) para os smartphones. Que vença o melhor.
Os polêmicos China e Google são os protagonistas de uma emblemática guerra de/por informação entre uma empresa e uma nação-estado, que envolve censura, monopólio, restrições e ataques à privacidade alheia.
Como foi noticiado em diversos meios, já que a maioria dos jornais e blogs está fazendo intensa cobertura sobre o caso, o Google anunciou a decisão de quebrar o acordo com a China e retirar os mecanismos de censura da ferramenta de busca em território chinês. Logo no início da declaração em seu blog, a empresa avisa que “detectou” uma grande ameaça de ataque proveniente da China, a então chamada Operação Aurora, que ainda envolvia ataques de pishing a ativistas locais usuários do Gmail. E ainda ameaçou: caso não tenha o aval para retirar a censura nos seus resultados, o Google fecha as portas no país. Isso mesmo, Googlebye, como apelidaram os chineses mais abalados com a notícia.
Muitos desdobramentos ainda estão por vir, inclusive há rumores que estes ataques provêm do governo chinês e/ou do próprio Google(!). E entre diversas análises sobre o caso publicadas na mídia especializada, as opiniões heróico-apaixonadas têm destaque, na linha “finalmente, alguém teve coragem de enfrentar a monstruosidade da China”. De fato, a postura da empresa traz à tona a discussão e acaba por revelar outras facetas destas relações diplomáticas, mas bloquear a censura das pesquisas em um país em que o Google nem é líder (30% das buscas) não combateria as históricas fragilidades em termos de direitos humanos que permeiam o país, intensamente retratados pela imprensa mundial durante as Olimpíadas. Mas uma outra corrente crítica argumenta que a briga é de gente grande: o gigante das buscas não irá abandonar este gigante mercado, o que faz disto uma manobra estratégica. That's the good PR!
Para além desta discussão centrada no governo chinês, o que surpreende é a crise diplomática que o Google vêm enfrentando a partir do crescimento exponencial de seus negócios para mais e mais áreas (já conhecem o projeto Energy?). O departamento de Relações Públicas da empresa deve estar sobrecarregado de trabalho, pois o Google está interferindo nas relações comerciais, editoriais, políticas e até de privacidade de diversos países. Algumas das quais consigo lembrar no momento:
- Suíça x Google: aqui, o problema é com a privacidade dos cidadãos suíços clicados no Google Street View. A empresa de buscas foi acusada de não obscurecer as fotos de transeuntes e placas de carros, além de colocar as câmeras em determinada altura que contempla imagens de propriedades privadas. A decisão judicial determinou que o Google poderá continuar registrando o país para o Street View, mas atentando para normas mais rígidas de privacidade. Polêmica semelhante também ocorreu no Reino Unido.
- Alemanha x Google: em entrevista à revista Del Spiegel, a ministra da Justiça do país, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, fez declarações em que demonstrou preocupação na quantidade de dados sobre cidadãos, e anuncia que a empresa está criando um “monopólio gigante”, similar ao construído pela Microsoft, o que a coloca na mira das investigações alemãs.
- Índia x Google: Já no país indiano, a preocupação é com o Google Earth. O governo considera o software um perigoso aliado para ataques terroristas, por oferecer informações por satélite dos possíveis alvos.
- França x Google: como recentemente tratado aqui no Dossiê, o presidente Sarkozy fez declarações polêmicas sobre o processo de digitalização de obras francesas pelo projeto Google Books. E a briga recém começou, pois o governo francês estuda propostas de criar um "imposto google" sobre as buscas.
- Brasil x Google: alguém se lembra das extensas batalhas judiciais para revelar dados de possíveis pedófilos no Orkut?
Pergunto: de fato, quem detém informação detém o poder? Ou também é preciso muito jogo de cintura diplomático e manobras estratégicas (como o caso China?). Uma coisa é certa: nunca nos questionamos tanto sobre a possível criação de um monopólio nas buscas por informação, e como estamos colaborando para isto. Esperamos que o Google siga seu próprio slogan: Don't be evil.
Ainda que enfrentando resistência por parte de alianças como a Open Book Alliance (Amazon, Microsoft e Yahoo, juntas!) e dos gigantes do mercado editorial, o Google vêm digitalizando livros há mais de cinco anos, e recentemente firmou um importante acordo com autores, editoras e bibliotecas para a publicação de seus acervos no Google Books.
