Um psicopata tranqüilo

Se tem algo que me deixe nervoso em relação a personagens psicopatas no cinema é que sempre eles têm uma motivação para serem maus. Ou foram abusados na infância, estiveram na guerra e viram a morte de perto, tiveram a família morta por (policiais corruptos, bandidos sádicos, carros em alta velocidade, lobos, sapos venenosos coloridos da Indonésia) ou foram humilhados na escola. Quando não têm nenhuma motivo em particular, são personagens mal-construídos ou caricatos. Até Hannibal Lecter ganhou um filminho picareta que explica o porquê dele ter virado canibal. Por que simplesmente o cara não pode um dia pensar: “porra, até que ser psicopata é legal, vou matar uma galerinha aí”? Um personagem assim, mesmo sendo obviamente um doente, não seria fascinante?
Mesmo na literatura, é difícil personagens que matem sem razão. Quando me disseram que Diário do Farol, do João Ubaldo Ribeiro, tinha um sujeito assim, fui atrás do livro. Decepção total, apesar de vários bons momentos, que se apagaram quando ficou claro que o personagem principal fazia tudo por vingança.
Pois na humildade, sem alarde, há um filme que nos presenteia com um personagem que faça o serviço bem feito, sem discursos contra a sociedade nem buscando vingança por ter passado a infância no porão de uma casa no Alabama. Mr. Brooks, chamado no Brasil de Instinto Secreto, traz Kevin Costner no papel do protagonista, um empresário bem-sucedido que mata pessoas como quem compra um Chicabon na praia, sem grandes alterações de humor, sem um passado de agruras e tormentas, sem ter sido abusado pelo Tião Pé de Mesa ou ter visto a família ser assassinada por traficantes colombianos pedófilos canibais que soltam abelhas pela boca (by Homer).
Não bastasse, seu alter ego é ninguém menos que William Hurt, que se diverte junto nas matanças sem sentido. Tudo é levado com extrema elegância, sem a glamurização da violência vista nos filmes do gênero, sem toada videoclipe ou outras besteiras criadas por Oliver Stone em “Assassinos por Natureza” e mimeografadas por cineastas sem talento metidos à besta (quase um pleonasmo). É um cara que mata, gosta e é bom nisso. Mr. Brooks não come a pele das pessoas, não usa serra elétrica, não é um gênio como Hannibal. Mas o considero melhor que todos. E o filme ainda tem a Demi Moore, também em um papel simples, mas nada óbvio. Um grande filme.
Pauline Kael Owned
Estou pensando em fechar o blog. É impossível não ter este sentimento após escutar o MESTRE Alborguetti, vulgo DALBORGA, fazendo a melhor crítica de cinema da história, ao comentar com toda a sapiência possível o filme 300. Aliás, qualquer crítico de cinema consciente deveria refletir seriamente sobre a carreira depois de crítica tão brilhante. Dalborga eterno. Alguns trechos:
"Xanxas" - ao se referir ao rei XERXES, interpretado por Rodrigo Santoro
"Rei Nicolau" - falando sobre Leônidas
"Exército MONGO" - falando sobre o exército de Xerxes, que era PERSA
"Meus amigos que estão no iogurte e no mensageiro" - sendo simpático com a galera do MSN e do Orkut
"O comunismo já acabou, CAMBADA DE FILHOS DAS PUTAS" - Dalborga, mais atualizado que o pessoal do PSTU
"Só tinha SCHINCARIOL praquele exército de COMUNISTAS filhos da puta" - achando uma conexão entre má cerveja e comunismo, no que tem toda razão
"Um corcunda todo deformado que queria TREPAR, nunca tinha TREPADO na vida" - er...
"Eu queria que no PARANÁ tivesse 300 espartanos BRASILEIROS" - não sou gato de Ipanema...
"Parece uma BICHONA, o Santoro" - estabelecendo uma conexão entre... melhor deixar pra lá
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