
Em uma tentativa de retomar a franquia após o fracasso do filme de Tim Burton (a princípio, virando um apócrifo e sendo totalmente ignorado daqui pra frente), Rupert Wyatt (O Escapista) dirige a história de como os macacos se tornam inteligentes para superar a humanidade. O prequel é um bom filme-pipoca, mas o melhor de tudo é que não desonra o universo imortalizado a partir do filme com Charlton Heston. Ah e vale lembrar que o Change já falou da bagaça.
O filme conta a história do macaco César (Andy Serkis, em mais um trabalho impressionante) e de como ele vira o primeiro símio inteligente (vale lembrar que esse nome é lembrado em outros momentos dos filmes originais, tendo sido usado na produção de Burton). O projeto conduzido pelo cientista Will Rodman (James Franco).
A roteirista Amanda Silver comete alguns erros no seu script. A história tem uma preocupação muito boa em justificar cientificamente todas as mudanças, mas acaba perdendo a mão com alguns personagens. A veterinária Caroline Aranha, interpretada por Freida Pinto (Aranha, pinto... Não há mais piadas possíveis), por exemplo, é totalmente inverossímil. Se apaixona, leva na boa um orangotando morando fora de um local adequado e ainda ajuda o namorado a invadir uma área policial. Se o filme continuasse ela também teria amigas bisexuais, seria tarada pelo gosto de chantily e pele além de só usar cinta-liga em casa e gostar de futebol.
Ou seja, a história aposta no maniqueísmo e em personagens bidimensionais, mas vai bem quando aposta na ambiguidade de Rodman e dos humanos. Pena que Franco não é lá um grande ator...

Dentro dessa luta bem contra o mal... É bacana ver John Lithgow e Brian Cox em filmes comerciais. Estão bem em seus papéis, mas Cox é muito subutilizado, o que é uma pena já que seu personagem poderia ajudar a dar um tom mais dramático à produção. Infelizmente, o foco do lado malvado é Dodge Landom (Tom Felton, de Harry Potter). E aí cai naquela armadilha de fazer um filme fácil. Funciona, mas O Planeta dos Macacos: A Origem acaba se tornando uma produção menos convincente do que poderia.
Freida é uma boa atriz e provou isso em Quem Quer Ser Um Milionário?, mas assim como Felton e David Oyelowo (Steven Jacobs) é preciso ser muito bom para convencer em uma produção dessas. Felizmente, Wyatt compensa nas cenas de ação e ao focar o filme em César. A WETA, empresa que venceu o Oscar com Avatar, criou a animação computadorizada que combinada ao trabalho de Serkis ajuda a se tornar o maior destaque da produção.
O Planeta dos Macacos: A Origem passa longe de ser aquele filme que atravessa gerações, mas retoma o interesse na clássica história. É torcer para que os produtores tenham mais ambição pela qualidade e esperar rever César em breve.
Você pode ver outra opinião sobre o filme aqui.
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