O foco das discussões sobre o acesso ao conhecimento está voltado para as plataformas de distribuição: o melhor e-Reader do mercado, as editoras on demand, os e-books e o futuro incerto do livro de papel, a leitura em smartphones. Dentre tantos egos feridos, como autores, gráficas e pequenas editoras, eis que surge mais um grande inimigo: a França!
Nesta sexta-feira, o Google foi condenado pela Justiça francesa por infringir direitos autorais da editora La Martiniere. O processo corria há três anos e pedia uma indenização de 15 milhões de euros(!), mas a multa aplicada ao gigante das buscas corresponde a 300 mil euros, além de taxas diárias até que todo os fragmentos de livros desta editora sejam retirados do Google Books.
Pouco antes desta decisão, o presidente Nicolas Sarkozy fez declarações polêmicas sobre a digitalização de livros, ao dizer que não deixaria a herança literária francesa nas mãos de "empresas norte-americanas amigáveis". Uma das providências foi a criação da Polinum, startup planejada para, num futuro próximo, servir de alternativa ao sistema de arquivamento do Google. O projeto de digitalização é uma das prioridades do governo francês em 2010, garantiu o primeiro ministro François Fillon.
Acesso x Leitura
O co-fundador do Google, Sergey Brin, diz que os acordos de digitalização de livros são uma vitória para a empresa, mas que “quem realmente ganha é o leitor, pois a enorme riqueza de conhecimentos presente em todos os livros do mundo agora estará ao alcance de todos”. Entretanto, este precedente aberto pela Justiça Francesa de condenação do projeto provavelmente prejudicará os planos do Google Books de digitalizar "todas as informações do mundo".
Tantas batalhas judiciais e o que se percebe é que estas discussões focam no processo de disponibilizar o livro, e não em sua leitura. Caberia refletir sobre a importância de brigar por tanto acesso quando se constata que, segundo o NOP World Reports Worldwide, o índice de leitura da maioria dos países é de menos de 1 hora por dia. Faz sentido tamanho acesso ao objeto-livro e a esta "riqueza", se não soubermos como aproveitá-la?
Certamente o incentivo a tais hábitos de leitura não é um dever do Google - que, diga-se de passagem, já está fazendo sua parte ao promover esta digitalização. A única maneira de explorar e desfrutar deste conhecimento é ler mais, seja no papel, no e-reader ou no Google Books. Que tal começar por aqui?
A cada semana uma nova febre acomete o Twitter. O estado febril da vez é o Formspring.me. À primeira vista este sisteminha de perguntas e respostas parece trivial e sem graça. É bem verdade que também pensamos o mesmo do Twitter quando ele surgiu. Mas será que o Formspring.me acabará sendo avaliado em bilhões de dólares daqui a alguns meses? Ou como toda febre passará em breve?
O grande trunfo deste novo serviço é conseguir juntar duas figuras muito comuns da Web 2.0: o egocêntrico e o anônimo. O primeiro sofre da Síndrome Narcísica, muito comum em nossos tempos. Ele busca incansavelmente uma audiência que o aplauda e que confirme sua existência. Nada como ter um grupo de desconhecidos querendo saber trivialidades sobre a sua pessoa. Para um narcisista, a oportunidade de falar de si é sempre prazerosa. Do outro lado desta breve conversação, um anônimo (ainda que interagentes registrados possam se identificar) dispara perguntas protegido pelo escudo da total invisibilidade. Neste encontro inusitado, onde o ego admira-se diante de um espelho sem imagem, o narcisista exerce sua criatividade em responder simplórias provocações com trocadilhos e filosofias baratas.
Claro, as perguntas são previamente selecionadas. Nesse sentido, não apenas as respostas nos falam muito sobre quem responde, mas as próprias perguntas escolhidas revelam um pouco do universo que lhe interessa. A prática envolve tanto o lúdico quanto o risco. De qualquer forma, para o narcisista o que menos importa é a pergunta. O que vale é o espaço para se expor.
Mas não sejamos tão críticos. O Formspring.me pode ser uma brincadeira gostosa, um exercício de autoconhecimento e até mesmo uma ferramenta para professores e empresas receberem o livre feedback de seus públicos.
