Da série "Atores são idiotas"
Não verei
Filme sobre amor entre irmãos vira polêmica antes de estrear
E saquem o final do texto. Como jornalista gosta de puxar o saco de diretor cabeça. Ô, raça.
Os piores atores do cinema brasileiro
Fernanda Montenegro

É o tipo de atriz que foi comunista nos anos 60, ganhou fama combatendo a ditadura e agora é a garota-propaganda ideal de toda ação publicitária do governo e de ex-estatais. Depois que perdeu (merecidamente) o Oscar para Gwyneth Paltrow, ainda deu entrevista criticando a escolha. Faz sempre o mesmo papel nas novelas da Globo: a de matriarca de alguma família rica decadente e/ou em briga, e o mesmo papel no cinema nacional: pobre e/ou retirante. Normalmente seu nome vem acompanhado da expressão "monstro sagrado". Concordo com o "monstro".
Toni Garrido

Lembra de Orfeu, do Cacá Diegues? Pois é...
Marília Pêra

Fez campanha e ainda votou no Collor. Depois do episódio, passou a se dizer vítima de "patrulhamento ideológico". Parabéns aos patrulheiros. Esse é o tipo de coisa que não pode mesmo ser esquecida. Se ela ainda mandasse bem como atriz, a gente perdoava.
Rodrigo Santoro

Esse cara é um fiasco ambulante. Vem se notabilizando por papéis minúsculos e/ou patéticos em Hollywood. Mas como aqui rola um complexo tremendo de inferioridade, qualquer coisa que ele faz lá vira notícia aqui. E tem mais: o cara conseguiu estragar Lost.
Menção Especial Coletiva
Asdrubal trouxe o trombone
Maior reunião de atores que se acham engraçados da história da humanidade. O único problema é que eles eram absolutamente sem-graça. Ou você acha que um grupo de teatro que definia-se "pela desconstrução da dramaturgia, a interpretação despojada e a criação coletiva" podia provocar alguma risada? Apesar da proposta cabeçuda, faziam papéis em pornochanchadas rasas. Continuam por aí, em programas da Globo, Canal Futura e GNT ou em projetos financiados pela Lei Rouanet.
Esboço para roteiro de Ocean's Fourteen

