Pobres moças...
Garotas de ensino médio católicas com problemas. Esta é uma possível tradução para o título deste filme. E tem anão!
Uma pena que ele não existe...
Da série "Atores são idiotas"
Não verei
Filme sobre amor entre irmãos vira polêmica antes de estrear
E saquem o final do texto. Como jornalista gosta de puxar o saco de diretor cabeça. Ô, raça.
This is the way that world ends, not with a whimper but with a bang
Justin Timberlake, Sarah Michelle Gellar, The Rock, Sean William Scott. Explosões nucleares, terrorismo, neo-marxismo. Viagem no tempo, física quântica, pornografia. Donnie Darko, Robocop, Saturday Night Live. Southland Tales é o filme mais arriscado feitos nos últimos anos. Mistura Partido Republicano com videoclipes, Hollywood com T.S. Eliot. A equação é insana. E é difícil saber se deu certo.
Richard Kelly, o diretor, usou todo tipo de referência possível. E não a referência preguiçosa, estilo cópia, que diretores como Tarantino vivem fazendo. Ele criou um mundo novo a partir de tudo o que viu na vida, de filmes Z a programas do Warner Channel. Sarah Michelle como uma prostituta ultra-bronzeada que tem um programa de debate filosófico, econômico e social na TV a cabo? The Rock como um ator canastrão, ansioso, paranóico, noivo da filha de um republicano? Uma distopia alimentada via jornalismo-show ao estilo Tropas Estelares? Uma penca de atores do Saturday Night Live no papel de guerrilheiros neo-marxistas? Richard Kelly juntou tudo para criar um filme cheio de cenas primorosas, arriscado e diferente.
Quem viu Donnie Darko saberá do que estou falando. Também dirigido por Richard Kelly, o filme vai ficando mais confuso conforme se aproxima do final. Idas e voltas no tempo, universos paralelos, futuros alternativos. Imagine se Kelly pegasse o filme e fizesse uma sequência a partir daí, mostrando um Estados Unidos sob ataques nucleares terroristas, censura governamental, e enfrentando núcleos neo-marxistas instalados na Califórnia. A Guerra no Iraque permanece, mas o país possui uma fonte inesgotável de energia limpa e infinita. Justin Timberlake é um soldado com uma cicatriz enorme, famoso e que vende drogas. The Rock é a chave de uma conspiração para derrubar o governo. E está desaparecido.
Há muitas leituras, há muito o que se descobrir no filme. Fala de guerra, imprensa, celebridades, política. Nada explícito. Arrisco com ex-estrelas adolescentes: Sean William Scott, o Stiffler de American Pie; Justin Timberlake, a Buffy Sarah Michelle Gellar. Os três atuam de maneira impecável, e Sean William Scott está brilhante. Ex-atores do Saturday Night Live. John Lovitz, um ator a ser evitado a qualquer custo, mas que aqui aparece sério como um veterano. Para finalizar, The Rock apresenta nuances de atuação incríveis para alguém com seu passado.
Kelly foi pretensioso e ousado. Não é um filme fácil, do casting ao roteiro. Foi vaiado em Cannes. Nada mais adequado para um filme que começa com o poema de T.S. Eliot, o Homem Invisível. "This is the way the world ends, this is the way the world ends, this is the way the world ends, not with a whimper but with a bang."
O discurso que o Oscar perdeu
Maldito Sean Penn.
Atores são idiotas
A entrevista acima é linda, assim como a apresentora que a conduz. A deslumbrante Marlen Gonzalez faz o que ninguém faz com os atores, que é fazer perguntas inteligentes a quem se acha superior, por um motivo ou outro, que o resto da população, nós, os meros mortais. Benicio Del Toro tem todo o direito de interpretar Che Guevara e até admirá-lo. Mas tem que escutar - e até o fez elegantemente, apesar de ficar bem perdido - as críticas quando fala besteira.
Marlen fez o básico: se preparou e encostou Del Toro na parede. É o contrário do que vemos nas tradicionais junkets com os atores. Normalmente é apenas bajulação, deslumbramento e perguntas idiotas, como bem mostrou o filme "Namoradinhos da América", com Julia Roberts e John Cusack, em uma cena memorável.
Só lembrando: atores são uma turma desprezível. Burros, cheios de si, alienados sobre todos os aspectos. Quando se metem com política conseguem ser ainda piores. Que Marlen seja um exemplo para as deslumbradas jornalistinhas que estão saindo da faculdade. Uma mulher inteligente e bonita como ela não existe na TV brasileira. E faz muita falta.
PS: Aos que pedem maior atualização, não o faço para não deixar nenhum leitor mimado. Assinem o RSS e recebam na maior tranquilidade os posts.
Os piores atores do cinema brasileiro
Fernanda Montenegro