Resta saber se este serviço vai conseguir ultrapassar o limite da curiosidade ou se impor como um novo espaço conversacional. Já podemos observar o envio automático de perguntas e respostas para o Twitter. Um fenômeno parecido aconteceu com o Blip.fm , mas hoje ele parece bastante esquecido. Será esse o destino do Formspring.me?
Recentemente, a Business Week publicou uma matéria intitulada “Inside the App Economy”, que trata do boom de start-ups com foco em aplicativos para redes sociais e smartphones. Os famigerados Farmville e Mafia Wars, desenvolvidos para o Facebook pela empresa Zynga, são alguns dos bem-sucedidos exemplos dessa nova economia. O Twitter, apesar da plena ascensão e dos mais de 50 mil aplicativos registrados, ainda não é rentável economicamente. O CEO do microblog, Biz Stone, garante que não irá vendê-lo, mas existem muitas especulações sobre possíveis ferramentas de monetização.
Como já foi pontuado neste blog, a maior parte do sucesso do Twitter é explicada pela arquitetura de participação viabilizada pela abertura de seu sistema, que permitiu a proliferação dos serviços para a plataforma. Mas, assim como aconteceu no Facebook, alguns desenvolvedores de aplicativos descobriram maneiras de gerar sua própria renda, e esta não vai para o bolso do Twitter e sim para as start-ups e os programadores envolvidos. Que mundo injusto, não?
Alguns passos estão sendo ensaiados para alterar isto. Ciente de que mais de metade do tráfego do Twitter vem de outros aplicativos, o Diretor de Plataforma do microblog, Ryan Sarver, fez alguns considerações importantes na 3ª edição do LeWeb, conferência francesa sobre internet que aconteceu na semana passada.
Dentre as novidades anunciadas, está a criação de um site especial para os desenvolvedores, com tutoriais, painel de usuário e testes preferenciais. Além disso, a partir de 2010, os desenvolvedores de aplicativos para o Twitter terão acesso ao banco de dados do microblog, o Firehose, que permite acompanhar o tráfego de tempo e livestream dos usuários, dados até então restritos a gigantes como Google e Bing.
Mas nem tudo são flores: além de não ficar claro se o acesso ao Firehose será gratuito, o Twitter aumentará as taxas dos aplicativos com autenticação segura. Nas palavras de Sarve, o Twitter também planeja um modelo de negócios que faça o dinheiro fluir pela plataforma, permitindo sua participação no sucesso de seus parceiros. Ou seja, quanto mais dinheiro circulando nos aplicativos, mais retorno para o microblog!
Sendo assim, porque não incentivá-los a produzir melhor? A última das novidades do dia: o lançamento da Chirp, a primeira conferência para desenvolvedores de aplicativos para Twitter, que acontecerá em São Francisco, em 2010. Similar à F8, conferência do Facebook, a Chirp é uma iniciativa que potencializa a indústria de aplicativos, pois reúne centenas de startups e desenvolvedores e propõe a interação de "aprender uns com os outros". Ao mesmo tempo que proporciona esta troca de dados e ferramentas, o evento pode ser uma das maneiras que o Twitter encontrou de gerenciar o que está sendo produzido por aí e até incorporar algumas dessas mudanças (as novas funcionalidades, como o Retweet e as Listas, foram "inspirados" em apps desenvolvidos por terceiros).
Pelo visto, 2010 promete ser um ano cheio de novidades. Por ora, aqui vai uma excelente compilação de aplicativos para o Twitter.
Facebook, Twitter, Blog, Orkut, LinkedIn, Flickr... Você tem quantos perfis cadastrados pela rede afora? Já perdeu as contas (e as senhas)?
O que mostramos em cada um deles?
Vivemos na era do lifestreaming. Sendo assim, percebe-se uma crescente preocupação com a identidade construída nestes ambientes digitais. Os agregadores de conteúdo, como o FriendFeed, e os centralizadores de redes sociais, como o MeAdiciona, são algumas maneiras de "gerenciar" esta imagem. Por meio deles, podemos concentrar nosso sujeito fragmentado online, reunindo as "identidades espalhadas" pela web e as vinculando a um perfil único.
