Pobres moças...
Garotas de ensino médio católicas com problemas. Esta é uma possível tradução para o título deste filme. E tem anão!
Uma pena que ele não existe...
Por que Franklin J. Schaffner é um visionário...
1968 está em toda parte. Há 40 anos um bando de riquinhos foi pro pau em Nanterre porque um riquinho alemão queria dormir com as moças no dormitório feminino da universidade local e foi quase expulso por dizer que proibir algo assim era coisa de nazista. O tal do efeito borboleta fez a palhaçada tomar conta da juventude, aí a estúpida esquerda mundial comprou a briga. Tudo perda de tempo. O que importa é que naquele ano o filme de Planet of the Ape estreava em 8 de fevereiro. O seminal (eita palavrinha da porra que críticos adoram) O Planeta dos Macacos ganhava a telona em Nova York.
Por que o filme é tão bom? Confira: havia viagens estelares, um planeta onde as mulheres andavam seminuas, porradaria, um republicano como mocinho, batalhas e perseguições com cavalos e algo mais importante. Macacos. Montes deles. Um civilização deles. E todos falam! Colocar características humanas em animais sempre foi e sempre será algo importante quando se quer fazer filmes espetaculares e Franklin J. Schaffner será para sempre lembrado como um grande sujeito na história do cinema.
Se você ainda não viu O Planeta dos Macacos, problema seu. Vou contar o final: o mocinho da história na verdade não vai para outro planeta, mas para o futuro. E a visão da Estátua da Liberdade enterrada numa praia chocou gerações que viram o filme. O caráter visionário de Shaffner se confirma por causa desta matéria: http://tinyurl.com/3qb48s
É ou não é amedrontador?
Resenha rápida de 'Short Cuts'

Julianne Moore. Madeleine Stowe. Uma pinta a outra nua.
Julianne Moore passa suas calças. Nu frontal. Plano-seqüência de Altman.
Resenha rápida de 'Tropas estelares'

Insetos gigantes. Denise Richards. Buenos Aires destruída.

A ciência da chatice

A busca por novos talentos no cinema é uma tarefa árdua que pode levar a equívocos. Descobrir que aquele diretor que acertou na mosca ao realizar um espetacular filme é, no fim das contas, um embuste, dói. Recentemente tive duas decepções que queria compartilhar com os amigos. A primeira foi Zack Snyder, que depois de estrear com uma poesia como “Madrugada dos Mortos” transgrediu os limites do bom cinema e contou a farra homoerótica “300”. Snyder tentará se redimir com mais uma adaptação dos quadrinhos, “Watchmen”, um filme que tem tudo para ser pior que o antecessor. Acreditem.
Outro que me causou decepção foi o francês Michael Gondry. O cara parecia legal. Fez um dos melhores filmes desta década em sua segunda tentativa, “Brilhos Eternos de Uma Mente Sem Lembranças”. “A Natureza Quase Humana” é mais ou menos, mas acima da média. Gondry ainda parecia ser um cara legal, apesar de ter nascido na França e ter feito carreira na publicidade.
As habilidades do Gondry foram explicitadas em vídeos jogados na internet em que ele consegue resolver um cubo mágico com os pés e depois com o nariz. Clipes musicais bacanudos também fazem parte de seu portifólio. Gondry parecia ser um cara genial.
O problema é que apenas duas horas podem destruir toda uma carreira. Não comercialmente, claro. Mas ele nunca mais contará com a benção do blog até que se redima. O erro em questão é “Ciência do Sono”. Gondry está mais do que nunca publicitário: tem que fazer citações moderninhas, montagem maluquinha, trilha sonora esquisitinha, para terminar com um filminho que vai agradar estudantes de comunicação.
Quando for lançado no Brasil, a crítica irá achar referências no Impressionismo, no Kitsch e no Surrealismo. Tolices. Gondry consegue errar em tudo. Personagens mal desenvolvidos (Gael García Bernal em pior atuação desde o medíocre “Babel”), cenários bonitinhos demais para roteiro de menos e diálogos dignos de um quadro do “Xou da Xuxa”.
Ao contrário de Snyder, o futuro parece estar mais propenso para um acerto de Gondry. Ele resolveu filmar uma idéia já bastante desgastada da internet: refilmar cenas clássicas de longas cults. A história de "Be Kind Rewind" se resume basicamente em uma locadora que teve todas as suas fitas VHS apagadas e, para não falir, os funcionários resolvem fazer suas versões, o que acaba caindo no gosto dos clientes. Refazer cenas de Robocop e Caça-Fantasmas por si só já renderiam um bom filme, como são os originais. A dúvida é se Gondry seguirá rolando ladeira abaixo.
Por Dr. Nacho
Morreram um comedor e um voyeur
Ingmar Bergman morreu. Michelangelo Antonioni achou que não havia ninguém no mundo pra papear, resolveu ir também. Se há um céu, e neste céu há um portão cujo porteiro é Simão Pedro, na certa os dois estão contando vantagem sobre as mulheres, que o primeiro comeu de fato e que o outro com os olhos.
Será que a Morte enxadrista apareceu na hora pra discutir relação a essa altura da vida com o sueco? Afinal de contas, ela foi representada tanto por Brad Pitt quanto em um desenho legal em que perde – roubado - uma partida de damas para os irmãos Warner (Animaniacs). O malandrão foi casado com seis loiras (será que os filmes de hollywood e os pornográficos me ensinaram errado sobre as liberdades sexuais das suecas?) e teve nove filhos, segundo o release que todos os jornais brasileiros reproduziram quando da notícia da sua morte.