É o tipo de atriz que foi comunista nos anos 60, ganhou fama combatendo a ditadura e agora é a garota-propaganda ideal de toda ação publicitária do governo e de ex-estatais. Depois que perdeu (merecidamente) o Oscar para Gwyneth Paltrow, ainda deu entrevista criticando a escolha. Faz sempre o mesmo papel nas novelas da Globo: a de matriarca de alguma família rica decadente e/ou em briga, e o mesmo papel no cinema nacional: pobre e/ou retirante. Normalmente seu nome vem acompanhado da expressão "monstro sagrado". Concordo com o "monstro".
Toni Garrido

Lembra de Orfeu, do Cacá Diegues? Pois é...
Marília Pêra

Fez campanha e ainda votou no Collor. Depois do episódio, passou a se dizer vítima de "patrulhamento ideológico". Parabéns aos patrulheiros. Esse é o tipo de coisa que não pode mesmo ser esquecida. Se ela ainda mandasse bem como atriz, a gente perdoava.
Rodrigo Santoro

Esse cara é um fiasco ambulante. Vem se notabilizando por papéis minúsculos e/ou patéticos em Hollywood. Mas como aqui rola um complexo tremendo de inferioridade, qualquer coisa que ele faz lá vira notícia aqui. E tem mais: o cara conseguiu estragar Lost.
Menção Especial Coletiva
Asdrubal trouxe o trombone
Maior reunião de atores que se acham engraçados da história da humanidade. O único problema é que eles eram absolutamente sem-graça. Ou você acha que um grupo de teatro que definia-se "pela desconstrução da dramaturgia, a interpretação despojada e a criação coletiva" podia provocar alguma risada? Apesar da proposta cabeçuda, faziam papéis em pornochanchadas rasas. Continuam por aí, em programas da Globo, Canal Futura e GNT ou em projetos financiados pela Lei Rouanet.
Um psicopata tranqüilo

Se tem algo que me deixe nervoso em relação a personagens psicopatas no cinema é que sempre eles têm uma motivação para serem maus. Ou foram abusados na infância, estiveram na guerra e viram a morte de perto, tiveram a família morta por (policiais corruptos, bandidos sádicos, carros em alta velocidade, lobos, sapos venenosos coloridos da Indonésia) ou foram humilhados na escola. Quando não têm nenhuma motivo em particular, são personagens mal-construídos ou caricatos. Até Hannibal Lecter ganhou um filminho picareta que explica o porquê dele ter virado canibal. Por que simplesmente o cara não pode um dia pensar: “porra, até que ser psicopata é legal, vou matar uma galerinha aí”? Um personagem assim, mesmo sendo obviamente um doente, não seria fascinante?
Mesmo na literatura, é difícil personagens que matem sem razão. Quando me disseram que Diário do Farol, do João Ubaldo Ribeiro, tinha um sujeito assim, fui atrás do livro. Decepção total, apesar de vários bons momentos, que se apagaram quando ficou claro que o personagem principal fazia tudo por vingança.
Pois na humildade, sem alarde, há um filme que nos presenteia com um personagem que faça o serviço bem feito, sem discursos contra a sociedade nem buscando vingança por ter passado a infância no porão de uma casa no Alabama. Mr. Brooks, chamado no Brasil de Instinto Secreto, traz Kevin Costner no papel do protagonista, um empresário bem-sucedido que mata pessoas como quem compra um Chicabon na praia, sem grandes alterações de humor, sem um passado de agruras e tormentas, sem ter sido abusado pelo Tião Pé de Mesa ou ter visto a família ser assassinada por traficantes colombianos pedófilos canibais que soltam abelhas pela boca (by Homer).
Não bastasse, seu alter ego é ninguém menos que William Hurt, que se diverte junto nas matanças sem sentido. Tudo é levado com extrema elegância, sem a glamurização da violência vista nos filmes do gênero, sem toada videoclipe ou outras besteiras criadas por Oliver Stone em “Assassinos por Natureza” e mimeografadas por cineastas sem talento metidos à besta (quase um pleonasmo). É um cara que mata, gosta e é bom nisso. Mr. Brooks não come a pele das pessoas, não usa serra elétrica, não é um gênio como Hannibal. Mas o considero melhor que todos. E o filme ainda tem a Demi Moore, também em um papel simples, mas nada óbvio. Um grande filme.
Pauline Kael Owned
Estou pensando em fechar o blog. É impossível não ter este sentimento após escutar o MESTRE Alborguetti, vulgo DALBORGA, fazendo a melhor crítica de cinema da história, ao comentar com toda a sapiência possível o filme 300. Aliás, qualquer crítico de cinema consciente deveria refletir seriamente sobre a carreira depois de crítica tão brilhante. Dalborga eterno. Alguns trechos:
"Xanxas" - ao se referir ao rei XERXES, interpretado por Rodrigo Santoro
"Rei Nicolau" - falando sobre Leônidas
"Exército MONGO" - falando sobre o exército de Xerxes, que era PERSA
"Meus amigos que estão no iogurte e no mensageiro" - sendo simpático com a galera do MSN e do Orkut
"O comunismo já acabou, CAMBADA DE FILHOS DAS PUTAS" - Dalborga, mais atualizado que o pessoal do PSTU
"Só tinha SCHINCARIOL praquele exército de COMUNISTAS filhos da puta" - achando uma conexão entre má cerveja e comunismo, no que tem toda razão
"Um corcunda todo deformado que queria TREPAR, nunca tinha TREPADO na vida" - er...
"Eu queria que no PARANÁ tivesse 300 espartanos BRASILEIROS" - não sou gato de Ipanema...
"Parece uma BICHONA, o Santoro" - estabelecendo uma conexão entre... melhor deixar pra lá
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Watchmen e a nova ditadura das adaptações