Para Michel Maffesoli, o social é um complexo explícito de valores plurais, diferentes e diversos, o que resulta na fragmentação do sujeito. Assim, na pós-modernidade, este sujeito é "o ator da era contemporânea, que representa papéis variados em diferentes grupos sociais", e alterna suas identificações de acordo com o ambiente em que está inserido.
Nesse cenário, é válido apresentar dois projetos interessantes que já estavam em período de testes, mas foram lançados oficialmente por esses dias. O primeiro é o Flavors.me, que promete facilitar a presença online das pessoas. É uma maneira estilosa de personalizar uma página web. Totalmente customizável e com uma interface clean, no estilo Posterous e Tumblr, o Flavors já conquistou os primeiros adeptos.
É importante pontuar que o Flavors não é um novo FriendFeed, apesar do mesmo princípio de centralização da nossa presença online. Fundado por ex-funcionários do Google e recentemente adquirido pelo Facebook, no FriendFeed podemos acompanhar em tempo real todas as atualizações dos nossos contatos, seja no Twitter, no Delicious ou no Flickr. Já a proposta do Flavors tem um foco minimalista, apenas auxilia na criação de uma página web para chamar de sua: um cartão de visitas virtual, com o seu portfolio de atividades na rede, não oferecendo possibilidades de "seguir" amigos e acompanhar suas atualizações.
Para além deste foco de centralização, o site Youtego, lançado esta semana, se direciona mais para a parte estética desta construção identitária. Através de uma poderosa ferramenta de visualização, podemos montar um perfil só com imagens que revelam nossas preferências, habilidades, hobbies, o que resulta em um vídeo de apresentação muito agradável visualmente.Veja um exemplo:
Em processos de seleção, a prática de pesquisar a vida online dos candidatos já é uma realidade, e abre espaço para dúvidas: por estar buscando uma vaga de gerência, será que pega mal publicar as fotos da festa passada no Flickr? Se meu chefe me segue no Twitter, posso exclamar aliviado "ainda bem que é sexta, chega de trabalho!", sem correr o risco de uma repreensão?!!
Enquanto isso, resta desfrutar das possibilidades estéticas de unificação que a web 2.0 proporciona, como estas apresentações pessoais e cartões de visita cada vez mais interessantes!
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Para saber mais sobre as expressões identitárias na web, leia este artigo sobre Lifestreaming, de Sandra Bordini.
Os blogs resistem a toda censura. Ditaduras não podem silenciar a voz de blogueiros. Juízes podem tirar blogs do ar; processos podem tentar nos intimidar. Mas a blogosfera não se cala.
Apenas uma dolorida tendinite pode afastar um blogueiro de seus posts...
Nesta época do ano, entre diversas listas, resoluções e retrospectivas, o Google atrai muitas atenções com o lançamento do relatório de análises das buscas mundiais, o Google Zeitgeist.
Zeit o quê? Em uma tradução aberta do idioma alemão, zeit significa época e geist, espírito: assim, a palavra zeitgeist representaria o clima moral e intelectual de um período de tempo, a partir das particularidades observadas. Disponibilizado anualmente desde 2001, o Zeitgeist traz o ranking das palavras mais buscadas entre suas bilhões de pesquisas. No cruzamento destes dados, é possível identificar padrões e interesses globais, assim como delinear a retrospectiva dos assuntos mais discutidos no ano.
O espírito de 2009 O relatório deste ano trouxe Michael Jackson, Twitter e Facebook entre os termos emergentes nas pesquisas, e Barack Obama e Olimpíadas de Pequim entre os decrescentes. Até aí nada além do esperado, mas destacam-se algumas particularidades:
- Torpedo Grátis como um dos 10 termos mais bombantes de 2009? Pelo visto, a geração SMS, que segundo a consultoria Nielsen envia em média 80 mensagens por dia, está à procura de uma maneira mais barata de sustentar o vício!
- A presença das redes sociais foi constante nas pesquisas de todos os países. Enquanto no Brasil ainda estamos muito ligados ao Orkut, nossos vizinhos estão todos no Facebook: o termo teve o maior crescimento de procura nos países da América Latina (Argentina, Colômbia, Venezuela, Chile, Peru), além de posição de destaque nos países africanos (Quênia, Cingapura, Nígéria). Já o Twitter foi a bola da vez nas buscas no Brasil, Canadá e Estados Unidos.