Angústia. Tá aí uma boa palavra pra definir o rapazinho. Eu tenho até medo de pensar o que ele faria com o livro homônimo de Graciliano Ramos se por acaso o adaptasse para o cinema. Nunca ninguém antes nem depois conseguiu retratar este sentimento tão bem quanto Bergman. Saca aquele vazio existencial? Nem a metade anterior à chuva de sapos de Magnólia pode demonstrar a angústia presente em se assistir a um filme como Cenas de um Casamento. E, além disso, o maldito sueco conseguiu pegar um monte de mulher mesmo fazendo uma ode contra o casamento. Segundo ele, após o casamento tudo piora. E piora muito. Mas não prum barraco desbocado latino. Mas pruma prisão silenciosa. Algum doido deve ter escrito que era “Aquele vazio ensurdecedor”. E o troço é cruel. Cruel pacas. No mais, agradeço à Bandeirantes e ao dinheiro nosso que foi entregue ao Banco do Brasil por terem me dado a oportunidade de assistir a Fanny e Alexander legendado.
Antonioni é o típico masturbador de símbolos cujo maior representante é Godard. Diz um ditado famoso que Fellini está para Truffaut – ambos atemporais - assim como Antonioni está para Godard – datados. Primeiro, vamos falar de coisas boas. Blow up – Depois Daquele Beijo, O Passageiro – Profissão Repórter e o trio (trilogia o cu da cobra) A Aventura, A Noite e L'eclisse. Filmes como esse mostram um cuidado quanto à intimidade das personagens que raras vezes foi retratado no cinema. E que essa intimidade acabava por depor contra estas mesmas personagens. Sempre são pessoas vazias que buscam preencher este espaço vago com coisas fúteis. Vem daí aqueles longos planos seqüência e movimentos de câmeras contemplativos e que evidenciam a existência patética dos incautos. A Noite é um filme que vários casais poderiam conferir naquela noite de sábado em que é mais fácil ficar em casa coçando a barriga a sair pra balada.
O sujeito teve um AVC que deixou-o parcialmente paralisado e com dificuldade para falar em 1985. Como era um voyeur, não teve muitos problemas para seguir a vida normalmente. Apenas piorou seu talento cinematográfico. Também. Quem mandou escutar o Wim Wenders? Acabaram deixando para a posteridade o ridículo Amor Além das Nuvens. Tentou voltar à velha forma com o constrangedor primeiro episódio de Eros. Constrangedor foi bondade. Aquilo é uma bosta.
Mako - Um ano de ausência
Com um toque fortuito de sensibilidade e uma dose generosa do acaso, a Globo colocou em sua programação o filme O monge à prova de balas como homenagem a um grande ator: Mako, que morreu há exatamente um ano na Califórnia e tem uma honrosa participação no filme que Chow Yun-Fat e Seann William Scott se divertiram ao fazer.