Os nerds estão dominando o mundo e iniciando uma ditadura cinematográfica. Tudo começou com 'Sin City', de Robert Rodriguez. De fato, foi legal ver a obra de Frank Miller, que gritava por uma adaptação, no cinema. Mas o filme já sofria da tentativa de adaptar tudo de forma tão literal. Havia um excesso de diálogos que poderia ser resolvido apenas com bom cinema e algumas soluções criativas que um diretor mais talentoso que Rodrigues faria na boa.
Tudo piorou com '300', de Zack Snyder. A transcrição praticamente sem alteração do quadrinho para o cinema criou uma espécie de padrão a ser seguido em todas as adaptações cinematográficas dali em diante. A partir dali, só passou a valer adaptações com visual e história iguais aos quadrinhos. A ditadura dos fanboys foi consolidada com a boa arrecadação de ambos os filmes. E tudo indica que 'Watchmen' vá seguir o mesmo caminho.
O trailer divulgado esta semana mostra cenas que são reproduções exatas da graphic novel de Alan Moore. A veículo do Coruja saindo do Rio, o Comediante arremessado pela janela, Jon no Vietnã - está tudo igual à HQ. Se por um lado tais adaptações eliminam o risco de que porcarias hereges sejam levadas às telas, essa fórmula limita muito o que pode e o que não pode ser feito no gênero das adaptações em quadrinhos. E está matando idéias que poderiam revolucionar de verdade.
Duas vítimas já foram feitas: Darren Aronofsky e Paul Greengrass. O primeiro foi escolhido para dirigir um filme do Batman, com baixo orçamento e que provavelmente seria feito em preto e branco, como 'Pi'. Não vingou a idéia. Greengrass, o mais brilhante diretor da atualidade, trabalhou anos no projeto de Watchmen para depois ser sacado pela Warner.
A franquia do Batman ficou então nas mãos de Chistopher Nolan, de 'Amnésia', que fez um Batman Begins terrivelmente ruim. Não sei se é culpa dele, já que ele teve mais controle em Dark Knght e mandou bem. E foi bem justamente por criar Batman segundo sua própria visão - claro que bastante inspirado em 'Batman: Ano Um', de Frank Miller. Respeitou o personagem e os quadrinhos, mas não ficou escravo da fidelidade total, conceito que se tornou sagrado de uns anos para cá.
O mesmo caminho tinham seguido Tim Burton, autor dos melhores filmes do Batman, e Richard Donner, que fez de 'Superman' simplesmente o melhor filme de super-herói de todos os tempos. E Bryan Singer merece menção honrosa pelos dois ótimos 'X-Men'. (Mas 'Superman Returs' é de doer).
Agora, o que Snyder tem a oferecer além de uma transposição fiel de Watchmen para o cinema. Será que não sairíamos ganhando se ele realmente adaptasse a história, não apenas reproduzisse quadro a quadro a história de Moore? Lembrando que Snyder foi o diretor de 'Madrugada dos mortos', talvez o melhor filme de zumbis de todos os tempos.
Por isso entendo toda a rabugice de Moore e de Art Spielgman - que já rejeitou várias ofertas por uma versão de 'Maus' para os cinemas. Tanto 'Maus' quanto 'V de vingança' e Watchmen não precisam ser adaptados. Está tudo nos quadrinhos. No máximo, a nova obra seria um pastiche do que foi realizado nos quadrinhos. É disso mesmo que precisamos?