- Windows 7 foi o termo que mais bombou na Europa Ocidental, principalmente na Áustria, Suíça, Alemanha - países que fazem parte do seleto grupo escolhido pela Microsoft para receber a edição Family Pack do Windows 7, com três licenças por U$ 149.
- A polêmica morte de Michael Jackson, que derrubou diversos sites, inclusive o Twitter, teve menos crescimento de buscas na Europa do que a cantora pop Lady Gaga. Na Argentina, o rapper Daddy Yankee também ultrapassou o Rei do Pop nos índices de pesquisa.
E o Brasil? Até 2007, o Google Zeitgeist oferecia o relatório das pesquisas de forma global. A partir do ano passado, estas análises ganharam divisões regionais, possibilitando conferir as tendências de cada país. Considerando que o Google detém 95% das buscas feitas por IPs brasileiros, a análise dos termos mais buscados permite identificar interesses e preferências neste período de tempo. O relatório sobre o Brasil diz que, “do ponto de vista das buscas do Google, os brasileiros interagem via web sobre um tripé: redes sociais (e diversão), serviços e consumo”.
No relatório de 2008, quatro das 10 palavras com maior crescimento na procura estavam relacionadas a jogos on-line; em 2009, tais termos sequer aparecem no mesmo ranking. Entre os emergentes, destaque para três termos relacionados à carreira: Concursos 2009, Emprega SP e ENEM 2009. Será que o brasileiro cansou de jogar Tetris?
Tendências para 2010 Uma das novidades deste ano é a seção “Mais dados”, que convida aos relatórios de tendências de outros 50 países, utilizando a integração com o Google Tradutor. Apresenta também diversas ferramentas de mapeamento de tendências, como o Google Trends, o Hot Trends e o Google Insights (mais sobre este assunto a qualquer momento por aqui).
Aos interessados pelo assunto, este blog fez um excelente trabalho de compilação e reuniu diversas previsões e tendências para 2010!
Ontem o Google anunciou em um blog oficial que vai mudar a forma como o Google News funciona. Após uma forte pressão dos jornais online, liderada pelo titã midiático Rupert Murdoch, o Google oferecerá a essas empresas o recurso de bloquear a leitura de mais de 5 notícias em seu agregador. A partir do sexto clique o internauta precisará se cadastrar no jornal online e pagar pelo conteúdo (se essa for a política do periódico). Esse recurso visa satisfazer os jornais que acusavam o Google de roubar seu conteúdo através do agregador Google News que, apesar de não produzir nenhum material original nem manter parcerias comerciais com empresas jornalísticas, lucra com notícias produzidas por terceiros.
Vale lembrar que Murdoch ameaçava tirar o conteúdo de todos os seus jornais das páginas do Google. Além disso, estaria assinando um acordo com o mecanismo de buscas da Microsoft Bing que passaria a repartir seus lucros com publicidade com os jornais online. Parecia uma jogada de mestre: Bing conquista conteúdo jornalístico que sumiria das páginas do Google. Murdoch e Microsoft juntos em defesa dos lucros das velhas empresas jornalísticas. "Ai, que meda!!!"
A internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional - mas apenas se mantiver o equilíbrio econômico-financeiro das empresas jornalísticas nos novos canais de distribuição digitais. Não é o que acontece atualmente.
Vários agregadores de conteúdo utilizam obras de jornalistas, editores e empresas jornalísticas sem pagar por este uso. No longo prazo, esta prática põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente.
Por este motivo, precisamos melhorar a proteção da propriedade intelectual na internet. O acesso livre à web não significa necessariamente acesso livre de custos. Discordamos dos que afirmam que a liberdade de informação só será obtida com todos os conteúdos gratuitos.
O acesso universal aos nossos serviços deverá estar disponível, mas não queremos ser obrigados a ceder a nossa propriedade sem autorização prévia.
Assim sendo, consideramos necessárias e urgentes medidas para a proteção dos direitos autorais de jornalistas, editores e empresas jornalísticas na internet.
Não devem existir zonas da internet onde as leis não se aplicam. Os governos e legisladores, em nível nacional e internacional, devem proteger mais eficazmente os conteúdos intelectuais dos autores e produtores. Deve ser proibida a utilização, sem prévia autorização, da propriedade intelectual de terceiros.
