A ciência da chatice

A busca por novos talentos no cinema é uma tarefa árdua que pode levar a equívocos. Descobrir que aquele diretor que acertou na mosca ao realizar um espetacular filme é, no fim das contas, um embuste, dói. Recentemente tive duas decepções que queria compartilhar com os amigos. A primeira foi Zack Snyder, que depois de estrear com uma poesia como “Madrugada dos Mortos” transgrediu os limites do bom cinema e contou a farra homoerótica “300”. Snyder tentará se redimir com mais uma adaptação dos quadrinhos, “Watchmen”, um filme que tem tudo para ser pior que o antecessor. Acreditem.

Outro que me causou decepção foi o francês Michael Gondry. O cara parecia legal. Fez um dos melhores filmes desta década em sua segunda tentativa, “Brilhos Eternos de Uma Mente Sem Lembranças”. “A Natureza Quase Humana” é mais ou menos, mas acima da média. Gondry ainda parecia ser um cara legal, apesar de ter nascido na França e ter feito carreira na publicidade.

As habilidades do Gondry foram explicitadas em vídeos jogados na internet em que ele consegue resolver um cubo mágico com os pés e depois com o nariz. Clipes musicais bacanudos também fazem parte de seu portifólio. Gondry parecia ser um cara genial.

O problema é que apenas duas horas podem destruir toda uma carreira. Não comercialmente, claro. Mas ele nunca mais contará com a benção do blog até que se redima. O erro em questão é “Ciência do Sono”. Gondry está mais do que nunca publicitário: tem que fazer citações moderninhas, montagem maluquinha, trilha sonora esquisitinha, para terminar com um filminho que vai agradar estudantes de comunicação.

Quando for lançado no Brasil, a crítica irá achar referências no Impressionismo, no Kitsch e no Surrealismo. Tolices. Gondry consegue errar em tudo. Personagens mal desenvolvidos (Gael García Bernal em pior atuação desde o medíocre “Babel”), cenários bonitinhos demais para roteiro de menos e diálogos dignos de um quadro do “Xou da Xuxa”.

Ao contrário de Snyder, o futuro parece estar mais propenso para um acerto de Gondry. Ele resolveu filmar uma idéia já bastante desgastada da internet: refilmar cenas clássicas de longas cults. A história de "Be Kind Rewind" se resume basicamente em uma locadora que teve todas as suas fitas VHS apagadas e, para não falir, os funcionários resolvem fazer suas versões, o que acaba caindo no gosto dos clientes. Refazer cenas de Robocop e Caça-Fantasmas por si só já renderiam um bom filme, como são os originais. A dúvida é se Gondry seguirá rolando ladeira abaixo.

Por Dr. Nacho

Permalink12.08.07, 22:35:25, by Equipe 1 Milhão Email , Cinema, Publicidade, Clássico, Artes Deixe seu comentário


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