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Foram gastos R$ 5 milhões – mais R$ 500 mil de verba para distribuição – e seis anos para que o filme “O dono do mar”, adaptação para o cinema do livro homônimo escrito pelo senador José Sarney (PMDB-AP), ficasse pronto. Segundo o diretor, Odoryco Mendes (com Y mesmo, embora apareça grifado com “i” no material de divulgação do filme), a demora se deveu ao cuidado com os efeitos especiais. “Foram dois anos fazendo e várias vezes jogando fora”, afirmou.
O atraso causou constrangimentos aos atores. “Nos primeiros meses [após as filmagens] havia uma expectativa grande de ver o filme. Eu avisava minha mãe que estava para sair. Depois da décima vez, ela dava risada”, disse Jackyson Costa, que vive o pescador Antão Cristório, protagonista do filme. “Eu passava por mentirosa quando falava que tinha um filme no currículo”, afirmou Daniela Escobar, que faz Camborina, mulher de Cristório.
Outro problema, segundo Odoryco, era a concorrência nas salas de cinema com as grandes produções americanas. “Não adianta lançar ‘O dono do mar’ junto com ‘Homem-Aranha’. Todo mundo vai ver ‘Homem-Aranha’. Até eu.”
Mas, pelo menos na pré-estréia realizada em São Paulo, as três salas do HSBC Belas Artes lotaram com convidados (embora gente sem convite também tenha entrado nas sessões), inclusive o governador de São Paulo, José Serra.
Acompanhado do secretário de cultura, João Sayad, foi abordado pouco antes do início da sessão por Isadora Ribeiro, que pedia ajuda para ter sua filha inscrita em um programa do governo que dá um leite especial – que chega, segundo Isadora, a custar R$ 400 - a crianças com alergia. Serra pediu para que ela falasse com um assessor. Depois, na hora de se apresentar com o resto do elenco para o público, a atriz não esqueceu de agradecer ao “digníssimo e excelentíssimo” governador José Serra.
Poucos minutos depois, o próprio governador e o senador José Sarney estariam vendo Isadora, no papel de Maria das Águas, mostrando sua genitália para o pescador Antão Cristório, em uma cena de “O dono do mar”. Cristório é o personagem principal do filme, que retrata sua vida como pescador no litoral do Maranhão, cercado de mulheres e espíritos. Depois do assassinato do filho, Jerumenho (Sérgio Marone), Cristório fica desgostoso com a vida e passa a relembrar o passado.
Mesmo sem se tratar de uma pornochanchada, o protagonista mantém relações sexuais com todas as mulheres que possuem algum linha de diálogo no filme. Nem Pepita Rodriguez, mãe do ator Dado Dolabella, que interpreta uma anciã “velha, gorda e com os dentes estragados” – como a própria atriz definiu seu personagem – escapou da sanha de Cristório.
O pescador também rouba Camborina e a leva para morar com ele. Sem ser virgem, Camborina decide dar sua irmã Germana (Regiane Alves) como “dote” ao marido na noite de núpcias.
A amante de seu filho, vivida pela atriz Paula Franco, também é atacada por Cristório, que, em flashback, mantém relações com Quertide (Sâmara Felippo), seu primeiro amor. Isso sem contar a personagem de Isadora Ribeiro, que foi convidada a participar do filme por Odoryco durante o aniversário da cantora Débora Blando. “Maria das Águas é a inspiração das noites solitárias dos pescadores”, disse.
Alexandre Paternost (de “O quatrilho”) e Odilon Wagner compõem o “núcleo de realidade fantástica” do filme. Paternost é Querente, um pescador que não envelhece e volta e meia se transforma em um navegador português do século XVI. E Wagner é Aquimundo, um espírito que aparece para Cristório em alto-mar. Os efeitos especiais que “levaram dois anos” para serem feitos são mostrados quando os dois estão em cena, e lembram episódios antigos do Chapolin, daqueles em que ele “voava” em cena.
“É um filme difícil para o público. Papo cabeça de montão. Mas é sensual e engraçado”, resumiu o diretor Odoryco Mendes.
Depois de ver sua obra nas telas, José Sarney não parecia muito satisfeito. “Acho que fizeram um bom trabalho, mas a linguagem é outra. Não tem como comparar literatura com cinema”, afirmou.
Veja o trailer aqui
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