A gangue de Danny Ocean está espalhada pelo mundo, vivendo do rico e desonesto dinheiro do roubo que aconteceu no filme anterior. Várias tomadas mostrando os sujeitos vivendo nababescamente em alguns lugares no mundo. George Clooney está morando em San Marino. Brad Pitt vive em Bali. Matt Damon descansa em Berlim. Elliott Gould faz amizade com Arthur C. Clark e vive de pederastias em Sri Lanka e assim vai. Até que vemos que Frank Catton, o personagem vivido por Bernie Mac, mora em uma mansão em Ilhabela. O desfecho de todas as cenas de cada um dos parceiros de Ocean é que todos recebem um grande envelope azul. O conteúdo se revela uma ameaça vinda de um inimigo fodão. Ele diz que reuniu provas contra cada um deles e promete usá-las caso não receba 14 quadros de Picasso em algum endereço qualquer.
Logo vemos todos discutindo via webconferência qual a melhor maneira para se fazer o roubo. A novidade do filme é que todos resolvem agir sozinhos em várias cidades pelo mundo, pois cada um está próximo de cidades que têm algum quadro de Picasso dando sopa. A partir daí o filme mostra cada um dos personagens fazendo a sua preparação particular para o roubo. Para deixar mais claro, a idéia e intercalar as imagens de cada um dos figuras em várias cidades conforme o rouba vai se desenrolando. Neste esboço, vamos nos concentrar apenas nas cenas de Bernie Mac/Frank Catton.
11:00
O maroto acorda e vai até a beira da praia tomar uma água de coco, enquanto espera prepararem uma caipirinha.
- corta para os outros -
13:00
Catton entra em seu Range Rover Sport vermelho e pega a estrada pra Sampa.
- corta para os outros -
16:00
Catton entra em um engarrafamento logo na entrada da cidade. Como está em um carro luxuoso, usa o momento para esgotar o estoque de caipirinhas enquanto escuta Cry To Me, de Salomon Burke. Repara que o trânsito parado deixou-o em frente a uma loja Casas China. Como a fila não vai andar mesmo, vai até a loja e compra um macaco hidráulico e uma mochila azul pequena. Por pouco não é roubado pois é confundido por dois motoqueiros armados - que passam pelo local em busca de vítimas - com um famoso traficante paulistano. Seu olhar pagão para os fanfarrões é o ato que faltava para não ser incomodado.
- corta para os outros em busca de instrumentos tecnológicos de última geração -
19:00
Em português macarrônico, Catton para ao lado de um ponto de táxi e pergunta prum taxista onde ele pode encontrar um bar movimentado pra azarar mulheres de boa vontade.
- corta para os outros em busca de instrumentos tecnológicos de última geração -
21:00
Catton já está pensando que está passando a conversa em Vera Ficher e Daniela Escobar
- corta para os outros em busca de instrumentos tecnológicos de última geração -
23:00
Catton sai de um motel visivelmente contrariado. Logo corta para ele entrando em um hotel cinco estrelas. Deixa o carro e sai de táxi. Pede para o taxista pra deixá-lo em algum puteiro da avenida paulista. Diz que dinheiro não é problema.
- corta para os outros e seus instrumentos tecnológicos de última geração -
23:15
Cenas bem pequenas de cada um deles. A de Catton mostra-o se apresentando bem malandramente para as primas do lugar. Ele entra com uma mochila azul contendo algumas Smirnoff Ice e o macaco hidráulico.
- corta para os outros -
0:00
Catton tenta comer uma prima de graça só pra ver se cola
- corta para os outros -
0:40 Catton está dançando um vanerão frenético com Marta de Jesus (Simone Spoladore) com os peitos pra fora, que lhe conta que a vida em Curitiba não é fácil.
- corta para os outros -
1:15 Gumercinda Santoz (Leona Cavalli), quase nua, diz a Catton que a vida no nordeste não é fácil, enquanto o forró come solto no lugar.
- corta para os outros e seus instrumentos tecnológicos de última geração -
3:00 Suellen Popinhowski (Luana Piovani) faz as vezes de uma polaca curitibana, não conversa porra nenhuma com Catton, pois ele está conferindo pra ver se tem algum tipo de conversa com outra puta. Seus olhos se arregalam quando repara em Catie Elke (Camila Pitanga) entrando no lugar. Carioca, declara que naiscer e morrer no Rio é fácil e tenta apresentar a Catton as maravilhas da gafieira.
3:03 Catie Elke e Catton entram num quarto.
- corta para os outros e seus instrumentos tecnológicos de última geração -
4:50 Catton se despede de Catie Elke, que está nua na porta de entrada do puteiro, e diz a ela que quer tirar ela daquela vida. Diz para ela visitá-lo em seu hotel. Berra de longe: "'Éo ti' amo, PUERRA!" enquanto tira o pequeno pé-de-cabra do bolso.
5:09 (Plano-sequência) Catton arromba uma porta do Masp com o macaco hidráulico. Entra assoviando e caminha despreocupadamente pelo museu. Todas as portas estão abertas. Logo encontra o Picasso que procurava. Enquanto saía, repara uma imagem que o faz se lembrar das histórias que seus avós lhe contavam sobre a vida dura dos antepassados no século 19 nos EUA. Resolve levar também. Coloca tudo na mochila azul e sai do museu às 5:12.
- corta para os outros brincando com seus instrumentos tecnológicos de última geração -
Fim da fase de imagens intercaladas entre os personagens.
Cenas futuras:
Interpol investiga uma série de provas coletadas ao redor do mundo ligadas aos assaltos. Um ajudante qualquer fala para o chefão do lugar que o Brasil acabou de mandar uma imagem da câmera de segurança do Masp. Este chefão diz pra colocarem no monitor grande de 70 polegadas e em alta definição que se encontra na frente da sala de investigação e se abre a seguinte imagem:

Primeira frase dita que se ouve após a exibição da imagem:
- Isso é um ultrasom de grávida?
Resenha rápida de Cleópatra, de Julio Bressane

É um filme brasileiro. Sobre Cleópatra. Sério. De verdade. Sobre CLEÓPATRA.
Bons tempos

