Leões e otários

Ah, a velha busca por reconhecimento. Todo ator que não pareça um mutante ou atriz que iniciou a carreira devido aos atributos físicos, depois de fazer sucesso, quer ser reconhecido como "profissional sério". Tom Cruise faz parte dessa turminha. O filme "Leões e cordeiros" é produto desta obsessão idiota. O resultado não poderia ser outro. Como bom diretor picareta de esquerda, Robert Redford (que também "atua" no filme) pegou a grana e entregou uma farsa em forma de 1h20 de empulhação.
O filme junta três narrativas diferentes para falar de um mesmo tema: a Guerra contra o Terror. É mais ou menos como uma novela da Globo, em que existe o núcleo dos engravatados, o dos adolescentes e o da favela. No núcleo dos engravatados, Tom Cruise é um senador republicano que chama uma repórter vivida por Meryl Streep para dar uma entrevista exclusiva sobre a nova tática para combater o terrorismo no Afeganistão. No núcleo da favela estão os soldados que servirão de cobaia para a estratégia do Senador. E no núcleo Malhação Robert Redford, no papel de um professor universitário engajado, tenta convencer um aluno a ser mais participativo, um cidadão, como diriam os atenienses e são-paulinos em geral.
Na prática, a divisão da narrativa, em vez de gerar um filme ágil e dinâmico, só serve para ampliar a chatice em frentes diferentes, já que tudo não passa de um falatório esquerdista e inútil anti-guerra. Nada contra falatórios anti-guerra de esquerda, mas Redford, já suficientemente satirizado pelos diretores de South Park no filme "Team America" - este sim uma obra definitiva sobre terrorismo, além de conter a cena de sexo mais explícita de todos os tempos - tenta empurrar goela abaixo cenas que fariam nossos picaretas diretores de filmes nacionais sobre a ditadura militar corar de vergonha. Só para exemplificar, há uma cena em que Meryl Streep chora ao passar em frente a um cemitério de soldados. Foi difícil segurar o vômito. Só se salvam as cenas dos soldados no front afegão.
As atuações também vieram do núcleo Malhação, mas sem as gostosas títpicas do melhor programa da Globo. A experiente repórter vivida por Meryl Strrep vai fazer uma entrevista com um senador munida apenas de um bloquinho de papel. Com tanto tempo de profissão, já deveria saber que não se confia nessa gente. E ainda tem a referida cena do choro. Merece um Framboesa de Ouro. Robert Redford, o responsável pela coisa toda, já que é o diretor do filme, parece aqueles professores de novela do SBT falando sobre gravidez na adolescência. Sou mais Nuno Leal Maia, que além de ter raspado a cabeça para viver o professor Pascoal em Malhação, mostrando maior comprometimento artístico, também foi técnico do Londrina e teve o Saci do Sítio do Pica-pau Amarelo como auxiliar-técnico. Redford provavelmente não deve nem saber o Paranavaí é atual campeão paranaense.
E Tom Cruise foi injustamente massacrado pela imprensa - que preferiu poupar os queridinhos Redford e Streep. Alguns falaram que um saco de papel em seu lugar teria um desempenho melhor. Não é verdade. Mas é bem-feito para o marido da guria que dava uns pegas no viadinho do Dawson largar a mão de ser besta.
Se depois da minha crítica demolidora você ainda quiser ver o trailer (até que o filme tem uma trilha incidental bacana) clique aqui
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