Em última análise, também na rede mundial de internet deve valer o princípio: não há democracia sem jornalismo independente.
A cobrança pelo conteúdo jornalístico online veiculado nas páginas do Google, para Marcelo Träsel, será um suicídio editorial, tendo em vista que boa parte do tráfego de jornais online iniciam naquele mecanismo de busca e em seus agregadores de conteúdo. Diz ele, "Ao tentarem cobrar das ferramentas de busca por esse serviço público, as empresas estão sequestrando um patrimônio público [o acontecimento em si], impedindo que os cidadãos tenham acesso à sua história". Irônico, Träsel alfineta:
...para eles as ferramentas de busca devem pagar para levar leitores aos jornais, porque lucram veiculando anúncios junto aos resultados de buscas. É engraçado, mas não há registro de alguma empresa de mídia propondo dividir os lucros dos anúncios em rádio, jornal e televisão com os entrevistados que fornecem matéria-prima para as notícias com o sacrifício de seu precioso tempo. Aliás, o entrevistado em geral tem de se deslocar até o estúdio por conta própria e muitas vezes não recebe nem um cafezinho.
Tiago Dória, por sua vez, lembra que não estamos querendo roubar o conteúdo editorial. Estamos doando minutos de nossa valiosa atenção. Logo, em um mercado de abundância, será que as tradicionais estratégias de monetização dos jornais impressos podem fazer sentido na internet? Quem sabe o Murdoch dá uma lida no livro Free? Espero que Chris Anderson cobre bem caro por essa cópia do livro enviada para o dono da News Corporation.
Para que a cobrança por conteúdo em jornais online funcionasse, todos, eu disse TODOS, aqueles sites precisariam se fechar. O problema é que se um ou outro mantivessem o acesso aberto e gratuito, esses jornais online "furões" ganhariam imensa vantagem competitiva. Como hoje as notícias em diferentes jornais estão cada vez mais iguais, a "técnica jornalística" padronizou os textos, por que vou pagar por um conteúdo que posso encontrar em outro lugar?
Por outro lado, a análise bem escrita, o jornalismo investigativo e colunistas que tem o que dizer tem um valor diferenciado. Confesso que não me nego a pagar por conteúdo "premium". Em um mercado de abundância, um bom articulista é um produto raro e, sabemos, caro. Quem quiser um aprofundamento, uma análise crítica bem embasada e investigada, aí sim poderia decidir se quer pagar por esse material. Enquanto isso, o jornalismo medíocre pode ficar aí ao lado batendo boca, querendo lucrar muito com suas mesmices.
Pode-se entender que esse movimento do Google representa uma pequena vitória de Murdoch e seus seguidores. Mas não creio que seja uma grande vitória para o jornalismo e para seus leitores. O mundo mudou e assim também seus mercados. Como sou um otimista, creio que esses flancos abertos abrem oportunidades para novos players (desculpem, odeio esse palavreado)... mais criativos e ousados.
Enquanto isso, o Murdoch, e seus cãezinhos do Estadão e O Globo, devem estar pensando em como cobrar de nós que compartilhamos no Twitter links para seus jornais online. Quer saber, acho que deveríamos criar um boicote: não envie gratuitamente links no Twitter e em seu blog para esses jornalecos que assinam o Tratado de Hamburgo. Cobre por cada link e o tráfego que você gera para sites jornalísticos!
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A montagem da foto de Rupert Murdoch foi tirada daqui.
Estava eu matando tempo no Twitter quando encontro o link do vídeo abaixo. O Cardoso (não aquele rabugento, mas o fundador do saudoso Cardoso Online) dava a entender que as imagens eram grotescas ("Nunca vou me recuperar" ), mas mesmo assim promovia a curiosidade pelo inusitado de seu comentário: "Silicone masculino".
O vídeo mostra um jovem muito orgulhoso de seus músculos. Simulando uma aula de aeróbica, Rodrigo dança ao som de uma música eletrônica exibindo seu corpo que parece ter sido esculpido por um chargista sem limites. O trapézio nasce de seus ombros como um trabalho equivocado no Photoshop. Seu peito parece ter sofrido a ação do filtro spherize. Mas a desproporcionalidade não foi gerada digitalmente. Tampouco parece fruto de um esforço "natural".