Faz muito tempo que eu reclamo que no "moderno" cinema brasileiro está faltando mulher pelada. Ora, na década de 70 tínhamos na telona as maiores vagabund..., digo, deusas nacionais se arreganhando para caras como Paulo Cesar Pereio e Nuno Leal Maia. Qualquer filminho trazia Vera Fischer, Sônia Braga, Carla Camurati, Lucélia Santos mostrando a racha e levando no rabo com gosto. E, ao mesmo tempo, elas batiam ponto na Grobo.
Hoje em dia não acontece mais isso, com honrosas exceções que só confirmam a regra. Se acontecesse, teríamos um remake de "Bonitinha Mas Ordinária" com a Débora Falabella, todos os filmes nacionais trariam a Juliana Paes como a empregadinha que sempre é comida pelo patrão/coronel/fazendeiro/jardineiro/lixeiro/passante, veríamos a Gisele Bündchen seminua em filmes dos Trapalhões e uma nova versão de "Amor, Estranho Amor" com a Eliana dando os peitos prum muleque dar aquela sugada marota.
Vejam só, até gente do segundo escalão (segundo escalão de fama, não de gostosura, absolutamente) como a Luciana Gimenez não participa de filmes em que a orgia rola solta. Isso é inadmissível, principalmente porque ela teve um belo exemplo em casa: sua mãe, Vera Gimenez, pôs a boca no pau de metade dos atores vivos da década de 70. Ela aceita participar de pegadinha no Pânico (que apesar de muitos considerarem cult eu acho mais uma tremenda merda), mas não dá as caras (e a bunda, que bunda) em produções nacionais.
Porra, se estivéssemos nos anos 70 não haveria essas gurias cheias de marra dizendo que não posam para a Playboy por dinheiro algum tipo a Luana Piovani e a Fernanda Lima. Além de posar para a Playboy, elas já teriam no currículo a Ele&Ela, Penthouse, Brasileirinhas e congêneres. Sexy seria chique pra elas.
Espero que os produtores de filmes nacionais sensibilizem-se com este desabafo e, já que estão fazendo filmes com nosso dinheiro mesmo, atendam o gosto do povão que gosta de fandango, charque e mulher.
Trailer oficial de "Tropa de elite"
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Cinema nacional de elite
Considero a mediocridade do cinema brasileiro um prazer. Por raras vezes, você acaba sendo surpreendido por uma obra excepcional num oásis de imbecilidade. “Tropa de Elite”, que vazou recentemente na internet e deve ser lançado em setembro, é um dos poucos exemplos que existem.
A comparação direta com “Cidade de Deus” é inevitável. Os primeiros 10 minutos do longa-metragem deixam o espectador com um pé atrás: “Ok, mais um filme de violência nas favelas cariocas”. Ledo engano.
Passadas as cenas iniciais, a obra ficcional dirigida pelo estreante José Padilha, que já havia feito o documentário “Ônibus 174”, vai se distanciado do marco CDD e cria uma identidade própria e de difícil relação com outro filme nacional nos últimos 20 anos.
Padilha abandona o discurso do pobre vitimizado, da classe média trabalhadora e responsável e de que os verdadeiros bandidos estão na polícia. Já na leitura mais simplista da obra estão assuntos poucas vezes discutidos: Quem financia o tráfico nos morros cariocas? Quem são as pessoas que saem às ruas para pedir paz e fazer protesto quando um jovem de classe média é morto? Na visão do diretor, a maconha que o universitário fuma é a responsável pela morte de crianças faveladas. É como se o deputado federal Fernando Gabeira (PV) já tivesse matado uns 100 moleques.
Párápárápárápápápá...
Baseado em relatos de oficiais do BOPE, a tropa de elite da Polícia Militar carioca, o longa de Padilha faz um retrato caricato, mas com verossimilhança, dos homens que ainda acreditam na Justiça e colocam suas vidas em risco para tentar salvar a sociedade. Os policiais comuns, de azul, até são corruptíveis. Policiais do BOPE, não.
Alguns vícios do cinema moderno (ou talvez tendências) ajudam na narrativa eletrizante. Montagem dinâmica, câmeras trêmulas e filtros sujos nas lentes aproximam a obra de Padilha com o público jovem acostumado com vídeo-clipes. A escolha de funk proibidão para sonorizar os dois momentos de maior tensão se torna uma escolha primorosa. Nada mais violento, pobre e carioca que um batidão com metralhadoras disparando para todos os lados. É lindo.
Até o canastrão Wagner Moura consegue se dar bem. É dele a voz que faz toda a narração do filme, estilo Martin Scorsese. A interpretação de Moura é irrepreensível. Em momento algum, o protagonista alivia na tensão do personagem, o que ajuda o espectador a sentir o stress diário que estes policiais do BOPE devem sentir.
“Tropa de Elite” é o que Scorsese não conseguiu ao realizar o péssimo “Os Infiltrados”, com temática semelhante.
Lá vem
Após o vazamento de “Tropa de Elite”, o diretor anunciou que a versão roubada ainda não era a final, e que o produto que chegará às telas passará por mais detalhamento técnico e edição. Só se ele for um estúpido. A versão que chegou às mãos dos camelôs chega a um nível poucas vezes alcançado neste meridiano.
Dr. Nacho
Resenha rápida de 'O primo Basílio'

Prós
Débora Falabella (mas é casada com um mané).
Simone Spoladore
Guilherme Fontes (esse cara ainda ter coragem de sair na rua é no mínimo um desafio ao sistema. Admiro quem desafia o sistema)
Contras
Daniel Filho.
Globo Filmes.
Fábio Assunção.
Reynaldo Giannechini.
Cinema nacional.

