Não é mais um besteirol americano

É possivelmente a melhor comédia adolescente já feita, ao lado de 'EuroTrip'. Foi reprisada semana passada na Globo e por isso é uma pena não ter se falado dela antes para que vocês pudessem aproveitar. Como poucas vezes antes, um elenco bem afinado e dirigido produziu as melhores piadas sobre todos os outros filmes adolescentes ('Segundas Intenções', 'Nunca fui beijada', '10 Coisas que odeio em você') sem nunca apelar para a escatologia pura e simples.
Ao contrário de filmes como 'Todo Mundo em Pânico' e congêneres, 'Not Another Teen Movie' não se resume a uma sucessão de piadas. É cinema, como poucos diretores sabem fazer, mesmo quando há privadas e vibradores voando pela tela.
Como na seqüencia em que a aula de um professor de literatura é cortada por cenas de uma garota no banheiro observada por três adolescentes tarados. Jorge Coli, crítico de arte da Folha de S. Paulo, a resumiu muito bem:
Nenhum intelectual "highbrow" destas e de outras plagas irá ver "Não É Mais um Besteirol Americano", primeiro filme do diretor Joel Gallen. Se fosse, encontraria ali seu deboche: ao explicar a uma classe que só vale o humor fino e literário de Shakespeare, Molière ou Wilde, um professor pedante vê irromper na sala de aula a mais escancarada e engraçada cena escatológica. Está claro, seria possível enobrecer isso invocando Boccaccio ou Rabelais. Mas não é preciso. A risada se firma por si só neste filme que faz a caricatura de um gênero já caricatural nele próprio, isto é, o das comédias de adolescentes. O arremedo e a zombaria explodem graças à inteligência truculenta e hilariante.
É importante frisar o que Jorge Coli chama de inteligência truculenta. Só os grandes sabem utilizá-la. 'Os Simpsons' sempre caminhou entre a sutileza das referências e a torta na cara. Mas a torta na cara por si só não basta. A inteligência truculenta está aí para inserí-la em um contexto onde ela adquira um significado metafórico. É o que acontece quando Homer cai da escada rolando fazendo referência a Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. É o que acontece quando o diretor Joel Gallen compara o valor da comédia rasteira com Shakespeare usando apenas a edição do filme.
"NATM", feito em 2001, foi inexplicavelmente o último filme de Gallen no cinema, que depois disso passou a fazer especiais para a MTV e até CNN. Uma pena. Com "Não é mais um besteirol americano", Gallen provou que nenhum gênero é imune à inteligência.
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Comentários:
Beijos e boa sorte
O que acho um barato nesses filmes tipo o "Besteirol" é que eles utilizam uma inteligência sutil.
Mas ninguém tira o troféu do "Porky's". It's a classic.
mais s enquadra como um dos cheios de significado..
mais é dos bons
Cuidado com suas palavras.
Cuidado com suas palavras.
Francamente...
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