Em outro vídeo, Rodrigo diz "não estar nem aí" para quem o acusa de tomar bomba. O que lhe importa é que "a mulherada gosta". E ameaça: "Se você facilitar eu pego sua mulher. Porque vocês são uns invejoso [sic]". Já seu perfil no YouTube traz a intrigante confissão: "SEM TREINAR MUSCULACÁO A 2 ANOS [sic], IMAGINA SE TREINASSE". Como então o rapaz consegue manter aquele corpo?
Não parece haver dúvida que boas doses de anabolizantes foram utilizadas. Ora, esse procedimento parece ser o caminho mais rápido para tal "modelagem" muscular. Mas o intuito deste post não é fazer mais uma alerta sobre os riscos do abuso daquelas substâncias. O que quero aqui colocar em discussão é a relação entre corpo, tecnologia e nossa época.
As indústrias culturais nos convenceram com o tempo que mulheres devem ser magérrimas como as modelos que estampam capas de revistas femininas. Rostos não podem ter rugas e sinais de expressão. Homens precisam ser malhados, mesmo que não sejam esportistas. Tal imposição midiática acabou desvinculando a estética da saúde. Que importa se uma garota está em processo de desnutrição se está contente por estar magra? Por que preocupar-se com um possível problema cardíaco, se hoje uma exagerada musculatura pode atrair meninas da academia? Nesse cenário, rapazes mais magros que sofrem com pequenos halteres são chamados de "frangotes".
Mesmo vomitando suas refeições, uma garota sente-se gorda no espelho. Por outro lado, encontra suporte e incentivo de parceiras em sites de Ana e Mia (siglas usadas para disfarçar sites com dicas de incentivo à anorexia e bulimia). Enquanto para ela um corpo esquálido é o objetivo, para ele músculos desproporcionais são o ideal estético. Ela evita comer, ele abusa de suplementos alimentares e injeções de anabolizantes. A primeira pensa que pode emagrecer ainda mais, o segundo acha que seu braço e peito poderiam inflar ainda mais.
Revistas femininas fazem circular anúncios que pregam um tipo estético que só pode ser alcançado via Photoshop. Cinturas menores que cabeças são exibidas em fotos que, apesar de seu caráter grotesco, incentivam garotas a buscar aquele ideal em seus espelhos. Já as "bombas" são receitadas e vendidas em academias por marombeiros que não possuem nenhuma formação nutricional ou em educação física. Tal como um caricaturista que exagera formas para gerar riso, os fisiculturistas/químicos criam protuberâncias em seus corpos esperando a admiração alheia.
A busca pela perfeição do corpo tem como meta o protótipo do físico midiático: corpos esquálidos siliconados que roçam em troncos inchados nos episódios de algum BBB. A "perfeição" nas revistas é alcançada digitalmente, mas aqui fora muitas técnicas analógicas nos ajudam a buscar a mesma estética: o vômito provocado para eliminar calorias; injeções de anabolizantes.
Precisamos reconhecer, a tecnologia nos ajuda a vencer deficiências. Cirurgias plásticas podem ajudar uma garota a ultrapassar certos traumas. Loções podem retardar a calvície. Sessões de laser tem o poder de eliminar manchas, apagar tatuagens mal feitas e depilar pelos indesejados. Próteses dentárias e aparelhos metálicos podem corrigir sorrisos. E a mais básica das vacinas pode fortalecer nossos corpos. Enfim, somos hoje todos ciborgues. Nossos corpos são modificados continuamente. E assim vamos lutando contra a finitude, mantendo-nos jovens enquanto podermos negar a velhice.
Mas isso pode parecer pouco para quem quer ter um corpo mais que perfeito. Rodrigo é uma prova disso. Ao dançar, bate em seus peitos inchados. Pretende mostrar força. Debocha de seus críticos e gaba-se de não fazer musculação. Por que o esforço se a química pode ser sua aliada? Para que tanto suor se o que importa é a imagem final?
Quem sabe as TV digitais e suas imagens de alta definição nos ajudem a lembrar que nossos ídolos tem peles manchadas, marcas de expressão e dobras nas cinturas. Talvez não. O detalhe real não contribui para a mitificação. Em breve novas técnicas serão desenvolvidas para borrar a alta definição. O que importa é a fantasia.