Simpsons já era

Gostei do filme dos Simpsons. Mas gostei porque desde de seu anúncio esperava um gigantesco desastre. Sendo assim, munido das piores expectativas, fui surpreendido por um filme passável e com alguns (poucos) momentos que relembram os bons e velhos Simpsons, como o passeio nu de Bart e Homer chegando à igreja. Há outras boas piadas, mas o filme sofre do mesmo mal que o seriado nas últimas temporadas: trocaram a inteligência pela sátira fácil, muitas vezes pastelão mesmo.
Homer sempre foi estúpido não por enfiar o martelo no olho, mas por dizer coisas inteligentes disfarçadas com um verniz estúpido, como, ao ler a Bíblia em um momento de desespero, dizer que "neste livro não encontramos nenhuma resposta". Ou, como quando seu pai, conversando sobre o próprio ataque que teve na igreja, se refere ao episódio "daquele velho louco que teve um ataque na igreja."
O engraçado é perceber como o desenho que deu origem a Shrek hoje copia o que há de pior na saga do ogro verde e, em alguns momentos, se parece com Shrek Terceiro. Tenho a impressão que Matt Groening já não se importa mais tanto com a família amarelada. Após tantos anos, gosta mais de seus projetos como Futurama, que, ao contrário dos Simpsons, começou mal e foi ficando bom com o passar dos anos. Simpsons ajudou a consolidar o canal FOX nos EUA. Por isso e pela audiência, o desenho continua e deve continuar no ar por muito tempo. Mas a originalidade absurda dos primeiros anos se foi.
Como filme, "Os Simpsons" daria um bom episódio. Ainda assim, sou mais aquele em que eles vão para a Austrália, ou aquele em que Lisa e Bart se tornam roteiristas do desenho de Comichão e Coçadinha. É possível fazer algo mais inteligente que um rato pregando os pés do gato em uma escada rolante, vendendo a pele do gato em uma loja de peles, uma mulher sair da loja com a pele ainda sangrando, encontrar o gato com os músculos à mostra, o gato tomar a pele dela, sair do shopping e apanhar de ecologistas protestando contra quem compra peles de animais?