Ele assegurou seu nome na história do cinema ao assumir o papel de narrador no estupendo Conan, o bárbaro. Produtores adoram usar a voz de alguns dos colegas de Mako neste filme. Max von Sydow e James Earl Jones possuem aquele tipo de voz que os publicitários brasileiros adoram copiar, usando atores como Paulo Goulart e Paulo César Pereio. Mas um diretor de tanto talento e visão como John Milius preferiu fazer diferente e usou este japonês nascido em Kobe para contar as maracutaias do cimério seguidor de Crown.
O filme que deu origem ao He-Man ficou tão bem feito que uma seqüência era inevitável. Para turbinar um filme com tanto apelo sexual, resolveram chamar também uma atriz gostosa (Olivia d'Abo), um jogador aposentado que disse ter comido 20 mil mulheres (Wilt Chamberlain), uma cantora/modelo/atriz/andrógina (Grace Jones) e Mako, que saiu do off pro on para ajudar a miss d'Abo a atuar. Como de mágico ele não tinha nada, a pobre moça acabou levando o Framboesa de Ouro de pior revelação. No final das contas, Dagoth conseguiu um pouco do sangue que precisava.
Para quem ainda não lembrou de Mako, dá pra citar que ele só conseguiu pagar as contas nossas de cada dia fazendo participações em séries de TVs que precisavam de algum oriental para acrescentar um pouco de dignidade à trama. Exemplos: todas as que tiveram pelo menos cinco temporadas de exibição. E no final, mestre Splinter tinha que ser alguém com uma voz poderosa pra colocar na linha Donatello, Leonardo, Michelangelo e Rafael. Ainda que para a história, o derradeiro filme seria esse http://www.imdb.com/title/tt0389328/ (a conferir).
Fuck "Citizen Kane"
"Transformers" estréia hoje. Deve ser um filme bom, já que é cheio de robôs (ainda por cima são alienígenas - o que pode bater robôs alienígenas na hierarquia de coisas legais do cinema?), explosões e outras coisas obrigatórias em bons filmes.
Mas o que interessa aqui é o outro "Transformers". O desenho animado, de 1986, que tinha a participação de ninguém menos que Orson Welles, em seu último trabalho no cinema, dublando a voz do Unicron. Óbvio, nem é preciso dizer que é o melhor trabalho de Orson Welles no cinema, acima de "Cidadão Kane" e outras obras igualmente superestimadas pela crítica.
Mesmo velho e doente, ou talvez por causa disso, Orson Welles deu o tom exato para a voz do vilão Unicron, sombrio e poderoso. O mais legal é que ele nem sabia direito o que estava dublando. Quando foi perguntado a respeito, disse que havia passado o dia "interpretando um brinquedo".
O filme ainda tinha as vozes de Leonard Nimoy (o Spock, tá ligado?), Judd Nelson (queridinho dos filmes dos anos 80), Hal Raley (teve as manhas de dublar ainda "Darkwing Duck" e o desenho de "Comandos em ação") e do cara que falava mais palavras por minuto no mundo.
Com tantas credenciais, só nos resta repetir James Rolfe, o melhor crítico de cinema do mundo em todos os tempos, e dizer: "fuck 'Citizen Kane'".
